PARTE II – O CONTEXTO REGIONAL DO MÉDIO ORIENTE
1. O que é o Médio Oriente?
Antes de discutir acerca do papel que a noção do regionalismo tem no Médio Oriente, partindo do pressuposto que a análise de qualquer contexto regional deve partir da compreensão do conceito de ‘regionalismo’.
Por um lado, Leonard Binder (1958) “propõe que a região consiste nos territórios do Império Otomano, juntamente com os países vizinhos, nos quais os movimentos religiosos de oposição têm desafiado o nacionalismo de estilo ocidental”. De acordo com o autor, “o Médio Oriente propriamente dito estende-se da Líbia ao Irão, com áreas periféricas como o Afeganistão, Paquistão e Magreb e uma área central que inclui os Estados árabes e Israel” (Fawcett, 2013: 28). Por outro, Paul Noble (1991) quando aborda as relações entre os Estados árabes no contexto do que se entende por Médio Oriente, exclui o Irão, a Turquia e Israel da sua análise, “alegando que eles não partilham as fracas instituições do Estado, valores comuns e ideologias – em particular uma afinidade pelo pan-arabismo – ou permeabilidade das fronteiras políticas que se vê no mundo árabe” (Fawcett, 2013: 28).
A perspectiva de F. Gregory Gause III (2004) distingue-se das duas acima pelo facto de assumir que o sistema do Médio Oriente é “composto por Estados que se mantêm unidos por laços de interdependência assimétrica” (Fawcett, 2013: 28).
Veja-se, ainda, que o surgimento do Médio Oriente moderno teve como um dos motores a crise da Palestina em 1947, tendo em conta que através dela que as fraquezas árabes emergiram no contexto da ordem internacional e a afirmação do poder colonial na região na formação do actual Médio Oriente e alavanca para o aparecimento de problemas regionais que ainda não foram ultrapassados.
Por fim, com base numa formulação mais ampla, pode conceber-se o Médio como um “complexo de segurança regional: um conjunto de Estados nos quais as políticas realizad344as por um Estado geram externalidades que inflamam, escalam ou mitigam conflitos noutros Estados” (Fawcett, 2013: 28).
De facto, “as definições do Médio Oriente variam, mas vemos um padrão de interdependência de segurança que abrange uma região que se estende de Marrocos ao Irão, incluindo todos os Estados árabes, além de Israel e do Irão” (Buzan et al., 2003: 187), havendo três influências fundamentais na situação do Médio Oriente, a ver,
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“conflitos armados, levantes sociais e o impacto da economia mundial” (Halliday, 2005: 167).
A noção de regionalismo no contexto regional do Médio Oriente
O regionalismo, enquanto tal, deve ser visto “como um ‘bem’ que os Estados e actores não-estatais desejam e encorajam e aquele que merece ser promovido pelas comunidades regionais e internacionais” (Fawcett, 2004: 429). A formulação deste conceito revela as “preocupações geográficas, políticas, económicas, estratégicas e culturais que são especificas de cada região” (Fawcett, 2004: 429), sendo que as comunidades, pelo conceito promovidas, desenvolvem práticas, normas e valores próprios e apostam na segurança, na economia e cooperação.
Considerando a complexidade da noção de ‘regionalismo’, e mais visível no caso do Médio Oriente, o regionalismo pode apresentar efeitos negativos pronunciados, tal como é o caso do terrorismo. No entanto, também apelam a soluções para este problema, especialmente após os atentados do 11 de Setembro de 2001, procurando algum progresso nesse sentido, algo que tem vindo a ser notado.
Neste campo, a Escola Realista defende que a cooperação, maioritariamente desenvolvido pelas instituições regionais que foram sendo criadas nas últimas décadas, “pode mitigar a anarquia utópica internacional” (Fawcett 2004: 430).
Por seu turno, Louise Fawcett (2004), acredita que “entender o regionalismo requer um grau de flexibilidade de definição”, ao que ela propõe “uma definição multinível e de múltiplos propósitos, uma que se move além da geografia e além dos Estados (…)” (Fawcett, 2004: 431-32), recorrendo a novos domínios que prevêem a acção regional. Acresce, a importância de conceber o conceito de ‘região’ fora de uma bolha meramente geográfica e/ou territorial, podendo haver alguma interacção e até mesmo cooperação entre os actores políticos que nela se encontram, assim como a possibilidade da formação de uma identidade colectiva. Estes actores também podem desempenhar diferentes papéis tanto a nível regional como a nível internacional.
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Note-se que a ideia de identidade e a de regionalidade têm similaridades, sendo que nenhuma delas é dada à priori, estando, pelo contrário, em constante construção e mudança.
Na perspectiva da constituição das instituições do Médio Oriente, entre as quais se destacam a Liga Árabe e a GCC, pode falar-se de grupos pan-regionais, que além do papel regional que possam desempenhar, envolvem-se movimentos de integração e transnacionais.
Neste sentido, o regionalismo acaba por fornecer algum nível de “respeitabilidade e legitimidade ao esforço tradicional do Estado”, sendo que “num mundo onde os Estados estabelecidos são organizados regionalmente, nenhum Estado deseja permanecer fora das tendências actuais” (Fawcett, 2004: 439).
O regionalismo por si só se depara com bastantes obstáculos, sendo que “continua fortemente restringido pelas exigências do poder e do interesse do Estado, e pelas influências sistémicas que produzem padrões de equilibro e influência dos Estados” (Fawcett, 2004: 442).
A este respeito, teorias como a institucionalismo liberal procuram analisar os padrões de cooperação regionais, enquanto o construtivismo se concentra na identidade, sendo que observam, por exemplo, a partilha da experiência entre os Estados. Assim, o conceito de identidade destaca-se em casos, como o do Médio Oriente, em que o islamismo ou arabismo ganham importância na tentativa de realçar e explicar alguns elementos que definem a estrutura das alianças criadas entre os Estados regionais e especialmente as suas características principais, “mesmo que persista uma desconexão marcante entre ideias e instituições partilhadas” (Fawcett, 2004: 442).
Em matéria do regionalismo contemporâneo, convém lembrar que o mesmo sofre de alguns problemas relevantes, devendo, entre eles, salientar-se a capacidade, a soberania e a hegemonia.
Inicialmente, a primeira dificuldade encontrada repousa na noção de capacidade, factor essencial que caracteriza os membros de um determinado grupo presente numa dada região, demonstrando que a formação de um grupo através de tratados ou acordos multilaterais não faz com que os mesmos se comprometam totalmente a tal, uma vez que podem não dispor de capacidade suficiente para assumir responsabilidades a este nível, não podendo ou até mesmo não querendo “prosseguir para outras etapas da cooperação”
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(Fawcett, 2004: 442-43). As capacidades que aqui estão visadas podem variar entre a limitação dos recursos naturais e de poder, podendo reflectir-se num “obstáculo à acção, seja na esfera militar, económica, diplomática ou institucional” (Fawcett, 2004: 443). Tais observações só reforçam o facto de que onde a rivalidade e competição tendem a prevalecer, as tentativas de cooperação tendem a falhar.
O segundo problema, o da soberania, surge associado à capacidade, na medida em que os Estados procuram a cooperação em busca de promover os seus interesses de segurança, pelo que a soberania será responsável pelo equilíbrio ou desequilíbrio de qualquer aliança ou alinhamento.
No entanto, “o argumento da soberania não constitui um argumento convincente contra o regionalismo”, uma vez que o respeito por ela “não impede a actividade no nível regional” (Fawcett, 2004: 444).
O terceiro problema está na existência de um Estado dominante no grupo regional em causa, ou por outras palavras, um hegemon. A identificação de um Estado forte que possa desempenhar este papel passa a impressão de que esse Estado utilizará o regionalismo a ser favor e procurará dominar os Estados à sua volta e consequentemente a região. Deste modo, “o regionalismo pode ser visto como um instrumento para a afirmação do controle hegemónico” (Fawcett, 2004: 444).
Por outro lado, ainda no domínio da hegemonia, qualquer Estado forte limitará cada acção regional, especialmente a nível das instituições regionais, sendo responsável pela imposição de padrões e podendo vir a desempenhar um papel importante “na promoção da paz e segurança regionais” (Fawcett, 2004: 445).
Ainda no campo do regionalismo, veja-se que as novas alianças e alinhamentos que se poderão formar para fazer frente ao terrorismo, poderão aumentar os processos regionais, enfrentando desafios como o da unipolaridade presente no actual sistema internacional. No caso da análise do comportamento dos Estados árabes, Stephen Walt (1987) afirma que estes procuram meios e medidas para evitar que um Estado (seja externo seja regional) “ganhe uma posição dominante nas questões regionais” (Fawcett, 2013: 22), ainda que seja notório que determinados Estados procuram exercer uma liderança na região, fundamentalmente em assuntos inter-árabes, destacando-se entre eles o Irão e Israel, ainda que a Arábia Saudita também tenha procurado “usar a sua força geopolítica
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e posição dominante nos mercados globais de energia para reivindicar um papel preeminente entre as nações muçulmanas” (Fawcett, 2013: 168).
Em paralelo com o regionalismo, encontra-se a concepção de governança regional que consiste num “subconjunto da governança global aplicável a uma região especifica: variedade de actores nacionais e regionais, incluindo governos, partidos políticos, ONG’s, contexto de constantes acções políticas e lobbying” (Acharya & Katsumata., 2011: 91). É fundamental ter em consideração o facto de qualquer tipo de governança “tende a ser avaliada em virtude da sua eficácia e legitimidade.” (Acharya & Katsumata., 2011: 92). A formulação da noção de governança regional advém do conceito de governança global que, por sua vez, “compreende uma enorme variedade de mecanismos e processos variando de regimes bastante detalhados e específicos em áreas como o comércio, para respostas ad hoc, aplicadas inconscientemente e variáveis a emergências de segurança e humanitárias” (Acharya & Katsumata, 2011: 107).
A questão identitária da região
No que diz respeito à noção de identidade, embora se possa dizer que ela esteve sempre presente no Médio Oriente, através da religião pregada por Maomé desde o ano de 610, que era comum a todos os muçulmanos, esta ganhou um novo relevo no pós-11 de Setembro.
A concepção da existência de uma identidade regional no contexto do Médio Oriente29
parece clara, ainda que a sua estrutura seja aparentemente indefinida e apresente algumas características diferentes daquelas que são pressupostas numa identidade colectiva. Em primeiro lugar, é preciso identificar o papel da identidade, sendo que a mesma “facilita a cooperação e mobiliza agentes para a mudança, superando o problema da acção
29 A questão da identidade estende-se para planos que numa dissertação de mestrado seria impossível de
explorar adequadamente. No entanto, é fundamental notar que a identidade regional do Médio Oriente parece diferir, a nível teórico, do que Wendt denomina de ‘identidade colectiva’, podendo esta ser, a seu ver, regional ou internacional/global. Tal sucede pelo facto de a identidade regional do Médio Oriente apresentar características particulares, reflectindo-se numa estrutura diferente da que foi desenvolvida pelo autor como ‘identidade colectiva’. A diferenciação é ainda mais notória quando comparamos duas regiões em particular, por exemplo, a Europa (tendo em vista a União Europeia) e o Médio Oriente, tanto em números de Estados contemplados como nas diferenças radicais entre os regimes dos mesmos, assim como na tomada de decisão em determinadas circunstâncias.
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colectiva, onde identidade converge com o território partilhado e interdependência económica, resultando num Estado-nação ou comunidade de segurança regional, o resultado é legitimidade e estabilidade” (Fawcett, 2013: 148).
A formulação do conceito de identidade tem em conta um ‘eu’ e um ‘outro’, sendo que “a identidade pressupõe um ‘outro’ contra o qual o ‘eu’ se define e porque a sua construção ‘exclui’ os outros, quando as diferenças de identidade correspondem às lutas sobre os recursos materiais escassos notavelmente a terra, o resultado é um conflito prolongado entre Israel e os palestinianos” (Fawcett, 2013: 148).
Na formulação do conceito, deve considerar-se, num ponto de vista, que “a identidade molda as percepções de interesse na formulação de políticas externas (como os construtivistas acreditam) ou é um instrumento na busca de tais interesses (como os realistas argumentam)? A resposta deve ser ambas” (Fawcett, 2013: 158).
Importa igualmente salientar que “a identidade também tem o poder de restringir Estados”, sendo que “os lideres estaduais árabes se sentem presos entre os interesses estatais materiais convencionais priorizados pelos Estados-nação ‘normais’ e uma ‘razão de ser da nação’ suprema (Korany, 1987), na qual a sua legitimidade é contingente, indica que para os seus públicos, existe uma ‘comunidade imaginada’ com os seus próprios interesses e reivindicações sobre eles.” (Fawcett, 2013: 158).
Considere-se ainda que “a identidade molda poderosamente a percepção de inimigos e potenciais aliados dos Estados árabes; assim enquanto a ‘razão do Estado’ levaria os Estados árabes mais fracos ameaçados por Estados mais fortes, como a Jordânia nos anos 50 e 60, a se alinhar com Israel. Isso não poderia ser feito abertamente sem custos inaceitáveis de legitimidade” (Fawcett, 2013: 158).
Neste sentido, o estabelecimento de uma identidade regional, tal como o de uma identidade colectiva, depende necessariamente da existência de um conjunto identificável de Estados que desenvolvem relações entre si, desempenhando papéis segundo determinadas normas e valores comuns pré-estabelecidos com vista a um mesmo objectivo.
Existem determinados factores a ter em conta, como é o caso dos contextos social, cultural e politico que os diferencia ou aproxima, a interacção e a interdependência que se verifica entre eles, a emergência de normas, instituições regionais/internacionais e
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objectivos comuns. Importa salientar que pode emergir uma estrutura informal que os une.
Tal como se verifica no artigo de Richard Little, no âmbito da teoria defendida pela Escola Inglesa, é fundamental ter em conta o papel desempenhado pela linguagem, sendo que é preciso sublinhar os contornos da linguagem utilizada numa determinada sociedade internacional, algo que é facilmente transportada para a formação da identidade regional, sendo que é através desta que se podem “identificar e posteriormente entender o significado dos interesses, valores, normas e instituições que prevalecem num dado lugar e num determinado momento” (Little, 2000: 409).
Além disso, pode falar-se de uma identidade regional no contexto do Médio Oriente, pela existência de um Califado que revela ser a unidade e autoridade política do mundo árabe.
Porém, no Médio Oriente a “identidade [é] frequentemente incongruente com as fronteiras do Estado – torna-se uma fonte de revisionismo, contribuindo para altos níveis de conflitos regionais” (Fawcett, 2013: 148).
Ainda assim tem-se verificado “continuidade no que diz respeito à personalidade legal dos Estados, das instituições e das identidades”. Importa ter em conta que as identidades interfere tanto com a afirmação dos Estados como na estrutura das instituições.
Na formulação da identidade, afigura-se a emergência de normas e objectivos comuns, algo que pode estar na base da criação de instituições regionais. No caso da afirmação dos Estados através da identidade importa ver a sua autonomia na formação de uma política externa e a sua independência quanto à possibilidade de uma identidade regional pelo facto da mesma apresentar a forma de uma estrutura informal e reflectir-se num ‘inconsciente colectivo’.
Na perspectiva de Sati al-Husri, na condição de principal teórico do nacionalismo árabe, “a identidade árabe é um produto tanto das conquistas históricas colectivas dos árabes quanto da padronização da modernidade árabe (Choueiri 2000: 119-20), uma visão congruente com a análise de Karl Deutsch (1953) dos ingredientes do nacionalismo” (Fawcett, 2013: 150).
De acordo com esta conceptualização, “o arabismo não era, contudo, inevitavelmente a identidade de política dominante dos Estados árabes individuais, pois as identidades são construídas e fluídas, e geralmente múltiplas, com identidades rivais testadas através de
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debates entre elites intelectuais e públicos (Lynch, 2006)”, sendo que o arabismo se estabelece na invocação de “ameaças partilhadas, interesses e queixas contra o ‘outro’ – os Estados não-árabes e o imperialismo” (Fawcett, 2013: 150), ainda que tenha sido sempre contestado pelo aparecimento de identidades alternativas conforme a necessidade dos interesses dos Estados.
Considere-se que a identidade árabe dentro do Império Otomano surgiu pela primeira vez em reacção às políticas de turbulência. No entanto, a queda do império e o aumento das lutas em toda a região contra o Ocidente que levaram à falta de identidade, acabou por contribuir para a ascensão do nacionalismo árabe.
Neste contexto, o que “mudou desde o auge do pan-arabismo é que as identificações com os Estados e com o Islão começaram a exceder a identidade árabe” (Fawcett, 2013: 152). Neste sentido, “o importante é como essas identidades estão relacionadas: no nível doméstico, na medida em que o Estado é islamizado, a identidade islâmica é consistente com a identidade do Estado e espera-se que as duas se reforcem mutuamente (Piscatori, 1986). No entanto, ao nível da política externa, as identidades árabe e islâmica aparecem em parte por se terem fundido, na medida em que eram associadas a preferências da política externa muito semelhantes” (Fawcett, 2013: 152).
Com base no pan-arabismo, é perceptível o facto da identidade supra-estatal ter um forte efeito na afirmação da política regional, “como foi manifestado nas rivalidades de liderança pan-árabes, o poder da causa palestiniana, a prevalência de movimentos revolucionários e projectos de unidade árabe, embora numa dialéctica com forças materiais que podem reforçar ou diluir o seu poder mobilizador” (Fawcett, 2013: 158). Tendo por base as premissas anteriormente consideradas, pode assumir-se que “a identidade é um ‘soft power’ normativo, (…) usado instrumentalmente pelas elites nas suas disputas de poder e uma restrição nas suas opções” (Fawcett, 2013: 158).
Assim, pode afirmar-se que “a identidade está enraizada na história, na fé e na linguagem partilhadas, facilitada pela ‘comunicação social’ e despertada pelo conflito com o ‘outro’ sobre a terra ou os recursos”, sendo que “ao nível da agência, é a força mais poderosa para mobilizar queixas em desafio às estruturas dominantes – via movimentos trans-estatais” (Fawcett, 2013: 165).
Importa ainda lembrar que “as concepções dos Estados sobre os seus interesses são poderosamente moldadas pela identidade, particularmente se ela é relativamente satisfeita
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ou frustrada”, considerando que “o resultado das políticas externas, no entanto, depende de factores materiais reforçarem ou diluirem o poder agencial da identidade, com as identidades dos Estados no último caso normalmente tendo que se adaptar às restrições de material ao nível do sistema” (Fawcett, 2013: 165-6).
Incorporado na constituição da identidade, o Islão, enquanto “religião dominante na maioria das sociedades do Médio Oriente e uma importante força sociocultural por si só” tem “uma influência significativa sobre como os Estados e outros actores da região pensam e conduzem as relações internacionais” (Fawcett, 2013: 168), afirmando-se, assim, detentora de uma uma identidade institucional.
Porém, tudo indica que “a evidente instabilidade gerou uma enorme especulação acerca da viabilidade do sistema regional de Estados” (Fawcett, 2017: 793).
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