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A Secretaria Nacional do Consumidor (SENACON)

3. ESTRUTURA ADMINISTRATIVA PARA A TUTELA DO

3.2 A Secretaria Nacional do Consumidor (SENACON)

A Secretaria Nacional do Consumidor (SENACON)299, criada pelo Decreto

nº 7.738, de 28 de maio de 2012, órgão específico singular, integrante da Estrutura Regimental do Ministério da Justiça, a que se refere o art. 2º, inciso II, alínea “c”, do Anexo I do Decreto nº 6.061, de 2007, tem por finalidade exercer as competências estabelecidas no artigo 106300 da Lei nº 8.078/90 (CDC) e na Lei nº 9.008/95301, e

299 Secretaria Nacional do Consumidor. E-Mail: <[email protected]>. Endereço: Esplanada dos

Ministérios, Bloco T, Ed. Sede, 5º andar, sala 538. CEP: 70064-900. Brasília-DF. Telefone: (61)2025- 3112. Disponível em: <http://www.mj.gov.br/senacon>. Acesso em: 2 jan. 2015.

300 Art. 106, CDC: O Departamento Nacional de Defesa do Consumidor, da Secretaria Nacional de

Direito Econômico (MJ), ou órgão federal que venha substituí-lo, é organismo de coordenação da política do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor, cabendo-lhe: I - planejar, elaborar, propor, coordenar e executar a política nacional de proteção ao consumidor; II - receber, analisar, avaliar e encaminhar consultas, denúncias ou sugestões apresentadas por entidades representativas ou pessoas jurídicas de direito público ou privado; III - prestar aos consumidores orientação permanente sobre seus direitos e garantias; IV - informar, conscientizar e motivar o consumidor através dos diferentes meios de comunicação; V - solicitar à polícia judiciária a instauração de inquérito policial para a apreciação de delito contra os consumidores, nos termos da legislação vigente; VI - representar ao Ministério Público competente para fins de adoção de medidas processuais no âmbito de suas atribuições; VII - levar ao conhecimento dos órgãos competentes as infrações de ordem administrativa que violarem os interesses difusos, coletivos, ou individuais dos consumidores; VIII - solicitar o concurso de órgãos e entidades da União, Estados, do Distrito Federal e Municípios, bem como auxiliar a fiscalização de preços, abastecimento, quantidade e segurança de bens e serviços; IX - incentivar, inclusive com recursos financeiros e outros programas especiais, a formação de entidades de defesa do consumidor pela população e pelos órgãos públicos estaduais e municipais; X - (Vetado); XI - (Vetado); XII - (Vetado); XIII - desenvolver outras atividades compatíveis com suas finalidades; Parágrafo único. Para a consecução de seus objetivos, o Departamento Nacional de

especificamente, nos termos do artigo 1º da Portaria MJ nº 1.840 de 24 de agosto de 2012302.

Para a dirigente da SENACON, Juliana Pereira, a criação desse órgão foi justificada:

A maior distribuição de renda e a inclusão de novos consumidores no mercado de consumo requerem a ampliação da capacidade institucional do órgão federal responsável pela Política Nacional das Relações de Consumo. A criação da SENACON é o reconhecimento de que a proteção ao consumidor é um instrumento fundamental para a garantia da cidadania e para o equilíbrio nas relações de consumo303.

Nos termos do Regimento Interno citado do MJ, a SENACON será dirigida por secretário304 e contará, em sua estrutura, com coordenações gerais, vinculadas diretamente ao gabinete, a ser dirigido por chefe de gabinete. A Secretaria também contará em sua estrutura com o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC)305, dirigido por Diretor e o Conselho Federal Gestor do Fundo de Defesa de

Direitos Difusos (CFDD).

Defesa do Consumidor poderá solicitar o concurso de órgãos e entidades de notória especialização técnico-científica.

301 Lei nº 9.008/95. Cria, na estrutura organizacional do Ministério da Justiça, o Conselho Federal de

que trata o art. 13 da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985, altera os arts. 4º, 39, 82, 91 e 98 da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, e dá outras providências.

302 Regimento Interno MJ. Portaria MJ nº 1.840 de 24 de agosto de 2012. 303 Direito do consumidor ganha status de Secretaria Nacional. Disponível em:

<http://portal.mj.gov.br/main.asp>. Acesso em: 14 dez. 2014.

304 De acordo com o art. 39 da Portaria MJ nº 1.840, de 24 de agosto de 2012, ao Secretário Nacional

do Consumidor incumbe: I - formular, promover, supervisionar e coordenar a Política Nacional de Proteção e Defesa do Consumidor; II - formular e supervisionar a implementação dos planos de ação da SENACON; III - estabelecer diretrizes para o cumprimento das leis que regem a defesa do consumidor; IV - decidir sobre processos, procedimentos e recursos administrativos que lhe forem submetidos; V - manter articulação com órgãos e entidades públicas e instituições privadas; VI - aplicar penalidades administrativas nos descumprimentos das normas de proteção e defesa do consumidor; VII - expedir atos administrativos sobre a política do consumidor, para o cumprimento da legislação vigente; VIII - convocar dirigentes de unidades da Senacon para o exame de questões e fixação de diretrizes e normas necessárias à condução dos trabalhos; IX - assinar convênios, contratos e ajustes, cujo objeto envolva interesses da Senacon; X - coordenar as atividades das unidades organizacionais da Senacon; XI - manifestar-se nas consultas encaminhadas à Senacon; XII - decidir em última instância, no âmbito da Senacon, sobre os processos que envolvam direito do consumidor; e XIII - ordenar despesas.

305 A diferença entre uma Secretaria de Estado para um Departamento, basicamente, é que a

Secretaria de Estado tem maior autonomia administrativa, maior orçamento e estrutura de efetivo pessoal, bem como o reconhecimento da importância da Defesa do Consumidor institucionalizada no alto escalão do Executivo Federal, elevando ainda mais a coordenação do SNDC – Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. Ministério da Justiça. SENACON. Disponível em: <http://www.justica.gov.br/seus-direitos/consumidor>. Acesso em: 20 dez. 2014.

Para entendimento da estrutura o organograma306 abaixo identifica as

principais unidades da Secretaria Nacional do Consumidor:

Figura 6

Bruno Miragem tece suas considerações sobre o SNDC e SENACON:

O Sistema Nacional de Defesa do Consumidor – SNDC está regulamentado pelo Decreto Presidencial nº 2.181, de 20 de março de 1997, integrando órgãos federais, estaduais, do Distrito Federal e municípios, incluindo ainda entidades civis de defesa do consumidor sem que haja, entre eles, hierarquia ou subordinação (art. 105, CDC). Todavia, como todo conjunto de estruturas interligadas, cuidou o CDC de estabelecer um órgão responsável pela sua coordenação, o que se faz através da Secretaria Nacional do Consumidor (SENACON). A tarefa de coordenar significa organizar determinado trabalho para que bons resultados sejam alcançados307.

A criação desta secretaria, além de marco histórico na defesa do consumidor no Brasil, simbolizou o compromisso do Governo Federal com a cidadania e a proteção dos consumidores de todo o país.

Com atribuições estabelecidas no art. 106 do Código de Defesa do Consumidor e no art. 3º do Decreto n° 2.181/97, que teve alterações pelo Decreto 7.738/12, a SENACON passou a coordenar a Política Nacional das Relações de Consumo, com os objetivos de: (i) garantir a proteção e exercício dos direitos consumidores; (ii) promover a harmonização nas relações de consumo; e (iii) incentivar a integração e a atuação conjunta dos membros do Sistema Nacional de

306 Organograma da SENACON. Extraído do Ministério da Justiça. Disponível em:

<www.portal.mj.gov.br>. Acesso em: 15 jan. 2015.

307 BESSA, Leonardo Roscoe; MOURA, Walter José Faiad de; SILVA, Juliana Pereira da (coord.).

Defesa do Consumidor – SNDC (PROCONS, Ministério Público, Defensoria Pública e Entidades Civis de Defesa do Consumidor).

Ponto de discussão é a respeito da possibilidade de qualquer espécie de subordinação dos órgãos estaduais e do Distrito Federal à coordenação superior vinculado à Administração Pública da União. Segundo relata Luiz Amaral, há dois entendimentos para a questão.

O primeiro de que este dispositivo seria inconstitucional, uma vez que representaria a interferência indevida da União nos Estados e Municípios. Em sentido diverso, os que defendem a constitucionalidade do artigo da lei, observando que a Constituição, ao prever que o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor (art. 5º, XXXII), faz referência ao Estado em sentido amplo, isto é, abrangendo União, Estados-membros e Município. Assim, incumbiria a União à coordenação e harmonização do sistema, o que se faria necessário para evitar modos diversos de atuação administrativa, causados, eventualmente, em virtude dos diferentes modos de agir dos inúmeros órgãos308.

Bruno Miragem esclarece o termo coordenação que deve ser dado pela SENACON ao SNDC:

A expressão legal adotada pelo artigo 106 do CDC é “coordenação”, o que por si não há de significar necessária vinculação. Refere, pois, um conteúdo de orientação, que há de servir para razoável uniformização dos procedimentos adotados em nível nacional309.

Ao que parece a conexão refere-se aos órgãos específicos do SNDC, quais sejam, DPDC e PROCONS e o intuito definido pelo legislador é o de coordenação do sistema de promover orientações e traçar diretrizes para que haja um sistema coerente e unificado. Isso porque se não houver coordenação, na busca de um objetivo comum e único, não se tem um sistema. Para Marcelo Sodré, “pode- se ter ilhas, ou seja, várias entidades atuando isoladamente, vários PROCONS atuando separadamente, mas não um sistema”310.

Nesse contexto, a atuação conjunta de todos os órgãos integrantes do SNDC deve estar fundamentada em três premissas básicas, as quais devem ser buscadas pela SENACON: cooperação (que significa operar junto), na qual os

308 AMARAL, Luiz Otavio de Oliveira.

Teoria geral do direito do consumidor. São Paulo: RT, 2010.

309 MIRAGEM, Bruno.

Curso de direito do consumidor. Ob. cit., p. 413.

310 SODRÉ, Marcelo Gomes.

Formação do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. Ob. cit., p.

órgãos integrados se somam na promoção da defesa do consumidor; solidariedade, para que as atividades coletivas não sejam exercidas isoladamente, mas em grau de auxílio mútuo; e sinergia, para que haja intercâmbio de experiências, ensinamentos, informações e forças311.

Segundo o Plano Nacional de Consumo e Cidadania (PLANDEC), a SENACON passa a ter os seguintes objetivos em âmbito nacional de: (i) garantir a proteção e exercício dos direitos dos consumidores; (ii) promover a harmonização nas relações de consumo; (iii) incentivar a integração e a atuação conjunta dos membros do SNDC; e (iv) participar de organismos, fóruns, comissões ou comitês nacionais e internacionais que tratem da proteção e defesa do consumidor ou de assuntos de interesse dos consumidores, dentre outros, atuando ainda na análise de questões que tenham repercussão nacional e interesse geral, ou seja, na promoção e coordenação de diálogos setoriais com fornecedores, na cooperação técnica com órgãos e agências reguladoras, na advocacia normativa de impacto para os consumidores e na prevenção e repressão de práticas infrativas aos direitos dos consumidores312.

A secretaria promete também atuar nas seguintes frentes: (i) a ampliação do atendimento ao cidadão, auxiliando na criação de PROCONS e associações de consumidores; (ii) a ampliação do acesso ao crédito, trabalhando junto com outros órgãos para estruturar políticas de educação financeira para os consumidores; (iii) a proteção de dados pessoais, construindo uma Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais; (iv) as novas tecnologias e comércio eletrônico, monitorando e fiscalizando eventuais abusos e desrespeitos; a qualidade e segurança de produtos, atuando na prevenção de acidentes de consumo e no estímulo à melhora da qualidade de produtos; (v) e a análise de Impacto Regulatório para o consumidor313,

além de (vi) coordenar, gerenciar e manter o portal consumidor.gov.br314.

311 BESSA, Leonardo Roscoe; MOURA, Walter José Faiad de; SILVA, Juliana Pereira da (coord.).

Manual de direito do consumidor. Ob. cit., p. 33.

312 Ministério da Justiça. SENACON. Disponível em: <http://www.justica.gov.br/seus-

direitos/consumidor>. Acesso em: 20 dez. 2014.

313 Ministério da Justiça. SENACON. Disponível em: <http://www.justica.gov.br/seus-

direitos/consumidor>. Acesso em: 20 dez. 2014.

314Art. 3º, Portaria no 1.184, de 1º de julho de 2014: Compete a Secretaria Nacional do Consumidor do

Ministério da Justiça - Senacon coordenar, gerenciar e manter o <consumidor.gov.br>. Parágrafo único. A gestão do <consumidor.gov.br> será realizada por meio da Senacon com o apoio dos seguintes comitês: I - Comitê Consultivo; II - Comitê Técnico dos Procons integrados; e III - Comitê Técnico dos fornecedores participantes.

No âmbito internacional, a secretaria representa os interesses dos consumidores Brasileiros e do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC) junto a organizações internacionais como o MERCOSUL 315, a Organização dos Estados Americanos (OEA), que busca estreitar o diálogo e promover o intercâmbio de informações que possam refletir na defesa do consumidor do Brasil e o Foro Ibero-Americano das Agências Governamentais de Proteção ao Consumidor (FIAGC), no intuito de buscar discussão de temas estratégicos (proteção de dados pessoais, saúde e segurança, turismo, entre outros)316.

No manual publicado pela SENACON, no âmbito da ENDC, Juliana Pereira, Leonardo Bessa e Walter José Moura resumem as atividades da secretaria:

Além do planejamento, elaboração, coordenação e execução da Política Nacional das Relações de Consumo, a SENACON também atua na análise de questões que tenham repercussão nacional e interesse geral, na promoção e coordenação de diálogos setoriais com fornecedores, na cooperação técnica com órgãos e agências reguladoras, na advocacia normativa de impacto para os consumidores, na prevenção e repressão de práticas infrativas aos direitos dos consumidores317.

Pela quantidade de itens e magnitude dos mesmos, tratam-se de muitas e complexas atribuições, com grandes desafios pela frente, necessitando de atitudes corajosas, articulação política e muita coerência nos atos, procedimentos e formação do corpo técnico para que tantos desafios sejam alcançados e implementados.

Contudo, nesses três anos de existência, muito já se ouviu falar da SENACON e seus feitos, com intuito de dar cabo aos seus objetivos listados acima quanto ao aprimoramento e ampliação do sistema.

Como exemplos de atividades já desenvolvidas ou em implementação pela SENACON, estão: (i) a formulação do PLANDEC que será visto mais a frente; (ii) a ampliação do SINDEC que já foram traçadas considerações; (iii) assinatura e renovação de novos acordos de Cooperação Técnica318 com entidades parceiras e órgãos da administração federal, com atribuições relacionadas à proteção e defesa

315 A Secretaria Nacional do Consumidor, na estrutura do MERCOSUL, integra o Comitê Técnico Nº 7

de Defesa do Consumidor, órgão responsável pela discussão dos assuntos pertinentes ao tema no bloco. Disponível em: <http://www.justica.gov.br/seus-direitos/consumidor>. Acesso em: 20 dez. 2014.

316 Ministério da Justiça. SENACON. Disponível em: <http://www.justica.gov.br/seus-

direitos/consumidor>. Acesso em: 20 dez. 2014.

317 BESSA, Leonardo Roscoe; MOURA, Walter José Faiad de; SILVA, Juliana Pereira da (coord.).

Manual de direito do consumidor. Ob. cit., p. 30.

318 Ministério da Justiça. Acordos de Cooperação. Disponível em: <http://www.justica.gov.br/seus-

do consumidor visando garantir o desenvolvimento econômico com respeito aos direitos do consumidor com os seguintes órgãos: Conselho Nacional de Justiça - CNJ; Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; Banco Central do Brasil; Comissão de Valores Mobiliários – CVM e Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – Inmetro. Tais acordos têm por objeto a articulação institucional, a promoção de ações conjuntas para intercâmbio de informações e o aprimoramento das atividades regulatórias e de fiscalização objetivando o aperfeiçoamento do fornecimento de produtos e da prestação de serviços, por meio de medidas articuladas que fortaleçam o sistema de defesa dos direitos dos consumidores; (iv) diagnóstico de seus macroprocessos finalísticos e de apoio, bem como de outros conteúdos referentes a indicadores de desempenho, metas, produtos e clientes da secretaria; (v) terceira edição do Projeto Indicadores Públicos de Defesa do Consumidor, que demonstra o compromisso do mercado em diminuir conflitos319; (vi) Acordo contendo compromissos institucionais com operadoras de telefonia e outras 15 grandes empresas que atuam em segmentos diversos320 para garantir o atendimento eficaz ao consumidor e reduzir as reclamações nos PROCONS; (vii) participação da Estratégia Nacional de não Judicialização (ENAJUD)321.

A SENACON lançou também o Sistema de Informações de Acidentes de Consumo (SIAC), instituído pelos Ministérios da Saúde e da Justiça, por intermédio da Portaria Interministerial n°3.082/2013322, com o objetivo de armazenar os

registros e informações sobre acidentes de consumo graves e fatais, subsidiando as ações voltadas à proteção da saúde e segurança do consumidor, conforme previsão

319 Relatório de Gestão exercício 2013. Ministério da Justiça. Brasília, Março 2014. Disponível em:

<http://www.justica.gov.br>. Acesso em: 20 dez. 2014.

320 Acordo realizado com: Vivo, Tim, Oi e Claro, Sky, Net, GVT, Itaú Unibanco, Caixa Econômica

Federal, Santander, Bradesco,WalMart, Pão de Açúcar/Varejo Alimentar, Camargo Corrêa, Comgás (Companhia de Gás de São Paulo), Nova PontoCom, Máquina de Vendas, Losango e Serasa Experian. Iniciativa foi capitaneada pela Associação Brasileira das Relações Empresa Cliente (ABRAREC). Disponível em: <www.abrarec.org.br>. Acesso em: 10 out. 2014.

321 A Estratégia Nacional de Não Judicialização – ENAJUD foi firmada pela Portaria Interinstitucional

nº 1186, datada de 02 de julho de 2014, e assinada pelo Ministro da Justiça, pelo Ministro da advocacia-geral da União, pelo Ministro da Previdência Social e pelo Presidente do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), tendo como objetivos desenvolver, consolidar e difundir procedimentos, mecanismos e métodos alternativos de solução de conflitos, promovendo a prevenção e a redução dos litígios e contribuindo para a ampliação do acesso à justiça.

322 De acordo com a referida Portaria, a notificação será compulsória, cabendo à SENACON a

consolidação e o envio dos registros e informações sobre os acidentes aos órgãos reguladores interessados, especialmente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), ao Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO) e ao Departamento Nacional de Trânsito (DNT), dentre outros.

dos arts. 4°, 6° e 8° do Código de Defesa do Consumidor, para que possam ser adotadas as medidas coercitivas contra os fornecedores e as políticas necessárias à preservação dos direitos dos consumidores no mercado. Operacionalmente, os profissionais da saúde deverão enviar a um banco de dados os registros referentes a pacientes que, por exemplo, deram entrada nos hospitais vítimas de possíveis acidentes de consumo.

A partir da atuação internacional, cabe destacar os trabalhos realizados com o consumidor turista no MERCOSUL, que foi levado à Conferência de Haia de Direito Privado, e um Atlas Iberoamericano de Defesa do Consumidor, com as práticas nas Américas do Sul e Central, Portugal e Espanha.

A recente parceria firmada em reunião do Comitê Técnico de Defesa do Consumidor do MERCOSUL firmou em 05 de dezembro de 2014323, acordo de cooperação técnica com os órgãos de defesa do consumidor do Paraguai, Uruguai e Peru para compartilharem experiências e informações técnicas sobre demandas de consumidores, fornecidas pelo Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (SINDEC). Ainda, nessa mesma linha, foi criada a Escola MERCOSUL de Defesa do Consumidor, uma plataforma virtual na qual serão realizados cursos de capacitação à distância para técnicos de defesa do consumidor dos países do MERCOSUL e Peru324.

O lançamento de publicações como: (i) Consumer Defense in Latin AméricaGeopolitical Atlas (2008); (ii) A Defesa do Consumidor no MERCOSUL e no Peru: uma análise comparativa (2009); (iii) Código de Proteção e Defesa do Consumidor – Edição Comemorativa Quadrilíngue (2011); (iv) A Proteção Internacional do Consumidor Turista e Visitante (2014); (v) Guia do Consumidor Turista (2014)325.

Nessa toada a SENACON vem demonstrando grande entusiasmo na implementação e aplicação de seus escopos, corroborando a que veio, com atual direção de Juliana Pereira. Ao que parece, com a atuação da SENACON, a defesa

323 Essa colaboração inclui a transferência de tecnologia para processamento e gestão de dados de

demandas de consumo que possibilitem o registro e armazenamento de informações. Ministério da Justiça. Disponível em: <http://portal.mj.gov.br>. Acesso em: 1 nov. 2014.

324 Portal Brasil. Publicado em 11 dez. 2014. SINDEC é modelo de defesa do consumidor para

MERCOSUL. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2014/12/SINDEC-e- modelo-de-defesa-do-consumidor-para-MERCOSUL>. Acesso em: 15 dez. 2014.

325 Ministério da Justiça.

Disponível em: <http://www.justica.gov.br/seus-direitos/consumidor/consumidor-no-mundo-1>. Acesso em: 20 dez. 2014.

do consumidor como política pública promete ter deixado de ser apenas uma política para a solução de conflitos e passou a visar às causas estruturais que levam a esses problemas e muito importante o aparecimento da Secretaria formata uma nova organização administrativa pra a proteção ao consumidor ajustando e aprimorando os pontos falhos do SNDC.

Portanto, acredita-se que os objetivos estratégicos da SENACON têm sido satisfatoriamente alcançados, com ações estruturantes voltadas principalmente à proteção da saúde e segurança do consumidor, à repressão de práticas infrativas ao Código de Defesa do Consumidor, ao aperfeiçoamento das políticas regulatórias, às ações de coordenação e integração do SNDC, com destaque para as novas interlocuções políticas da secretaria e para a expansão do Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (SINDEC) em cada vez mais municípios, interligando os dados de consumo de todas as regiões Brasileiras.