PROGRAMA NACIONAL DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES
9. Acções para a operacionalização do Programa
Para cada uma das áreas de intervenção estratégica descrevem-se as acções necessárias, depois de previamente caracterizada, tendo em conta, a situação actual e as iniciativas em curso, na Europa e em Portugal.
9.1. Capacitação
9.1.1. Ponto de situação
A formação inicial, assim como a qualificação profissional pós-graduada é essencial para quem trabalha em promoção da saúde e prevenção dos acidentes.
Para o desenvolvimento de uma cultura de segurança é indispensável a formação de professores, arquitectos, autarcas, designers de equipamentos e de produtos, responsáveis pelo planeamento urbano e pelos transportes, entre outros.
Em Portugal, a formação inicial de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde em matéria de promoção da segurança e prevenção dos acidentes faz parte dos currículos académicos, mas o tempo que lhe é dedicado é reduzido, sendo as actualizações, fundamentais, para a manutenção das competências adquiridas.
A formação pós-graduada é essencialmente dirigida para a melhoria de competências em áreas específicas. Por exemplo, para a área das emergências existe uma Rede de Referenciação Hospitalar de Urgência/Emergência, com prestação de cuidados de emergência de elevada qualidade. No entanto, nem todos os profissionais de saúde desenvolvem competências em suporte básico de vida ou suporte avançado de vida. As estratégias de capacitação de técnicos de saúde e de profissionais de outras áreas tem incidido, essencialmente, em acções de natureza informativa e formativa. No entanto é necessário mais conhecimento sobre a intervenção da saúde baseada no paradigma salutogénico, planeamento, implementação de programas, advocacia da segurança em todos os settings e adopção de práticas seguras na vida diária.
Para que a mudança ocorra é indispensável informar, motivar e capacitar os cidadãos. A informação do cidadão, genericamente, tem sido feita através de campanhas, nomeadamente em épocas-chave (Natal, Páscoa e Verão) sobre segurança rodoviária ou sobre temáticas específicas, tais como, intoxicações e afogamentos por
Organismos Governamentais e não Governamentais e ainda, através de linhas telefónica.
9.1.2. Iniciativas em curso
Na Europa, têm sido desenvolvidos vários projectos que conduziram à capacitação de cidadãos, profissionais de várias áreas e de grupos vulneráveis.
Desses projectos, destacam-se os projectos: EMIP (Effective Measures in Injury
Prevention), adRisk (European Action on Adolescent and Injury risk), APOLLO
(Strategies and Best Practices for the reduction of injuries – da Universidade de Atenas) e os projectos da EuroSafe (European Association for Injury Prevention and
Safety Promotion), tendo muitos deles sido validados por associações académicas e
profissionais, como a European Public Health Association (EUPHA) e a Association of
Schools of Public Health in the European Region (ASPHER) e apoiados pela CE.
A OMS desenvolveu o Manual de Formação «Training, Educating and Advanced
Collaboration in Health on Violence and Injury Prevention - TEACH-VIP» que tem
como objectivo capacitar estudantes e profissionais de várias áreas, através do reforço dos curricula dos curso das áreas da saúde, que abordam, na formação pré e pós- graduada a promoção da segurança e a prevenção dos acidentes.
Em Portugal, na área da capacitação da população e de grupos profissionais muitas das entidades subscritoras da ESTRADA VIVA têm desenvolvido trabalho sobre promoção da segurança. Destaque para a Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) que desenvolve, há vários anos, acções de formação sobre intervenção comunitária, trabalho multidisciplinar e sobre temáticas específicas da segurança infantil. Regularmente, promove cursos sobre Transporte de Crianças no Automóvel, acções de formação sobre Prevenção de Acidentes no Primeiro Ano de Vida e
Workshops sobre Segurança nos Espaços de Jogo e Recreio e sobre Segurança na
Escola.
A Prevenção Rodoviária Nacional (PRP) tem desenvolvido formação para entidades públicas e privadas sobre segurança rodoviária, formação e aperfeiçoamento da condução, formação de técnicos e agentes de prevenção, e acções no domínio da engenharia e da segurança rodoviária.
Em matéria de capacitação de profissionais de saúde que trabalham nas áreas de Emergência Pré-Hospitalar, Intra e Inter-Hospitalar, a ATLS (Advanced Life Trauma
Support for Doctors), a ATCN (Advanced Trauma Care for Nurses), a Associação
Portuguesa de Formação e Actuação em Trauma, Emergência e Catástrofe, a Cruz Vermelha Portuguesa e o INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica), entre outros, têm contribuído para a sua formação específica.
Na área da normalização de procedimentos, a Ordem dos Médicos com a Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos, publicaram em 2008, Recomendações sobre «Transporte de Doentes Críticos».
No Relatório de Progresso11 sobre a avaliação da Implementação da Resolução
EUR/RC55/R9 da OMS e da CE, sobre prevenção de acidentes na Região Europeia, refere que, a capacitação é um factor critico para o desenvolvimento de um sistema de saúde adequado às respostas preventivas e curativas. Neste Relatório, duas actividades se destacaram pela sua frequência: a troca de boas práticas e a avaliação da qualidade dos programas de emergência.
A capacitação, qualquer que seja o público-alvo, assenta na investigação que fornece a melhor informação e o melhor conhecimento sobre evidência, boas práticas e efectividade das intervenções de promoção da segurança e prevenção dos acidentes. Em Portugal, esta é uma área que necessita mais investigação.
A capacitação, enquanto factor crítico para o desenvolvimento de uma cultura de segurança deverá pugnar por soluções inovadoras, pelo desenvolvimento e utilização de Tecnologias de Informação e Comunicação, pela melhoria das interfaces com o maior número de disciplinas e pelo envolvimento e participação activa dos próprios cidadãos.
9.1.3. Acções necessárias
A capacitação, visa, sensibilizar, informar e treinar, para a melhoraria de competências, atitudes e comportamentos de técnicos de saúde, outros profissionais e do público em geral para a segurança e a prevenção dos acidentes.
1. Articulação intersectorial com Instituições que desenvolvem acções que