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2.5 Conhecimento como recurso competitivo

2.5.1 A sociedade do conhecimento

A economia sempre migrou de um estado para outro, conforme o passar do tempo. Segundo Crawford (1994, p. 29), a economia ascendeu da fase industrial para economia do conhecimento, na qual ocorreu uma série de mudanças. Entre essas mudanças, destacam-se as seguintes:

• A automação do trabalho: atividades intensivas de manufatura, bem como um incremento de automação de uma vasta gama de atividades de serviços;

• Um crescimento generalizado na indústria de serviços, particularmente na saúde, educação, produção de software e entretenimento;

• A redução no tamanho das grandes empresas tanto na manufatura quanto de serviços, devido ao maior estímulo ao espírito empreendedor;

• Uma mudança na força de trabalho, com um crescimento acentuado de participação de mulheres (que são ao mesmo tempo o segmento de crescimento mais rápido da força de trabalho e também o que progride mais aceleradamente em termos de status econômico);

• Transformações demográficas substanciais causadas pela queda na taxa de nascimento e uma população mais velha;

• Substituição do centro geográfico da economia, antes centrada em matérias-primas e bens de capital para se concentrar em informações e conhecimentos, particularmente pesquisa e educação.

Ademais, Crawford (1994) cita que há alguns pontos-chaves que diferenciam a economia do conhecimento de suas predecessoras. São eles:

• O conhecimento científico básico e a pesquisa tornaram-se a força propulsora da economia, gerando nova tecnologia, promovendo oportunidades para inovações e criando novas indústrias;

• A educação tem um papel fundamental quando os serviços de informações são o maior segmento da economia;

• A participação das mulheres na força de trabalho aumenta sensivelmente e essas buscam igualdade de salário com os homens;

• As ideologias políticas decaem e as forças econômicas e políticas se dispersam;

• Novas tecnologias de administração de organizações são desenvolvidas, utilizando-se tecnologia intensiva e enfatizando os recursos humanos.

A característica mais marcante da economia do conhecimento é o surgimento do termo capital humano, ou seja, pessoas educadas e habilitadas, como força dominante da economia para exercer determinadas atividades não comuns nas fases econômicas anteriores, como a industrial, por exemplo.

Embora a quantidade de capital físico e financeiro na sociedade industrial fosse um fator crítico para seu sucesso, na economia do conhecimento a importância relativa do capital físico diminuiu à medida que elementos-chaves como computadores se tornam baratos e a quantidade e qualidade do capital humano crescem em importância.

Crawford (1994, p. 46) explica que:

[...] o mundo entrou num período de mudanças similar à primeira fase da Revolução Industrial. Baseada fundamentalmente em uma nova infra-estrutura científica, a tecnologia de uma economia do conhecimento é radicalmente diferente daquela da economia industrial.

A tecnologia industrial movimentava a força física e criava produtos físicos e a tecnologia do conhecimento cria e movimenta informações ou, alternativamente, reduz o volume físico dos produtos, propiciando maior conforto aos seus usuários.

A tecnologia empregada pela Revolução Industrial era mecânica em sua natureza e baseada na Lei de Newton, desenvolvida no século XVII. A tecnologia da economia do conhecimento baseia-se numa grande quantidade de progressos científicos do século XX, particularmente nos progressos da física, pesquisas biotecnológicas e afins.

As pessoas estão familiarizadas com a economia do conhecimento. Pensa-se nela como alta tecnologia: computadores, comunicação avançada, robôs, ciências dos materiais, biotecnologia, lasers e energias.

Essa tecnologia afetou de forma dramática a produtividade ao permitir que as indústrias fabricassem produtos de alta qualidade com poucas horas de trabalho, pouca energia e material e também ao permitir que o setor de serviços operasse mais eficientemente, com menor número de pessoas e menor quantidade de recursos materiais e energéticos.

As mudanças demográficas, dos padrões sociais e da produção econômica, causadas pela nova tecnologia e pelos novos métodos organizacionais, estão transformando, radicalmente, os mercados e a força de trabalho. Uma tendência é a de que, à medida que os mercados de bens de maior consumo ficam saturados e a receita dos consumidores é gasta com serviços, há maior crescimento do mercado de serviços em detrimento do mercado de bens. (Id., 1994). Ademais, numa economia do conhecimento, a demanda por serviços cresce a uma taxa mais elevada do que a demanda por bens. Os bens tendem a ser usados para satisfazer às necessidades físicas básicas: alimentação, roupa, moradia e automóveis são as despesas básicas dos consumidores com bens. Quando a maior parte da população já satisfez suas necessidades físicas básicas, a demanda por bens estabiliza e a demanda pelos serviços cresce. Para Fleury e Oliveira (2001, p. 212), é relativamente difícil encontrar um denominador comum ou mesmo estabelecer limites para a forma como os termos conhecimento, competência, aprendizado e habilidade, criatividade, capital intelectual, capital humano, tecnologia, capacidade inovadora, ativos intangíveis e inteligência empresaria, entre outros, são utilizados na Sociedade do Conhecimento.

É importante que se compreenda que o recurso conhecimento e sua gestão no ambiente empresarial têm tido diferentes focos. Os autores citam alguns desses focos provenientes da atual Sociedade do Conhecimento:

• Aprendizado individual e organizacional (cultura organizacional);

• Desenvolvimento de competências individuais e organizacionais;

• Mapeamento, codificação e compartilhamento do conhecimento organizacional;

• Conectividade entre as pessoas;

• Alavancagem dos avanços em informática e em telecomunicações;

• Mensuração do Capital Intelectual da empresa.

Nesse contexto, o desafio contemporâneo de se produzir mais e melhor vai sendo suplantado pelo desafio permanente de criar novos produtos, serviços, processos e sistemas gerenciais. Entretanto, a velocidade das transformações e a complexidade crescente dos desafios não permitem mais concentrar esses esforços em alguns poucos indivíduos ou áreas das organizações.

Finalmente, essas novas indústrias diferem da indústria “moderna” tradicional porque empregarão, predominantemente, empregados com conhecimento e não operários manuais. A programação de computadores, por exemplo, com suas enormes oportunidades de emprego, é um trabalho semiqualificado. (Id., 2001).

Antunes (2000, p. 13) afirma que:

[...] aceitando-se o conhecimento como o novo fator de produção, que vem se aliar aos já existentes – terra, trabalho e capital – ou mesmo, como substituto definitivo, instala-se um período de transformações, cujos efeitos estão se espalhando mundialmente, alterando os sistemas político, social e econômico dos países que se encontram em tal estágio de desenvolvimento.

Embora as mudanças na sociedade atual sejam profundas e perceptíveis, são contínuas, porém nem sempre uniformes. Isso é resultado da forma gradativa e diferenciada de acordo com o grau de evolução econômica em que o país se encontra. (Id., 2000).

Outro autor que compara a utilização do uso do conhecimento aplicado com demais recursos econômicos é Quinn (1992). Para o autor, o poder econômico e produtivo de uma organização

moderna está mais explicitado nos itens ligados ao Capital Intelectual do que aos ativos tangíveis tradicionais.

STEWART (2001, p. 6) comenta em sua obra que o conhecimento e a informação fazem parte de cada produto ou serviço que a sociedade utiliza na atualidade, ou seja, que estão embutidos no processo de produção ou na prestação de serviços.