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A TELEVISÃO UBÍQUA: ESTUDOS E OLHARES SOBRE A T

No documento jhonatanalvespereiramata (páginas 74-77)

2 O AMADOR NAS DIÁPORAS MIDIÁTICAS CONTEMPORÂNEAS

3.2 A TELEVISÃO UBÍQUA: ESTUDOS E OLHARES SOBRE A T

Num campo em que os avanços tecnológicos são contínuos, as pesquisas em televisão ganham fôlego extra: o ano de 2015 data o surgimento da possibilidade de ―conversarmos‖ com a TV. Embora o reconhecimento de voz para comandos simples, como ligar e desligar, seja anterior a este ano, a novidade se encontra na comercialização de aparelhos que permitem ao usuário interagir com a máquina por meio de ordens mais complexas, como buscar conteúdos e navegar por aplicativos. Pensar as possibilidades de interação e de relações com audiências a partir deste cenário outrora abordado apenas nos filmes de ficção científica tem

41 Para Pâmela Bório (2014), o prosumer pode ser comparado ao produtor da época que antecede o capitalismo,

mas que agora ressurge como produtor de informação midiática, participando ativamente na elaboração de conteúdos informativos diversos nas novas mídias.

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Definida nos anos 1950 nos EUA, a prática do gatekeeping é conhecida como aquela em que o jornalista é visto como um portal, que seleciona a informação durante suas rotinas de produção. O termo, nas teorias do jornalismo, tem suas observações pioneiras creditadas por Traquina a David Manning White em 1947, cujo resultado principal foi o artigo intitulado ―The „Gatekeeper‟: A Case Study In the Selection of News”, publicado originalmente em 1950 na revista acadêmica Journalism Quarterly, vol.27, N.4, de páginas 393 a 390 (TRAQUINA, 2005, p.223).

sido proposta frequente das pesquisas em comunicação nos últimos anos. ―A televisão ubíqua43‖ é inclusive nome da publicação portuguesa lançada em 2015 e organizada por Sónia Sá, Paulo Serra e Washington Souza Filho. Em sintonia com a proposta de ubiquidade, que é a qualidade de a TV estar em vários lugares ao mesmo tempo44. Segundo os organizadores, a TV ubíqua (2015, p.1) é marcada pela hiper-segmentação de públicos, em um contexto midiático onde os interesses muitas vezes são conflitantes entre produtores, distribuidores, anunciantes, fabricantes e consumidores. Eles apontam ainda que os editores dos noticiários televisivos passaram a difundir o produto amador, ou seja, conteúdos produzidos pelo espectador sem a orientação de um jornalista. João Carlos Correia (2015, p.49) apresenta nesta mesma publicação quatro desafios impostos atualmente à televisão ubíqua: o da criatividade perante a notável mudança de conteúdos; o da convivência com as redes sociais e com um ambiente de comentário constante; o discursivo, que coloca à prova os formatos televisivos e convoca à criação de gêneros híbridos; e o do modelo de negócio. Sob a perspectiva desta fase ubíqua45 da televisão, cuja análise será priorizada em nossa tese, o ―reinado‖ do telefone celular e a geração de conteúdos por não jornalistas permitiriam ao usuário assumir o papel de receptor, transmissor e fonte de informações, rompendo assim, com alguns paradigmas da comunicação. Entendermos o cenário atual da televisão no Brasil e no mundo e suas reconfigurações na pesquisa e no mercado torna-se um passo fundamental para avançarmos em nossa proposta de estudo, procurando identificar qual é a televisão sobre qual falamos e o que as pessoas que pesquisam e produzem TV na última década pensam sobre o meio. Investigamos se os quadros colaborativos anunciados pelas emissoras como sendo ―o espaço do jornalismo cidadão ou colaborativo na TV‖ poderiam ser classificados como os gêneros híbridos anunciados por João Correia (2015), portadores de novas estratégias narrativas fundamentais para a televisão ubíqua.

As pesquisas em televisão desenvolvidas na contemporaneidade dão-nos pistas de que este dispositivo audiovisual tem sido tomado como objeto de estudo sob distintas perspectivas de análise. Ao abordar em coletânea a ―TV em transição‖ (2009), Freire Filho (2009) destaca

43 Neste livro, os organizadores consideram que tecnologia da televisão off-line e online convergiu

abruptamente, revelando, desta forma, os limites dos estudos televisivos e as perspectivas de pesquisa que isolavam este medium dos restantes. É deste ponto de vista que a discussão se justifica e ganha novas condições para uma perspectiva de estudo diferenciada.

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A obra foi disponibilizada em livro impresso, pdf e ebook, com tiragem “print-on-demand” que permite imprimir cópias de um livro num momento em que forem solicitadas pelos leitores, algo improvável em métodos tradicionais de impressão.

45 João Carlos Correia (2015, p. 42) explica que a primeira referência à ubiquidade terá sido efetuada num texto

do cientista, escritor de ficção científica e profeta da tecnologia, Arthur C. Clark, intitulado ― The Mind of the Machine‖, publicado na Playboy em dezembro de 1968. Clark previa que os computadores seriam cada vez mais pequenos e eventualmente eles ficariam omnipresentes e ubíquos.

investigações que têm como ponto comum a demanda da troca de indagações moralistas por reflexões pontuais sobre as dinâmicas e mutações na/da paisagem televisiva. Nesse mesmo sentido, focados nas atuais relações entre a televisão e seus públicos, mapeamos considerações a respeito da televisão ubíqua. Para Toby Miller (2009) a televisão possui uma existência física, uma história como objeto de produção material e de consumo, além de ser um local de produção de sentido. Para o autor, ela está mudando, ao invés de acabar, como é sentenciado frequentemente, em diversas manchetes de notícias. A popularização do youtube, na visão de Miller (2009), só fez incluir a TV num novo cenário transmídia, uma vez que ―em vez substituir os programas de TV, estes fragmentos e comentários os promovem‖ (Idem, 2009, p.21). Tal promoção pode ser percebida em nossos objetos de análise, já que os quadros ―Outro Olhar‖ e ―Parceiro do RJ‖ não apenas são disponibilizados nos respectivos sites das emissoras (em locais específicos), como também são disponibilizados no youtube, podendo ser encontrados por ferramentas de busca ancoradas em palavras, temas ou data da exibição das produções. Becker (2015, p.192) sugere que experimentamos uma coexistência de velhas e novas formas de consumir televisão. Inserida em ambientes dinâmicos criativos, a TV, como os demais produtos da cultura digital, realiza uma exploração ubíqua das escolhas dos consumidores. Utilizando a expressão ―Matrix Media‖, de Michael Curtin (2009 apud Becker, 2015), a pesquisadora explica que a TV tem um modo de comunicação cada vez mais complexo, flexível e dinâmico, com formas distintas de produção, utilização e distribuição que não devem ser, necessariamente, encaradas como sinônimo de diversidade da produção audiovisual noticiosa no ambiente midiático. Para José Marques de Melo (2010. p.7)

os brasileiros estão servidos por uma televisão tecnologicamente moderna e esteticamente satisfatória, embora disseminando conteúdos distantes das necessidades educativas de vastos contingentes de concidadãos que permanecem excluídos do banquete civilizatório.

Nos estudos de Temmer (2010, p.108), a TV é um veículo representativo de uma sociedade que padece tanto de excesso quanto de falta de informação, uma vez que a quantidade de circulação mundial de informação é comprometida pelo tratamento dado à mesma. Porcello e Gadret (2010, p.215) abordam como a TV influência a Política no Brasil, formando imagens e atribuindo valores à atores sociais relevantes no âmbito do discurso noticioso. A partir de enquadramentos fornecidos pelas emissoras sem que possam escolher o ângulo de visão, os telespectadores observam na tela da TV gestos e falas de seus líderes, por meio dos quais buscam insumos para criar seus próprios frames em relação aos fatos políticos. Motta (2010) encara a TV como um operador da memória social, já que a imagem é a representação visual em movimento dos fatos, objetos e gente. A pesquisadora retoma Hall

(2005) para explicar que a linguagem da TV constrói identidades, por meio de representações imagéticas de grupos sociais. Essas esparsas representações não revelam a totalidade social, assim como os vídeos analisados nesta tese, os quais alimentam o imaginário em determinados sentidos, por meio dos quais percebemos os mundos e realidades vividas- nos bairros do Rio de Janeiro, caso do quadro ―Parceiro do RJ‖ e em algumas regiões do Brasil, como ocorre com o quadro ―Outro Olhar‖. Porém, essa ―televisão porosa‖ conceituada por França (2010), se encharca de temores e de desejos da sociedade que sugere representar e é marcada pela onipresença e adaptabilidade. Segundo a autora, a ―televisibilidade‖ é a única diferença entre aquele que está na televisão e aquele que a assiste, ou seja, qualquer um pode estar na TV, numa igualdade celebrada, mas hierarquizada pela possibilidade efetiva de ser escolhido e ganhar a sonhada visibilidade. Nesse sentido, refletimos em seguida sobre tendências de participação popular no telejornalismo como gênero televisivo singular.

No documento jhonatanalvespereiramata (páginas 74-77)