2. AS VOZES NAS ARENAS DO BACCALAURÉAT E DO ENEM
2.2 A arena do Enem
2.2.4 A VOZ DO ENEM: O ESTABELECIMENTO DO SIGNO
Pensar especificamente a história do Enem é um exercício de recorte no tempo que o separa do vestibular. No entanto, como já vimos com as considerações históricas dos processos seletivos no Brasil e a avaliação nacional francesa, pensar a história de um evento social de tamanha dimensão é jogar com as forças políticas e ideológicas que sustentam o desenvolvimento do exame no cenário educacional brasileiro. As lutas ideológicas que se enfrentam na materialidade linguística do Enem não inauguram esse diálogo na arena aqui analisada. Muitas das relações dialógicas entre ideologias já compunham os liames que contam a história do vestibular.
Não podemos deixar de mencionar que nosso intuito com a explicitação da história do Enem é verificar como a herança do vestibular atua neste outro contexto, ou seja, como um signo herda valores ideológicos de outro. Assim, tornou-se possível a referência ao vestibular como tradicional em oposição ao Enem. Isso só acontece porque Enem e vestibular são postos em discussão em uma mesma arena e o encontro deles gera a necessidade de diferenciação entre ambos a partir de uma segunda marca, que caracteriza melhor um e outro. O vestibular é tradicional e o Enem é o que foge do parâmetro do tradicional.
Para começar nossa abordagem do Enem, situamo-lo dentro do sistema nacional de avaliação educacional. Participam deste mesmo sistema o Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), que avalia os formandos dos cursos de graduação; e o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), responsável pela avaliação na Educação Básica. O sistema educacional então é avaliado em todos os níveis de ensino. Nas palavras de Travitzki (2013), o Enem goza de “ampla aceitação na sociedade, talvez por constituir-se numa alternativa ao vestibular tradicional, com amplitude nacional e foco no raciocínio, mais do que nos conteúdos”. O objetivo era averiguar se o egresso estava apto a exercer sua cidadania, seja no mercado de trabalho ou na continuação de seus estudos.
O cientista da educação agora citado já nomeia o Enem enquanto uma alternativa ao vestibular tradicional. No entanto, não atribuímos a ele a origem desse raciocínio. Trata-se, antes de tudo, de uma visão legitimada já no seio das práticas sociais que delineiam o Enem. É possível encontrarmos essa relação do vestibular com o Enem veiculado de diversas formas. Exploramos mais à frente um pouco sobre esse assunto. Por ora, detemo-nos nos aspectos gerais da avaliação, que se iniciou em 1998.
No ano em que ele se estabelece enquanto signo, o Enem foi criado dentro de um contexto internacional em que as avaliações padronizadas ganhavam prestígio e atenção das políticas educacionais. Ao ser criado, o Enem possuía os seguintes objetivos:
a. oferecer uma referência para que cada cidadão possa proceder a sua auto avaliação com vista às suas escolhas futuras, tanto em relação ao mercado de trabalho quanto em relação à continuidade de estudos;
b. estruturar uma avaliação da educação básica que sirva como modalidade alternativa ou complementar aos processos de seleção nos diferentes setores do mundo do trabalho;
c. estruturar uma avaliação da educação básica que sirva como modalidade alternativa ou complementar aos exames de acesso aos cursos profissionalizantes pós-médios e ao ensino superior. (BRASIL: 1998, p. 2).
Como bem marca Travitzki (2013), o terceiro objetivo foi o que mais encontrou ressonância social. Antes de tratar sobre os desdobramentos da força social que teve esse objetivo, tratemos um pouco sobre o formato específico do exame.
O Enem foi desenhado para avaliar 5 competências gerais articuladas a 21 habilidades. Cada habilidade era avaliada por uma questão fácil, uma média e uma difícil. Assim, o caderno de provas contava com 63 questões mais a proposta de redação. A prova tinha uma aplicação em um único dia e a duração era de cinco horas.
Este exame nacional iniciou sua história com um projeto de avaliação que não toma como base os conteúdos escolarizados, mas habilidades e competências que são aferidas a partir desses conhecimentos. Ao preferir avaliar a capacidade de mobilizar conhecimentos e não a posse deles, as questões do Enem possuem algumas características que os diferenciam dos vestibulares conteudistas, que é a apresentação de conteúdos nos textos-questão necessários para a resolução do item, o que, de acordo com o autor, pode justificar o fato de as questões no Enem serem maiores do que as questões que compõem o vestibular tradicional.
As competências elencadas pelo Inep que orientam transversalmente todas as habilidades investigadas nos itens da prova eram:
I. Dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso das linguagens matemática, artística e científica.
II. Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas.
III. Selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações representados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações- problema.
IV. Relacionar informações, representadas em diferentes formas, e conhecimentos disponíveis em situações concretas, para construir argumentação consistente.
V. Recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. (BRASIL: 2002, p. 11)
No que diz respeito às leis e orientações governamentais em vigor com as quais o Enem mantém um diálogo estrito, recuperamos de Branchini (2014) as seguintes referências: a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 1996), os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998), e mais tarde pelas Diretrizes do Conselho Nacional de Educação sobre a Educação Básica (BRASIL, 2001).
Se o intuito era promover uma ferramenta que pudesse ser utilizada tanto pelo mercado de trabalho quanto pelas instituições de ensino como um complemento do processo de avaliação, a partir do ano 2000, alguns centros universitários já começam a usar o desempenho do avaliando no Enem como parte do critério de seleção. Esses são os primeiros passos que foram dados pelas instituições de ensino em nível superior em direção à fusão parcial dos modelos de avaliação propostos pelo vestibular e pelo Enem.
Não sabemos até que ponto o nascimento do Enem pode ser marcado como um evento totalmente isolado do vestibular, mas podemos considerar que o ano 2000 marcou um grande passo na história das duas ferramentas, que, ao se aproximarem, deram início a uma nova maneira de vivenciar esses eventos na vida do estudante brasileiro.
Até então, cada signo ideológico guardava em si características únicas que podiam em certo ponto ser semelhantes entre si, mas que não se confundiam, pois o caráter de uma era diferente da outra, a constituição de uma prova era diferente da outra, e principalmente o papel social das duas eram diferentes, ainda que intimamente relacionados.
A partir de 2001, o Enem passou a oferecer isenção da taxa de inscrição para os extratos sociais desfavorecidos. Este é um fator importante a ser considerado porque um movimento similar já havia sido feito no contexto do vestibular pelas políticas educacionais na tentativa de promover a igualdade de oportunidades. Assim, mesmo antes de ser transformando em “uma espécie de vestibular nacional”, como bem disse Travitzki (2013, p. 183), o diálogo sobre o acesso facilitado do exame pelas classes mais pobres estava em pauta.
Ainda que vestibular e Enem partilhem essa empreitada no campo da ideologia oficial, ainda não podemos dizer que o processo do Enem seja idêntico ao do vestibular, no que diz respeito à tentativa de promoção da igualdade de acesso. De toda forma, considerando que ambos os eventos sociais se manifestam socialmente inclusive no
âmbito do enunciado, e que a enunciação é irrepetível porque assim são as condições de produção de um enunciado, os movimentos de democratização do Enem e do vestibular também não são iguais, nem se repetem aqui e ali. O que podemos afirmar, contudo, o que é corrente nas duas partes da história aqui posta em evidência é a necessidade de uma transformação social através de políticas educativas de amplo alcance social.
No vestibular, as políticas educacionais se cruzavam com o orçamento familiar, quando o vestibular foi unificado. O fator financeiro foi um dos critérios para que o vestibular pudesse ser prestado pelo candidato de modo a concorrer a vagas em todo o território nacional por uma faixa de preço reduzida. Ainda assim, tal política para o vestibular não proporcionou uma inclusão tão massiva quanto essa política do Enem de não tarifar os candidatos provenientes da faixa mais pobre. Como todas as ações provocam reações, o efeito responsivo também marcou o Enem. Até 2000, o exame contava com questões previamente testadas, mas a popularização da prova tornou-se muito maior principalmente depois da política da isenção da inscrição, e o Inep considerou que os pré-testes poderiam colocar em risco a validade do exame, conforme consta no Relatório Pedagógico 2004 (INEP: 2007).
Associado a outros fatores, a viabilização do acesso ao exame via políticas de isenção de taxa de inscrição ajudou a popularizar o Enem em todo o Brasil. Atualmente, mais da metade dos participantes se servem da isenção. Esse marco nos garante uma maior aproximação dos dois signos ideológicos. Sob os limites dessas duas arenas, o fator financeiro é discutido tendo em vista a mesma proposta: promoção de igualdade, ainda que o modo que a igualdade pretendida de ser promovida fosse, como no caso da primeira, um fator de pré-seleção dos que poderiam ou não prestar o vestibular.
Nos anos de 2004, 2005 e 2007, os principais eventos históricos que marcam o percurso do Enem são relacionados a políticas de expansão do acesso ao ensino universitário e da rede federal de educação superior. O Prouni - Programa Universidade Para Todos - é um programa do Ministério da Educação que promove bolsas de estudos integrais e parciais para o ingresso em centros universitários da iniciativa privada aos participantes do Enem. Em 2004, ele foi criado com o intuito de ampliar o acesso às instituições de ensino superior. A partir de 2005, o programa foi vinculado ao banco de
dados socioeconômicos do Enem. De acordo com o sítio eletrônico do plano, os critérios para o acesso ao programa circundam o desempenho do participante no Enem e fatores socioeconômicos, uma vez que esta é uma ação do governo em prol dos extratos sociais menos favorecidos31.
O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) foi projetado para retomar o crescimento das universidades federais no Brasil como previsto pelo PDE – Plano de Desenvolvimento da Educação. De acordo com o sítio eletrônico do programa32, o Prouni previu o aumento do número de vagas nos
cursos de graduação e do número de cursos noturnos, entre outros, com o intuito de diminuir as desigualdades sociais no Brasil.
As duas ações colocam em cena o desejo por parte do governo brasileiro em ampliar o acesso ao ensino superior como estratégia para a diminuição das desigualdades sociais. Dessa maneira, o Enem torna-se um ponto chave nesta proposta, o que atribui a esse signo ideológico valores sociais que não eram explicitamente voltados aos extratos sociais mais pobres. O debate sobre igualdade social então é um dos eixos que cruzam, ainda que de forma distinta em cada um desses signos, o vestibular e o Enem.
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Um grande marco na história do exame nacional foi erigido no ano de 2009, quando o Brasil conheceu o novo Enem. A partir deste ano, ele passa a contar com alterações que o modificaram fundamentalmente, tanto em sua composição quanto na maneira que ele articula as práticas sociais a respeito do ingresso na vida universitária.
Se antes ela não era separada em áreas do conhecimento porque visavam enfatizar o modelo interdisciplinar de prova, agora passa a contar com quatro delas: Ciências Humanas e suas tecnologias; Ciências da Natureza e suas tecnologias; Linguagens, códigos e suas tecnologias e redação; Matemática e suas tecnologias. Para
31 As informações apresentadas encontram-se disponíveis no seguinte endereço: http://siteprouni.mec.gov.br/tire_suas_duvidas.php#conhecendo.
32 As informações apresentadas encontram-se disponíveis no seguinte endereço: http://reuni.mec.gov.br/o-que-e-o- reuni.
cada uma dessas áreas foram desenvolvidas Matrizes de Referência específicas, às quais foram associados os objetos de conhecimento, que, segundo Branchini (2014), são os conteúdos exigidos no Enem. As cinco competências iniciais deram origem ao que o Enem chama a partir de 2009 de Eixos Cognitivos. Estes eixos são comuns a todas as áreas de conhecimento e mantém um diálogo orgânico com as novas competências e habilidades.
Além da divisão das questões por área do conhecimento, outra mudança fundamental na concepção do exame foi o aumento do número de competências, que passou de cinco para 30, além do número de habilidades, que de 21 passou a uma lista de 120, sendo que cada área do conhecimento conta com 30 delas. O número de questões passou de 63 para 180 e a prova passou a ser aplicada em dois dias, o primeiro com quatro horas e trinta minutos e o segundo com 5 horas e trinta minutos.
Neste momento da história do exame, o que podemos observar é um maior distanciamento das ideias originárias do Enem e uma aproximação dos vestibulares tradicionais tanto no modo como se concebe a avaliação quanto na função específica de selecionar. Dessa forma, o Enem começou, a partir da edição de 2009, seu caminho em direção a um diálogo ideológico muito mais intenso com o Vestibular, quando finalmente os novos planos e políticas educacionais voltadas ao exame ganharam espaço. Deste ponto em diante, as práticas sociais em torno do vestibular e do Enem passaram a se assemelhar mais e mais promovendo uma massificação de atitudes responsivas similares a ambos. Os estudantes se preparam para prestar ambos os exames. Existem publicações específicas aos estudantes de ambos os exames. Existem cursos preparatórios também para ambos. Inclusive, os ditos cursinhos não separam seus alunos clientes tendo critério aqueles que prestarão este ou aquele exame. Os estudantes preparam-se juntos, o que nos revela que o comportamento social perante vestibular e Enem vão se misturando, se entrecruzando e se entrecompondo.
As transformações nas políticas que regem o Enem são os elementos que representam aqui um modelo ideológico. Essa ideologia articula a maneira como o Enem organiza a prática social no âmbito da educação, e também a maneira como os sujeitos se preparam em relação ao futuro deles. Preparar-se para responder às questões
propostas no Enem é responder socialmente a um esquema de ações previsto neste modelo ideológico. É legitimar tal modelo. Ao mesmo tempo, responder aos itens do Enem corresponde a confirmar que tais políticas implantadas são válidas e aceitas no meio social brasileiro. Desse modo, o caderno de provas do Enem torna-se um eixo organizador de práticas sociais. Esse emaranhado de eventos dialógicos se manifesta enunciativamente nas várias salas de aula em todo o Brasil, textualmente no caderno de provas, na avaliação do Enem, na avaliação enquanto um gênero discursivo. Assim, cruzam-se definitivamente a força ideológica do vestibular com a do Enem. O vestibular finalmente encontra no Enem espaço social aberto a receber uma herança que ele construiu ao longo dos anos desde que foi criado até a atualidade.
Travitzki (2013) afirma que o Enem ocupa uma posição intermediária entre a proposta inicial do exame e os vestibulares tradicionais, visto que propõe ao mesmo tempo medir o domínio de conhecimentos básicos e observar o raciocínio dos estudantes. O plano gestor proveniente da superestrutura reflete os ideais desse duplo objetivo, o que reforça a mudança na estrutura composicional do exame. Contudo, as práticas sociais em torno dele promovem uma aproximação ainda maior.
Em resposta à grande demanda que busca o Enem como forma de acesso direto às universidades federais, o Ministério da Educação cria o Sisu – Sistema de Seleção Unificada. É através dessa ferramenta que estão articuladas as vagas ofertadas pelas universidades federais e os participantes do Enem. Esta política só pôde existir porque o Enem teve sua bagagem ideológica formada por uma herança de ações sociais já estabelecida pelo vestibular. Assim, a existência do Sisu só vem a confirmar nossa afirmação de que os signos ideológicos carregam uma herança transmitida pelas aproximações com outros signos.
Para demonstrar que a força desta possibilidade de existência do Enem enquanto vestibular é tão ou mais importante do que as outras possibilidades, tendo em vista inclusive a adoção de políticas educacionais paralelas ao Enem enquanto processo seletivo, já contamos então com a avaliação do desenvolvimento cognitivo do estudante e, a partir de 2010 com a possibilidade de obtenção do diploma de segundo grau. Nenhuma das outras possiblidades do Enem é tão popular ou motiva tanto os participantes a ingressarem no exame quanto a motivação pelas vagas nas
universidades. Somado a essa função social do Enem, a partir de 2011 os alunos que desejam obter financiamento para um curso em universidades do setor privado devem necessariamente submeter-se à prova.
O Fies – Fundo de Financiamento Estudantil – é mais um dos planos do governo implantados através das ações do Ministério da Educação e Cultura que tem por objetivo possibilitar à comunidade maior acesso aos cursos universitários, de modo a intensificar o plano de diminuição das desigualdades sociais. Assim, na linha cronológica do Enem, esta é a última política vinculada a ele, dando ainda mais força, ao lado do Prouni e do Reuni, ao projeto discursivo que aproxima Enem e vestibular enquanto articuladores sociais semelhantes.
Depois das discussões histórias levantadas, concordamos com Travitzki (2013) quando explica que o Enem se apresenta historicamente em dois perfis: o primeiro, cujo objetivo era a avaliação, e o segundo, implementado a partir de 2009, cujo o objetivo é a seleção. Nesse contexto, o Enem não se equipara ainda aos vestibulares conteudistas, mas pode configurar-se como uma prova no ponto de transição entre o Enem anterior a 2009 e os vestibulares tradicionais.
Para sermos concisos, vamos apresentar de modo breve dois fatos importantes para pensar a relação Enem e vestibular. Para tanto, fazemos alusão aos objetivos de cada nível de ensino. Considerando a diferença de objetivos entre a escola obrigatória e o nível universitário, temos que a primeira é formadora da sociedade, do cidadão apto a exercer sua cidadania de forma plena, enquanto a segunda é formadora de profissionais que visam atuar no mercado de trabalho da mesma sociedade. O Enem, então, mostra- se numa situação delicada quando se projeta ao mesmo tempo em duas missões tão distintas: a de avaliar os egressos do ensino médio e selecionar os novos universitários. Consideramos, contudo, que parte da formação escolar necessária para a continuação dos estudos em nível universitário é sim a formação do cidadão pleno. No entanto, assumimos o discurso sobre a fragilidade de um mesmo procedimento avaliativo que visa observar os dois fatores ao mesmo tempo.
Em entrevista a Travitzki (2013), Lino de Macedo, um dos idealizadores do primeiro Enem, revela que o objetivo da prova não estava ligado com a escola que prepara o aluno para a escola seguinte, modelo vigente no perfil educacional do Brasil
no século XX. O entrevistado também considera que o atual Enem exerce uma função de vestibular nacional. Ele ainda ressalta a importância de se considerar que se a ideia era promover maior igualdade de oportunidades para todos os candidatos a conseguirem uma vaga em uma das universidades federais, o efeito contrário também acontece, quando alunos de regiões mais favorecidas tem acesso às vagas de regiões com menor desenvolvimento na formação educacional de base.
O entrevistado também afirma que a mudança do Enem também pode ter desencadeado outros fatores negativos, perdendo o caráter de que era “para todos”, passou a ser um exame para a progressão na formação escolar, tornou o exame como um todo bastante vulnerável, graças às tentativas, por vezes com sucesso, de sabotagem. Ele ainda sustenta a ideia de que os recentes objetivos do Enem são muito díspares para serem atingidos por uma mesma ferramenta, ora examinatória ora classificatória. Outro entrevistado por Travitzki (2013) que participou da criação original