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A utilidade do trabalho do auditor

CAPÍTULO II O RELATÓRIO DE AUDITORIA

2.4. A utilidade do trabalho do auditor

A importância do relatório de auditoria financeira, como medida da qualidade da informação financeira, tem sido salientada por vários autores, nomeadamente Garcia Benau e Monterrey (1997) que salientam que qualquer análise que se faça sobre a informação financeira de uma empresa resulta principalmente da leitura e interpretação do significado da opinião do auditor. De igual modo, Bernstein (1995) afirma que a certificação do auditor aumenta notavelmente a fiabilidade das divulgações facultadas pelos documentos financeiros.

Igualmente, o relatório de auditoria financeiro deve resumir as conclusões do processo de investigação efetuado pelo auditor, o que o obriga à utilização em várias ocasiões de uma linguagem técnica que pode originar problemas de compreensão nos utilizadores da informação como já anteriormente referido.

Os relatórios financeiros constituídos pelo Balanço, Demonstração de Resultados, Fluxos de Caixa e as Notas às Demonstrações Financeiras fornecem informação solicitada pelos gestores, investidores, credores, governo, entre outros stakeholders (Bagherpour, Monroe & Greg, 2010). Os utilizadores das demonstrações financeiras confiam nesta informação somente depois do auditor externo, que é independente confirmar a confiabilidade das informações. Deste modo, os auditores têm um papel de colaboração governativa em monitorizar o processo de relato financeiro das empresas (Ashbaugh & Warfield, 2003).

Poder-se-á afirmar que o relatório de auditoria financeiro pode ser concebido como um documento que mede a qualidade da informação financeira que é revelada pela empresa. As demonstrações financeiras são instrumentos utilizados pela empresa para comunicar a realidade dos factos económicos e financeiros da empresa. Estes documentos são o único meio ao dispor dos utilizadores interessados na atividade da empresa, dada a dificuldade que estes têm de observação direta da realidade física da empresa. O auditor

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verificará se as afirmações correspondem à realidade empírica da empresa. Para Sterling (1985) todas as demonstrações financeiras podem ser verificadas e os auditores como observadores imparciais podem obter um grau de certeza razoável sobre a sua veracidade.

Partindo do pressuposto de que os utilizadores da informação financeira têm legitimo interesse no conhecimento da realidade da empresa, em virtude da mesma ajudar a opinião e orientar as suas tomadas de decisão em relação à empresa, a informação financeira só terá interesse se a mesma tiver valor. Consequentemente, a informação financeira só adquire valor se tiver determinado requisitos (AECA – Princípios

Contables, 1999):

A informação deve ser relevante para os utilizadores: todos os aspetos, factos

e circunstâncias que afetam a realidade económica das empresas terão de ser incorporadas no seu processo financeiro e divulgados nas demonstrações financeiras;

A informação deve ser fiável: averiguar se os factos registados nas

demonstrações financeiras correspondem à realidade física da empresa, ou seja, se a informação está livre de erros materiais e representar exatamente as operações ou factos que evidencia através das demonstrações financeiras.

O International Accounting Standards Board (IASB, 1989) acrescenta mais uma característica qualitativa essencial à informação financeira – compreensibilidade, uma vez que a informação financeira pressupõe que seja compreendida pelos utilizadores. A auditoria constitui um factor de garantia da fiabilidade da informação económica e financeira das empresas como se pode confirmar pela figura 3. A importância da auditoria reside na mais-valia da sua contribuição para o processo de divulgação das contas da empresa, pois a informação auditada tem supostamente maior valor do que a que carece de verificação. Os utilizadores da informação financeira estão interessados em obter uma informação de qualidade para a tomada de decisão (Elena Cabal, 2001).

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Figura 3 – O Relatório de Auditoria Financeira como Medida da Fiabilidade da Informação Financeira

Fonte: Garcia, Elena Cabal (2001), p. 21

Contudo, esta opinião de que o relatório de auditoria financeira é utilizado pelos utilizadores para as diversas decisões de tomada de decisões é posta em causa por vários autores. Segundo Yubero Hermosa (2001):

“a opinião do auditor é de pouca utilidade para a tomada de decisão, uma vez que se

está fazendo um relatório sobre valores passados, obsoletos, e por isso a informação não é oportuna. Os utilizadores exigem cada vez mais uma informação perspetiva, e recorre, a outros sistemas de informação para obtê-la e deste modo decidem.”

Esta linha de pensamento é partilhada também por Ruíz Barbadillo (1998), que salienta o facto que apesar do relatório de auditoria financeira ter um valor nominativo que lhe permite ser um valioso instrumento de informação, é por parte dos utilizadores pouco utilizado. A justificação para este fato, segundo este autor, pode estar relacionada com dois aspetos distintos:

Administração Informação

Contabilística Utilizadores AUDITOR RELATÓRIO DE AUDITORIA V a lo r de U soOpinião FavorávelOpinião com ReservasOpinião Adversa e DesfavorávelConfirmaReintegraAnula parcialmenteAnula Controlo

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Dificuldade na leitura e compreensão da mensagem do relatório de auditoria financeira, originada pela linguagem altamente técnica juntamente com termos

técnicos quase impenetráveis, que origina barreiras de comunicação e como consequência o relatório de auditoria passa a criar mais dúvidas do que a ser instrumento de esclarecimento;

Ausência de informação relevante ou desconhecida pelos utilizadores do

relatório de auditoria financeira, originando o desinteresse no mesmo pelos utilizadores.

Dos resultados obtidos pelos vários autores, concluiu-se que o dito documento é considerado útil aos utilizadores da informação financeira, apesar de se mostrarem insatisfeitos com o tipo de informação que o mesmo divulga, no que concerne à empresa auditada.

Apesar do auditor não ter como objetivo principal pronunciar-se no relatório de auditoria financeira sobre aspetos relacionados com a gestão da empresa auditada, os utilizadores das demonstrações financeiras creem cada vez mais que os auditores se pronunciem sobre a gestão das empresas auditadas.

O trabalho do auditor e as conclusões retiradas do seu trabalho de campo deverão acompanhar as necessidades e a evolução da sociedade, na medida em que os utilizadores requerem que os auditores se pronunciem sobre determinados indicadores económico-financeiros, como por exemplo, a gestão da empresa e a viabilidade de continuidade da empresa. Como realça Prado Lorenzo e González Bravo (1998):

“a falta de cobertura das novas necessidades dos diretores e utilizadores externos, têm-

se traduzido em críticas à auditoria financeira e exigem do auditor um maior envolvimento na avaliação de questões como a qualidade da gestão ou a capacidade de empresa para continuar no mercado”.

No próximo capítulo, o cerne da nossa tese, vamos analisar a relação que existe entre o relatório de auditoria financeira, nomeadamente em relação à opinião emitida pelo auditor da empresa auditada, e as mudanças realizadas pelas empresas auditadas, em

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relação aos auditores. É nossa intenção, inquirir se existe alguma relação entre estes dois factos. Para isso, iremos analisar um conjunto de estudos realizados nas últimas décadas sobre esta temática.

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CAPÍTULO III - A MUDANÇA DE