2.3 INTEGRAÇÃO NA GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS
2.3.2 Compartilhamento de informação
2.3.2.1 A Tecnologia da Informação no compartilhamento de informações
De acordo com Chopra e Meindl (2003) a tecnologia da informação (TI) pode ser definida como “ferramentas utilizadas para ter acesso às informações e analisa-las, de maneira a poder tomar decisões para a cadeia”. No entanto, Näslund e Hulthen (2012) afirmam que, em alguns casos, a TI funcionou como entrave à partilha de informação, colaboração e integração, pois as organizações ainda têm receio em compartilhar informações. Esta dificuldade implica em perda de eficiência na SCM, uma vez que, a estreita comunicação entre os membros consiste em uma característica essencial para aumentar a precisão das informações e tornar a cadeia mais sensível às necessidades dos clientes (HE et al., 2013; ZSIDISIN; RITCHIE, 2009).
Pozo, Tachizawa e Teodoro (2010) ao comparar a integração de empresas automotivas dos Estados Unidos e Europa com o Brasil, observaram que nos dois primeiros casos o intercâmbio eletrônico de informações é altíssimo, enquanto na indústria nacional isto acontece em nível bem mais básico, atribuindo essa diferença à falta de conhecimento, baixa confiabilidade e escassez de experiências entre os fornecedores nacionais.
Juttner, Christopher e Baker (2007) ressaltam que as barreiras de comunicação aparecem como o maior obstáculo na obtenção de cooperação nas cadeias de suprimentos, que consiste em um entendimento mútuo, determinação de metas coletivas e tem impacto direto no desempenho. Nesse sentido, Hsu et al. (2008), destacam a importância de que os membros de uma cadeia de suprimentos tenham sistemas de informação eficientes e compatíveis para que seja possível responder rapidamente às necessidades dos clientes. Isto é
possível, pois, segundo eles, o compartilhamento de informações possibilita a eliminação das ineficiências da cadeia de suprimentos.
O projeto dos sistemas de informação deve considerar, ao mesmo tempo, a demanda integrada e o processo de abastecimento, integrando os dois (JUTTNER; CHRISTOPHER; BAKER, 2007). A dificuldade na integração está no fato de que os sistemas de informação, muitas vezes, não são compatíveis dadas às diferenças existentes entre as empresas e para solucionar este problema as empresas deveriam utilizar os mesmos sistemas de informação, segundo Nurmilaakso (2008). No entanto, como afirmam Cheng et al. (2010), para que exista integração de sistemas, bem como o compartilhamento de informações, é preciso que haja confiança e coordenação o que pode ser facilitado com a implantação de um sistema de apoio seguro e personalizável.
A utilização de recursos de tecnologia da informação (TI) possibilita a redução de custos de transação e de produção, bem como a alcançar eficiência operacional, no entanto, somente a adoção destes não garante a coordenação e apoio global da cadeia de suprimentos, sendo necessária a complementação com recursos humanos e recursos complementares organizacionais (JEAN; SINKOVICS; KIM, 2008). Pandey, Bhattacharyya e Kaur (2012) destacam ainda que a ênfase nos recursos humanos dificulta a replicabilidade das tecnologias e sistemas utilizados, sendo assim, a utilização de TI com foco em pessoas também pode influenciar positivamente o desempenho da cadeia de suprimentos.
Prajogo e Olhager (2012) ressaltam a importância da TI em três aspectos da SCM. Primeiro, aumenta o volume e a complexidade das informações compartilhadas entre os parceiros. Segundo, possibilita a troca de informações em tempo real agilizando a tomada de decisões. Terceiro, melhora a coordenação na medida em que facilita o alinhamento das previsões e programações de produção. No entanto, alertam que o acesso a recursos tecnológicos não terão nenhum valor se não houver frequência, quantidade e qualidade no compartilhamento de informações.
Na medida em que possibilita a troca de um grande volume de informações ao longo da cadeia em um curto espaço de tempo a TI facilita a integração entre os membros e este aumento tem impacto direto na melhoria do desempenho, sendo assim, a TI influencia indiretamente o aumento do desempenho das cadeias de suprimentos (LI et al., 2009). No entanto, Thun (2010) observou que existe uma falta de alinhamento entre as estratégias das cadeias de suprimentos com as atividades de TI.
Para que a implantação de TI tenha influência no aumento do nível de integração entre os membros da cadeia de suprimentos é preciso que os parceiros tenham objetivos em comum
e reconheçam que a implantação dos processos devem ser mutuamente acordadas, bem como tecnologias e soluções aos problemas comuns, situação bem diferente do que vem sendo observado onde os gestores não têm acesso às informações que permitam estender as decisões à cadeia (SMART, 2008).
De acordo com Swafford, Ghosh e Murthy (2008) a integração de TI possibilita a ampliação da flexibilidade da cadeia e, consequentemente, da sua agilidade e desempenho, tornando-a mais competitiva. Assim, afirmam que níveis mais elevados de integração de TI melhoram o compartilhamento de informações permitindo que a cadeia alcance maiores níveis de flexibilidade, pois o investimento em TI possibilita a integração de toda a empresa e coordenação das funções internas da cadeia. Da mesma forma, a transferência rápida de informações ao longo da cadeia, proporcionada pela TI, melhora a disponibilidade e precisão das informações possibilitando uma melhor tomada de decisões (THUN, 2010).
No entanto, Jean, Sinkovics e Kim (2008) ressaltam que o núcleo de TI não deve ser terceirizado para evitar vazamento de informações para os concorrentes, sendo assim, sugerem que as empresas criem seu próprio núcleo de atividades.
Entre as características de integração abordadas neste texto, o conceito de compartilhamento de informações adotado foi o que apresentou menos divergência na literatura pesquisada. Trata-se da necessidade de comunicação entre os membros da cadeia para garantir a eficácia na gestão dos fluxos de produtos e serviços.
A utilização de sistemas de informações aparece como uma forma de agilizar e facilitar o fluxo de informações entre os membros. No entanto, colocar esta atividade em prática exige um elevado nível de confiança entre as partes, uma vez que, o mau uso das informações divulgadas pode incorrer em perdas estratégicas para a empresa. Sendo este o grande entrave do compartilhamento de informações em uma cadeia de suprimentos: o baixo nível de confiança entre as partes que torna o risco mais elevado.