Caminhamos até aqui primordialmente pelo terreno do já existente, do diagnóstico do sentido que o trabalho efetivamente possui. É certo que, ao fazê-lo, ao interrogarmos o que o trabalho é, tangenciamos o que ele pode ser, que perspectivas e possibilidades ele encerra. Passemos, contudo, a perscrutar de modo mais direto esse terreno das projeções, das aspirações, dos desejos. De partida, relembremos uma estimativa eloquente, mencionada no capítulo anterior: a de que 81,44% dos trabalhadores/as do centro expandido do Recife gostariam de ter um trabalho diferente.
Dentre as possibilidades existentes, partiu-se de um questionamento prosaico, sobre a vontade de trabalhar para si. O resultado, exposto no Gráfico 11, está em que 84,54% dos/as empregadas/os de empresas do centro expandido do Recife gostariam de deixar de sê-lo para trabalharem exclusivamente para si.
Gráfico 11 - "Você gostaria de deixar seu emprego e somente trabalhar para você
mesma/o?"
84,54% Sim
15,46% Não
O “exclusivamente” está presente porque há uma parcela desses/as trabalhadoras/es que já exerce alguma modalidade de trabalho para si, em acúmulo ao emprego – são 14,43% os/as nessa situação, como se vê no Gráfico 12; juntamente com as/os que já trabalharam dessa forma, conformam o percentual de 45,36% que possuem alguma experiência com essas modalidades de trabalho.
Gráfico 12 - "Você já trabalhou para você mesma?"
14,43% Sim, eu trabalho para mim a
30,93%
Sim, mas não trabalho mais 54,64% Não
O significado da aspiração por trabalhar para si não pode ser pressuposto. Para identificá-lo, temos um bom ponto de partida numa questão aberta que interroga sobre as motivações dessa vontade. De um modo geral, as respostas conjugam, em combinações as mais diversas, tanto oposições ao emprego atual, como propriamente projeções ou expectativas quanto às configurações de uma eventual ocupação em modalidade de trabalho para si. A Tabela 10 traz os resultados.
Tabela 10 – “Por que gostaria de deixar o emprego e somente trabalhar para si?”*
Autonomia** 65,43%
Menções genéricas; autonomia no processo de trabalho 33,33%
Controle sobre tempo de trabalho 33,33%
Controle sobre intensidade do trabalho 17,28%
Renda 40,74%
Condição de proprietário/a 12,35%
Rejeição à apropriação estranhada do trabalho 9,88%
Melhoria de vida 8,64%
Atividade e satisfação 7,41%
Saturação, longa trajetória no assalariamento 7,41% Reconhecimento e valorização profissional 6,17%
Respostas tautológicas 3,7%
Sonho 4,94%
Experiência prévia com trabalho para si 3,7%
Não sabe 1,03%
* A soma dos resultados ultrapassa os 100%, dada a possibilidade de cada resposta apresentar elementos de mais de uma categoria.
** A soma das subcategorias ultrapassa o percentual da categoria que as abriga, dada a possibilidade de cada resposta apresentar elementos de mais de uma subcategoria.
A principal descoberta está em que a maioria das respostas trouxe a vontade de superar o estranhamento do trabalho no que ele possui de heteronomia; trouxe, assim, a vontade de se ocupar numa modalidade de trabalho sobre a qual exerçam domínio, na qual disfrutem de maior autonomia. Em 65,43% das respostas das pessoas que gostariam de trabalhar exclusivamente para si72, vê-se a presença de uma oposição a aspectos não (diretamente) remuneratórios do trabalho estranhado73.
Vemos alguns núcleos temáticos internos a essa categoria; algumas subcategorias, como mostra a Tabela 10. Na primeira delas, a referência à autonomia no trabalho ou é panorâmica, isto é, trata genericamente do controle sobre o poder decisório no trabalho, ou, quando é específica, aborda a condução técnica do processo de trabalho – essas duas ramificações vieram entrelaçadas nas respostas. Falou-se do desejo de ser “mais independente”, de “não ter chefe”, de “ter um livre arbítrio”, de “não ter obrigação de cumprir regras”, essa última citação acompanhada da adição: “eu mesmo estabeleço as minhas”.
O atual emprego foi de modo frequente rejeitado em sua hierarquia heterônoma: “Iria mudar muita coisa [no trabalho]”;
“[Estou] cansado, ideias não são absorvidas, opinião do trabalhador não conta pra chefia”;
“[Você] quer dar opinião, não pode. [Você] quer mudar as coisas”;
“Às vezes, tem uma sobrecarga demais do patrão. [Trabalhando para mim,] eu saberia o que eu preciso fazer; Identificar erros na empresa e poder modificá-los”;
“[Trabalhando para si, você vai] poder realizar o que você não consegue no seu trabalho”.
Como se percebe, isso se dá em nítida contraposição ao trabalho para si, visto em cores de desestranhamento, como repositório de autonomia e independência.
“[Trabalhando para mim mesma,] dependo de mim, faço o que quiser, da forma que quiser”;
72 As respostas dizem respeito aos indivíduos que responderam “sim” a uma questão precedente no questionário
(questão 30, Apêndice B), já aqui mencionada: “Você gostaria de deixar seu emprego e somente trabalhar para você mesma/o?”. Somaram 15,46% os que responderam “não”.
73
Nessas respostas, vemos que indivíduos não brancos da amostra atribuem em maior proporção que os brancos a vontade de deixar o emprego e trabalhar somente para si a uma demanda por um trabalho mais autônomo; enquanto os primeiros o fazem em 68,75%, o número para os segundos é de 52,94%; seus intervalos de confiança, todavia, são sobrepostos, o que torna a distinção inválida para o conjunto da população. Os indivíduos autodeclarados de cor preta na amostra veem em 80% (com intervalo de confiança em sobreposição aos das demais categorias) a demanda por autonomia como razão para a vontade de ir trabalhar para si.
“[Quero trabalhar para mim] para ter mais autonomia em relação a umas decisões e para ter mais independência”;
“Vou ter a minha independência”;
“[Trabalhar para si] é mais cômodo; você tem abertura para controlar, para fazer as coisas andarem do seu modo”;
“Não dá satisfação a ninguém, só a você mesmo”; “Eu vou mandar em mim mesma”;
“Privacidade: [trabalhando para mim] em casa, não vai ter ninguém controlando”; “[Quero ter] mais autonomia – [...] [para] tomar decisão”;
“Na minha empresa, seriam minhas regras, trabalharia do meu jeito, [teria] mais satisfação, me identificaria”;
“[Quero] ser dono de mim mesmo”.
Destaquem-se do mesmo modo as várias menções a “liberdade”: “A independência, a liberdade seria maior”;
“Porque trabalhar pra gente não tem obrigação de dar satisfação para patrão. Tem mais liberdade”;
“Porque quando a gente trabalha pra gente mesmo é outra fonte, a gente tá administrando. Liberdade!”.
Também nas respostas que expõem as aspirações de autonomia, vemos as referências ao controle sobre o tempo de trabalho, aí incluídas não somente as decisões a respeito da duração, mas simultaneamente da organização e disposição da jornada. Tal clamor adquire uma inequívoca dimensão de (re)apropriação de suas vidas e dos seus corpos. Nos seguintes termos projeta-se a vivência do trabalho para si:
“[Gostaria de trabalhar para mim para] ter meu horário. Eu vou mandar em mim mesma. Meu horário, meu dia”;
“[Para] ser independente, ter o seu controle de hora trabalhada, dia a dia, não ser obrigado a trabalhar fim de semana. Trabalhar de segunda a sexta”;
“[Tem-se] maior liberdade de fazer seu horário”;
“[Trabalhando para a gente mesmo,] o descanso a gente controla. Se tiver doente, não precisa passar pelo constrangimento”;
“[Gostaria de trabalhar para mim mesmo] porque faço meu horário, fica tudo mais fácil, eu mesmo sou o meu patrão”;
“[Poderei] estipular meu horário”;
“[Pode-se] fazer sua própria carga horária”;
“Porque a gente teria um tempo mais, não teria aquela carga horária. Faz aquele programa [pode se programar]”;
“Porque teria flexibilidade de horários”;
“[Teria] mais autonomia, flexibilidade de horário”; “Horário: [poder] fazer meus próprios horários”;
“Você faz seu horário em relação ao cuidado dos filhos e da casa, não tem horário certo, não recebe reclamação quando se atrasa 2 minutos. Participa mais da vida do filho, para ir à escola, ao médico”.
A necessidade de controlar a jornada de trabalho, pode-se ver, com frequência é externada de modo associado às demandas fora do trabalho. Elas podem dizer respeito à necessidade de encontrar mais vida para dedicar ao tempo livre, mas também, como na última citação, podem tratar primordialmente das tarefas de cuidado – e se inscrever, portanto, numa divisão sexual do trabalho que subjuga e sobrecarrega as mulheres. Vejamos outros exemplos – com as respectivas indicações do gênero e da raça/cor autodeclarados:
“Porque tem mais tempo para dedicar à família. Mais liberdade para ter reunião na escola [dos/as filhos/as]” (mulher branca);
“[Gostaria de trabalhar para mim] porque teria um pouco mais de tempo” (homem branco);
“Porque eu determino minha meta e meu horário. Não vou ter muita pressão, cobrança. Eu que determino minha meta. E vou ter tempo livre, fazer o que quiser” (mulher parda);
“Porque a pessoa tem o horário de chegar, de sair, tem seu lazer” (homem pardo); “Para ter mais qualidade de vida, trabalho muito e não tenho tempo para mim”
(mulher parda);
“Porque eu teria mais tempo para ficar com meus filhos” (mulher parda); “Ia ter mais liberdade pra cuidar do filho, fazer a hora” (mulher parda);
“Carga horária: [poder] ajustar – [poder] estudar, [fazer] outras coisas!” (mulher de cor amarela).
Nessas notas, vê-se simultaneamente a aparição de uma visão voluntarista sobre o trabalho para si, quando se parece ignorar a existência de ditames objetivos nas definições da jornada de trabalho.
“[Num trabalho para si, você] trabalha na hora em que quer”; “[Gostaria de trabalhar para mim para] estipular meu horário”; “[Porque] fecharia as portas na hora em que eu quisesse”.
Há ainda uma subcategoria das afirmações de aspiração por autonomia como fator motivador da vontade de trabalhar exclusivamente para si: trata-se do desejo por controle sobre a intensidade do trabalho e, de modo interligado, de denúncia de uma supervisão despótica no emprego. Esses dois elementos estão no mesmo agrupamento, na mesma subcategoria porque se revelou um empreendimento inviável dissociá-los quando aparecem empiricamente; como classificar a alusão de um/a trabalhador/a a “pressão”, a “cobrança”, a “estresse”, a “aperreio”74
como inequivocamente dizendo respeito à intensidade do trabalho ou, alternativamente, à supervisão autoritária? Pois bem, nesse agrupamento, trabalhar para si aparece em oposição a um trabalho assalariado de exaustiva tirania:
“[Quero trabalhar para mim mesma] porque eu determino minha meta e meu horário. Não vou ter muita pressão, cobrança. Eu que determino minha meta”;
“[Para] deixar de ser cobrado pelas pessoas”;
“[Porque] não vou ser muito cobrado, mas prefiro investir”; “[Porque] não teria muito aperreio”;
“[Trabalhando para si,] não [se] recebe reclamação quando se atrasa 2 minutos”; “[Porque] não levaria reclamação”;
“[Para] não ficar levando carão dos outros; [...] vida melhor, sem estresse”;
“Às vezes, tem uma sobrecarga demais do patrão. Eu saberia o que eu preciso fazer”; “Porque, além de ter minha independência, não vou depender dos outros, não levaria
reclamação; faria as coisas do meu jeito, da maneira que acho melhor”.
Note-se a terceira citação: “[Quero trabalhar para mim mesmo porque] não vou ser muito cobrado, mas prefiro investir”. Numa análise ligeira, esse enunciado margeia a incoerência discursiva, já que a relação adversativa entre as sentenças faz pouco sentido: a
74 “Aperreio” e “estresse” foram aqui contabilizados, mas deve-se ter em mente que esses vocábulos podem dizer
menção à ausência de “cobrança”, que enseja uma valoração positiva do trabalho para si75 , se transmuta numa exaltação do compromisso com “investir” – quase que para se justificar, como se dissesse “não tenho preguiça, tenho disposição para o trabalho”. Construção discursiva similar tem a resposta “[Vou] saber lidar com o trabalho, [ter] menos responsabilidade”76
, com a diferença de que a justificativa (“saber lidar com o trabalho”, isto é, ter capacidade de compromisso), antecede a própria exaltação do trabalho menos intenso (“menos responsabilidade”).
A propósito, o uso do termo responsabilidade pode adquirir significado nativo específico: além de fazer referência às exigências do trabalho, é mencionado, junto com seus cognatos, para aludir à capacidade de condução das/os trabalhadores/as sobre o próprio trabalho em caso de lograrem escapar ao assalariamento convencional e para afastar interpretações que vejam em sua negação do trabalho intenso e da gestão despótica uma manifestação de indolência, de descompromisso, de irresponsabilidade:
“[Trabalhando para si,] você é dono de sua responsabilidade”;
“[Quero] ter meu horário. Eu vou mandar em mim mesma. Meu horário, meu dia, minha responsabilidade. Porque tem responsabilidade mesmo sendo pra mim”;
“Você fica mais responsável (já sou no trabalho), [tem] independência em relação ao patrão”;
“[Gostaria de trabalhar para mim mesma] porque, quando você trabalha para você, primeiro, você vai se dedicar o triplo, a responsabilidade também é o triplo, não tem o certo para você e você vai fazer o melhor porque você precisa, tem que ser você”. Veja-se que, nessa última sentença, as interdições de ordem moral que provocam a inversão entre manifestação de desejo e reafirmação de valores se dão com tamanha intensidade que sequer abrem espaço para que o desejo seja explicitamente declarado.
Vamos, a seguir, a uma segunda categoria, em que se vincula a vontade de trabalhar exclusivamente para si aos aspectos eminentemente pecuniários do trabalho: em 40,74% das respostas à questão fala-se da renda a ser obtida na outra modalidade de ocupação. Diversas são as formas com que isso é expresso.
“[Gostaria de trabalhar para mim] porque seria melhor – a renda [...]”.
75 À parte, é claro, o voluntarismo aqui contido. Se as cobranças da chefia não existem mais, outras cobranças
objetivas, imperativas de uma economia de mercado capitalista, surgem.
76 Nesta resposta quase telegráfica, há de se ter redobrado cuidado com a precariedade dos dados – e, portanto,
“[Porque] ganharia mais dinheiro”. “[Para] ter uma renda e vida melhor”; “A renda pra mim ia ser maior”;
“[Eu gostaria de trabalhar somente para mim] se tivesse condição de ter mais dinheiro [...]”;
“Porque a gente trabalha na empresa e sabe que a dificuldade é grande. E com a crise é complicado. Se eu trabalhasse por conta própria, não dependeria de salário (que às vezes vem, às vezes não vem)”;
“Pelo salário” 77 ;
“Salário, independência salarial/financeira”; “[Porque eu quero] buscar mais pra gente”;
“Ganhar mais dinheiro. O esforço seria meu e eu iria lucrar com ele. Hoje, você se esforça demais e o dinheiro é aquele”;
“Porque o salário que a gente ganha hoje não é um salário merecedor pelo que se faz. [A gente faz] sempre muitas coisas mais do que o trabalho de verdade [numa sugestão de acúmulo de funções]. Trabalhando pra gente, o dinheiro, o descanso a gente controla”;
“Ter minha renda própria”;
“Porque eu ganhava bem [quando trabalhava para mim mesma], mais do que aí [no emprego]”.
Novamente, o voluntarismo volta à baila. A remuneração é vista como algo dependente exclusivamente da iniciativa de atribuição de quem possui os meios de trabalho:
“[Trabalhando para si,] você faz seu salário. [Há] muitas vantagens. Tem compromisso para correr atrás e fazer seu dinheiro, mas é seu”;
“[Gostaria de trabalhar exclusivamente para mim para poder] estipular meu horário e renda”;
“Porque eu vou fazer meu horário, [ter] controle de quanto vou receber. Aqui não tem tabela certa de comissão, isso atrapalha muito”.
A incompreensão dos mecanismos de produção e apropriação do valor leva, outras vezes, a um enxerto ideológico, à reverberação de um discurso de origem patronal:
“[Gostaria de trabalhar para mim porque] o dinheiro seria nosso. Não tinha com quem dividir, nem pagar funcionária”;
“[Teria] diretamente um lucro, sem tirar impostos”;
“No fim do mês, [trabalhando para mim,] o dinheiro é ainda maior que fichada - os impostos são muito altos”.
Algumas das citações demonstram que outro uso nativo está no termo “crescimento”. Ele é utilizado nessas circunstâncias em aproximação semântica com a ideia de ascensão social e, no limite, em substituição à menção a ganhos em dinheiro. A locução “para mim” aparece como referência de uma apropriação desestranhada das riquezas do trabalho. Vejamos:
“Não vou ser muito cobrado, mas prefiro investir. [Há] possibilidade de crescimento, só tem o salário no emprego”;
“[Gostaria de trabalhar para mim para ter] um crescimento mais rápido, [para] buscar mais pra gente, porque quando trabalha para os outros, você busca para os outros. [Quero] crescimento para mim”;
“[Trabalhando para si, há] mais possibilidade de crescimento”; “[Trabalhando para mim,] crescimento só dependeria de mim”; “Eu ia crescer para mim mesma”;
“Ser independente, crescer na vida”;
“Trabalhando por conta própria tem possibilidade de crescer”; “Porque dali eu poderia crescer e fazer outra coisa da vida”; “Trabalhando para si, cresce mais rápido, não cresce pros outros”.
Não se trata somente de obter vantagens remuneratórias, mas há aí também um outro componente de oposição ao estranhamento, que se dá pela saudação à independência.
“Porque [eu quero] trabalhar para mim, ter minha renda. Ser dono de mim mesmo”; “[Gostaria de trabalhar para mim para ser] financeiramente independente”;
“Na minha empresa, seriam minhas regras, trabalharia do meu jeito, [teria] mais satisfação, me identificaria, consequentemente, me dedicaria mais, teria mais retorno, minha autoestima seria muito melhor”.
Os anseios ancorados em componentes de desestranhamento são externados de modo mais completo em categoria específica, em que se abarcam essas e outras afirmações de
expressa rejeição à apropriação estranhada da riqueza produzida pelo trabalho, ou daquela nele realizada. A oposição “para outrem” versus “para mim” aqui se expõe com vigorosa evidência. Entre os/as que desejam trabalhar exclusivamente para si, somam 9,88% as respostas que trazem formulações nesse sentido78.
“[Gostaria de trabalhar para mim para ter um] crescimento mais rápido, buscar mais pra gente, porque quando trabalha para os outros, você busca para os outros. [Teria um] crescimento para mim”;
“[Porque] eu ia crescer para mim mesma”;
“[Porque iria] ganhar mais dinheiro. O esforço seria meu e eu iria lucrar com ele. Hoje, você se esforça demais e o dinheiro é aquele”;
“Já trabalhei tantos anos. Você está ganhando, claro, mas [trabalhando] para você é uma melhora sua”;
“[Há] muitas vantagens. Tem compromisso para correr atrás e fazer seu dinheiro, mas é seu”;
“Porque teria uma renda para mim mesmo”;
“[É o] sonho de cada pessoa trabalhar para si próprio, para ter uma vida melhor, não ser empregado. [São] 27 anos trabalhando pros outros, consegui nada”;
“Trabalhando pra si, [você] cresce mais rápido, não cresce pros outros”.
Também relativamente às expectativas de ganhos a serem obtidos com o trabalho para si, expressam-se, em 8,64% das respostas à questão em análise, desejos de uma melhoria de vida. . A melhora esperada é manifesta através de metas concretas, ou de modo genérico e pode aludir seja a condições materiais, seja a outras dimensões da vida – pelo que se justifica que essa categoria esteja separada, não se reduza às aspirações remuneratórias.
“[Gostaria de trabalhar para mim] para ser dona do meu próprio negócio, ter uma renda e vida melhor, qualidade de vida”;
“Se tivesse condição de ter mais dinheiro, melhores condições”;
“[É o] sonho de cada pessoa trabalhar para si próprio, para ter uma vida melhor, não ser empregado”;
“Melhores condições de vida, bem estar”; “[Para ter uma] vida melhor, sem estresse”;
“Para ter mais qualidade de vida, trabalho muito e não tenho tempo para mim”.
São 12,35% dos/as que desejam trabalhar para si as/os que fazem referência à condição de proprietária/o ou de patrão/patroa como motivadora dessa vontade. Expressões como “meu próprio negócio” podem se referir a modalidades de trabalho para si mais distantes do modelo empresarial (podem não assalariar terceiros/as).
“Quem gosta de mandar tem que ser patrão”;
“Porque tenho desejo de montar minha própria consultoria”; “Porque eu quero advogar, quero ter meu escritório”;
“Me tornar um microempresário”;
“Vou ter a minha independência, minha própria empresa”;
“Na minha empresa, seriam minhas regras, trabalharia do meu jeito, [teria] mais satisfação, me identificaria, consequentemente, me dedicaria mais, teria mais retorno, minha autoestima seria muito melhor”.
A atividade concreta a ser realizada na nova modalidade de ocupação é apontada como justificativa da vontade de trabalhar para si para 7,41% das respostas a essa questão. Afirmações de uma demanda genérica por ter no trabalho uma fonte de satisfação estão, outra vez, agrupadas na mesma categoria em que se aborda a atividade concreta – esses temas, como já dito, são externados de modo indissociavelmente interligados.
“Porque tenho desejo de montar minha própria consultoria. [...] na área em que me formei”;
“Porque eu quero advogar, quero ter meu escritório”;
“[...] pela satisfação – vou amar fazer, você tem que fazer o que gosta [...]”;
“Na minha empresa, seriam minhas regras, trabalharia do meu jeito, [teria] mais satisfação, me identificaria, consequentemente, me dedicaria mais, teria mais retorno, minha autoestima seria muito melhor”;
“Porque primeiro eu já tive comércio, já fui dona com meu ex-marido e eu tenho planos de abrir novamente o mesmo comércio”;
“Tenho sonho de ser representante”.
Cite-se ainda a linha de respostas que expuseram uma saturação da inserção no assalariamento. Numa variante, há o relato de uma exaustão frente a uma longa trajetória de engajamento no trabalho estranhado – cujos frutos, portanto, são apropriados por terceiros. Essa categoria se vê em 7,41% das respostas a essa questão.
“[Gostaria de trabalhar para mim] porque chega um dia que se cansa disso [do emprego]. Tem 20 anos que tô aqui. Quem não pensa em ter uma coisa da gente? É um sonho”;
“Porque já estou cansado de trabalhar pros outros. [Quero] ter minha renda própria. Não depender dos outros. É bom ter trabalho, mas é bom ter renda própria”;
“[Para ter] mais liberdade. [Estou há] muito tempo no mesmo canto, [trabalhar para mim mesmo] é mais liberdade”;
“[São] 27 anos trabalhando pros outros, consegui nada”;
“[Estou] cansado, ideias não são absorvidas, opinião do trabalhador não conta pra chefia”;
“Já trabalhei tantos anos. Você está ganhando, claro, mas para você é uma melhora