Capítulo 2 A questão do imperialismo
2.1 A transição do imperialismo restrito para o imperialismo total
A centralidade do problema da dominação externa e suas determinações para o sentido e o ritmo do desenvolvimento histórico na periferia do sistema aparecem claramente em ensaio redigido entre 1969-1970. Florestan Fernandes diz que o problema fundamental das nações latino-americanas (ou o que ele chama de “dilema do capitalismo dependente”) consiste em como enfrentar, em uma situação de extrema desigualdade, a nova forma de imperialismo difundida sob a hegemonia da superpotência estadunidense (FERNANDES, 2009 [1973], p.22).
Se a dominação externa se apresenta como um continuum na história latino- americana, sendo que desde o início do século XX, com a formação dos grandes monopólios econômicos em âmbito mundial, essa dominação pode ser considerada imperialista, Florestan Fernandes aponta uma mudança de qualidade no domínio imperialista pós-Segunda Guerra Mundial. Para elucidar tal questão, ele procura compreender essa nova morfologia da dominação externa imperialista, ou o que Florestan Fernandes chama de imperialismo total, em comparação ao período anterior de imperialismo restrito.
Para esclarecer essa questão faz-se necessário retomar brevemente o quadro histórico traçado por Florestan Fernandes sob a perspectiva dos padrões de dominação externa aos quais a burguesia dependente esteve, desde sempre, intrinsecamente articulada. Com isso pretendemos tornar claro como Florestan explica a gênese da crise institucional e do acirramento das tensões entre as classes sociais pela qual atravessava o Brasil e toda América Latina nas décadas de 60 e 70 e o papel específico cumprido pelo novo tipo de dominação externa – o imperialismo total – no dimensionamento e “resolução” dessa crise.
Florestan reconstrói a história do desenvolvimento capitalista na América Latina desde a colonização luso-hispânica até o período de “crise estrutural” nas décadas de 60 e 70, estabelecendo uma periodização a partir do que ele chama de padrões de dominação externa. Logo de início, ele faz a ressalva de que esta periodização tem como referência apenas alguns países que conheceram todas as formas de dominação externa descritas sucessivamente ao longo de sua história (Argentina, Uruguai, Brasil, México, Chile). Alguns países latino-americanos não tiveram uma dinamização tal da
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economia que os permitisse sair da situação de “versões modernizadas do antigo sistema colonial ou do neocolonialismo” – Haiti, Bolívia, Honduras, Nicarágua, Guatemala, Peru, Paraguai, entre outros, são considerados, por isso, “economias de enclave”. Florestan Fernandes apresenta dois elementos condicionantes para que os países latino-americanos pudessem absorver em plenitude o capital monopolista: razoável crescimento econômico e a existência de estruturas do poder nacional suficientemente eficientes a ponto de serem usadas como poder de barganha pelas burguesias nacionais adiante da economia mundial. Isso porque as debilidades sistêmicas do capitalismo dependente demandam da burguesia a criação de um Estado nacional que sirva de “bastião de autodefesa e ataque” dos interesses burgueses, tanto no trato repressivo contra possíveis conflitos que emergem de dentro, quanto como mecanismo de autodefesa na relação com o parceiro externo (“perigoso companheiro de rota”), evitando assim a completa desorganização da economia dependente.
Sem um Estado suficientemente forte e dócil, seria difícil manter a associação com “interesses externos” em condições de autodefesa dos “interesses privados nacionais”; esse Estado é que engendra o espaço político que necessita a ”burguesia nacional” para ter uma base de barganha com o exterior e, ao mesmo tempo, poder usar a articulação com o “capital externo” como fonte de aceleração do crescimento econômico ou de transição de uma fase para outra do capitalismo. As classes dominantes seriam uma mera ”burguesia compradora”, destituída de meios políticos para evitar a regressão a uma condição colonial ou neocolonial, se não dispusessem dessa faculdade para criar e utilizar o seu próprio espaço político nas relações com o polo externo (FERNANDES, 2008 [1974], p.37).
Essa análise comparativa das características da dominação externa ao longo da história das nações dependentes permite ao autor reconhecer o que muda e o que permanece ao longo da história das economias dependentes; permite também apreender o sentido e a natureza, bem como as forças sociais envolvidas nos processos de mudança social ou de resistência a ela. A comparação entre os dois tipos de dominação imperialista (imperialismo restrito e imperialismo total) parece ter uma importância particular não apenas para a apreensão do movimento inerente ao pensamento do Florestan Fernandes, mas por elucidar aspectos da história recente do continente latino- americano e contribuir para a compreensão de seus atuais dilemas.
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As nações latino-americanas se constituíram como produtos da “expansão da moderna civilização ocidental”, a partir de um “tipo moderno de colonialismo organizado e sistemático”; a dominação externa colonial configura o gérmen da relação de dominação que persistiu séculos a fio nas nações latino-americanas. No “antigo sistema colonial”, a dominação externa possuía fundamento legal e político e se apoiava na correlação de interesses econômicos dos colonizadores e das Coroas espanhola e portuguesa. Os interesses econômicos dos dois polos mencionados estavam articulados no “sistema de produção colonial” (grande lavoura, comércio externo e trabalho escravo). Essa dominação tinha como base uma ordem social formada pela superposição de estamentos dominantes e de castas dominadas, aos quais correspondia uma raça dominante em oposição à raças dominadas e escravizadas.
A identidade de interesses entre colonizadores e Coroa sofreu diversas tensões e rupturas que levaram o sistema colonial à crise. Florestan sintetiza as razões dessa crise: em primeiro lugar, o descontentamento de parte dos estamentos dominantes com o padrão de exploração colonial, pois este pressupunha que o excedente produzido internamente pela tríade grande lavoura, trabalho escravo e esquema de exportação- importação fosse drenado de dentro para fora, pelas nações financiadoras do comércio internacional (Inglaterra e Holanda, em especial) e pelas nações que cumpriam papéis de intermediários nesse sistema (Espanha e Portugal). Os movimentos de emancipação nacional se colocavam contra esse sistema de exploração e expressavam os interesses dos estamentos dominantes que, com a Independência e a constituição de Estados independentes, poderiam gozar de autonomia política para gerir, a partir de dentro, o excedente produzido. O segundo fator apontado são as disputas dentre as potências europeias emergentes pelo controle econômico das colônias, cujo resultado foi a desagregação das potências intermediárias. O terceiro fator é a fermentação da hostilidade adiante da dominação colonial entre setores da população das colônias vitimados pela rigidez da ordem social. Essa população formava a massa que serviu de sustentação aos movimentos de emancipação dirigidos pelos estamentos dominantes.
A desagregação do antigo sistema colonial deu origem a um novo tipo de colonialismo que correspondia a um novo padrão de dominação externa: o neocolonialismo. Nesta transição, a ruptura política com as antigas coroas não significou o rompimento dos vínculos de dependência econômica com as novas potências europeias. Durante o período que vai do fim do século XVIII até as primeiras
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décadas do século XIX, as novas potências, que já gozavam de uma situação privilegiada nas relações comerciais do esquema de exportação-importação dos produtos coloniais, ocuparam o vácuo deixado pelo fim do estatuto colonial. Interessava a elas, bem como aos estamentos internos dominantes, a manutenção do lucrativo sistema de produção para exportação, uma vez que suas posições privilegiadas no mercado mundial permitiam a absorção da maior parte do excedente gerado pelo comércio dos bens tropicais. Havia ainda grande interesse das novas potências na existência de um mercado consumidor interno, o que levou, por exemplo, a Inglaterra a adotar uma política comercial de incentivo à expansão de agências comerciais e bancárias nos centros urbanos. Isso significou a introdução, em escala ainda modesta, de novas instituições econômicas e novas técnicas sociais em associação com os agentes locais. Segundo o autor:
A monopolização dos mercados latino-americanos foi mais um produto do acaso que de uma imposição, pois as ex-colônias não possuíam os recursos necessários para produzir bens importados e seus setores sociais dominantes tinham grande interesse na continuidade da exportação. De fato, os “produtores” de bens primários podiam absorver pelo menos parte do quantum que antes lhes era tirado através do antigo padrão de exploração colonial, e suas “economias coloniais” recebiam o primeiro impulso para a internalização de um mercado capitalista moderno. Entretanto, a dominação externa era uma realidade concreta e permanente, a despeito do seu caráter como processo puramente econômico (FERNANDES, 2009 [1973], p. 25).
Fica claro que os antigos estamentos dominantes não ofereceram resistência à conformação dessa dominação. Pelo contrário, a relação com as potências comerciais garantia a continuidade dos esquemas de exportação dos bens primários e representava a manutenção de seus privilégios. Segundo Florestan,
o esforço necessário para alterar toda infraestrutura da economia parecia tão difícil e caro que esses setores sociais e suas elites no poder preferiram escolher um papel econômico secundário e dependente, aceitando como vantajosa a perpetuação das estruturas econômicas construídas sob o antigo sistema colonial (FERNANDES, 2009 [1973], p. 25).
O terceiro tipo de dominação está relacionado mais diretamente às mudanças na economia mundial provocadas pela revolução industrial europeia. Os efeitos dessa nova forma de dominação já aparecem a partir da quarta ou quinta década do século XIX e se
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tornam mais consistentes nas últimas quatro décadas daquele século. Nesse período, as influências externas sobre a economia, a sociedade e a cultura das nações latino- americanas deixam de se realizar apenas através de mecanismos indiretos via mercado mundial e passam a incorporar diretamente algumas fases do crescimento econômico e do desenvolvimento sociocultural dessas nações. Em um contexto de formação dos monopólios internacionais, a dominação externa adquire um caráter imperialista e o capitalismo dependente aparece como realidade histórica na América Latina. Segundo o autor,
(...) o controle financeiro das emergentes economias satélites tornou-se tão complexo e profundo que o esquema de exportação-importação foi refundido para incluir a “integração” do comércio interno, a “proteção” dos interesses rurais ou a modernização da produção rural, a “introdução” das indústrias de bens de consumo, a “intensificação” das operações bancárias etc. Em síntese, as economias dependentes foram transformadas em mercadorias, negociáveis, à distância, sob condições seguras e ultralucrativas (FERNANDES, 2009 [1973], p. 26).
As nações latino-americanas não contavam com condições para levar à frente um crescimento autossustentado. Ainda sim, sob o imperialismo restrito, as burguesias dependentes tentavam “(...) explorar uma espécie de miniatura do modelo europeu de revolução burguesa, através de expedientes improvisados e oportunistas” (FERNANDES, 2009 [1973], p.30). Não obstante, sob o imperialismo restrito, a concorrência multinacional pelo mercado mundial possibilitou algumas brechas para medidas protecionistas e, quando o contexto histórico gerado por graves crises econômicas nos centros hegemônicos e pelas disputas entre as nações imperialistas levou, durante curtos períodos, o decrescimento das influências externas, os países da região encontraram espaço para ensaiar a expansão interna com algum grau de autonomia. Segundo Florestan, “(...) o melhor estratagema sempre consistiu na elaboração de meios para a produção de produtos importados e na seleção estratégica de importação de bens e serviços. Finalmente, em alguns países, o Estado foi capaz de construir e desenvolver indústrias básicas, através de empresas públicas ou semipúblicas, como uma base de diferenciação da produção industrial, a aceleração autônoma do crescimento econômico e a integração nacional da economia” (FERNANDES, 2009 [1973], p.31).
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Isso explica o “salto” de desenvolvimento capitalista e o grande crescimento econômico por que passaram alguns países latino-americanos entre as décadas de 50 e 60 e expõe contradições na articulação entre os dois polos de dominação burguesa. Por fim, o balanço final do autor sobre o padrão imperialista é que este foi extremamente destrutivo para as nações capitalistas dependentes, pois o controle externo imperialista preservou e reforçou estruturas econômicas arcaicas e as burguesias dependentes não foram capazes de levar a cabo o modelo de desenvolvimento nacional autônomo. O trecho a seguir é ilustrativo de como tal processo foi operado e regulado a partir de fora e elucida a transição do imperialismo restrito para o padrão de dominação marcado pelo imperialismo total:
A erupção do moderno imperialismo iniciou-se suavemente, através de empresas corporativas norte-americanas e europeias, que pareciam corresponder aos padrões ou às aspirações de crescimento nacional autossustentado, conscientemente almejado pelas burguesias latino- americanas e suas elites no poder ou pelos governos. Por isso, elas foram saudadas como uma contribuição efetiva para o “desarrolismo” ou o “desenvolvimentismo”, recebendo apoio econômico e político irracional. Assim que elas se tornaram um polo econômico ativo das economias latino- americanas, revelaram sua natureza, como uma influência estrutural e dinâmica interna e como um processo histórico-econômico. As empresas anteriores, moldadas para um mercado competitivo restrito, foram absorvidas ou destruídas, as estruturas econômicas existentes foram adaptadas às dimensões e às funções das empresas corporativas, as bases para o crescimento econômico autônomo e a integração nacional da economia, conquistadas arduamente, foram postas a serviço dessas empresas e dos seus interesses privados (FERNANDES, 2009 [1973], p. 31).
O quarto padrão de dominação é o que Florestan Fernandes chama de imperialismo total e ganha corpo na América Latina após os anos 60, em um contexto de crescimento econômico acelerado e da formação de indústrias de bens de capital. Um tipo de dominação que se sustenta na expansão interna das grandes empresas corporativas comerciais, de serviços, financeiras e, fundamentalmente, industriais. Essas empresas trouxeram para o espaço social latino-americano um novo estilo de produção e de organização e se apoderaram das posições de liderança no mercado interno dessas nações, posições estas antes ocupadas pelas empresas nativas. Tal processo se realizou por mecanismos financeiros, em associação com sócios locais, por meios de pressão e de corrupção.
Florestan Fernandes diz que o controle externo exercido por essas corporações possui um caráter simétrico ao do antigo sistema colonial, o que ele chama também de
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“recolonialismo”. Agora, sob as condições de um novo mercado capitalista (dirigido pelo mercado financeiro), de tecnologia avançada (transplantada a partir de fora) e de dominação partilhada por diferentes nações hegemônicas (por exemplo, Japão, Alemanha e Inglaterra), mas sob a liderança irrestrita dos Estados Unidos. Segundo o autor,
o traço específico do imperialismo total consiste no fato de que ele organiza a dominação externa a partir de dentro e em todos os níveis da ordem social, desde o controle de natalidade, a comunicação de massa e o consumo de massa, até a educação, a transplantação maciça de tecnologia ou de instituições sociais, à modernização da infra e da superestrutura, os expedientes financeiros ou do capital, o eixo vital da política nacional etc. (FERNANDES, 2009 [1973], p. 27).
A expansão da grande empresa corporativa com todas as suas consequências representa apenas a face econômica desse novo imperialismo. Segundo ele, o fator decisivo para a expansão imperialista descrita é de cunho político. A existência de uma economia socialista representava uma ameaça ao próprio modo de produção capitalista, situação esta agravada pelas tensões políticas que germinavam em diversas nações da periferia do mundo capitalista, inclusive latino-americanas. Em tal contexto geopolítico, a Revolução Cubana (1959) ganha destaque suficiente para instaurar um clima de pânico anticomunista entre as potências capitalistas e levá-las a adotarem uma política de “defesa agressiva” do capitalismo, sintetizada na concepção estadunidense de “segurança institucional” e de “desenvolvimento com segurança”.
O novo domínio imperialista criou as condições para consolidação do grande capital monopolista no espaço social latino-americano. Sob o capital monopolista, o papel da “comunidade internacional de negócios”, dirigida pelas nações capitalistas hegemônicas, ganha peso, aumentando a força do polo externo da dominação burguesa. Segundo ele,
(...) o imperialismo, visto a partir do padrão de dominação burguesa existente em seus países (países dependentes), configura um polo societário específico (mesmo em termos ecológicos, institucionais e humanos), pois firmas e capitais estrangeiros se deslocam para o interior dos países dependentes, e operam, dentro deles com pessoal, tecnologia e política próprios (FERNANDES, 2008a [1974], p. 36).
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Assim, enquanto o antigo imperialismo constituía uma manifestação de concorrência nacional entre economias capitalistas avançadas, o imperialismo moderno representava a luta violenta pela sobrevivência e pela supremacia do capitalismo em si mesmo. Nesse clima político, a expansão incoercível da empresa corporativa, a hiperinfluência das finanças internacionais e a hegemonia dos Estados Unidos foram recebidas como um preço razoável pelas burguesias nacionais dos países capitalistas avançados, inclusive a Inglaterra, França, Alemanha e Japão. Algumas tensões e rupturas permaneceram, mas são manipuladas em condições seguras para a defesa e o fortalecimento dos “interesses privados”, isto é, do capitalismo. (FERNANDES, 2009 [1973], p. 30).
O “arranque” ou “estágio de decolagem” das economias dependentes latino- americanas se deu a partir de dinamismos externos e sob forte controle político. A expansão dos negócios capitalistas sob o padrão monopolista de acumulação se realizou por meio da transplantação de pessoal estrangeiro, da transferência de tecnologia, de instituições, de capitais e do controle financeiro das economias. As burguesias das nações dependentes sustentaram internamente esse novo padrão de crescimento, pois ele alimentava os interesses privados imediatamente econômicos dessa classe. Por isso, Florestan Fernandes é categórico em dizer que “uma economia satélite ou dependente não possui as condições estruturais e dinâmicas para sobrepujar nacionalmente, pelos esforços de sua burguesia (isto é, lato sensu, aos setores dominantes das classes altas e médias), o subdesenvolvimento e suas consequências” (FERNANDES, 2009 [1973], p. 22).
O crescimento acelerado da década de 50 e 60 possibilitou o surgimento da ilusão de que as economias nacionais latino-americanas caminhavam para uma revolução industrial conduzida pela burguesia nacional. Tais ilusões eram partilhadas por diferentes setores da sociedade (de diferentes posições político-ideológicas) e mostraram-se equivocadas. Apesar da demonstração histórica dos equívocos ligados a esta concepção de desenvolvimento, em 1973 Florestan Fernandes alertava para o fato de que uma “nova imagem do capitalismo”, da “burguesia nacional” e da “interdependência internacional” das economias capitalistas estava sendo gestada como
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forma de justificar e sustentar ideologicamente a transição para o novo tipo de dominação. A ideologia desenvolvimentista mascarava a docilidade adotada pelos interesses privados nacionais das nações dependentes diante dessa subordinação, o que ele dizia ser “um componente dinâmico de uma tradição colonial de subserviência” (FERNANDES, 2009 [1973], p. 22).
No esfoço de desmontar a ideologia de classe construída em torno da absorção do padrão de desenvolvimento monopolista, Florestan analisa os condicionantes históricos envolvidos no processo da Revolução Burguesa no Brasil. A partir dessa análise, ele deixa claro o que se pode esperar da burguesia dependente.