PARTE III – A TRIANGULAÇÃO ENTRE OS EUA, A ARÁBIA SAUDITA E ISRAEL NO CONTEXTO REGIONAL DO MÉDIO ORIENTE
4. A triangulação como fundamental num processo de paz
O processo de paz pelo qual a maioria dos actores políticos internacionais e regionais deveriam estar a lutar parece ter paralisado, sendo que para alguns académicos dedicados ao estudo do Médio Oriente, exibe “padrões de fragilidade e de durabilidade” (Fawcett, 2017: 789), especialmente após a Primeira Árabe, por conta da mudança de regime que se tem verificado, por exemplo, na Tunisia.
Pode considerar-se que “um processo de paz para o Médio Oriente só terá sucesso se contar com o apoio empenhado da comunidade internacional, em particular dos Estados Unidos e da UE”, sendo que aqui os Estados Unidos surgem como “o principal motor do processo político” (Pinto, 2009: 43). Mais ainda, importa realçar o facto de que “os Estados Unidos continuam a ser o poder externo mais importante no Médio Oriente” (Mueller et al., 2017: 5).
Importa observar uma das iniciativas da Arábia Saudita, a saber, o Plano de Paz Árabe de 2002, que “visava um acordo segundo o qual todos os Estados regularizariam as suas relações com Israel. Desta forma, o compromisso não seria, apenas, o reconhecimento da soberania do Estado de Israel e a manutenção da paz, mas todo um conjunto de relações de cooperação económica, cultural e política entre Estados. em troca Israel teria de se retirar dos territórios ocupados em 1967, tal como consta em outros documentos árabes anteriores, designadamente no Plano de Fez” (Freire et al., 2011: 89), mas que acabou por ser secundarizado pelo aparecimento de outras propostas.
No que toca aos efeitos da Guerra do Iraque em 2003, o facto é que a mesma foi pensada em prol de um processo de paz, ainda que não tenha alcançado os fins que haviam sido concebidos pela Administração Bush. Realmente, esta invasão foi desenhada “para desempenhar um papel na facilitação de conflitos regionais e promover a paz”, pelo que “reduziria também a ameaça da proliferação nuclear e facilitaria a guerra ao terror, enfraquecendo a posição dos Estados que apoiavam grupos terroristas”. Veja-se ainda que a mesma “promoveria também uma melhor compreensão e comunicação entre os regimes do Médio Oriente e do Ocidente e, assim, ajudaria na construção de uma ordem internacional mais estável” (Acharya & Katsumata, 2011: 39-40).
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Apesar disso, nem todos os conflitos, sejam eles de baixa ou alta intensidade, decorrem directamente da Guerra do Iraque, ainda que a maior parte delas esteja “relacionada a ela de alguma forma” (Acharya & Katsumata., 2011: 41).
No ponto de vista de “alguns analistas, o renascer do interesse da administração Bush pelo processo de paz teria a ver com a ligação que Bin Laden estabeleceu entre os atentados do 11 de Setembro e a questão palestiniana.” (Pinto, 2008: 128)
O discurso de ódio de Bin Laden que afirmava “que o sofrimento americano não se podia comparar ao dos seus irmãos muçulmanos da Palestina oprimidos desde a criação do Estado de Israel, em 1947” tentava conferir alguma justificação aos atentados do 11 de Setembro assumidos “como uma defesa dos ‘débeis filhos’ palestinianos”, sendo que “os massacres de Nova Iorque e Washington seriam o castigo merecido à potência americana pelo apoio incondicional que esta dá a Israel” (Pinto, 2008: 128).
Ao contrário do seu antecessor que apostar num conservadorismo extremos, Barack Obama procurou atingir um compromisso sólido com os seus aliados no Médio Oriente, entre os quais se destaca a Arábia Saudita, Israel e também a Turquia, apoiando assim o multilateralismo.
Se se considerar que “por mais de três décadas, israelitas, palestinianos, lideres árabes e o resto do mundo procuraram os Estados Unidos para liderar o esforço de construir o caminho para uma paz duradoura” é importante ter em conta que Obama afirmou que a “liderança americana sustentada pela paz e segurança exigirá um esforço paciente e compromisso pessoal do presidente dos Estados Unidos” (Obama, 2007: 2), compromisso que ele próprio se mostrava disposto a assumir.
O gesto mais claro deste compromisso por parte do Presidente dos Estados Unidos foram as suas palavras no discurso que fez na Universidade do Cairo em Junho de 2009, no qual falou de um recomeço para as relações entre os EUA e os muçulmanos, dando a conhecer as suas intenções.
Veja-se que é no contexto da situação política no Afeganistão, Iraque, Líbano e territórios palestinianos, “que a partir de 2007, a Arábia Saudita tem desenvolvido uma acção diplomática particularmente activa”, promovendo “a formação de um Governo de unidade nacional da Autoridade Palestiniana e uma Cimeira para reactivação do processo de paz, procurando, por um lado, apresentar-se como um parceiro credível no processo
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de negociação e, por outro, contribuir para a diminuição da influência iraniana face aos grupos palestinianos” (Freire et al., 2011: 92).
Na verdade, “a eleição do democrata Barack Obama em 2008 começou com um esforço para reparar a ruptura com os mundos muçulmano e árabe”, ainda que até finais de 2012 se tenham notado “continuidades significativas com as políticas do seu antecessor” (Fawcett, 2013: 335).
Considerando que “a ordem actual no Médio Oriente é um componente central de qualquer sistema global” e “a região é demasiado importante, do ponto de vista dos seus recursos, posição estratégica e composição cultural” (Acharya & Katsumata, 2011: 36), um processo de paz, seja ele de que tipo for, terá de estar sempre na agenda política dos principais actores políticos internacionais e regionais. O desejo de estabilidade, deveria fazer com que todos os poderes regionais procurassem promover os seus próprios interesses, tornando a estabilidade um objectivo comum a todos.
Ainda assim, a questão que envolve o terrorismo pode consistir num problema para o avançar do processo de paz, não apenas tendo em conta os acontecimentos no 11 de Setembro de 2001, mas também a afirmação do ISIL e todos os ataques terroristas que têm sucedido em todo o mundo e que eles têm reivindicado. Neste aspecto, é cada vez mais notória a luta de “Israel e os seus aliados contra as forças do extremismo islâmico” (Acharya & Katsumata, 2011: 63).
Apesar de a Guerra do Iraque ter ocorrido em 2003, os efeitos ainda perduram, sendo que “de certa forma, a guerra tem bloqueado a resposta de tais actores, minando os seus recursos e legitimidade” (Acharya & Katsumata, 2011: 41), o que dificulta também a tentativa de avançar com o processo de paz.
O processo de paz também parece estar num impasse, pois “os decisores políticos dos EUA vêem o Medio Oriente como uma ameaça sem precedentes à segurança nacional”, acreditando “que é um terreno fértil para movimentos terroristas hostis aos EUA e capazes de atacar violentamente a pátria dos EUA no exterior. (Fawcett, 2013: 321).
Realmente, “não há sinais de um crescente consenso árabe ou de um renascimento de instituições árabes (ou islâmicas) ao serviço da paz. (…)” No entanto, os esforços perduram, vendo que “alguns Estados tentaram papeis de mediação regional, incluindo a Arábia Saudita, a Turquia e Egipto, e é provável que as principais instituições regionais e inter-regionais (e.g. Liga Árabe, o Conselho de Cooperação do Golfo, a Organização
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da Conferência Islâmica) também se envolvam em esforços de reconstrução no Iraque e em processos de paz mais amplos” (Acharya & Katsumata, 2011: 58).
Cada vez mais se nota que os cenários que são marcados pelos conflitos continuam há anos, mas tem havido algum tipo de mudança, podendo inclusive se dizer que “mantêm- se os cenários, mas mudam-se as estratégias” (Pinto, 2009: 44).
O ‘dilema de segurança’ parece representar um dos problemas centrais na região, sendo que “a segurança no Médio Oriente tem sido frequentemente tratada em função de variáveis militares e estruturais”, sendo que “os analistas se têm concentrado nas estruturas do sistema, padrões de alianças, estruturas de força, a distribuição relativa de capacidades e gastos militares para explicar as guerras de oportunidades” (Korany et al., 2016: 56), isto é, as que não apresentam grande resistência e que por isso são raras. Tendo em consideração a formação do Governo de Israel liderado por Benjamin Netanyahu “é importante ter em conta as diferentes perspectivas, que nele se reúnem, face ao processo de paz com os palestinianos.” De facto, “Benjamin Netanyahu (…) considerava que antes de se promover a construção política de um Estado palestiniano é necessário promover o desenvolvimento económico em Gaza e na Cisjordânia, de forma a criar condições de subsistência às populações locais, que garantam a sua sobrevivência” (Pinto, 2009: 40). Porém este é mais um sinal de que o conflito israelo-palestiniano está longe de ter um fim.
Na perspectiva de Obama, “a solução (…) era que tanto os israelitas quanto os palestinianos deveriam ter os seus próprios Estados e, para obter isso, os israelitas teriam de parar de construir assentamentos em terras ocupadas palestinianas” (Cox & Stokes, 2012: 202). No entanto, esta não seria uma opção viável.
A principal aposta dos Estados seria, além de preservar as suas alianças com a Arábia Saudita, Israel e Turquia, “manter os laços de segurança com países como a Jordânia, a Tunisia e os EAU, que são parceiros-chave para a segurança dos Estados Unidos e os destinatários da cooperação de segurança do Exército” (Mueller et al., 2017: 7).
O facto é que “a situação económica e social actual do Medio Oriente apresenta graves desafios aos governos da região: crescimento populacional, diminuição das receitas das exportações, problemas ambientais, urbanização selvagem e as crescentes necessidades económicas e sociais” (M. Pinto, 2008: 163).
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Tudo aponta que a presença de uma hegemonia na região poderia ser a solução para abrir espaço para a estabilidade da região. Porém, neste aspecto, coloca-se um problema, sendo que esse hegemon terá, inevitavelmente, de ter boas relações com os Estados Unidos que assume um papel relevante na cena internacional, como a única superpotência a nível mundial, algo que excluiria imediatamente o Irão.
De facto, os esforços para assumir um papel de liderança no Médio Oriente são notáveis, sendo que alguns Estados “competem actualmente por esta posição – o Irão, a Arábia Saudita, com Israel como um outlier Great Power56”. Novamente outro obstáculo surge na escolha de qualquer deles para hegemon da região, a ver, o facto de formarem “diferentes eixos regionais”, estando nitidamente “divididos entre si” (Fawcett, 2017: 792).
No entanto, apesar dos Estados da região estarem a afirmar-se, defendendo os seus interesses e procurando estabelecer relações com outros Estados, que não os EUA, o facto é que “os Estados Unidos continuam a ser o poder externo mais importante no Médio Oriente” e “continua a ser a principal garantia de segurança no Médio Oriente” (Mueller et al., 2017: 5).
Importa salientar a necessidade de um esforço conjunto dos Estados Unidos e dos seus aliados, especialmente na reafirmação da liderança norte-americana na cena internacional. Nesse sentido, Obama reforçou o facto de pretender “reconstruir as alianças, parcerias e instituições necessárias para enfrentar ameaças comuns e aumentar a segurança comum” (Obama, 2007: 5), sendo que uma tentativa unilateral aparenta ser insuficiente para resolver os dilemas de seguranças que caracterizam o contexto regional do Médio Oriente.
Em matéria dos conflitos regionais, poder-se-à propor que “os Estados Unidos e os seus aliados precisam de seguir uma estratégia de três frentes, (…), ajudando os Estados amistosos do Golfo Pérsico a aumentar a segurança das suas instalações de petróleo e diversificando fontes de energia dos EUA e as importações de petróleo para reduzir a dependência do petróleo do Golfo Pérsico”. Assim, deverão, em primeiro lugar, “aumentar os esforços para reverter as ameaças ideológicas, terroristas e militares subversivas do Irão ao Iraque e a outros países árabes do Golfo Pérsico, por meio de uma
56 Pelo facto de não encontrar uma tradução adequada para outlier, a opção da autora da dissertação foi não traduzir a expressão toda.
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estreita cooperação com esses governos”, procurando, juntamente com os seus aliados, desmantelar o Irão”; em segundo lugar, é crucial “expandir os planos de contingência militar e preparar uma força de reacção rápida em cooperação juntamente com os aliados dos EUA na região para proteger infra-estruturas petrolíferas do Golfo Pérsico se os terroristas tentarem capturá-los ou destruí-los”; em terceiro lugar, ter-se-à que “diversificar as fontes de importações de energia dos EUA longe do Golfo Pérsico, importando mais petróleo de outras fontes”; em quarto lugar, dever-se-à apostar na expansão da “produção interna de petróleo e gás” nos Estados Unidos, “levantando as barreiras burocráticas para uma maior utilização da energia nuclear”; em penúltimo lugar, “incentivar a produção e importação de metanol e etanol”, estimulando igualmente “a pesquisa e o desenvolvimento de alternativas baseadas e tecnologias aprimoradas para ajudar a atender às necessidades futuras da nação sem dependência de petróleo estrangeiro”; finalmente, “expandir a Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) e criar uma Reserva de Gasolina Estratégica dos EUA” (Cohen, 2006: 8-9).
Veja-se que no caso da aliança entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita, “um processo de paz vibrante e efectivo ajudará a consolidar uma relação forte entre o rei e o presidente”, enquanto “um processo parado ou estancado provocará danos na sua relação” (Riedel, 2017: 2) e isso passará por um esforço de paz entre Israel e os palestinianos. Nesse sentido, Obama declarou que, no caso do conflito israelo-palestiniano, os EUA devem procurar “assegurar uma solução duradoura para o conflito, com os dois Estados a viver lado a lado em paz e segurança”, sendo que para esse fim os EUA devem “ajudar os israelitas a identificar e fortalecer os parceiros que estão verdadeiramente comprometidos com a paz, enquanto isolam aqueles que procuram conflito e instabilidade” (Obama, 2007: 2).
A agenda política da Administração Obama tendia a focar-se na aplicação da diplomacia norte-americana no contexto regional do Médio Oriente, ainda que “apoiada por toda uma variedade de instrumentos do poder americano - politico, económico e militar” para resolver pendências no que toca a oponentes como Irão e a Síria, ou seja, a ameaça que advém de um “programa nuclear do Irão, patrocínio de terrorismo e agressão regional”. A diplomacia terá um papel claramente relevante no caso do Irão, demonstrada na aplicação de “sanções mais duras e aumentando a pressão de seus principais parceiros comerciais”, sendo que a aquisição de armas nucleares e a exploração de urânio torna-se demasiado perigosa para a ordem internacional.” Além disso, a diplomacia combinada
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com pressão também poderia re-orientar a Síria de sua agenda radical para uma postura mais moderada - o que poderia, por sua vez, ajudar a estabilizar o Iraque, isolar o Irão, libertar o Líbano do controle de Damasco e proteger melhor Israel” (Obama, 2007: 2). Veja-se que no final “a segurança é a preocupação mais difundida, se não a mais básica dos Estados e das sociedades” (Korany et al., 2016: 275).
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CONCLUSÃO
A investigação que suporta esta dissertação teve como base a análise da estrutura da triangulação entre os Estados Unidos, a Arábia Saudita e Israel no contexto regional do Médio Oriente, firmada numa rede de alianças entre si e na percepção da natureza conflitual da região. Para a realização desta analise, procedeu-se à constituição de um quadro teórico e à identificação de dois conceitos centrais, a ver, o de identidade e o de aliança, visando, por um lado, as dinâmicas no contexto regional do Médio Oriente e, por outro, a dimensão que engloba a triangulação acima mencionada, dimensão essa que é fundamental nesta investigação.
As premissas desenvolvidas e verificadas ao longo esta análise assentam na convicção de que a triangulação entre os três Estados desempenha um papel relevante na tentativa de resolução nos múltiplos cenários de conflitualidade que se observam no Médio Oriente, causados em parte pelas divisões que se verificam a vários níveis, como é o caso da oposição entre os três Estados desempenha um papel relevante na tentativa de resolver os múltiplos cenários de conflitualidade que se verificam a vários níveis como é o caso da oposição entre os sunitas e xiitas e pela difusão acentuada do terrorismo transnacional, provocando uma crescente vaga de violência e destruição das zonas de atrito.
De acordo com o estudo realizado, e tendo inicialmente em conta o contexto regional do Médio Oriente e, consequentemente, a questão identitária que tomou uma nova forma com os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001. Tal se deveu ao facto do terrorismo transnacional revelar um alcance muito maior em termos dos alvos e até em financiamento.
No entanto, ainda que tenha acentuado as diferenças entre alguns Estados, aproximou outros numa luta comum contra o terrorismo, partilhando entre si certas afinidades no que toca a regimes e recursos naturais e desenvolvendo uma interdependência assimétrica, noção estudada por Gregory Gause III (1999, 2005).
A expressão da natureza conflitual do Médio Oriente, tendo em consideração que a região que ocupa uma posição geoestratégica vital na cena internacional, pode ser concebida com base num conjunto de pontos essenciais: i) a petro-politics que considerar petróleo enquanto instrumento politico, algo perceptível na política externa da Arábia Saudita; ii) a noção de intermestics, explorada por Korany, enquanto mecanismo capaz
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de medir os conflitos da região, através da identificação de determinados elementos; iii) a constituição de alianças tanto a nível regional, entre Estados e/ou partidos políticos; e iv) a própria estrutura das alianças quer a nível internacional quer a nível regional e o impacto e resultados na condução de um processo de paz e garantia de estabilidade para a região.
Acresce o facto de as alianças dependerem tanto da percepção de uma ameaça iminente ou de jure, razão pela qual elas se estabelecem, quanto dos compromissos assumidos, maioritariamente dominados pela cooperação securitária e das capacidades dos membros que firmaram a aliança em causa.
Pese ainda a importância da noção de poder como variável-chave na opção pelo ‘balancing’ ou ‘bandwagoning’ e na resposta às ameaças.
Após este breve sumário dos principais componentes que balizam a investigação, importa considerar os elementos que constituem a delimitação do problema apresentada na introdução e que, por sua vez, sustentam a presente dissertação, de forma a proceder à verificação das hipóteses de investigação propostas.
Veja-se que para responder às perguntas formuladas na introdução e confirmar as hipóteses foi proposto um enquadramento teórico (ver Parte I).
Assim, a primeira coisa a ter em conta é a pergunta que deu origem a esta investigação: Em que medida é que as alianças que definem a estrutura da triangulação entre os Estados Unidos, a Arábia Saudita e Israel procuram dar uma resposta para os conflitos no Médio Oriente? (P1)
A proposta de resposta consistia na assumpção de que: (H1) a estrutura da triangulação entre os Estados Unidos, a Arábia Saudita e Israel sustenta-se num conjunto de alianças, formais ou informais, firmadas entre si, formando assim uma rede de políticas externas dirigidas para o contexto regional do Médio Oriente, procurando responder à natureza conflitual da região e (H2) as alianças que conduzem a acção política dos três Estados dentro da triangulação traduzem-se num entendimento mútuo de interesses em comum não só na região, mas também dos benefícios que essas alianças podem gerar na relações entre eles.
Em primeiro lugar, considere-se a natureza das alianças dentro da triangulação. Esta não é homogénea, uma vez que a aliança entre os EUA e a Arábia Saudita, firmada a vários níveis, entre os quais o nível securitário está documentada, por exemplo, no
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Tratado de Mútua Defesa, em 1952 e com a construção de uma base militar dos EUA no Estado árabe, mantendo-se activa até hoje, ainda que tenha sofrido alguns abalos, principalmente durante a Administração Bush, tenha uma estrutura diferente da relação estabelecida entre os Estados Unidos e Israel, determinada precisamente pelo facto de consistir numa aliança informal, ainda que não se possa questionar o compromisso entre os dois Estados.
Em segundo lugar, importa sublinhar que os três Estados estão comprometidos com a resolução dos principais conflitos no Médio Oriente.
No caso da Arábia Saudita, assistiu-se a uma acção diplomática dinâmica no sentido de promover o processo de paz e encontrar uma solução tanto para o conflito israelo- árabe como para o conflito israelo-palestiniano.
Para esse fim, a Arábia Saudita procurou apoiar a formação de um governo de unidade nacional da Autoridade Palestiniana e durante a Administração Bush impulsionou, 2002, uma iniciativa para intermediar um acordo duradouro entre os Estados árabes e Israel, fazendo parte também, juntamente com Israel, do MEPI, iniciativa essa levada a cabo por George W. Bush.
A Arábia Saudita firmou um conjunto de acordos bilaterais com os Estados Unidos, alguns relacionados com o petróleo, tendo em conta que a Arábia Saudita tem sido o maior fornecedor de energia dos EUA até à data e continuando a ser um dos principais aliados regionais dos Estados Unidos.