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A teoria da qualidade estrutural sujeito objeto

Requadro N o 1: Componentes de um conflito ambiental

QUAL É O VALOR DA NATUREZA?

2.1.2 A teoria da qualidade estrutural sujeito objeto

Risieri Frondizi (1974) elabora uma teoria que entende os valores como qualidades da relação sujeito-objeto. Considera que tanto as concepções subjetivas sobre o valor como as objetivas fazem contribuições válidas enquanto o que afirmam, mas erram no que negam. Assim, há valor sem valorização, considera um erro negar as qualidades específicas do objeto que se dá valor.

De forma similar, considera válida a afirmação do objetivismo a respeito da importância das qualidades do objeto, mas sustenta que é um erro deixar de lado a reação do sujeito perante as qualidades do mesmo.

Frondizi questiona as doutrinas subjetivas que estabelecem o valor no prazer no desejo ou interesse. A respeito da primeira, pergunta-se; o prazeroso é valioso por ser prazeroso ou o contrário? Tudo o que é prazeroso é valioso? Como é que existem coisas prazerosas que não consideramos valiosas? Destaca que muito freqüente o que está mais alto na escala axiológica não necessariamente é o mais prazeroso. E ale: o prazer de quem? Para o autor o prazer não é bom nem ruim, é uma vivência.

De forma similar podem-se questionar as teorias que assimilam o valor e o desejo, já que podemos considerar algo muito valioso e não deseja-lo ou desejar algo que não consideramos valioso. Discute a J. Smill (1848), quem sustentava que o único que prova algo é valioso é que se deseje. Assim, o valor abarcaria o que tem a capacidade do ser desejado, mais além de que o mereça ser.

Frondizi (1974) também questiona a afirmação de Perry (1950) a respeito de um objeto, de qualquer classe que seja, adquirindo valor quando lhe empresta um interesse de qualquer classe que seja. Podem existir interes por coisas que não se consideram valiosas.

Entre as principais críticas a posição objetivista, Frondizi questiona a “intuição emocional” que segundo Scheler permitiria a captação dos valores, já que a emoção pode ser capaz de captar alguns valores como os estéticos, mas, não os éticos, jurídicos ou úteis que são captados intelectualmente. Além que fazer perante intuições antitéticas?

Com respeito ao valor intrínseco, Frondizi sustenta que depende das qualidades naturais, mas não pode reduzir-se a elas. Não é um simples agregado. O valor não é uma estrutura senão uma qualidade estrutural, a reação de um sujeito de frente a propriedades que se encontram num objeto. Essa relação não se dá no nada e sim numa situação física e humana determinada. A situação não é um fato acessório ou um mero fundo à relação, dali que o bom pode converter-se em ruim segundo a situação. Por exemplo: alterações de valor da água devido a circunstâncias (necessidades, quantidade disponível, época, possibilidade de chuvas, regime jurídico que constituem a situação). A maior complexidade aumenta o peso dos fatores situacionais.

Segundo Frondizi (1974) a situação soma fatores tais como:

1) Ambiente físico (Ex: Muda-se a escala de valores perante catástrofe)

2) Ambiente cultural (o que o homem faz, mas em particular no atende ao setor que influencia diretamente). Cada forma cultural tem seu próprio conjunto de valores, que mudam a seu próprio ritmo. Algumas culturas têm pretendido que sua escala de valores seja universal e tem pretendido impor-los a outras culturas (mas não há razões morais nem científicas para isto).

3) O meio social (estruturas sociais, políticas e econômicas com suas inter- relações, crenças, convicções, preconceitos, atitudes e comportamentos de uma comunidade) forma parte do ambiente cultural. Os problemas morais não existem isoladamente, estão enraizados nas estruturas mencionadas.

4) Conjunto de necessidades, expectativas, aspirações e possibilidades de cumpri- las. (Ex: aumento do valor de vacinas durante uma epidemia). A importância das necessidades em uma situação particular mostra quanto injustificada é a pretensão de uma escala fixa e permanente para toda a humanidade.

5) Fator tempo-espacial tanto no referente a um macro clima (não é igual em época de tranqüilidade) como a um micro clima (estado civil, guarda de filhos ou não, estar doente, etc.) do comportamento.

A presença de fatores situacionais volta-se evidente perante rupturas como uma guerra, revolução, crise, catástrofe, etc. Há quem pretende reduzir o conjunto dos fatores a algum predominante, mas todos são importantes. O oculto se vê quando se mudam as condições. Os fatores não estão estratificados nem pode ordenar-se em hierarquia fixa, esta varia segundo a situação e as condições, qualquer mudança altera os demais. “As mudanças situacionais afetam a relação do sujeito com o objeto, da qual nasce o valor, dali que vem a importância da ecologia de valor” (FRONDIZI, 1974, p. 217).

Para o autor é necessário não confundir sujeito com meio. Há aspectos pessoais, ainda que estejam influenciados pela situação. Pertence ao meio, o que é compartilhado com outros sujeitos (fé religiosa, convicção política, tradição cultural). A situação começa onde termina o objeto: “em relação de á um ato moral, o aspecto objetivo é o fato nu da ação, e a situação é o contexto físico e humano no que ocorreu” (FRONDIZI, 1974, p. 218). Ás vezes é difícil separar sujeito e situação. Isto é por que somos seres sociais e históricos e não individuais, isolados e imutáveis.

O valor não é uma qualidade simples. Não é algo que exista e seja logo afetado por sua relação com um sujeito que se encontra numa situação. Estes fatores situacionais formam parte da constituição do valor. Sem sua presença o valor carece de existência real. Além de complexo é variável por que depende de fatores dinâmicos. A ilusão de valores eternos só poderia ocorrer quando o tempo de observação é muito breve.

Em síntese, Frondizi define o valor como uma qualidade estrutural que surge da reação do sujeito frente a propriedades que se acham num objeto, cuja relação não se dá no vazio senão em situações física e humana determinadas. Esta situação não esta entendida como cenário senão como um conjunto de fatores situacionais, constitutivos do valor, que permitem a existência real do mesmo.