Classe V Classe inferior baixa
A UTO C ONCEITO V ULNERABILIDADE AO S TRESS
r r2(%) t p r r2(%) t p
Implicações na Vida Pessoal do Cuidador
Informal
-.277 7.7 -6.661 .000*** 0.472 22.3 12.019 .000*** Satisfação com o Papel
Familiar -.239 5.7 -6.262 .000*** 0.437 19.1 11.680 .000*** Reacções a exigências -.361 13.0 -9.134 .000*** 0.480 23.0 12.503 .000*** Sobrecarga Emocional Relativa ao Doente -.003 0.0 -0.193 .847 n.s. 0.126 1.6 1.573 .116 n.s. Suporte Familiar .324 10.5 6.885 .000*** -0.294 8.6 -6.952 .000*** Sobrecarga Financeira .364 13.2 7.952 .000*** -0.269 7.2 -5.865 .000*** Percepção dos Mecanismos de Eficácia e Controlo .391 15.3 9.249 .000*** -0.285 8.1 -7.081 .000***
No que concerne à análise das correlações entre a sobrecarga do cuidador informal e as características da Personalidade, a mesmas são significativas entre o neuroticismo e as subescalas Implicações na vida pessoal, Satisfação com o papel familiar, e Reacções a exigências, com um valor de t que explica respectivamente 4.5%,
3.6% e 1.9% da variância da sobrecarga, pelo que constatou-se que os cuidadores com traço de neuroticismo mais elevado apresentam menor sobrecarga nas referidas subescalas. Na dimensão extroversão encontramos associações significativas com a Reacções a exigências (r=-.067) e na Sobrecarga Financeira (r=-.094), com um valor de t que explica 0.5% e 0.95 da variância da sobrecarga. Pelo que é plausível considerar que os cuidadores cujo traço extroversão é mais acentuado e que são mais extrovertidos apresentam menor sobrecarga nestas nas reacções a exigências e na sobrecarga financeira (cf. Quadro 74).
Quadro 74 - Análise de regressão linear simples entre a Sobrecarga do Cuidador Informal e as Características da Personalidade SOBRECARGA DO CUIDADOR INFORMAL Características da Personalidade Neuroticismo Extroversão r r2(%) t p r r2(%) t p Implicações na Vida Pessoal do Cuidador Informal -.213 4.5 -5.066 .000*** .017 0.02 0.776 .438 n.s. Satisfação com o Papel
Familiar -.190 3.6 -4.716 .000*** .054 0.3 1.316 .189 n.s. Reacções a exigências -.139 1.9 -3.437 .001** .067 0.5 1.983 .042* Sobrecarga Emocional Relativa ao Doente -.049 0.2 -0.500 .617 n.s. .039 0.1 0.476 .634 n.s. Suporte Familiar .074 0.5 1.965 .051 n.s. -.021 0.04 -0.638 .601 n.s. Sobrecarga Financeira .012 0.01 0.963 .336 n.s. -.094 0.9 -2.731 .006** Percepção dos Mecanismos de Eficácia e Controlo .013 0.02 0.915 .360 n.s. -.089 0.8 -1.860 .063 n.s.
Perfil da Sobrecarga do Cuidador Informal
Em termos médios o cuidador informal relata grande sobrecarga na vertente
financeira (
x
=72.17), percepção dos mecanismos de eficácia e controlo (x
=68.36) e nosuporte familiar (
x
=60.12). Por sua vez, os cuidadores apresentam menor sobrecarganas reacções a exigências (
x
=34.71), na satisfação com o seu papel e com o familiar (x
=43.47), e nas implicações na vida pessoal (
x
=45,80).6.2. ANÁLISE DO FUNCIONAMENTO MENTAL DOS CUIDADORES
Sendo o Estado de Ânimo (Depressão) e Saúde Mental as variáveis dependentes, iremos proceder à sua caracterização e procurar estudar o modo como as variáveis pessoais e situacionais se repercutem no funcionamento mental, do cuidador informal, identificando factores que possam interferir positiva e negativamente dos processos desenvolvimentais e adaptativos (Bronfenbrenner & Evans, 2000).
6.2.1. Caracterização do Estado de Ânimo (depressão) dos Cuidadores (amostra total)
Em termos médios, o score relativo à sintomatologia depressiva apresentada pelos cuidadores informais foi de 10.20 (DP=10.266), com um mínimo de 0 e um máximo de 55, sendo a dispersão elevada em torno da média. As medidas de simetria e de achatamento revelam, uma curva assimétrica enviesada à esquerda e leptocúrtica para ambos os sexos e para o total da amostra.
A sintomatologia depressiva é mais grave nos cuidadores do sexo feminino do que no sexo masculino (Mean Rank=325.23 Vs Mean Rank=280.67), revelando o teste U de Mann Witheney que as diferenças face ao sexo são estatisticamente significativas (U=423553.0; Z=-2.263; p=.024), aceitando-se que as mulheres apresentam piores índices no referente à sintomatologia depressiva, logo pior estado de ânimo, quando comparada com os homens (cf. Quadro 75).
Quadro 75 - Estatísticas relativas ao Estado de Ânimo (Depressão) (amostra total)
Min Max
x
DP Sk/erro K/erro CV (%)Mean Rank Masculino 0 55 8.91 11.178 7.399 6.229 125.8 280.67 Feminino 0 54 10.45 10.072 12.745 11.047 96.1 325.23 Total 0 55 10.20 10.266 14.587 12.154 100.6 9 U=423553.0 Z=-2.263 p=.024*
Quando recodificamos a variável Estado de Ânimo (Depressão) de acordo com os critérios do autor (Vaz-Serra, 1973), e procedemos ao estudo da gravidade da depressão, verificamos que na amostra total 62.8% dos cuidadores não apresentam depressão, 16.1% apresentam depressão leve e que apenas 9.1% manifestam depressão grave. A análise segundo o sexo revela que 75.7% dos homens não apresentam depressão, e 10.7% apresentam depressão grave. Por sua vez, 60.4% das mulheres não apresentam depressão e 8.9% manifestam depressão grave, sendo que as diferenças encontradas são significativas (χ2= 14.262; p=.003) (cf. Quadro 76).
Quadro 76 - Gravidade do Estado de Ânimo em função do Sexo (amostra total)
Sexo Masculino Feminino Total
n % n % n % Ausência 78 75.7 322 60.4 400 62.8 res 3.0 -3.0 Depressão Leve 5 4.9 97 18.2 102 16.1 res -3.4 3.4 Depressão Moderada 9 8.7 66 12.6 75 12.0 res -1.1 1.1 Depressão Grave 11 10.7 48 8.9 59 9.1 res 0.6 -0.6 Total 103 100.0 533 100.0 636 100.0 Grau de Depressão (χ2= 14.262; p=.003**) 9 Teste U de Mann-Withney
Para complementar o estudo da gravidade da Depressão agrupamos os cuidadores em duas classes: a primeira diz respeito aos cuidadores que obtiveram scores inferiores ou iguais a 12, isto é, “sem depressão”, constituído pela maioria da amostra (62.9%); e, o segundo, constituído pelos cuidadores cujo score foi superior a 12 e, portanto, “com depressão”, representando 37.1% dos cuidadores informais.
Na análise por sexos, observamos que 24.3% dos homens e 39.6% das mulheres apresentam sintomatologia depressiva (cf. Quadro 77). O teste de Qui-quadrado e os valores residuais revelaram que as diferenças entre os homens e as mulheres são significativas (χ2=61.275; p=.003).
Quadro 77 - Presença de Sintomatologia Depressiva em função do Sexo (amostra total) Classes
SEXO
Sem Depressão Com Depressão Total
n % n % n % Masculino 78 75.7 25 24.3 103 16.2 res 2.9 -2.9 Feminino 322 60.4 211 39.6 533 83.8 res -2.9 2.9 Total 400 62.9 236 37.1 636 100 Sexo (χ2=61.275. p=.003**)10
- Estado de Ânimo (Depressão) Vs Variáveis Sócio-Demográficas (amostra total)
O estudo da relação entre a sintomatologia depressiva e a Idade do Cuidador foi efectuado através do teste de correlação de Correlação de Pearson, observando-se associação muito baixa e positiva (r=.176; p=.000). Com um valor de t que evidencia que 3.1% da variação do estado de ânimo dos cuidadores se deve à variável idade, pelo que inferimos que os cuidadores mais novos apresentam um estado de ânimo mais positivo, e que a sintomatologia depressiva é mais grave nos cuidadores mais velhos (cf. Quadro 84).
As variações do estado de ânimo em função do Grupo Etário (teste de Kruskal- Wallis), revelou que os cuidadores que pertencem ao grupo dos [75 – 100[ pontuam em média com valores superiores de sintomatologia depressiva (Mean Rank=401.41), por sua vez os do grupo [15 –35[ são os que pontuam com scores mais baixos (Mean Rank=251.87). As diferenças encontradas são significativas (H=29.071; p=.000), considerando-se que o estado de ânimo dos cuidadores informais varia ao longo do seu ciclo vital (cf. Quadro 78).
Relativamente ao Estado Civil, verificamos que são os cuidadores Separado(a)/Divorciado(a) que apresentam pior estado de ânimo, e os que apresentam menos sintomatologia depressiva são os solteiros, (Mean Rank=383.91 Vs Mean
Rank=295.229, respectivamente. Contudo as diferenças estatísticas encontradas não são significativas (H=7.060; p=.133) (cf. Quadro 78).
Quando analisamos a variabilidade da sintomatologia depressiva em função do Grau de Parentesco do Cuidador Informal inferimos que o grupo dos cuidadores com o parentesco sobrinho é o que apresenta mais sintomatologia depressiva (Mean Rank=399.25), por sua vez os cuidadores com “outro” grau de parentesco foram os que manifestaram sintomatologia mais leve (Mean Rank=285.17). As diferenças estatísticas são altamente significativas (H=37.319; p=.000), aceitando-se que o grau de parentesco dos cuidadores influencia o estado de ânimo (cf. Quadro 78).
No que respeita à sintomatologia depressiva e Zona de Residência, os cuidadores do meio urbano não se distinguem dos do meio rural, (U=38634.0; Z=-0,145; p=.885) (cf. Quadro 79).
No que concerne ao estudo da relação da sintomatologia depressiva com o Nível Socioeconómico, o teste de correlação de Correlação de Pearson, revelou existir uma associação positiva muito baixa entre ambas, relatando os cuidadores com pior nível socioeconómico mais sintomatologia depressiva (r=.250; p=.000). O valor de t evidencia que o nível socioeconómico explica 6.3% da variação do estado de ânimo dos cuidadores (cf. Quadro 84).
No que concerne à relação da Situação Laboral com o Estado de Ânimo (Depressão), depreendemos que os cuidadores desempregados pontuaram em média com mais sintomatologia depressiva (Mean Rank=357.87) e os que possuem um emprego a tempo inteiro com menos (Mean Rank=275.55). O teste de Kruskal-Wallis revelou que as diferenças estatísticas são altamente significativas (H=24.150, p=.000), apresentando os cuidadores com vínculo laboral estado de ânimo mais positivo do que os desempregados (cf. Quadro 78).
Quadro 78 - Estado Ânimo (Depressão) em função das Características Sóciodemográficas (amostra total)