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2 CONSTRUÇÃO DO REFERENCIAL PARA ELABORAÇÃO DO TRABALHO

2.6 Abordagens para a gestão de estoque de ferramentas

Além das definições do método de cálculo do estoque, vida útil e análise de capacidade, existem alguns outros aspectos relevantes citados por diversos autores quanto a gestão do estoque de ferramentas.

Dentre estes aspectos, destacam-se uma forma para disponibilizar as ferramentas à produção, um meio para a recuperação das ferramentas na forma de reafiação ou revestimento, armazenamento e reutilização, e a possibilidade de falha (quebra) das mesmas. A análise destes itens pode contribuir para garantir o correto abastecimento das ferramentas à produção sem excessos nem faltas.

No entanto, essa tarefa não é tão simples. Estabelecer o relacionamento proporcional entre a utilização de ferramentas e a demanda dos itens produzidos é um processo complexo. Quando o item a ser controlado é ferramenta de corte, esse processo pode

Vco T em po d e fa bri ca çã o Período Kp Vcmxp C us to p or pe ça Intervalo de máxima eficiência tt Custo Tempo Mínimo custo Mínimo tempo Velocidade de corte (Vc) Máxima produção Produção

tornar-se ainda mais difícil. Khator & Leung (1994) indicam alguns fatores que podem dificultar esse relacionamento:

• Uso de ferramentas de tipos alternativos: normalmente uma operação pode ser realizada por diferentes máquinas, diferentes ferramentas e sobre diversas configurações de parâmetros de usinagem. A definição da vida da ferramenta para atender a um lote de peças deve estar baseada na disponibilidade da ferramenta, tempo de processamento e tempo de usinagem, custo de máquina e ferramenta, considerando ainda outros lotes que estejam sendo processados durante o ciclo de produção.

• Falhas de ferramentas: ferramentas de corte diferem de todos os outros itens controlados pelos sistemas de gestão de estoque devido a sua vida útil. A quebra de uma ferramenta pode acarretar grandes perdas nos sistemas de produção, o que tem levado as empresas a trocarem estas ferramentas prematuramente na tentativa de evitar esta falha. A melhor alternativa para este problema é buscar meios para controlar o desgaste de forma computadorizada, utilizando sinais antecipados de falha de ferramentas.

• Recuperação ou reafiação de ferramentas: dependendo da ferramenta, esta pode ter sua vida prolongada através de uma reafiação. Tal recuperação consiste da reafiação, armazenamento e reutilização da mesma. Porém, deve-se observar que existe um limite máximo de reafiações possíveis, normalmente recomendado pelos fabricantes. • Estratégias de administração e disponibilidade de ferramentas: a forma de como as

ferramentas serão disponibilizadas e administradas também pode influenciar o estoque necessário para suprir a demanda de produção. As estratégias adotadas podem ser descritas:

1. Manter uma cópia de cada ferramenta para cada operação que utilize aquela ferramenta;

2. Manter um volume de ferramentas que atenda certo ciclo de produção, considerando que as ferramentas serão compartilhadas entre diferentes tipos de peças;

3. Manter algumas ferramentas fixas em locais de alta utilização.

A pesquisa de campo revelou o uso incontestável da estratégia de manter uma cópia de cada ferramenta ao lado da máquina para cada operação que utiliza aquela ferramenta. Essa estratégia aplicada na empresa laboratório é consolidada através das

narrativas que afirmam a eficiência da mesma, visto os resultados apresentados no chão-de- fábrica.

Segundo Zavanella (1996), o dimensionamento correto do estoque de ferramentas está associado a uma série de parâmetros que irão influenciar as políticas de estoque da empresa. Sem dúvida, um item importante neste contexto é a forma com que as ferramentas são disponibilizadas para a produção, entretanto, outros fatores devem ser analisados, podendo destacar: vida da ferramenta, tamanho do lote de produção e tempo de ciclo das operações.

Zavanella (1996) apresenta três propostas para administração e disponibilidade de ferramentas:

• Kit management: neste caso, as ferramentas são disponibilizadas na máquina segundo conjuntos pré-determinados de ferramentas, ou pacotes de ferramentas. Cada conjunto de ferramentas disponível para a máquina é suficiente para suprir as necessidades de produção de um lote completo de peças. Após a troca do lote de produção, um novo conjunto de ferramentas é disponibilizado a fim de suprir as necessidades para este novo lote de peças.

• Pooled machining centres: as ferramentas necessárias para a produção do lote de peças ficam estocadas em local comum (pool) próximo às máquinas. Quando há a necessidade de troca, a ferramenta é deslocada até a máquina para efetuar a troca. Cada “pool” contém em média a quantidade de ferramentas necessárias para abastecer duas ou três máquinas.

• Machining centre tool stores: em comparação com as propostas anteriores, esta solução assume que a quantidade de ferramentas necessárias para a produção do lote deve ser dividida por máquina, para que cada posto de trabalho obtenha sua produção de forma autônoma, sem uma dependência de fatores externos. Quando ocorrer a falta de uma ferramenta em determinada máquina, a máquina adjacente a esta, que possuir a mesma ferramenta, deve disponibilizar esta ferramenta para que a produção não seja afetada.

A Tabela 2.2 apresenta uma comparação entre os métodos expostos anteriormente.

Zavanella (1996) ainda conclui sobre os métodos apresentados. A comparação final entre as três propostas aponta os métodos pool e stores sendo mais eficazes, porém, para a escolha entre um e outro, devem ser avaliados tanto parâmetros técnicos quanto econômicos quando estes forem aplicados na prática. Utilizar a estratégia kit management inicialmente

pode parecer mais interessante por não apresentar custos iniciais com investimento para o controle das ferramentas, contudo, ao longo do tempo, essa estratégia pode gerar altos custos com estoques elevados.

Tabela 2.2 – Comparação Kit x Pool x Stores

Fonte: ZAVANELLA, 1996, p.572

Em contrapartida, Zavanella (1996) enfatiza que utilizar os métodos pool ou

stores incide em custos iniciais com sistemas de gerenciamento automatizados, uma vez que

os controles mais rigorosos das ferramentas para estes métodos tornam-se necessários.