3. AMOSTRA, MATERIAL E MÉTODOS
5.6. Aberrometria Ocular
Tabela 5.9. Descrição da variação das aberrações em µm para um diâmetro pupilar de 5 mm. Apresentado sob a forma de média±desvio padrão e nível de significância (p)
(*) ANOVA medidas repetidas; (+) Teste de Friedman; A negrito as diferenças são estatisticamente significativas; X: Sem significância estatística; 1- Baseline; 2- 1 Noite; 3-15 Noites; 4- 30 Noites; 5- 60 Noites
Baseline 1 Noite 15 Noites 30 Noites 60 Noites p Post-hoc teste
C (4,0) 0,015±0,043 0,102±0,076 0,103±0,096 0,098±0,085 0,103±0,126 <0,001+ 1-2,1-3,1-4,1-5 C (6,0) 0,004±0,009 0,017±0,020 0,034±0,032 0,031±0,027 0,035±0,027 <0,001+ 1-3,1-4,1-5,2-3,2-5 RMS Esférica 0,040±0,024 0,116±0,057 0,130±0,069 0,121±0,061 0,134±0,101 <0,001+ 1-2,1-3,1-4,1-5 C (3,1) 0,015±0,055 -0,011±0,076 -0,022±0,139 -0,006±0,104 -0,005±0,098 0,478* X C (3,-1) 0,062±0,067 0,001±0,130 -0,024±0,142 -0,022±0,119 0,004±0,132 0,049+ X C (5,1) -0,002±0,012 -0,006±0,026 -0,000±0,029 0,004±0,019 0,021±0,062 0,379+ X C (5,-1) 0,004±0,013 -0,004±0,040 -0,003±0,058 0,002±0,044 -0,002±0,05 0,943+ X RMS Comático 0,099±0,042 0,129±0,087 0,182±0,100 0,141±0,082 0,150±0,099 0,041+ 13 RMS HOA 0,160±0,045 0,223±0,087 0,256±0,113 0,225±0,095 0,256±0,155 0,093+ X C (2,0) 1,830±0,715 1,045±0,282 0,686±0,582 0,604±0,444 1,081±1,390 <0,001+ 1-3,1-4,1-5,2-3,2-4 VSOTF 0,400±0,110 0,250±0,110 0,230±0,130 0,250±0,110 0,230±0,110 <0,001* 1-2,1-3,1-4,1-5
98
Figura 5.18. Representação gráfica da variação dos coeficientes que constituem a aberração esférica (C (4,0), C (6,0) e RMS Esférica em µm) ao longo do estudo.
É possível verificar através da Tabela 5.9 e da Figura 5.18 que logo após uma noite de uso das lentes de contacto, existiu um aumento da aberração esférica até às 15 noites. Posteriormente, nas 30 noites ocorreu uma diminuição do seu valor e, nas 60 noites este volta a aumentar. A variação do coeficiente C (4,0), do coeficiente C (6,0) e da RMS Esférica foi estatisticamente significativa para cada um (p<0,001, p<0,001 e p<0,001, Teste de Friedman respetivamente). A variação do coeficiente C (4,0) foi estatisticamente significativa entre a baseline e a primeira noite, a baseline e as 15 noites, a baseline e as 30 noites, a baseline e as 60 noites. A variação do coeficiente C (6,0) foi estatisticamente significativa entre a baseline e as 15 noites, entre a baseline e as 30 noites após, entre a baseline e as 60 noites, entre a primeira noite e as 15 noites e entre a primeira noite e as 60 noites. Já a variação da RMS Esférica foi estatisticamente significativa entre a baseline e a primeira noite, a baseline e as 15 noites, a baseline e as 30 noites e por último entre a baseline e as 60 noites.
-0,15 0,05 0,25
Baseline 1 Noite 15 Noites 30 Noites 60 Noites
TEMPO
Variação da Aberração Esférica
C(4,0) C(6,0) RMS Esférica ABERR AÇÃ O ES FÉ RICA (µm )
99
Figura 5.19. Representação gráfica da variação dos coeficientes que constituem a aberração comática (C (3,1), C (3,- 1), C (5,1), C (5,-1) e RMS Comática em µm) ao longo do estudo.
Através da Figura 5.19. verifica-se que os coeficientes de ordem três (coma horizontal e coma vertical), sofreram uma diminuição até às 30 noites. Nas 60 noites existiu um incremento do seu valor. O coeficiente coma horizontal de ordem cinco, após a primeira noite diminuiu e só voltou a aumentar nas 30 noites e nas 60 noites.
Verifica-se que o uso do tratamento ortoqueratológico provoca no RMS Comático um aumento até às 15 noites, de seguida este diminui e nas 60 noites volta a aumentar. Desta forma, indica que existiu um ligeiro descentramento que não foi notado nem pelo parâmetro SAI ou IS. De acordo com os dados obtidos durante o tratamento, existem diferenças estatisticamente significativas para o coeficiente C (3,-1) (p=0,049, Teste de Friedman) e para o RMS Comático (p=0,041, Teste de Friedman). A variação do RMS Comático foi estatisticamente significativa apenas entre a baseline e as 15 noites após o tratamento.
-0,15 0,05 0,25
Baseline 1 Noite 15 Noites 30 Noites 60 Noites
TEMPO
Variação da Aberração Comática
C(3,1) C(3,-1) C(5,1) C(5,-1) RMS Comática ABERR AÇÕE S COM ÁTICA S (µ m )
100
Figura 5.20. Representação gráfica da variação de RMS HOA Total (aberração total de alta ordem, expressa em µm) ao longo do estudo.
Tal como se pode observar na Figura 5.20., após a baseline as aberrações de alta ordem apresentam um incremento positivo até às 15 noites de uso das LC. Posteriormente, nas 30 noites ocorre uma diminuição que não chega aos valores da baseline. No final do período do estudo existe um aumento das aberrações de alta ordem (60 noites). Apesar das variações ocorridas durante o estudo, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre as visitas (p=0,093, Teste de Friedman).
0,00 0,20 0,40 0,60
Baseline 1 Noite 15 Noites 30 Noites 60 Noites TEMPO
Variação da Aberração de Alta Ordem
RMS HOA Total ABERR AÇÃ O DE A LTA OR DE M (µ m )
101
Figura 5.21. Representação gráfica da variação do desfocado (expresso em µm) ao longo do estudo.
O desfocado caracteriza-se por fazer parte do grupo das aberrações de baixa ordem. Juntamente com o astigmatismo é um dos tipos de aberração ocular mais comum no olho e, é possível ser corrigido oticamente. Como tal, em cada visita adquiriu-se informação sobre o desfocado para que posteriormente fosse analisado.
Segundo os dados obtidos, o desfocado logo após a primeira noite sofre uma diminuição do seu valor. Esta diminuição prevalece até às 30 noites de uso das LC. De seguida, nas 60 noites verifica-se um aumento do seu valor. A variação do coeficiente C (2,0) durante o período de estudo foi estatisticamente significativa (p<0,001, Teste de Friedman). Apresentou ser estatisticamente significativo apenas entre a baseline e as 15 noites, a baseline e as 30 noites, a baseline e as 60 noites, entre a primeira noite e as 15 noites e também entre a primeira noite e as 30 noites após o tratamento.
5.6.1. Visual Strehl Ratio
Tendo em conta que o Visual Strehl Ratio ajuda a quantificar de forma objetiva a qualidade da imagem na presença de aberrações, foi realizado um gráfico que permite quantificar e analisar a sua variação ao longo das visitas de seguimento para uma pupila de 5 mm.
0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00
Baseline 1 Noite 15 Noites 30 Noites 60 Noites TEMPO
Variação do Desfocado
C(2,0) ABERR AÇÕE S (µm )102
Figura 5.22. Representação gráfica da variação do Índice Visual Strehl Ratio (VSOTF) ao longo do estudo.
Através da Tabela 5.9. e da Figura 5.22. verificou-se que para um diâmetro pupilar de 5 mm existiu uma redução do valor do Índice Visual Strehl Ratio (VSOTF) logo na primeira noite de tratamento e, após esta existiu uma tendência para a estabilização do mesmo. O valor final encontra-se distante de 1,0 e, como tal, indica-nos que o sistema ótico está sob a presença de aberrações e que existe uma pior qualidade da imagem obtida. Contudo, a sua variação apresentou ser estatisticamente significativa (p<0,001, ANOVA medidas repetidas). Foi estatisticamente significativo apenas entre a baseline e a primeira noite de tratamento, entre a baseline e as 15 noites, entre a baseline e as 30 noites e, por último, entre a baseline e as 60 noites.
0,00 0,20 0,40 0,60
Baseline 1 Noite 15 Noites 30 Noites 60 Noites
VS
OTF
TEMPO
Índice Visual Strehl Ratio (VSOTF)
103