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6 ESTADO DA ARTE

6.2 ABORDAGENS MULTIVARIADAS

Muitos estudos vêm utilizando técnicas multivariadas com intuito de avaliar a similaridade entre distintas áreas e estabelecer grupos fitofisionômicos segundo aspectos florísticos e estruturais da floresta, buscando compreender ainda como a variação destes últimos são influenciados por outros fatores ambientais (solo, relevo e clima).

Melo (2000) utilizou Análise de Correspondência (AC) para verificar a variação vegetacional, ordenando as unidades amostrais implantadas na Ilha do Cardoso (SP), a partir de dados de densidade e dominância.

Gomes et al. (2009) verificaram em um trecho de Floresta Ombrófila Densa de terras baixas, localizado na Usina São José, em Pernambuco, que as espécies abundantes na borda dos fragmentos são freqüentemente raras ou ausentes no interior da floresta. Esta tendência foi observada pela análise de ordenação (DCA), a qual não foi constada pelos dendrogramas que os autores geraram utilizando a distância de Sorensen / Bray Curtis como coeficiente de associação e Média de Grupo (UPGMA) como método de agrupamento. Para efetuar as análises foram utilizados o programa PC-ORD e matriz de densidade absoluta das espécies por parcela.

A análise da relação entre aspectos florísticos e estruturais da floresta com variáveis ambientais foi realizada por Blum (2006), Meireles et al. (2008), Maraschin-Silva et al.

(2009), Campos (2008) e Caiafa (2008).

Blum (2006) instalou 10 parcelas contíguas de 200 m2 a cada 100 m de desnível entre 400 e 1.100 m s.n.m. na porção norte da Serra da Prata, município de Morretes (PR).

Submeteram-se variáveis florísticas (presença e ausência de espécies e famílias, riqueza e índices de diversidade) e estruturais (área basal, densidade, diâmetros e alturas médias, diâmetros e alturas dominantes, valores de importância e de cobertura) a análise de agrupamento pelo método de Ward, tendo a distância euclidiana como medida métrica. Como resultado, identificaram-se 5 fitotipias distintas ao longo da encosta, ocorrendo uma divisão bastante nítida entre os pisos montanos e submontanos. Meireles et al. (2008) também procuraram analisar o efeito do gradiente altitudinal na composição florística e na estrutura

fitossociológica, avaliando uma floresta alto-montana localizada na Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais. Foram instalados sete blocos paralelos com cinco parcelas contíguas de 10 × 10 m, distantes 50 m, entre 1.840 e 1.920 m de altitude. Para gerar os grupos florísticos foi realizada uma análise Twinspan e para verificar a ocorrência de gradientes ambientais na ordenação das amostras realizou-se uma Análise de Correspondência (CA) e uma Análise de Correspondência Distendida (DCA). Mesmo sendo o gradiente altitudinal amostrado relativamente curto, uma considerável substituição de espécies foi observada.

Campos (2008) avaliou a relação entre a composição e estrutura e variáveis microtopográficas e edáficas em uma floresta do Parque Estadual da Serra do Mar (SP). Por meio da Análise Canônica de Correspondência (CCA), foi possível verificar que a riqueza de espécies e o número de indivíduos estão associados às quantidades de afloramentos rochosos e de argila, às concentrações de alumínio e à inclinação do terreno.

Também através da análise de correspondência canônica (CCA), Maraschin-Silva et al. (2009) constatou-se que a distribuição das espécies mostrou-se associada em parte à densidade de arbustos e árvores, à distância de bordas florestais e às condições de fertilidade do solo. Foram amostradas comunidades secundárias com cinco e 20 anos de regeneração natural, situadas no município de Dom Pedro de Alcântara, Rio Grande do Sul.

Caiafa (2008) analisou a associação entre espécies raras e variáveis abióticas (solo, clima, relevo, altitude, latitude e longitude), não sendo encontrada qualquer correlação. A autora utilizou as técnicas de análise de coordenadas principais (PCO) e de agrupamento UPGMA e como medida de similaridade, o coeficiente de Gower.

Alguns autores se propuseram a comparar a florística de diferentes comunidades florestais como é o caso de Scheer e Mocochinski (2009), Peixoto et al. (2004) e Durigan et al. (2008).

Peixoto et al. (2004) estudaram um trecho de floresta na Área de Proteção Ambiental da Serra da Capoeira Grande e compararam sua florística com outros remanescentes de Floresta Atlântica do Estado do Rio de Janeiro. A fim de interpretar a similaridade florística entre as áreas, empregou-se uma matriz de dados binários (presença/ausência) das espécies, a partir da qual foi produzida uma matriz de coeficientes de similaridade de Jaccard. O agrupamento se deu pelo método de UPGMA, com o uso do programa Fitopac, estabelecendo-se 5 grupos florísticos.

Durigan et al. (2008) avaliaram a similaridade entre 27 sítios de amostragem situados no Planalto Atlântico, Estado de São Paulo. A ordenação dos dados por Análise de

Correspondência Destendenciada (DCA) foi efetuada pelo programa PC-ORD, utilizando-se a matriz de densidade absoluta. De forma complementar, empregou-se também a divisão hierárquica dicotômica por TWINSPAN para definir as espécies indicadoras dos grupos florísticos. Os resultados obtidos permitiram verificar um gradiente florístico associado à latitude, indicando tratar-se de uma região de transição entre biomas.

Scheer e Mocochinski (2009) compararam a florística arbórea de áreas de floresta altomontana ocorrentes em importantes complexos montanhosos do Sul e Sudeste do Brasil:

Aparados da Serra Geral, Serra do Mar e Serra da Mantiqueira. Pelo método de Ward e com a utilização da distância euclidiana quadrática como medida métrica, foram realizadas análises de agrupamento.

Há ainda outros estudos realizados na Floresta Ombrófila Densa como o de Breier (2005), Guilherme et al. (2004) e Medeiros (2008), cujos objetivos diferem dos já mencionados.

Com o objetivo de estratificar verticalmente um trecho de Floresta Atlântica baixo-montana localizado no Parque Estadual Intervales, Guilherme et al. (2004) realizaram uma análise de correspondência retificada (DCA). Foram definidos 3 três estratos verticais: Estrato A (≥ 26 m), representado pelas espécies Sloanea guianensis (Aubl.) Benth. e Virola bicuhyba (Schott. ex A.DC.) Warb; Estrato B (8 m < h < 26 m) e Estrato C (≤ 8 m), ambos representados pelas espécies Euterpe edulis, Guapira opposita (Vell.) Reitz, Garcinia gardneriana (Planch. e Triana) Zappi e Eugenia mosenii (Kausel) Sobral.

Breier (2005) conseguiu detectar por meio da análise multivariada, que as espécies de holoepífitos e hemiepífitos estudadas apresentavam preferência por determinadas espécies de forófitos. O autor coletou dados em um trecho de Floresta Ombrófila Densa Submontana, localizado no Parque Estadual Carlos Botelho, município de Sete Barras (SP). As análises multivariadas foram efetuadas através do uso do Programa Fitopac, aplicando-se a PCA, o método de agrupamento de UPGMA e o coeficiente de Bray Curtis como medida de similaridade.

Para melhorar o planejamento e o controle da produção de uma unidade de manejo da empresa Orsa Florestal, no Pará, Medeiros (2008) aplicou técnicas multivariadas para definir classes de estoque volumétrico. Foram distinguidas três classes, utilizando a distância euclidiana simples e o método de Ward para realizar o agrupamento e o método discriminante linear de Fisher para verificar a veracidade da classificação.

Em Santa Catarina, são pouquíssimos os trabalhos utilizando técnicas multivariadas no estudo da Floresta Ombrófila Densa. Como exemplos, podem ser citados os trabalhos realizados por Colonetti (2008) e Martins (2005). Colonetti (2008) buscou identificar correlações entre a distribuição das espécies arbóreas ao longo de um gradiente de solo e topografia no entorno da Barragem do rio São Bento, município de Siderópolis. Foi aplicada a análise de correspondência canônica (CCA), porém nenhuma correlação foi detectada.

Optando pelo critério aglomerativo de variância mínima, Martins (2005) conseguiu demonstrar padrões de agrupamentos de espécies, identificando as 3 unidades de vegetação a seguir: A: Euterpe edulis – Guapira opposita; B: Euterpe edulis – Virola bicuhyba; e C:

Euterpe edulis – Sorocea bonplandii.