3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.5 Tratamento dos dados
3.5.2 Coleta e tratamento de dados
Bardin (2004, p. 89) classifica a utilização da Análise de Conteúdo em três fases:
• Pré-análise;
• Exploração do material;
• Tratamento de resultados, inferência e interpretação.
Segundo essa divisão, a primeira fase, pré-análise, tem como finalidade a organização e a estruturação do material coletado / selecionado a fim de saber como poderá ser pesquisado e
como extrair as informações de que o pesquisador necessita para o desenvolvimento de sua pesquisa.
A pré-análise, no caso dos bancos brasileiros, foi o acesso ao sítio de BM&FBOVESPA (2008), na qual foi encontrada a relação de todos os bancos brasileiros e estrangeiros abertos. Posteriormente, utilizando o software DivExt, Divulgação Externa, foram coletados todos os arquivos que continham os dados das demonstrações financeiras referentes aos 28 bancos que listam suas ações na bolsa
Além disso, foi realizada pesquisa em cada sítio dos bancos para verificar se havia arquivos adicionais aos disponibilizados, primariamente, no sítio da BM&FBOVESPA. Para os bancos que realizam capitalização bursátil na bolsa espanhola foi adotado procedimento semelhante, com exceção à extração de informações referentes ao software utilizado, visto que o DivExt é um programa gratuito que atende, somente, as empresas que são listadas na BM&FBOVESPA.
Além disso, não há estrutura equivalente de disponibilização de dados na Bolsa de Madri como ocorre na BM&FBOVESPA, em que há um programa específico para o tratamento e agrupamento das informações referentes às instituições financeiras.
Para que as demonstrações contábeis, notas explicativas e relatórios de administração dos bancos atuantes na Espanha fossem coletados, acessou-se a página da Internet de cada uma das instituições, nas quais as informações foram encontradas e capturadas.
As informações coletadas tanto para os bancos atuantes no Brasil quanto na Espanha compreendem os exercícios sociais dos anos de 2006, 2007 e do 1S08, primeiro semestre de 2008. A utilização desse intervalo visa a estudar a possível evolução da evidenciação do Capital ao longo do tempo.
A fase de exploração do material consistiu na leitura de cada um dos relatórios contábeis, notas explicativas, relatórios de administração e demais relatórios que pudessem conter informações ligadas, direta ou indiretamente, ao Capital Intelectual. O tratamento dos resultados e a interpretação foram abordados mediante a análise das informações obtidas na leitura do material selecionado e das informações adquiridas.
Como citado no item 3.5.1 – Análise de dados – a unidade de análise para a categorização e divulgação do Capital Intelectual foi o termo, frase, oração ou sentença que remeta ao conceito ou ideia do objeto de estudo. Por meio da ocorrência desses itens nos informes contábeis e demais relatórios, foram realizados a organização e o estudo de suas frequências e ocorrências.
Para a análise desses relatórios contábeis, utilizaram-se as três divisões do Capital Intelectual propostas por Edvinsson e Malone (1998), que consistem em Capital Humano, Capital Estrutural e Capital de Clientes.
Para a elaboração das subdivisões, foram empregados os itens utilizados por Backes (2005) em sua dissertação de mestrado. Backes (2005, p. 126) afirma em relação à escolha das categorias e subcategorias que:
As categorias foram formadas tomando-se por base o referencial estudado, adotando-se a classificação de capital intelectual sugerida pelo referencial teórico em relação aos componentes de capital intelectual (EDVINSSON; MALONE, 1998) e, praticamente, comum a todos os autores referenciados: capital humano, capital estrutural e capital de clientes. Na definição das subcategorias considerou-se o referencial estudado, mais precisamente, os autores no item componentes de capital intelectual. (EDVINSSON; MALONE, 1998; STEWART, 1998; BROOKING, 1997 e SVEIBY, 1998).
Todavia, realizaram-se adaptações com o intuito de adequar essas subdivisões empregadas pela autora à realidade das instituições financeiras, visto que em sua pesquisa original Backes (2005) não estudou somente os bancos e, sim, as empresas abertas de diversos segmentos. O Quadro 4, a seguir, mostra as categorias utilizadas pela autora.
Quadro 4 – Categorias do Capital Intelectual
Fonte: Backes (2005, p. 128)
Levando-se em conta as divisões realizadas por Edvinsson e Malone (1998) e Backes (2005), foi realizada nova subcategorização dos itens que compõem o Capital Intelectual para atender aos propósitos desta dissertação. Os novos itens componentes de cada uma das subdivisões do Capital Intelectual são apresentados nos Quadros 5, 6 e 7:
Quadro 5 – Capital Humano
1.1 - Colaboradores considerados como ativo da empresa 1.2 - Incentivo, adoção e implementação a novas ideias
1.3 - Investimento em educação especializada e/ou internacional 1.4 - Política de retenção e captação de talentos
1.5 - Nível de escolaridade
1.6 - Número de funcionários, gerentes e gestores 1.7 – Turnover
1.8 - Benefícios (além dos exigidos por lei) 1.9 - Clima organizacional
Quadro 6 – Capital Estrutural
2.1 - Características e investimentos em TI 2.2 - Propriedade Intelectual
2.3 - Patentes, direitos autorais 2.4 - Marcas corporativas / Brands
2.5 - Quantidade e qualidade de canais e agências 2.6 - Inovação, pesquisa de produtos financeiros (P&D) 2.7 - Cultura organizacional
2.8 - Práticas de responsabilidade social
2.9 - Práticas de sustentabilidade / responsabilidade ambiental
Quadro 7 – Capital de Clientes
3.1 - Carteira de Clientes
3.2 - Lealdade / fidelidade de clientes
3.3 - Captação, retenção e conquista de clientes 3.4 - Satisfação e relacionamento com clientes 3.5 - Operações estruturadas com clientes
3.6 - Relacionamento com fornecedores e stakeholders 3.7 - Investimentos em TI / clientes e serviços de Internet 3.8 - Treinamento e inovação focada nos clientes 3.9 - Market Share, participação no mercado
4.1 Considerações iniciais
A finalidade do Capítulo 4 é apresentar e analisar os dados coletados das instituições financeiras tomadas como base de pesquisa. Destaque-se o fato de que os conjuntos dos bancos foram analisados separadamente em duas populações para posterior análise e confronto das informações obtidas em relação à divulgação de itens que compõem o Capital Intelectual.
4.2 Bancos atuantes no Brasil
Averiguou-se que, nos três períodos analisados, exercícios de 2006, 2007 e 1S08, a divisão que mais apresentou itens evidenciados no Brasil foi o Capital Estrutural, em que estão inseridos os itens relativos à tecnologia da informação, marcas, patentes e propriedades intelectuais e, por último, práticas de responsabilidade social, sustentabilidade e responsabilidade ambiental. Posteriormente, a divisão que apresentou mais dados evidenciados foi Capital Humano e, por último, a divisão Capital de Clientes.
Verificou-se que as principais informações concernentes ao Capital Intelectual estão destacadas nos relatórios de administração dos bancos e seus relatórios anuais. Nas demonstrações contábeis, propriamente analisadas, Balanço Patrimonial, Demonstração de Resultado, Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos e Demonstração dos Fluxos de Caixa não foram encontradas dados específicos que fizessem referência, direta ou indireta, ao tema estudado.
Não foi considerado para este estudo o item distribuição do valor adicionado gerados pelas empresas aos colaboradores e encargos (item 8.1 da DVA, Demonstração do Valor Adicionado) por entender que tal item não se refere ao Capital Intelectual. O item 8.1 da DVA, aqui citado, refere-se à divisão proposta por Iudícibus et al. (2007, p. 502).