Na primeira questão, do segundo questionário, foi solicitado que fizessem referências a impressão e detalhes que chamaram a atenção sobre a EDS. Conforme descrito anteriormente o Q2º apesar de ser constituído por dezessete questões teve sua aplicação realizada em quatro dias distintos, tendo em vista que sua divisão obedeceu ao cronograma proposto para a leitura do material colocado a disposição dos professores. No quadro 5 são apresentadas as primeiras impressões e detalhes sobre a EDS. Alguns professores apresentaram mais de uma das alternativas solicitadas. Para essa atividade introdutória foi utilizado excerto do texto do documento final do plano internacional de implementação da Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, da UNESCO (2005), no qual estão presentes as características da EDS.
Quadro 5 – Impressões e detalhes sobre a EDS
(continua)
Professor@ Observações
P2.1 “É para mim de extrema importância. Esse assunto não deve sair de “moda” nunca”. P2.2 “Entendo tratar-se de uma educação para o futuro da humanidade.”
P2.3
“A primeira impressão é que estas atitudes perante a vida como um todo, pessoas, natureza, relações, deveria naturalmente seguir este rumo, mas, infelizmente nos perdemos no caminho”.
P2.4
“A primeira impressão é uma educação preocupada com o planeta, com o global”.
“O que mais me chama atenção é essa educação voltada para formação do cidadão global e pleno de suas responsabilidades”.
P2.5
“Não tinha leituras especificas sobre EDS, embora tenha observado que a mesma se relaciona perfeitamente com os objetivos para a educação integral e para a cidadania...”
P2.6 “A primeira impressão foi a de que para os objetivos serem alcançados, os governos precisam assumir responsabilidades”.
P2.7
“Observei que para se alcançar a tão almejada sustentabilidade precisamos vivenciar e internalizar os valores educativos e sociais ao meio em que estamos inseridos.”
(conclusão)
P2.8 “Ter o elemento humano como variante fundamental no desenvolvimento sustentável.” P2.9 “A primeira impressão foi como a noção de EDS está ligada as ideias e ações
dos direitos humanos, bem como relaciona-se com a ideia de futuro. Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
No quadro 5 a identificação P2 serve para diferenciar dos professores que participaram da fase anterior e responderam ao primeiro questionário. O 2 após o P significa que o professor está respondendo o segundo questionário.
Conforme pode se observar no quadro 5, as primeiras impressões manifestadas pelos professores são positivas, nas quais identificaram com clareza o alvo da proposta quando consideram a EDS como “moda permanente”, para o futuro, como rumo, preocupada com o Planeta, para a formação integral e para a cidadania, com governos responsáveis e difusora de valores comprometidos com os direitos humanos. As respostas representam aspirações que podem ser consideradas como perspectivas distantes de devaneios, uma vez que o desenvolvimento sustentável tem conquistado robustez, a partir de elementos de diferentes áreas de conhecimento, para se constituir numa utopia com chances de ser realizada. (BURSZTYN, 2001). Sobretudo por que se apresenta como alternativa para as adversidades originadas pelo padrão de civilização vigente, se constituindo como “[...] a ousadia de pensar um outro modo de desenvolvimento humano.” (BURSZTYN, 2001, p. 20).
No próximo passo solicitou-se que escolhessem a característica, ou se fosse o caso as características da EDS, consideradas como sendo as mais próximas da prática pedagógica, seja do professor ou da escola. Apenas dois respondentes escolheram apenas uma das características, tendo os demais escolhido mais de uma. O critério para a construção da ordem na Tabela 5 obedeceu a quantidade de citações feitas a cada uma das características, as quais encontram-se descritas na tabela 5.
Tabela 5 – Características da EDS próximas da prática pedagógica
Característica(s) Citações
Favorecer o pensamento crítico e as soluções de problemas 5
Ser interdisciplinar e holística 5
Ter valores direcionados 3
Recorrer a múltiplos métodos 2
Participar do processo de tomada de decisões 2
Ser localmente relevante 2
Ser aplicável 0
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Na terceira questão o procedimento foi igual à questão anterior, com a diferença de termos solicitado a característica ou as características mais distantes das ações, seja na sala de aula ou na escola, A exemplo da questão antecedente, dois participantes escolheram apenas uma das características. Obedecemos ao mesmo critério adotado para a questão dois na construção da tabela. Conforme se observa na Tabela 6, a participação no processo de tomada de decisões é particularidade que se mantém distante do exercício da docência, o que denota a falta de prioridade ou até mesmo a ausência da incorporação de práticas democráticas.
Outro destaque é a dificuldade que se tem de recorrer a diversidade de metodologias que possam melhorar o envolvimento e o desenvolvimento dos alunos, o que nos leva a perceber quanto a escola prioriza o modelo tradicional de ensino e aprendizagem.
Tabela 6 – Características da EDS distantes da prática pedagógica
Característica(s) Citações
Participar do processo de tomada de decisões 5
Recorrer a múltiplos métodos 3
Ser localmente relevante 2
Ter valores direcionados 1
Ser interdisciplinar e holística 1
Favorecer o pensamento crítico e as soluções de problemas 0
Ser aplicável 0
Para a quarta e a sexta questões solicitou-se que, ao observarem os tópicos sugeridos como objeto de conhecimento, identificassem quais ODS poderiam estar envolvidos com o componente curricular sob sua responsabilidade. A divisão em duas solicitações se justifica em função do número de objetivos, dezessete, assim como a necessidade de obedecer a sequência programada para cada dia da formação e em não sobrecarregar os sujeitos que fizeram parte da pesquisa.
O resultado apresentado a seguir, sob a forma de quadro (Quadro 6) corresponde, portanto, a união das duas indagações. Para preencher o quadro usamos duas cores a verde e a vermelha. A verde sinaliza que o professor reconheceu algo nos ODS/objetos de conhecimento possível de trabalhar a partir de sua área. A vermelha sinaliza que não aconteceu a identificação.
De acordo com os resultados apresentados se percebe que nos componentes curriculares de língua portuguesa, artes, língua inglesa, geografia, história e ciências há uma maior identificação entre o que se propõe para ensinar e aprender e os tópicos, sugeridos para cada um dos ODS, que equivalem aos conteúdos. Para os demais componentes, educação física, matemática, ensino religioso, há uma distância maior para se trabalhar com os ODS.
Há dois aspectos que precisam ser considerados em relação à questão. O primeiro é que o indivíduo, ao responder, parece não ter observado os tópicos sugeridos, levando em consideração apenas o enunciado dos ODS. E o segundo, não ter observado a perspectiva de não considerar a possibilidade de trabalhar numa perspectiva interdisciplinar, o que sugere que foi esse o entendimento do profissional de língua portuguesa. Independentemente disso, a falta de identificação entre os conteúdos propostos por cada componente curricular e os tópicos sugeridos para se trabalhar os ODS apontam a possibilidade, de uma potencial necessidade formativa, apesar de reconhecer que existe uma identificação evidenciada entre certos componentes curriculares com determinados temas dos ODS.
Quadro 6– Relação entre objetos de conhecimento e ODS Componente curricular ODS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 L. Portuguesa Artes Ed. Física L. Inglesa Matemática Geografia História E. Religioso Ciências
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Para a quinta e sétima questões a sistemática de divisão obedeceu aos mesmos critérios adotados nas anteriores, cuja descrição foi feita no parágrafo precedente a este, com a diferença que nas perguntas procuramos identificar a realização pelo professor ou pela escola, de abordagens e métodos de aprendizagens propostos para cada ODS. Como opções de respostas tínhamos sim, não e sem informações, conforme observado na tabela 7. A partir dos números apresentados no quadro constata-se que os ODS 3, 4, 5, 6 e 16 aparecem com mais frequências em relação a ações a eles vinculadas. A negativa, a falta de informações e de respostas pode ser atribuída a diversos fatores, alguns deles até mencionados neste trabalho, tais como a pulverização da carga horária do professor entre várias escolas, que por sua vez dificulta a comunicação interna entre os pares, além da ausência de um projeto interdisciplinar consistente que proporcione uma unidade na forma de trabalhar.
Tabela 7 – Realização de abordagens e métodos de aprendizagens para os ODS
(continua)
ODS Sim Não Sem informação Sem resposta Total
1 1 4 3 1 9 2 3 4 1 1 9 3 7 2 0 0 9 4 6 2 0 1 9 5 9 0 0 0 9 6 4 2 2 1 9 7 6 1 1 1 9
(conclusão) 8 2 2 4 1 9 9 4 2 2 1 9 10 5 2 1 1 9 11 4 1 3 1 9 12 5 2 1 1 9 13 3 2 3 1 9 14 4 3 1 1 9 15 5 2 1 1 9 16 8 0 1 0 9 17 5 1 3 0 9
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Na oitava questão foi solicitado que classificasse o interesse pela EDS/sustentabilidade após a formação do grupo de estudos e a leitura do material disponibilizado pela UNESCO e utilizado durante o processo. Para efeito de esclarecimento, convém ressaltar que esta pergunta estava presente como tarefa do penúltimo encontro do grupo, portanto para ser respondida após a leitura final do material. A totalidade dos investigados respondeu que o interesse pelo assunto aumentou. Tal posição reforça a constatação de Amado e Vasconcelos (2015), que embora tenham tomado como parâmetro professores de ciências, apostam na formação em EDS de onde virá o apoio necessário para enfrentar a velocidade das transformações da sociedade e para buscar outros procedimentos metodológicos.
Para a nona questão os professores foram estimulados a refletir se o momento mundial que vivemos é propicio a integração da EDS ao currículo escolar. Dos noves integrantes que fizeram parte do grupo, oito concordaram que sim e apenas um respondeu não.
Observamos que dois professores – P2.1, que respondeu não, e P2.5 que respondeu sim, atribuíram a necessidade de uma política pública como fator determinante para que a EDS aconteça. Outro professor – P2.3, mesmo sem fazer referência as políticas públicas, destacou as disputas, advindas dos conflitos políticos, como o principal empecilho para que ocorra a incorporação da EDS. É interessante constatar, que para alguns participantes, há a necessidade de se estabelecer políticas de Estado que não permitam que este ou aquele governo provoque a descontinuidade e prejudique a realização de medidas em longo prazo,
como que é o exemplo da Agenda 2030. As respostas que transcrevemos abaixo ilustram as justificativas dadas pelos professores.
P2.1 – “Precisa melhorar as políticas públicas relativas a EDS.”;
P2.5 – “[...] Considero que esse seja o caminho. No entanto, vejo uma onda de retrocessos, pensamentos reacionários que influenciam nas políticas públicas que acabam tentando inviabilizar essa pauta tão necessária”;
P2.3 – “Enfrentaremos muitas dificuldades, pois o poder político parece não demonstrar interesse no desenvolvimento da consciência para uma vida sustentável, mas é dever da educação não desistir e fazer a diferença.” (PROFESSORES ENTREVISTADOS).
Outros pesquisados consideraram aspectos afetivos, relacionados a valores e a questão ambiental propriamente dita, para justificar a inserção da EDS ao currículo, conforme podemos ver nos fragmentos abaixo.
P2.4 – “O planeta clama por sustentabilidade, pede socorro. Repensar nossa forma de viver é cuidar de nosso planeta.”;
P2.6 – “As pessoas estão cada vez mais individualistas, preocupando-se com o bem estar pessoal imediato.”;
P2.9 – “Em um mundo onde a tecnologia impera, desenvolver-se ou orientar para o desenvolvimento sustentável é crucial para a sociedade.”; P2.7 – “O mundo está vivendo uma depreciação da natureza e aos mesmo tempo está sentindo os efeitos devastadores de uma convivência insustentável.”;
P2.8 – “O planeta pede socorro haja vista, a enorme quantidade de poluentes jogados na atmosfera e o desperdício de matéria prima.” (PROFESSORES ENTREVISTADOS)
Um professor apresentou de forma direta a sua justificativa em relação à necessidade de incentivar a inclusão da EDS ao currículo, ainda que na sua compreensão a perspectiva seja para um cenário vindouro.
P2.4 – “No futuro as novas gerações deverão ser educadas e formadas sob os fundamentos da EDS, simplesmente por que devido a escassez dos recursos naturais o modo de produção terá que ser modificado sob pena de ter um colapso neste próprio sistema.”
Buscou-se, também, saber por parte de quem existe a disposição em proporcionar meios para que a EDS aconteça no âmbito do sistema formal de
educação. A pergunta foi restrita a escola por termos, no nosso objetivo geral, essa instituição como ponto central da pesquisa. Entretanto, além da ciência que a EDS, conforme recomendação da própria UNESCO deve ser proporcionada por diferentes espaços de educação e diferentes organizações da sociedade civil.
De acordo com a Tabela 8, percebe-se que para fomentar a EDS, os investigados atribuem que a responsabilidade recai sobre os professores. Esse é um ponto para discussão, se considerarmos que a iniciativa do ponto de vista individual, do professor, pode ser interessante, desde que envolva os demais segmentos da escola. Nosso entendimento em relação a esse empreendimento é que seja um projeto coletivo, da escola e das parcerias que possa viabilizar, ademais cabe ao ente estatal, nesse caso o município, assumir institucionalmente a pretensão de alcançar os objetivos da Agenda 2030.
Tabela 8 – Atribuição de responsabilidade para promoção da EDS
Responsabilidade Citações
Professores 8
Escola 2
Outros – ONGs 1
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Ao serem indagados, na décima primeira questão, sobre a possibilidade de ter a sustentabilidade com suas diferentes dimensões, como elemento condutor de mudança e reorientação do currículo escolar, oito dos nove professores se posicionaram como totalmente favoráveis e apenas um como parcialmente favorável a essa proposição. Embora se trate de um dado pontual, se percebe um sinal positivo na busca por um mundo sustentável. A formação e a sensibilização pública defendida pela UNESCO (2005, 2014, 2017), por Mckeown (2002) e na Agenda 21 (1996), representam um caminho que possibilite, conforme afirmam Loureiro et al. (2016, p. 307) no “[...] estabelecimento de uma educação comprometida com mudanças de valores e de comportamentos individuais e coletivos”, que contribuam na direção de uma outra sociedade.
A pergunta da décima segunda questão teve como objetivo identificar se o professor percebe, nos livros didáticos utilizados na escola, elementos relacionados
ou em consonância com as recomendações propostas para a EDS ou aos ODS. As respostas dos professores são diversas, a exemplo da heterogeneidade de suas formações e das diferentes propostas pedagógicas presentes nos livros didáticos. No quadro 7 é possível visualizar que nas nove respostas daqueles que participaram da atividade, um deles não conseguiu se posicionar em relação a questão, seis deles optaram por concordar com a existência de fundamentos da EDS/ODS nesses materiais, ainda que metade dos que optaram por essa categoria fizeram a ressalva dela acontecer parcialmente, e outros dois escolheram o não. Dois participantes, P2.4 e P2.8, chamaram a atenção para o papel do professor nesse processo de inserção da EDS e dos Objetivos na prática pedagógica.
Quadro 7 – Consonância dos livros didáticos com a EDS/ODS
Categorias Comentários Quantidades
Ausência
P2.1 – Não, considero que precisam melhorar muito.
2 P2 - Não Percebi os fundamentos da EDS no livro didático
que trabalho.
Sem resposta P2.7 - Não posso dar uma resposta precisa. 1
Presença
P2.3 - Em parte, alguns autores na minha área já relatam experiências e pesquisas exitosas conectadas nesse pensamento.
6 P2.4 - Vejo que a maioria dos livros didáticos tem tido essa
preocupação. O que nos falta é a prática pedagógica de fato. P2.5 - Vejo no livro de [...] muitas discussões relacionadas à formação de valores que mostram diversidade cultural, social. Adequa-se aos objetivos do desenvolvimento sustentável.
P2.6 - As edições mais contemporâneas estão sim, pelo menos em parte, levando em conta tais recomendações, fazendo com que haja reflexão sobre o papel das pessoas no mundo.
P2.8 - Os livros didáticos trazem as propostas do documento da EDS, no entanto o professor regente é que necessita abraçar a causa, pois os livros não os têm como principal objeto de estudo.
P2.9 - Em parte. Os livros ainda são muito sintéticos e só se debate EA em sugestões e ela não é considerada pilar nos livros didáticos.
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
A existência de um ambiente de aprendizagem favorável à EDS foi objeto de questionamento na décima terceira questão. Na pergunta citamos algumas alternativas, como facilitadores da organização da resposta, de fatores que poderiam
contribuir para esse ambiente, tais como: currículo, infraestrutura, compromisso da gestão, apoio comunitário e incentivo à participação. Ao responderem a questão todos fizeram ressalvas. Seis deles escolheram sim, em parte e três optaram pelo não, em parte. As respostas obtidas foram agrupadas em quatro categorias, apresentadas no Quadro 8, a partir das justificativas dadas, sendo que um investigado – P2.1 não apresentou razões, apenas assinalou não, em parte.
Quadro 8 – O ambiente de aprendizagem para a EDS
Categorias Justificativas
Condições para o funcionamento
P2.3- Ainda falta muito a escola, [...] ainda enfrenta muitas dificuldades de infraestrutura, entre outros.
P2.8- Nossa escola, apesar de ter espaço, não aproveita de forma satisfatória.
Gestão
P2.2- Há uma vontade de melhorar pelos profissionais que atuam, entretanto, falta a sistematização desses conhecimentos.
P2.5- A escola tem potencial, mas precisa de maior organização e planejamento para poder produzir melhores resultados.
P2.6- Não há comprometimento efetivo. Há algumas ações muito pontuais (uma feira de ciências, por exemplo) que me parecem terem fim em si mesmas.
P2.9- Com feiras de conhecimento pode se contribuir, mas para isso, precisa-se de apoio diário.
Fatores externos P2.4- A comunidade ainda deixa muito a desejar, o entorno da escola tem muito lixo e isso, é um descuido da própria população.
Sem definição P2.7- A escola tenta fazer sempre o melhor, mais existem muitas barreiras. Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
A possibilidade de superação da pedagogia tradicional e a adoção de um modelo que coloca o aluno numa posição de aprendiz ativo, reflexivo e envolvido com a ação transformadora, a partir da incorporação da EDS ao currículo escolar foi o objeto da décima quarta questão. Nessa parte do questionário, os investigados foram convidados a responder se concordavam ou não com a afirmação. O resultado, na Tabela 9, mostrou que apesar da concordância, há um equilíbrio entre aqueles que concordam totalmente com a afirmativa e aqueles que concordam parcialmente. Para Boff (2016) uma educação que pretende ser sustentável precisa ir além dos limites dos muros da instituição. Para isso propõe que os alunos
Devem ser levados a experimentar na pele a natureza, conhecer a biodiversidade, saber a história daquelas paisagens, daquelas montanhas e daqueles rios. Valorizar as personalidades que marcaram aquela região, seus poetas, artistas, escritores, arquitetos, sábios e pessoas veneráveis, por suas virtudes e santidade. É um mergulho no mundo real encontrar a Mãe Terra, com suas manifestações, às vezes ameaçadoras como as ondas encapeladas do mar, outras vezes suaves como uma paisagem da montanha com os manacás e os ipês floridos, a complexidade da cidade com suas diferentes lógicas: do transporte, dos edifícios públicos, das lojas e supermercados, dos cinemas, dos teatros e dos locais de lazer. (BOFF, 2015, p. 153-154).
Tabela 9 – A Educação para o Desenvolvimento Sustentável como superação da pedagogia tradicional Opção Quantidade Concordo totalmente 5 Concordo parcialmente 4 Discordo totalmente 0 Discordo parcialmente 0 Total 9
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Para a décima quinta questão pedimos aos participantes que escolhessem quais seriam as repercussões para os alunos, caso a EDS/sustentabilidade fosse incorporada a prática diária. No quesito formulado existia a sugestão para a escolha de mais de uma alternativa, caso entendesse que seria necessária. A tabela 10 mostra que há uma expectativa positiva e variada em relação à efetivação proposta se colocada em prática.
Tabela 10 – Benefícios para o aluno da EDS/sustentabilidade nas práticas pedagógicas
(continua)
Opção Quantidade
Mais participação 7
Formação mais ampla 7
Aulas mais interessantes 6
(conclusão)
Consonância com os tempos atuais 1
Valorização dos professores 1
Aumento da auto estima dos alunos 1
Assunção de responsabilidades 1
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
A décima sexta questão repetiu o enunciado da questão anterior, substituindo que indicassem o resultado em relação ao professor. Foi apresentada, também, a possibilidade de escolha de mais de uma alternativa. A valorização profissional de quem exerce o magistério, passa, dentre outras coisas, pela possibilidade de existência de uma formação continuada, conforme os dados apresentados na tabela 11.
Para tanto, pressupõe-se que tal vislumbre seja acompanhado da garantia de melhores condições de trabalho. Aliás, essa uma expectativa de quem trabalha na escola pública, superar o fator limitante da possibilidade de avançar em direção a um modelo de escola que se quer e que se gostaria de ter.
Neste contexto, o resultado desta pesquisa sinaliza com elementos que podem contribuir com o cenário da sustentabilidade como eixo curricular e com a formação que aponte nesta direção.
Tabela 11 – Benefícios para o professor da EDS/sustentabilidade nas práticas pedagógicas
Opção Quantidade
Necessidade de formação continuada 9
Carga horária de trabalho maior 4
Carga horária de trabalho menor 0
Menos aulas na disciplina 0
Mais aulas na disciplina 2
Abandono do caráter disciplinar 2
Outros 0
Para a última questão foi solicitado que avaliassem a participação no grupo de estudos salientando o que a atividade representou em relação ao