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SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.1. DELINEAMENTO DA PESQUISA

3.1.2. Abordagem quantitativa

Atualmente a UFSM-FW possui 88 docentes, destes foram selecionados 12 docentes que participaram das entrevistas e que também responderam os questionários referente às características comportamentais e atitude empreendedoras. A UFSM-FW possui 923 discentes matriculados regularmente, distribuídos em seis cursos de graduação, foram desconsiderados os alunos em situação de abandono, cancelamento e estágio, para esta população calculou-se a amostra mínima.

3.1.2.1. População e amostra

Para o cálculo do tamanho mínimo da amostra optou-se pela fórmula a seguir (Equação 1), que segundo Fonseca e Martins (1996) é para uma população finita, como segue:

Equação (1) ! = # %/' ' ·)·*· + ,' + − 1 + 0 % '' ·)·* Sendo: e – erro amostral; N – tamanho da população; n – amostra mínima α = 0,05 – nível de Significância p = 0,5 e q = 0,5;

Z2 '' = 1,96 para um nível de confiança de 95%.

A amostra calculada foi de 272 alunos para um nível de confiança de 95% e erro amostral de 5%. A seguir é apresentada a coleta dos dados.

3.1.2.2. Coleta dos dados da abordagem quantitativa

Na perspectiva quantitativa utilizou-se dois instrumentos, previamente validados, o primeiro refere-se as características comportamentais empreendedoras (CCEs) desenvolvido por McClelland (MANSFIELD et al., 1987) com o objetivo de identificar as características comportamentais empreendedoras dos discentes e docentes. Este questionário é baseado nas 10

CCE’s de McClelland (MSI, 1990), composto por 55 afirmações. O instrumento foi respondido por docentes e discentes de acordo com uma escala de 5 pontos Likert, correspondendo a seguinte gradação: 1 = nunca, 2 = raras vezes, 3 = as vezes, 4 = frequentemente e 5 = sempre. De acordo com sua percepção, diante de cada uma das 55 assertivas que compõem o instrumento da seguinte forma (Quadro 4):

Quadro 4 - Questões e características do instrumento das CCE’s

* Questões negativas.

Fonte: adaptado de Mansfield et al., 1987.

O (*) do Quadro 4 corresponde às questões negativas em que a pontuação deve ser subtraída do resultado final da respectiva característica e deve-se acrescentar 6 (seis) pontos ao final do somatório. As questões de número 11, 22, 33, 44 e 55 correspondem ao “Fator de Correção”, utilizado para evitar que, muitas vezes de modo inconsciente, o respondente apresente uma autoimagem excessivamente favorável. O Fator de Correção é utilizado se o somatório da pontuação dessas questões for igual ou superior a 20 (vinte) pontos. Se isso ocorrer, todas as CCE’s devem ser corrigidas com a subtração dos pontos correspondentes (MANSFIELD et al., 1987).

Quadro 5 - Fator de correção para as CCE’s

Se o a pontuação do Fator de Correção é Subtraia o seguinte número de correção da pontuação total de cada competência

24 ou 25 7

22 ou 23 5

20 ou 21 3

19 ou menos 0

Fonte: elaborado pelo autor com base em Mansfield et al. (1987).

A pontuação máxima é de 25 (vinte e cinco) pontos para cada uma das características. Quando o total for igual ou superior a 15 pontos o indivíduo possui a respectiva característica e é considerado empreendedor (MANSFIELD et al., 1987).

Para analisar a atitude empreendedora dos discentes e docentes participantes foi aplicado o Instrumento de Medida de Atitude Empreendedora - IMAE, desenvolvido por Souza e Lopez Jr. (2005), (Apêndice C). O IMAE é composto por 36 assertivas e os docentes respondentes podem atribuir um valor de um a cinco, em uma escala do tipo Likert, correspondendo a seguinte gradação: 1 = nunca, 2 = raras vezes, 3 = as vezes, 4 = frequentemente e 5 = sempre. De acordo com sua percepção diante de cada uma das assertivas, que compõem o instrumento da seguinte forma (Quadro 6):

Quadro 6 - Questões e dimensões do IMAE

Fonte: baseado em Souza e Lopez Jr. (2005).

A aplicação junto aos alunos ocorreu em sala de aula e seguiu um cronograma previamente estipulado em que foram registrados os horários e salas de cada turma, buscou-se evitar que um indivíduo responda aos instrumentos duplicadamente. Ao adentrar às salas de

aula os estudantes foram convidados a participar da pesquisa, foi disponibilizado um período de tempo para que os interessados pudessem responder os instrumentos. Os docentes responderam os instrumentos após o término das entrevistas. Os questionários foram recolhidos e em seguida tabulados. Foram aplicados 615 questionários junto aos discentes, destes desconsiderou-se 18 instrumentos que foram preenchidos incompletamente. Os 12 questionários respondidos pelos docentes foram considerados aptos para análise.

3.1.2.3. Análise dos dados da abordagem quantitativa

Quanto a perspectiva quantitativa, após o processo de tabulação e codificação dos dados, foi realizada uma conferência, com o objetivo de verificar possíveis erros de digitação. Para tratamento e análise dos dados coletados foram realizados testes estatísticos, utilizando o software Statistical Packagefor the Social Sciences – SPSS® versão 24, nessa ocasião foram analisados quantitativamente e explorados os dados dos modelos propostos por McClelland (MANSFIELD et al., 1987) e Souza e Lopez Jr (2005).

Para cada um dos instrumentos foram calculados mínimo, máximo, médias e o desvio padrão de cada característica e dimensão, também verificou-se a intensidades das carcaterísticas. Em seguida, para estimar a confiabilidade foi medida a consistência interna por meio do Coeficiente Alfa de Cronbach (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2013).

O valor do Coeficiente Alfa de Cronbach pode variar de 0 a 1, sendo que, quanto mais próximo de 1, melhor a confiabilidade, pois, maior será a consistência interna do instrumento ou maior a congruência entre os itens, indicando a homogeneidade da medida do mesmo fenômeno (MATTHIENSEN, 2011).

Com a finalidade de estabelecer a associação entre as características comportamentais empreendedoras e a atitude empreendedora, pretende-se utilizar o Coeficiente de Correlação de Pearson, que de acordo com Collis e Hussey (2005), refere-se a uma técnica paramétrica que indica a medida de força de associação entre duas variáveis.

Realizou-se ainda um comparativo de médias entre os discentes que já cursaram disciplinas de empreendedorismo e que trabalham com os discentes que nunca cursaram e que não trabalham, a fim de verificar se as características comportamentais e dimensões da atitude empreendedoras sofrem alteração.

Figura 8 - Processo metodológico da abordagem quantitativa

Fonte: elaborado pelo autor.

A seguir apresenta-se a triangulação das abordagens qualitativa e quantitativa.

3.1.3. Triangulação

Considerando as diferentes fontes utilizadas para a coleta de dados, assim como a dimensão do estudo e visando proporcionar fidedignidade pretende-se utilizar a técnica de triangulação. Segundo Maxwell (1996, p. 75-76) a triangulação “reduz o risco de que as conclusões (de um estudo) reflitam viés ou limitações próprios de um método” o que conduz a “conclusões mais credíveis”. Para Yin (2016) as conclusões do estudo tendem a se basear na triangulação dos dados das diversas fontes, essa convergência aumentará a credibilidade e confiabilidade do estudo.

A triangulação decorre do princípio de navegação pelo qual a interseção de diferentes pontos de referência é usada para calcular a localização precisa de um objeto (YARDLEY, 2009). E começou a ser introduzido como método científico, na área da psicologia, por Campbell e Fiske (TASHAKKORI; TEDDLIE, 1998). Para Denzin (1978) uma hipótese testada com recursos de diferentes métodos pode ser considerada mais válida do que uma hipótese testada unicamente com o uso de um único método. De forma sucinta, Vergara (2015)

afirma que a triangulação pode ser vista a partir de duas óticas: que contribui com a validade de uma pesquisa; e como uma alternativa para a obtenção de novos conhecimentos, através de novos pontos de vista.

Por meio da triangulação pode se estabelecer ligações entre descobertas obtidas pelas diferentes fontes de coleta, ilustrá-las e torná-las mais compreensíveis, conduzindo a paradoxos, proporcionando nova direção aos problemas emergidos no estudo (DENZIN, 1978; SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2013).

Para Denzin (1978) e Patton (2002) a triangulação pode ser: das fontes de dados (triangulação de dados); entre os diferentes avaliadores (triangulação do investigador); de perspectivas para o mesmo conjunto de dados (triangulação da teoria); e dos métodos (triangulação metodológica). Na perspectiva deste estudo, pretende-se utilizar a triangulação de dados, que para Patton (2002), é um estudo de combinação de métodos, tanto quantitativos como qualitativos. Morse (1991) propõe o emprego da expressão ”triangulação simultânea” para o uso ao mesmo tempo de métodos quantitativos e qualitativos, como utilizado no presente estudo. Na Figura 9 apresenta-se o esquema da triangulação para este estudo.

Figura 9 – Triangulação