Estrutura do trabalho.
1. A TEORIA DOS CAMPOS DE PIERRE BOURDIEU E O CAMPO ESPORTIVO
1.2. A Teoria dos Campos e o conhecimento praxiológico
Devido ao fato da obra de Pierre Bourdieu sempre considerar a contextualização e o ambiente social em que se encontra o objeto analisado e, mais do que isso, apoiar-se nas influências que as propriedades objetivas do espaço exercem sobre as ações dos agentes, torna-se necessário, para qualquer tipo de análise sociológica baseada nesse autor, a caracterização do ambiente no qual coexistam os pressupostos teóricos ligados à desigualdade na distribuição de bens, à diferenciação social, à busca por acúmulo de propriedades específicas e simbólicas e a economia desses bens.
No universo social se estabelecem relações simbólicas de manutenção e de reconhecimento das distâncias sociais, as quais são determinadas por aquilo que Bourdieu chama de concorrência pela aproximação de bens, através do acúmulo das formas de propriedades culturais, econômicas e sociais (MARCHI JR., 2002).
A idéia de diferença fundamenta-se na noção de espaço e de ordem, que consistem no conjunto de posições distintas e coexistentes, extrínsecas umas às outras, definidas numa inter- relação por proximidade ou distanciamento (BOURDIEU, 1996a).
A noção de espaço contém, em si, o princípio de uma apreensão relacional do mundo social: ela afirma, de fato, que toda a “realidade” que designa reside na exterioridade mútua dos elementos que a compõem. Os seres aparentes, diretamente visíveis, quer se trate de indivíduos, quer se trate de grupos, existem e subsistem na e pela diferença, isto é, enquanto ocupam posições relativas em um espaço de relações que, ainda que invisível e sempre difícil de expressar empiricamente, é a realidade mais real e o princípio real dos comportamentos dos indivíduos e dos grupos (BOURDIEU, 1996b).
O espaço social pode, então, ser descrito como um campo de forças, um conjunto de relações de forças objetivas impostas a todos os que entrem nele, e irredutíveis às intenções dos agentes individuais ou às interações diretas entre eles (BOURDIEU, 1989b).
Forma-se, nesse contexto, o espaço social, que é atribuído de tal modo que os agentes ou os grupos se distribuem em função de sua posição de acordo com os bens econômicos, simbólicos, sociais e culturais. Quanto mais próximos em relação a esses princípios, mais em comum têm os agentes dentro desse espaço, e mais parecidas são suas práticas.
Os agentes que pouco têm em comum tendem se opor no âmbito do espaço social e apresentam pontos de vista, estilos de vida, posições políticas e tendências de consumo diferentes (BOURDIEU, 1990c e 1996a).
Com exceção das sociedades menos diferenciadas (que apresentam diferenças, mas difíceis de medir através do capital simbólico), todas as sociedades se apresentam em espaços sociais, isto é, estruturas de diferenças que só podem ser compreendidas através da estrutura da distribuição das formas de poder, ou dos tipos de capital eficientes no universo considerado, variando de acordo com lugares e momentos (BOURDIEU, 1996a).
Desse modo, Bourdieu diferencia o espaço social do espaço real (geográfico). O primeiro se dá num plano metodológico, invisível, que se nutre de diferenças objetivas estruturantes e se coloca como o local das formas de ação e expressão das subjetividades.
Já no espaço real, embora haja uma tendência das pessoas próximas no espaço social estreitarem suas relações, é possível observar proximidades entre sujeitos distintos no espaço social (BOURDIEU, 1990c).
Sendo o espaço social um meio de disputas de força e de acesso a bens e propriedades específicas, pode-se dizer que existem diferentes formas desse conceito na sociedade. Essa noção pode ser aplicada em diferentes locais, em diversas situações, com suas especificidades e, principalmente, com objetos de disputa próprios.
Na busca por sistematizar os distintos espaços de disputas e, mais do que isso, diferenciá- los, Bourdieu cria o conceito de “campo”, com suas normas e bens de disputa próprios, estabelecendo diversas maneiras de relação entre os agentes. A intenção do uso desse conceito é aproximar a tentativa de compreensão das ações dos sujeitos com base na análise social objetiva, porém, sem desconsiderar suas possibilidades de ação dentro do campo específico.
“Campos se apresentam como espaços estruturados de posições, ou de postos, cujas propriedades dependem das posições nestes espaços, podendo ser analisadas independentemente das características de seus ocupantes” (BOURDIEU, 1983a, p.89).
A noção de campo foi elaborada visando uma contextualização da ciência, evitando que a mesma engendre-se em si própria, fora de qualquer intervenção do mundo social (BOURDIEU, 2004). Torna-se clara também a busca de relação metodológica traçada por esse autor, entre a análise da objetividade (conformação do espaço social, ou do campo em que ocorre a investigação), e a subjetividade (diferentes formas dos agentes atuarem de acordo com sua posição e normas próprias do espaço em que se encontram). Por exemplo:
Para compreender uma produção cultural (literatura, ciência, etc.) não basta referir-se ao conteúdo textual dessa produção, tampouco referir-se ao conteúdo social, contentando-se em estabelecer uma relação direta em ter o texto e o contexto. [...] Minha hipótese consiste em supor que, entre esses dois pólos, muito distanciados entre os quais se supõe, um pouco imprudentemente, que a ligação possa se fazer, existe um universo intermediário que chamo de “campo”, literário, artístico, jurídico ou cientifico, isto é, o universo no qual estão inseridos os agentes e as instituições que produzem, reproduzem ou difundem a arte, a literatura ou a ciência. Esse universo é um mundo social como os outros, mas que obedece a leis sociais mais ou menos específicas (BOURDIEU, 2004, p. 20).
A noção de campo designa esse espaço relativamente autônomo, um microcosmo dotado de leis próprias, diferentes do macrocosmo (leis gerais da sociedade), mas que jamais escapam de imposições do espaço social (BOURDIEU, 2004). Caracteriza-se como um espaço de luta de forças pela posse do poder específico, cuja necessidade de existência se impõe aos agentes nele envolvidos.
A relativa autonomia do campo diz respeito ao fato de sua história ser particular, com uma periodização própria e uma realidade específica, irredutível a qualquer outra realidade, ainda que, por vezes, articulada a uma série de acontecimentos idênticos no espaço social (PILATTI, 2006).
Quanto à sua estrutura, o campo se compõe da relação de forças entre os agentes ou instituições engajadas na luta ou na distribuição do capital específico que, acumulado nas lutas anteriores, orienta as posteriores (BOURDIEU, 1983a).
No seu interior os agentes se enfrentam, com meios e fins diferenciados, conforme sua posição na estrutura do campo, contribuindo para a conservação ou transformação da mesma (BOURDIEU, 1996b). Existe um acordo entre os agentes no campo, mesmo em posições opostas, de fazer a luta conjunta para a manutenção da existência do campo e pelo capital ou propriedade posta em disputa valer a pena (BOURDIEU, 1996d).
O campo se faz como um espaço com distribuição desigual de suas propriedades, disputas sociais, bens almejados, posições e regras próprias que derivam das características desses fatores e das formas de ação dos agentes frente aos seus objetivos e acumulação de bens específicos. Porém, tais regras têm sua autonomia relativizada por normas já estipuladas pelo todo social, ou seja, critérios básicos de relacionamento, ética, respeito à vida e civilidade acabam por intervir nos limites do campo. Além disso, tem-se a existência de proximidades entre campos, por exemplo, o campo econômico e o político.
Quanto a essa relação, que acaba por fortalecer uma autonomia incompleta aos campos, tem-se o fato também de que ao servirem aos interesses de luta interna, os agentes acabam por
servir também aos interesses de grupos exteriores ao espaço em questão (BOURDIEU, 1989a). Há também uma inter-relação entre os campos, visto a interferência de realizações entre eles e a possibilidade de atuação dos mesmos sujeitos em campos diferentes.
Além disso, existe ainda a intervenção do Estado como um dos principais exemplos do macrocosmo que interfere no microcosmo do campo. Esse órgão detém diferentes formas de poder econômico, cultural, simbólico, além de instrumentos de coerção (BOURDIEU, 1996c). Por isso acaba ditando algumas regras e normas que passam a ser válidas inclusive dentro dos campos, trazendo-os a autonomia relativa.
Questões relativas aos campos e sub-campos se dão em relação ao grau de autonomia que eles usufruem e quais são os mecanismos que o microcosmo aciona para se libertar de imposições do macrocosmo e ter condições de reconhecer apenas suas determinações. As pressões externas, não importa sua natureza, só se exercem por intermédio do campo e são difundidas por sua lógica. Uma das manifestações mais visíveis de autonomia do campo é sua capacidade de refratar, re-traduzindo sob uma forma específica, as pressões ou as demandas externas. Quanto mais autônomo for um campo, maior seu poder de refração e de transfiguração de imposições externas. Por outro lado, sua falta de autonomia se expressa na presença de problemas externos que acabam se tornando presentes em seu interior (BOURDIEU, 2004). Cada evento ou determinação do macrocosmo acaba sendo re-traduzida de forma diferente no microcosmo de cada campo.
Porém, se faz necessário, numa análise sobre objetos num campo, atenção para não cometer o erro do curto-circuito, ou seja, o reducionismo de generalizar as leis segundo as quais um campo funciona pelas leis sociais exteriores a ele (BOURDIEU, 2004).
Embora contenham especificidades, os campos têm algumas leis gerais invariantes, o que possibilita analisar os objetos com base em alguns pressupostos. Com isso, cada vez que se estuda um novo campo, descobrem-se propriedades específicas, próprias a um campo particular, ao mesmo tempo em que se faz avançar o conhecimento dos mecanismos universais dos campos que se especificam em função de variáveis secundárias (BOURDIEU, 1983a). Estas, por sua vez, caracterizam-se por propriedades particulares que se expressam dentro do campo, tonrnado-o específico (PILATTI, 2006).
O campo não é resultado de ações individuais. Nele é permitido investigar relações existentes em um locus específico e as estratégias dos agentes que compõem o esquema de transformação ou conservação da sociedade (MARCHI JR., 2002).
Um campo se define, entre outras coisas, através da especificação dos objetos de disputas e dos interesses específicos irredutíveis aos objetos e aos interesses próprios de outros campos, e que não são percebidos por quem não foi formado para entrar nesse espaço (BOURDIEU, 1983a).
Todo campo desenvolve nos agentes envolvidos uma libido própria, ou seja, a necessidade de manutenção nessa estrutura e de sobreviver e ascender na disputa pelo capital específico desse espaço. Existem tantas formas de libido quanto há de campos. Ou seja, cada espaço configurado, ao se produzir, cria uma forma de interesse própria, que pode não ser identificada por agentes que não pertencem ao mesmo, ou até ser tida como desinteressada por outros campos (BOURDIEU, 1996d).
Assim, todo campo se configura como um espaço de lutas para conservar ou transformar as formas de disputa. Pode-se, num primeiro momento, descrever o campo como um mundo físico, porém, com a análise de suas lutas de força tem-se o campo social criado pelos agentes envolvidos e pelas relações objetivas entre os mesmos (BOURDIEU, 2004). São nessas relações que mora o corpo do campo, que só sobrevive enquanto houver interesse pelos bens em disputa e pela manutenção dos agentes nesse espaço.
Outra lei geral dos campos é que em cada um deles se encontrará uma luta entre o novo, que está entrando e que tenta forçar o direito de entrada - que consiste no reconhecimento do valor e no conhecimento dos princípios de funcionamento do jogo, ou seja, a história das disputas que se encontram presentes nas relações -, e o dominante, que tenta defender o monopólio e excluir a concorrência (BOURDIEU, 1983a). Para pessoas não formadas no campo, ou que não adquiriram formas de conhecimento sobre ele, são imperceptíveis os objetos de disputa (MARCHI JR, 2002).
As estruturas de distribuição de capital e dos ganhos característicos dos diferentes campos particulares podem ser postas em jogo pelo próprio campo. Existe uma luta interna pela definição dos princípios legítimos de divisão dos bens específicos (BOURDIEU, 1989b). Isso se dá numa relação objetiva entre os agentes antagonistas, o que pressupõe um acordo sobre o que merece ser disputado. Dessa forma, os que participam dessa luta contribuem para a reprodução do jogo de
disputas, legitimando o valor do que está sendo disputado, de acordo com a história de lutas entre os agentes e a do campo (BOURDIEU, 1983a).
Isso acontece devido ao fato de que a conservação do que é produzido dentro do campo, como uma atitude de seus agentes, se torna um dos índices mais seguros da ocorrência e manutenção de sua constituição (PILATTI, 2006). Dessa forma, além do fato da necessidade de opositores para a luta de ascensão dentro do espaço social, os agentes sociais presentes num campo se tornam interdependentes (PIMENTA, 2007).
Tal interdependência gera e se mantém a partir da existência de diferentes posições no campo, que expressam as diversas formas de interpretação, interesse, articulação e ação dos agentes dentro do meio.
As posições dos agentes no campo determinam ou orientam suas tomadas de decisão e suas possibilidades de ação, sendo assim, somente é possível compreender suas atitudes com base no entendimento da posição relativa ocupada. Essa posição varia de acordo com a distribuição e o acesso do agente ao capital específico deste campo. Quanto maior o peso relativo do capital do sujeito, maior sua força e capacidade de transformar o campo ou determinar sua estrutura. Tal lógica só é quebrada, em casos excepcionais, por uma descoberta ou ação revolucionária capaz de questionar os fundamentos da ordem estabelecida, transformando as estruturas de distribuição do capital (BOURDIEU, 2004). De toda forma, essas revoluções não são totais, pois para a manutenção da existência do campo é preciso que os objetos de disputa e os componentes do mesmo sejam preservados (BOURDIEU, 1983a).
Dentro dos campos ainda se faz possível a existência de sub-campos. Espaços sociais que têm suas regras de disputa e interesses subordinados aos do campo em questão, mas que ainda se fazem mais específicos devido a características singulares em relação a outros pontos do campo. Segundo Bourdieu (1983d), a estrutura de relações objetivas e sua manutenção em campos específicos são primordiais para a compreensão das propriedades específicas de cada sub-campo.
O ponto fundamental e determinante de tais estruturas se encontra nos bens e propriedades que dão sentido às disputas no campo, denominados capital. Este estabelece ao seu detentor maior proximidade com autoridade dentro do espaço em questão. É a posse ou a ausência de capital, e seu valor simbólico, que estabelecem a posição que o agente ocupa. Por isso, é o fator motivador para todas as inter-relações. A posse e acumulação do capital se fazem
como o princípio da construção do espaço social, a razão para a entrada e manutenção dos sujeitos no mesmo.
O capital representa um poder dentro do campo e, mais precisamente, sobre o produto acumulado historicamente e sobre os mecanismos que asseguram a produção de bens. As diferentes espécies de capital, como trunfos num jogo, são os poderes que definem as probabilidades de ganho num campo determinado. Cada campo ou sub-campo tem sua espécie particular de capital (BOURDIEU, 1989b). Os indivíduos posicionam-se nos campos de acordo com o capital acumulado.
Cada campo é o lugar de uma forma específica de capital, sendo ainda, que toda forma de capital simbólico é particular. Dessa forma, o capital científico, próprio do campo científico, é uma espécie particular de capital simbólico, o qual é sempre fundado em atos de conhecimento e reconhecimento por parte dos agentes do campo e se diferencia do capital esportivo, por exemplo, próprio do campo do esporte.
São exemplos típicos e predominantes de capital: o econômico, o social, o cultural e o simbólico, geralmente denominado prestígio, fama, reputação, etc. (BOURDIEU, 1989b).
Quanto ao capital econômico, tem-se como a posse de dinheiro, poder aquisitivo e dos meios para multiplicar tais quantias. Prende-se ao conceito matemático de aquisição de poder de compra e comércio. Está presente na grande maioria dos campos, devido seu papel de grande importância no macrocosmo social. Porém, não necessariamente se configura como o caminho para o poder e reconhecimento simbólicos. Essa forma de capital é acumulada de acordo com o trabalho do agente, ou em seus investimentos. Pode também ser herdado.
Quanto ao capital social, Bourdieu (1998b, p.67) o define como“o conjunto de recursos atuais ou potenciais que estão ligados [...] à vinculação a um grupo, como conjunto de agentes que não somente são dotados de propriedades comuns, mas também são unidos por ligações permanentes e úteis”.
Essa noção designa o fundamento de efeitos sociais que, mesmo sendo compreendidos pelos agentes singulares, nem sempre são possuídos por eles. Tais efeitos são percebidos quando se nota desiguais rendimentos de um capital entre diferentes agentes. As relações travadas pelo capital social são fundadas em trocas inseparavelmente materiais e simbólicas, cuja instauração e perpetuação supõem o reconhecimento dessa proximidade (BOURDIEU, 1998b).
O capital social corresponde à rede de relações interpessoais que cada pessoa constrói, com os benefícios ou malefícios que ela pode gerar na competição entre os grupos humanos. Essa forma de capital não é independente das outras, pois é gerado a partir deles. O volume de capital social que um agente possui depende da sua rede de relações e do volume de outras categorias de capital, que é posse de cada um com quem se relaciona.
Dessa forma, os grupos sociais são formados com vistas a concentrar capital social e multiplicá-lo, gerando lucros materiais e simbólicos a seus membros. Por isso, existem limites de entrada nesses grupos, que se configuram em exigências próprias dos mesmos. Isso garante certa homogeneidade quanto aos participantes (BOURDIEU, 1998b). Por isso, tal aquisição de capital é tida como tributária, pois é preciso “pagar” ou provar ter certas propriedades para ser aceito no grupo.
O capital social, ou seja, a entrada num grupo a partir da posse de certas propriedades exigidas e reconhecidas pode ser herdado ou vir através de trabalho por parte do agente para conquistar tais relações.
Dentro dos grupos é possível que o capital social seja dividido ou não. Pode haver uma concentração individual desse bem. O agente que o possui só pode agir de forma a representar os outros membros e isso ocorre em forma de revezamento de posições dentro do grupo, respeitando o princípio de desvio de capital dentro de agentes próximos (BOURDIEU, 1998b).
A noção de capital cultural implica em uma ruptura com pressupostos ligados a aptidões naturais, pois essa forma deriva das oportunidades de contato com o conhecimento e depende de questões financeiras, sociais e até da transmissão doméstica (familiar). Impõe-se como uma hipótese para dar conta da desigualdade de desempenho escolar de crianças de diferentes classes. Essa forma de capital pode existir sob 3 modalidades: estado incorporado, estado objetivado e estado institucionalizado (BOURDIEU, 1998c):
- Estado incorporado: para adquirir capital cultural é preciso trabalho por parte do sujeito, por isso torna-se parte da pessoa, um habitus incorporado. Aquele que o possui o pagou com seu tempo. Essa forma não pode ser transmitida, comprada ou trocada instantaneamente. O capital não pode ser acumulado para além das capacidades do indivíduo e morre com seu portador.
- Estado objetivado: Diz respeito a certo número de propriedades materiais que estabelecem relação com o capital cultural em sua forma incorporada, como escritos, pinturas,
monumentos, instrumentos, máquinas, etc. Podem ser objeto de apropriação material, que pressupõe o capital econômico, e de apropriação simbólica, que pressupõe o capital cultural.
- Estado institucionalizado: Modo de objetivação ligado à educação formal, ou seja, o diploma, o certificado. É a forma de reconhecimento do capital cultural de vários sujeitos, como concursos, que separam competentes de não-competentes. Além disso, este estado classifica sujeitos em relação ao capital cultural e permite estabelecer taxas de convertibilidade entre essa forma de capital (escolar) e o econômico. Ou seja, estabelece parâmetros segundo a troca de capital cultural por dinheiro no mercado de trabalho.