3. O Desenvolvimento Sustentável e o Planeamento Urbano
3.3. A Sustentabilidade no Processo de Planeamento
Através do Livro Verde do Ambiente Urbano (UE, 1990), surge o reforço no sentido de a cidade ser vista como um dos principais impulsionadores e veículos de acção na operacionalização do desenvolvimento sustentável.
O mesmo livro relaciona ainda a questão da previsível expansão das áreas urbanas de forma exponencial e as questões que se irão levantar ao planeamento urbano.
A necessária abordagem ao processo de operacionalização do conceito de desenvolvimento sustentável será garantida através do processo de planeamento territorial dado “…o planeamento regional e urbano estar direccionado para as comunidades, a sua população e para o uso do solo e infra-estruturas económicas, através de processos de definição de objectivos, acções de planeamento e regulamentos, …” (Slocombe, 1993).
Para Nogueira e Pinho (1996), é possível considerar três perspectivas distintas do processo de planeamento territorial com vista à operacionalidade do desenvolvimento sustentável - a perspectiva conceptual, a processual e metodológica e a política e institucional. A primeira – perspectiva conceptual é dedicada ao estudo do papel do planeamento enquanto instrumento de política de ambiente e desenvolvimento sustentável, a segunda processual e metodológica, abrange a integração de novos objectivos nas fases fundamentais de processo de planeamento, e a última política e institucional, relativa à articulação de interesses entre os diversos agentes sociais e económicos envolvidos no processo.
prazo, e a inter-relação entre dimensões sociais, económicas e de protecção ambiental. Contudo, e não obstante poder aferir-se pontualmente esta posição, é também possível constatar que os resultados práticos visíveis não reflectem esta contribuição para a operacionalização do processo de desenvolvimento.
Uma outra contribuição, esta de Redclift (1989), refere que o planeamento territorial se limita a procurar melhores localizações para as actividades admitindo mais crescimento, situação que dificilmente é suportada por consenso social, quando comparado com os objectivos de equidade ambiental, social e económica.
Para Marshall (1992), o principal papel do planeamento territorial com vista ao desenvolvimento sustentável assenta na acção de evitar ou reduzir impactes negativos, e em ter um papel proactivo através de respostas adoptáveis a alteração ambiental.
Por outro lado e face ao expectável crescimento demográfico e urbano das cidades, Owens (1993),refere que não obstante poderem existir limites para além dos quais o crescimento e desenvolvimento se tornam insustentáveis, o planeamento territorial pode constituir um contributo valioso para tornar esses limites mais elásticos, quando associado às componentes da sustentabilidade.
Acresce ainda a este quadro de diferentes contributos ao processo de planeamento face ao desenvolvimento sustentável a posição de Thomas (1994), quando refere que a crescente politização da sociedade e o consequente envolvimento da população no processo de formação social irá contribuir para a criação de um novo tipo de política redistributiva dos custos e benefícios, associados a uma adequada implementação do desenvolvimento sustentável.
Por outro lado, Blowers (1993) refere que o desenvolvimento sustentável nunca será operacionalizado se não existir uma articulação entre ambiente e desenvolvimento, proporcionado, pela integração no planeamento tradicional das preocupações sociais e ambientais.
Questiona-se assim qual a efectiva contribuição que o planeamento territorial poderá prestar para a operacionalizacao do desenvolvimento sustentável.
O planeamento como veículo preponderante das acções de transformação do uso do solo e de promoção da qualidade de vida das populações deve, segundo Jacobs (1991), integrar medidas de sustentabilidade, de intensidades diferenciadas de acordo com os objectivos.
Refere ainda o mesmo autor que consoante os objectivos definidos estes devem poder ser ponderados e trocados por outros, no decorrer do processo, ou então possibilitar que as questões ambientais sejam tratadas como condicionantes para a garantia de eficácia do processo.
Por outro lado, e tendo em consideração o plano resultante da acção de planeamento territorial como uma matriz de critérios de apoio à tomada de decisão no processo de transformação de uso do solo, actividade essa, onde as questões de âmbito económico, social e ambiental se articulam sobre as dimensões espaciais da gestão do território, a sua contribuição para o desenvolvimento sustentável dependerá da existência de uma estrutura conceptual que possibilite atender às interacções entre uso do solo e alterações ambientais e simultaneamente viabilize a definição de uma teoria metodológica que identifique o “capital natural crítico” (Healey e Shaw – 1993) e os “limiares da sustentabilidade” (Blowers 1993; Jacobs 1991).
Outro aspecto relevante para o planeamento territorial é o de este poder conter no seu processo a análise específica das componentes ambiental e social, no sentido de valorizar a sua importância na acção, integradas no debate sobre os objectivos e estratégias de desenvolvimento, promovendo a discussão e induzindo à obtenção de consensos entre todos os agentes intervenientes.
Outro dos aspectos em que o planeamento poderá concorrer na promoção do desenvolvimento sustentável, tendo em consideração a obtenção de consensos nos objectivos e estratégias, é através da responsabilização dos diferentes agentes políticos, sociais e económicos com vista a uma maior celeridade processual donde resultarão evidentes mais valias para as comunidades abrangidas pelas acções de planeamento. Tal responsabilização, como é notório, está decorrente de uma maior animação e transparência do processo e da assumpção de uma nova postura para a cidadania, evitando que o processo promova
Em conclusão, pode-se referir que o desenvolvimento sustentável é atingível e operacionalizável por recurso à utilização de um novo processo de planeamento territorial, o qual deverá garantir a promoção da integração e inter-relacionamento de modo equitativo das três componentes de sustentabilidade.
3.4. A necessidade social da integração da componente ambiental no