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2 CONSTRUÇÃO DO REFERENCIAL PARA ELABORAÇÃO DO TRABALHO

2.7 Classificação ABC de ferramentas de corte

Em qualquer estoque que contenha mais de um item diferente, um destes itens é mais importante para a produção que outros (SLACK et al, 2002).

Uma forma de realizar a classificação destes itens do mais para o menos importante é chamada de classificação ABC.

O modelo clássico de uma classificação ABC consiste na separação dos itens de estoque em três grupos de acordo com o valor de demanda anual, em se tratando de produtos acabados, ou valor de consumo anual quando se tratarem de produtos em processo ou matérias-primas e insumos. O valor de consumo anual ou valor de demanda anual é

Item Kit management Pool management Stores management

Custo físico de

implantação Baixo Médio – alto Alto

Sistema de controle Fácil Razoavelmente complexo Complexo Número de

ferramentas

necessárias Alto Baixo Médio – baixo

Atraso na produção para identificação da ferramenta

Alto Baixo Médio – baixo

Outros parâmetros de influência Tamanho do lote de produção, tempo de montagem e transporte do conjunto Tempo de controle Tempo de controle e tempo de requisição em máquinas adjacentes.

determinado multiplicando-se o preço ou custo unitário de cada item pelo seu consumo ou sua demanda anual.

Desta forma, como resultado de uma típica classificação ABC, os itens são divididos em três classes, como segue (SLACK et al, 2002):

• Classe A : Itens que possuem alto valor de demanda ou consumo anual.

• Classe B : Itens que possuem um valor de demanda ou consumo anual intermediário. • Classe C : Itens que possuem um valor de demanda ou consumo anual baixo.

Não existe um consenso sobre o ponto de divisão dos grupos. Estes valores devem ser definidos conforme critérios de bom senso e conveniência. Em geral 20% dos itens são classificados como classe A, representando até 80% do valor/custo total em estoque, os itens classe B representam 30% dos itens e até 30% do valor/custo em estoque, e finalmente a classe C, que representa 50% dos itens e até 10% do valor/custo estocado. Dependendo da literatura escolhida, esses valores podem se apresentar das mais diversas formas (SOLANO, 2003).

Martil (2002, apud SOLANO, 2003, p.28) afirma que a concentração da classificação ABC pode ser definida segundo o comportamento das suas variáveis em:

a) nenhuma concentração: quando ela toma a forma de uma reta porque todos os itens têm valor idêntico e obviamente a mesma participação percentual do custo global dos itens;

b) forte concentração: quando aproximadamente 5% dos itens concentram cerca de 80% do custo global dos itens;

c) média concentração: quando aproximadamente 10% dos itens concentram cerca de 50% do custo global dos itens;

d) fraca concentração: quando aproximadamente 25% dos itens concentram cerca de 40% do custo global dos itens.

Segundo Herrera (2005), o modelo clássico para elaborar a classificação ABC é tido como monocritério, pois fundamenta-se num único critério valor/custo. O mesmo autor propõe um modelo mais completo, ou multicritério, que utilize outros critérios também importantes para o processo, ou que sejam relevantes na escolha pelo controle de estoque de um item ao invés de outro.

Geralmente critérios importantes como tempo de entrega, obsolescência, volume físico não são considerados nos modelos, por isso se faz necessário um método que incorpore mais informações para esta classificação.

Herrera (2005) diz que o modelo multicritério permite utilizar critérios de classificação qualitativos e quantitativos, e se necessário critérios subjetivos. A metodologia proposta consiste dos seguintes passos:

• Levantamento de dados: esta fase consiste no levantamento das informações mais importantes referentes a cada item, como, por exemplo: preço, custo, demanda, obsolescência, tempo de entrega, criticidade, periculosidade, etc.;

• Identificação dos critérios: nesta fase do processo cabe ao analista identificar quais são os critérios mais importantes para a classificação dos itens;

• Atribuição dos pesos aos critérios: esta etapa deve ser realizada por especialistas a fim de obter maior coerência no momento de avaliar a importância de cada critério;

• Determinação do número de categorias e parâmetros: é fundamental determinar o número ideal de classes com as quais serão trabalhadas. Isto inclui estabelecer os parâmetros com que normalmente trabalha-se com o método multicritério;

• Classificação dos itens: obtidas todas as informações relevantes, se realiza o cálculo das classificações, mediante o algorítimo da classificação multicritério desejada.

Este método propõe uma classificação multicritério que utiliza critérios qualitativos ou quantitativos, diferenciada do enfoque tradicional da classificação ABC monocritério.

A grande vantagem da classificação multicritério em relação ao método tradicional deve-se ao fato de especialistas estarem definindo critérios tão importantes quanto valor/custo dos itens para a análise do estoque dos mesmos (HERRERA, 2005).

2.8 Considerações

A literatura existente apresenta pouco ou quase nada diretamente relacionado a gestão de ferramentas de corte. Alguns autores como Plute (1998), Boogert (1994), Tani (1997) e Favaretto (2005) descrevem modelos de gerenciamento de ferramentas de forma ampla, referindo-se poucas vezes ao dimensionamento do estoque.

Por outro lado, existem muitos métodos para a gestão de estoque. Diante das necessidades deste trabalho, foram identificados os métodos que possivelmente podem ser utilizados para a gestão de ferramentas, estes foram analisados e, por fim, optou-se pelo sistema LEC, em razão de apresentar as características mais próximas às necessidades do estudo.

Baseando-se na falta de literatura específica para realizar a gestão de estoque de ferramentas de corte e orientado pelo sistema LEC, busca-se elaborar um modelo para o gerenciamento destas ferramentas, voltado especialmente para empresas fornecedoras de

auto-peças, visto que a simples aplicação de um modelo padrão pode gerar distorções nas quantidades dos estoques, gerando, por fim, mais problemas que soluções.

O modelo proposto, além de utilizar técnicas já exploradas por outros autores, como o uso do LEC, procura desenvolver outras técnicas exclusivas, adequadas ao tratamento das ferramentas de usinagem, permitindo que os modelos existentes passem a possuir algumas características que possibilitem seu uso para ferramentas de corte.