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Nos últimos anos, devido ao avanço tecnológico, têm surgido problemas cada vez mais complexos na área de engenharia, os quais necessitam de soluções mais acuradas e tempos de processamento mais reduzidos, visando o maior aproveitamento dos recursos empregados. Esses problemas, que na sua maioria não apresentam soluções analíticas, podem ser tratados por técnicas de aproximação numéricas, graças ao desenvolvimento de computadores de alta velocidade de processamento e de grande capacidade de armazenamento de dados.

Por outro lado, os métodos híbridos consistem de uma combinação de técnicas analíticas associadas a aproximações numéricas e surgiram como alternativa aos métodos puramente numéricos para a solução de problemas complicados de engenharia, antes tratados apenas numericamente. As origens da denominada Técnica da Transformada

35 Integral Generalizada (GITT) estão associadas ao trabalho de Ozisik e Murray (1974), sobre a solução de problemas difusivos com coeficientes variáveis nas condições de contorno, onde vislumbrou-se a capacidade de se fornecer soluções analíticas aproximadas a uma faixa muito maior de problemas. A GITT proporciona soluções de natureza híbridas, numérico-analíticas, para problemas de convecção-difusão cuja transformação integral resulte em sistemas de equações diferenciais ordinárias acopladas, ou cujos problemas auxiliares são complexos do ponto de vista computacional.

Desde, então a GITT avançou na direção de estender as ideias do procedimento de transformação integral para classes gerais de problemas, tanto lineares, quanto não- lineares. Um trabalho completo e sistemático sobre GITT é apresentado em Cota (1993) e revisões e atualizações posteriores do progresso da técnica encontram-se em Cotta (1998) e Santos et al. (2001).

Além de ser um método computacional alternativo, a abordagem proporcionada pela GITT é particularmente adequada para a obtenção de soluções para validação de códigos numéricos, devido a característica de controle automático de erro, semelhante a uma solução analítica pura. Outro aspecto destacável do método é a extensão direta a situações multidimensionais com um aumento não muito grande no esforço computacional, comparativamente ao caso unidimensional. A característica híbrida é a responsável por esse comportamento, uma vez que a solução analítica é empregada em todas as variáveis independentes, com exceção de uma, fazendo com que a tarefa numérica seja sempre reduzida à integração de um sistema diferencial ordinário em apenas uma direção.

De maneira geral, a GITT é uma técnica que possui como característica, a garantia de convergência das soluções, para ordem crescente de truncamento das séries-soluções. Esta característica indica que é possível obter soluções com um número de algarismos significativos “exatos” (convergidos) para um determinado número de termos nas expansões. Com isso, o método da transformada integral é um método de precisão controlada, estabelecida na ordem de truncamento das expansões, que pode ser automaticamente determinado durante o processo de solução, assemelhando-se bastante ao de uma solução puramente analítica.

36 Segundo Cotta (1998), as aplicações do método podem ser divididas em:

• Problemas que apresentem coeficientes variáveis em suas condições de contorno (Özisik, 1974; Cotta, 1998; Santos et al., 2001);

• Problemas que apresentem coeficientes variáveis nas equações governantes (Özisik, 1974);

• Problemas que apresentem contornos variáveis;

• Problemas com fronteiras móveis. (Cotta, 1992);

• Problemas que envolvem dificuldades na solução do problema auxiliar (Özisik, 1974; Cotta, 1992);

• Problemas não lineares caracterizados pela presença de equações cujos termos fonte e / ou condições de contorno dependem do potencial a ser obtido;

Na última categoria, se encontra a maioria dos problemas na engenharia, particularmente na mecânica dos fluidos e transferência de calor, que podem ser citados: condução de calor com condutividade térmica variável, solução das equações da camada limite e solução das equações de Navier-Stokes (Cotta, 1992; Lima, 1995; Lima, 2000).

Para se utilização da GITT alguns passos devem ser aplicados, sequencialmente, os quais podem ser assim resumidos:

1. Escolha de um problema auxiliar apropriado. Este tem por base um problema de autovalor que satisfaz, simultaneamente, dois requisitos:

a) Possuir a maior quantidade de informações possíveis do problema original, a ser resolvido nas direções coordenadas, escolhidas para a transformação;

b) Ser de solução relativamente simples, de preferência analítica.

2. Solução do problema auxiliar e obtenção das autofunções, autovalores, normas e das propriedades de ortogonalidade.

37 3. Descrição do potencial original como uma expansão das autofunções oriundas

do problema auxiliar: determinação do par de transformada/inversa.

4. Transformação integral do sistema de equações diferenciais parciais originais, aplicando-se a fórmula da transformada em todos os termos das equações originais, seguida da fórmula de inversão nos termos não transformáveis. Obtém-se, assim, um sistema diferencial ordinário acoplado na variável independente restante.

5. Truncamento do sistema diferencial ordinário infinito e solução do sistema restante, por procedimentos numéricos bem estabelecidos disponíveis em pacotes de sub-rotinas, para obtenção dos campos transformados com precisão prescrita. Neste ponto, utiliza-se o controle automático de erro global para se ajustar as ordens de truncamento do sistema transformado e oferecer estimativas de erro relativo.

6. Obtenção do potencial original, fazendo-se uso da fórmula analítica de inversão.

Basicamente, a aplicação da GITT em sistemas de equações diferenciais parciais, por meio de operadores integrais apropriados, leva à eliminação de variáveis independentes do problema, e como consequência à obtenção de um sistema infinito de equações diferenciais ordinárias (EDOs) acopladas. Tal sistema, denominado simplesmente de sistema transformado, deve ser truncado em uma ordem finita para que se possa resolvê-lo. A ordem de truncamento é selecionada de acordo com a precisão prescrita desejada. Se o sistema transformado apresentar solução analítica, esta pode ser obtida automaticamente através de sistemas de computação simbólica, caso contrário, uma solução numérica deve ser obtida através de algoritmos computacionais disponíveis em diversas bibliotecas de sub-rotinas especificas.

38 Do ponto de vista das aplicações práticas de engenharia, pode-se citar o sucesso da utilização da GITT na análise de equipamentos termo hidráulicos, migração de rejeitos radioativos em solos, aerotermodinâmica de veículos espaciais, poluição ambiental, processo de secagem, problemas térmicos em siderurgia, enriquecimento isotópico, combustão, resfriamento de equipamentos eletrônicos, reservatórios de petróleo, entre outros (Pereira, 2000).

Dependendo da dificuldade do problema, alguns procedimentos preliminares poderão ser utilizados com o objetivo de melhorar a performance e otimização da técnica. Como exemplos: a aplicação de "filtros analíticos" para acelerar a convergência da solução; o reordenamento de autovalores e potenciais, aplicação do balanço integral.

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CAPÍTULO III

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