DE SELECIONAR UMA
RESPOSTA EM UM
AMBIENTE DE MÚLTIPLAS
RESPOSTAS POSSÍVEIS.”
SANTEY 2007Engajadas nessas capacidades estão, por exemplo, a percepção, a velocidade de deslocamento, o acervo motor,
a sensibilidade, a concentração e a autodisciplina, entre outros fatores onde a eficácia do ataque depende de uma
opção e de um bom levantamento.
Hoje dividimos a quadra de jogo em 9 quadrantes de 3x3m.
A recepção e a defesa são partes integrantes da distribuição, pois o levantamento parte depois da execução destes fundamentos. Partindo da região 2-3-4, o levantador terá todas as opções de ataque, partindo da região 9-8-7 terá no máximo 2 opções de ataque e da região 1-6-5, muitas vezes, somente uma opção de ataque.
O objetivo maior da distribuição será sempre colocar o atacante nas melhores condições em relação ao bloqueio adversário (como pode ser lido na edição anterior, no texto que fala sobre bloqueio simples). A eficiência do levantador dependerá de quantos bloqueadores irão partir para a ação submetida. Outro aspecto que devemos levar em consideração são as características de cada levantador em relação à região da distribuição. Alguns levantadores têm
por característica fazer uma distribuição especí fica quando o levantamento parte de uma determinada região. Quando centralizou o passe (região 3), ele tem um tipo de distribuição, quando o passe foi para a região 2, já muda a distribuição por conta de alguma limitação física ou qualidade dos fatores passe e defesa. A origem desses fundamentos também tem que ser levada em consideração, com o passe vindo da região 1 o levantador tem uma característica, passe vindo da região 6, outra e vindo da 5, outra. Essas variáveis são muito complexas e os estudos e conclusões tiradas pelas comissões técnicas faz com que as equipes joguem por opção de bloqueio. Uma das análises mais usadas hoje por esses profissionais são as chamadas e os gráficos por rede de cada equipe e por eficiência do ataque.
Quadro ilustrativo da Posição 1 – na primeira quadra é mostrado o total de ações da rede. Neste exemplo, a distribuição teve 1 bola para Ponta (posição 4), uma para Meio (posição 3) e 10 bolas para a Saída de rede (posição 2). Nesta rede tivemos quatro tipos de chamadas: a K1 tempo frente 1 bola, a K7 chutada de meio, a K3 china e a KK quando a central não executa uma chamada. A análise mostra nessa posição a distribuição de uma bola para a entrada com chamada K1, nove bolas para a saída com a chamada K7, uma bola China e a uma KK.
Os dados coletados durante e após as partidas, são inseridos em um contexto onde a quantidade significativa em uma situação especí fica, gera uma informação qualitativa para os profissionais tomarem uma decisão para onde a bola deve ser levantada.
Muitas vezes a distribuição lógica, baseada em estatísticas, é deixada de lado. Em uma partida alguns atletas se destacam e atingem um nível de desempenho independentemente da marcação e tipo de bola que esta sendo levantada. Ele está teoricamente com bloqueio mais baixo a sua frente, mas o seu companheiro de rede está sendo acionado e está correspondendo. Neste caso não se tem uma
regra especí fica para a distribuição, isso ocorre muito com atletas de definição em finais de sets e jogos importantes. O mundo inteiro sabe que a bola será levantada para um jogador especí fico e o mesmo define o ponto independente da marcação. O levantador só terá seu trabalho reconhecido se levar a sua equipe a vitória. Com bolas precisas e uma ótima distribuição, ele é peça chave dentro do jogo de voleibol. Seu sucesso depende de como inicia o rally e quemfinaliza o mesmo.
Escrevi aqui uma pequena abordagem do vasto universo da distribuição, pois é uma área dentro do voleibol moderno que não se tem explicação mais aprofundada. O assunto precisaria de longos e longos capítulos para se entender todo o seu conteúdo. Lembre-se sempre que uma opção errada pode custar caro. Espero ter dado uma pequena ideia do que é esse universo mais que complexo do grande cérebro da equipe e algumas das suas particularidades. Até a próxima!
Fábio Simplício
Estatístico do Sollys/Nestlé e da Seleção Brasileira Juvenil Feminina
contra-ataque, é a fase defensiva.
Essas duas fases do jogo, ofensiva e defensiva, são tradicionalmente chamadas de complexo 1 e 2. O complexo 1 é o ataque a partir da recepção do saque (também chamado de side-out na escola americana ou K1 na escola europeia) e o complexo 2 é o ataque a partir da defesa do ataque adversário (também chamado de transição na escola americana ou K2 na escola europeia). Na figura abaixo, apresentamos uma sequência das técnicas do jogo nas distintas fases, complexo 1 (K1) e complexo 2 (K2).
Podemos verificar que quando não existe uma interrupção do jogo, após o K2, na sequência das ações surge um novo complexo chamado de 3 (K3).
O Voleibol é praticado por duas equipes e está inserido no grupo de jogos de cooperação-oposição dos Jogos Desportivos Coletivos. O espaço da ação de cada equipe é separado, sendo a luta pela posse de bola indireta, com limite máximo de três toques por equipe. O jogo decorre através da sequência dos seguintes fundamentos: o saque, a recepção, a distribuição, o ataque, o bloqueio e a defesa.
Nesta sequência dos fundamentos do jogo surgem duas fases bem definidas, a ofensiva e a defensiva. Estas duas fases estão intimamente ligadas à
preparação do ataque das equipes. Na preparação de um ataque onde participam os fundamentos recepção, levantamento e ataque, esta é considerada ofensiva; e quando envolve bloqueio, defesa, levantamento e
Figura 1: as sequências técnicas de um jogo de voleibol que caracterizam os complexos K1, K2 e K3.