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5 CORPO, ESTESIA E MEMÓRIA DA DANÇA

5.1 Movimentos iniciais para a memória da dança

Fundar a memória da dança na UFRN é um passo importante para os estudos teóricos e práticos das artes cênicas da Universidade, em seus diversos níveis, assim como é um avanço significante na maneira de enxergar os acervos e gerenciar os arquivos institucionais.

Considerando a metodologia predominantemente participativa na condução dos trabalhos desenvolvidos pelo GDUFRN e, em especial, na criação do espetáculo (Des)caminhos, no qual os bailarinos-intérpretes são também cocriadores da obra de dança evidenciada neste estudo, foram colhidos relatos de participantes envolvidos com o germinar do espetáculo, como também de integrantes que se envolveram com a obra quando esta já estava em andamento até a sua fase final.

Estabelecendo nossa atitude fenomenológica, na qual eu como pesquisadora e bailarina-intérprete do GDUFRN que vivenciou o (Des)caminhos no palco, isto é, dancei o espetáculo após a sua finalização, juntamente com a reflexão que fiz ao extrair dos relatos descritivos dos integrantes mencionados acima, pontuo, agora, as evidências mais significativas que observei na redução fenomenológica acerca do fenômeno aqui pesquisado.

Lendo cada uma das escritas, contrastando-as e fazendo conexões, percebi que grande parte delas formam intersecções bem evidentes. Em todos os relatos as oficinas, aulas realizadas, experimentos e laboratórios desenvolvidos durante a criação do (Des)caminhos foram descritas com muitos detalhes, o que compreendi como experiências que foram bastante marcantes e significativas para o completo mergulho do elenco coautor na concepção da obra.

Outro aspecto relevante presente em todos os relatos foi o imensurável ganho profissional e pessoal que fazer parte do GDUFRN, e, especialmente, da construção do (Des)caminhos, representou na vida dos integrantes. Passagens como “todo o processo deste espetáculo contribuiu para meu lado profissional, como pessoal. Desenvolveu minha potência de movimento enquanto intérprete-criadora”; “ter participado do GDUFRN foi de extrema importância para minha vida pessoal, profissional e acadêmica, além disso, as experiências adquiridas em todos os processos os quais fiz parte foram imensas” e, ainda, “o espetáculo (Des)caminhos proporcionou diversas vivências que fazem parte do espetáculo em si, mas que contribuíram muito na minha vivência como bailarino/intérprete” parecem ter sido extraídas do mesmo relato. No entanto, cada uma delas corresponde a diferentes escritas sobre as experiências vividas no Grupo de Dança da UFRN no contexto da concepção do espetáculo.

O terceiro e último assunto presente em todas as descrições muito nos interessa, pois, aborda algo muito precioso para este estudo: aqueles tais pontos de acesso, isto é, a maneira

pela qual o espetáculo, a obra de dança, na visão de quem o desenvolveu e dançou, é identificável.

Em todos os relatos, a gama de segmentos de dança (danças urbanas, balé clássico, dança de salão, dança contemporânea, dança popular, jazz), a presença de elementos do teatro, da música, das artes visuais e a infinidade da poética dançante de temas da cultura popular brasileira e, especialmente, a nordestina, são fatores que tornam a obra tão rica, marcante e reconhecível para quem a experiencia, seja no palco ou na plateia.

Eu também tive essas percepções. Ao integrar o elenco do GDUFRN em 2019, precisei treinar meu corpo de diferentes maneiras para dançar o (Des)caminhos. Não bastava dançá-lo, foi preciso absorvê-lo, aprender algumas técnicas vocais para o canto, técnicas teatrais, saber se relacionar com um cenário constituído por projeções em vídeo, bem como estabelecer uma conexão com o universo de cada figurino, uma vez que nesse espetáculo há muitas trocas.

Esta intensidade de recursos utilizados neste espetáculo é o que mais encanta quem o vivencia. Na medida em que as poéticas corporais transitam por diferentes danças, cantos, falas e expressões teatrais, o espectador precisa estabelecer combinações harmônicas infinitas entre a presença de tais poéticas com o cenário mutante de projeções em vídeo aliado à muitas trocas de figurinos.

É justamente a partir dessa característica complexa do espetáculo (Des)caminhos, evidenciada em todos os relatos dos bailarinos-coautores, que surge os direcionamentos para a memória da dança na UFRN. Aliando minha experiência como bailarina-intérprete do GDUFRN, bibliotecária e espectadora da obra, enxergo um caminho múltiplo para a criação de um arquivo de dança que se proponha mais do que reunir e listar obras cronologicamente, ou mesmo descrever dados e informações que, em nosso contexto, acabam se tornando meras descrições superficiais, uma vez que se trata do armazenamento de uma arte dinâmica, complexa e efêmera como a dança.

Para fundar um arquivo de dança, isto é, “para guardar essas experiências é preciso repensar a ideia de arquivamento”, conforme indica Greiner (2002, p. 43). Essa autora nos apresenta a noção de “arquivo como matéria viva” num artigo potente intitulado “O registro da dança como o pensamento que dança”, publicado na Revista IDART, há exatos vinte anos. Já naquela época, ela menciona a preocupação por parte da Dança em saber o que é possível registrar dessa arte, dada sua característica efêmera. Acerca deste novo entendimento para o arquivo de dança, a autora nos sugere sete mudanças para uma melhor compreensão do que seria esse arquivo vivo, as quais dispus no quadro a seguir:

Quadro 1 - Arquivo como matéria viva

7- Em muitas instâncias, a dança deixou de ser, nas últimas décadas, a reprodução de modelos a priori. Os dançarinos são criadores que implementam pensamentos em corpos singulares, organizam protocolos experimentais e não se rendem a fórmulas e prescrições já

estabelecidas, mesmo quando olham para o passado e rediscutem a história. Para guardar essas experiências é preciso repensar a idéia de arquivamento. Em muitos casos, não existe

mais coreografia, nem passo de dança, nem ensaio. Qual o sentido de registrar algo cujo propósito é acontecer uma única vez (em uma alusão evidente ao fazer performático)? Se

há um sentido (e provavelmente há pelo menos uma dezena de motivos para que ele exista), esta questão - que é apenas uma questão e não anuncia qualquer conclusão definida - anuncia-se como uma tarefa pouco palatável, mas que não pode ser desprezada e precisa ser

estendida não apenas à discussão da dança, mas àquela das artes visuais, do teatro e da arte contemporânea em geral.

Fonte: Greiner (2002, p. 42)

Nossa proposta define-se pelo entrelaçamento desses sete tópicos trazidos por Greiner (2002), uma vez que apresentamos mais à frente uma ideia interligada para a memória da dança no âmbito da UFRN. Antes, compreendamos as mudanças para o conceito de arquivo vivo trazidas pela autora.

No primeiro tópico, assim como no terceiro, a autora corrobora com aquele nosso pensamento de que um acervo de dança necessita de mais do que informações frias dispostas numa base de dados “passiva”, para usar as palavras de Greiner, dada a complexidade da arte da dança e, em nosso caso particular, das variadas camadas poéticas e riqueza de recursos utilizados e percebidos no espetáculo (Des)caminhos. A maneira pela qual este acervo se inicia e o seu modo de organização, já apontam algumas direções importantes.

O segundo ponto reforça aquele entendimento já debatido acerca da impossibilidade de se capturar integralmente as performances, isto é, a dança como zona complexa de experiência, dada a sua característica efêmera. No arquivo vivo, precisamos ter consciência de que as obras de dança que constituirão o nosso acervo serão sempre partes do acontecimento, os vestígios dos processos e os materiais oficiais advindos pós apresentação.

O tópico quatro diz respeito a uma realidade passada, na qual as fotografias digitais e as conexões advindas com a internet, bem como a popularização do uso de smartphones não existia no Brasil. No entanto, o próximo tópico é bastante significativo para nosso contexto atual.

No quinto ponto, Greiner chama a atenção para o que, em sua visão, é a principal qualidade que caracteriza seu argumento de arquivo vivo: a produção de conteúdo. Utilizar as obras do acervo para produzir novos materiais e informações que agreguem novos conhecimentos para a comunidade utilizadora é fundamental para manter o espírito da memória como reflexo do que vivenciamos hoje, uma vez que serve justamente para serem acessadas, provocar debates e críticas, fazendo com que circule ar e não junte pó nas “gavetas” do arquivo.

Adicionalmente, no atual contexto das redes sociais, a divulgação e alcance de conteúdos gerados a partir de um acervo vivo de dança é facilitado.

No próximo ponto trazido pela autora, está a importância da “escolha conceitual”, uma vez que será ela a responsável primeira pelo modo como o gerenciamento deste acervo vivo se dará. Mais uma vez, não se trata de reunir obras de dança, dispor em uma ordem cronológica e escondê-las com a falsa sensação de estar preservando-as. Pelo contrário, é disponibilizando-as da maneira mais próxima possível da experiência vivenciada nos palcos e plateias que estaremos de fato guardando estas obras tal qual elas merecem: sendo acessadas democraticamente.

No sétimo e último ponto, Greiner aponta a crescente mudança nos processos de criação em dança, no que diz respeito a autoria e o papel dos bailarinos na construção da obra.

Ela reforça, ainda, a importância da tarefa de arquivar a dança, por mais “pouco palatável” que possa ser, todavia, ela compreende a importância deste percurso não só para a dança, mas para as outras artes da cena, fato que consideramos desde o início desta pesquisa.

Nesse sentido, apontamos a interligação como a principal característica de nosso acervo de dança para que, assim, o arquivamento dos espetáculos, esteja coerente com a complexidade de seus processos de criação e os desdobramentos da experiência pós-apresentações. Partindo do âmbito institucional, isto é, do micro para o macro, o sistema Acervus da UFRN serviria como uma espécie de interface que abrigaria e conectaria diferentes informações sobre as obras de dança desenvolvidas pelo GDUFRN.

No registro de obras de dança é necessário evidenciar e interrelacionar as múltiplas facetas dos espetáculos. Primeiramente, a sua camada aparente e objetiva (a forma/representação descritiva/catalogação) aproveitando e/ou adaptando os pontos de acesso já existentes na descrição de obras do Acervus, como também criando pontos de referência voltados especificamente para a obra de dança ali descrita, de acordo com as necessidades da própria obra e da comunidade que fará uso desse acervo.

Dessa forma, atrelado ao registro, inclui-se a segunda camada, isto é, aquelas informações e materiais relacionados ao espetáculo, os vestígios do acontecimento, os quais trazem as particularidades subjetivas de cada espetáculo a ser contemplado no acervo, isto é, (o conteúdo/representação temática/classificação), numa integração concreta entre o conhecimento racional e o sensível.

Em termos práticos, isso é possível por meio de uma estruturação pautada em metadados20, sendo, portanto, viável acrescentar ao registro do espetáculo outras informações pertinentes para uma compreensão abrangente do contexto da obra.

De acordo com Santos, 2014, p. 150

Os metadados explicitam os diferentes aspectos do recurso que descreve: sua estrutura, conteúdo, qualidade, contexto, origem, propriedade e condição. E auxiliam na organização, favorecem a interatividade, validam as identificações e asseguram a preservação e principalmente, otimizam o fluxo informacional melhorando o acesso aos dados e a localização dos recursos informacionais.

Todavia, o nosso objetivo, desde o início é refletir acerca de uma estruturação para espetáculos/obras de dança, considerando os aspectos históricos e educacionais do GDUFRN e as potencialidades do (Des)caminhos. Isso porque os padrões de metadados estudados e utilizados pelos bibliotecários, museólogos, arquivistas e profissionais relacionados tem por objetivo organizar e recuperar de forma unificada/controlada os recursos informacionais tradicionais, como livros, artigos e peças de museus como quadros, esculturas, documentos e objetos variados.

O que propomos aqui é uma estruturação para os espetáculos do GDUFRN que traga consigo um registro amplo do acontecimento. São exemplos da primeira faceta as informações da obra de dança descritas em texto, como a ficha técnica, release, técnicas, elenco, direção e outras. Já a segunda, traz os anexos pertinentes para uma compreensão abrangente da obra, a fim de que se possa mergulhar no contexto e obter uma amostra da experiência do espetáculo com o seu registro – tendo como analogia o que os bibliotecários chamam de “representação temática/classificação”, porém, no registro de obras de dança, não há motivo para a preocupação em classificar a obra numa determinada área do conhecimento, de acordo com os instrumentos de classificação utilizados no manejo das publicações bibliográficas.

Esse segundo enfoque é direcionado aos registros que visem disponibilizar uma parcela, ou seja, os vestígios do acontecimento, oferecendo conexões via hipertexto21 com obra

20 Na década de 1960, Jack E. Myers, presidente e fundador da The Metadata Corporation cunhou o termo metadata (metadados) para descrever conjunto de dados que podem ser utilizados na organização, na representação e na localização de recursos e podem ser trabalhados de diferentes formas nas gestão de recursos informacionais e se constituem em unidades menores do que os dados que

representam (SMIRAGLIA, 2005) (SANTOS, 2014, p. 150, grifo nosso)

21 O termo hipertexto foi criado por Theodore Nelson, na década de 1960, para denominar a forma de escrita e de leitura não linear na informática. O hipertexto se assemelha à forma como o cérebro humano processa o conhecimento: fazendo relações, acessando informações diversas, construindo ligações entre fatos, imagens, sons, enfim, produzindo uma teia de conhecimentos (PIMENTEL, 2014?).

de dança à comunidade utilizadora, para que ela mesma a interprete, dentro do contexto em que se desenvolveu aquela dança, uma vez que, por se tratar de uma arte, cabem amplas interpretações e entrelaçamentos, não fazendo sentido encontrar espetáculos de dança classificados dentro de um assunto, mesmo porque, num acervo de dança não há a intensão de se dispor fisicamente espetáculos tal qual se ordena os livros nas estantes.

5.2 Memória da dança e políticas culturais

Para além do âmbito universitário, lembremos que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) é a autarquia responsável por fazer a preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro, por meio do mapeamento documental, registro e quantificação dos patrimônios culturais materiais e imateriais do Brasil.

Observamos que no conjunto dos bens culturais reconhecidos pelo Iphan, cinco (5) deles são classificados internacionalmente como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Destes cinco, três (3) são atividades relacionadas ao movimento e/ou dança, são eles: a Roda de Capoeira, o Frevo e o Samba de Roda (BRASÍLIA, 2014).

É válido destacar também que, de acordo com a Lei Nº 12.343, de 02 de dezembro de 2010, que institui o Plano Nacional de Cultura (PNC) e, dentre outras providências, cria o Sistema Nacional de Informações e Indicações Culturais (SNIIC), indica como princípios do PNC, no Art. 1º, inciso X “promover o direito à memória por meio de museus, arquivos e coleções” (grifo nosso).

Já em seu Art. 2º, a mencionada lei estabelece os objetivos do PNC:

II - proteger e promover o patrimônio histórico e artístico, material e imaterial;

III - valorizar e difundir as criações artísticas e os bens culturais;

IV - promover o direito à memória por meio dos museus, arquivos e coleções;

V - universalizar o acesso à arte e à cultura;

VI - estimular a presença da arte e da cultura no ambiente educacional;

VII - estimular o pensamento crítico e reflexivo em torno dos valores simbólicos;

XI - qualificar a gestão na área cultural nos setores público e privado;

XII - profissionalizar e especializar os agentes e gestores culturais;

XIII - descentralizar a implementação das políticas públicas de cultura;

XIV - consolidar processos de consulta e participação da sociedade na formulação das políticas culturais;

XV - ampliar a presença e o intercâmbio da cultura brasileira no mundo contemporâneo;

XVI - articular e integrar sistemas de gestão cultural. (BRASIL, 2010)

Em nossa esfera, é válido ressaltar que a Política Cultural da UFRN (PC-UFRN), regulamentada pela Resolução Nº 125/2016-Consepe, de 02 de agosto de 2016, em seu artigo 3º, incisos III e IV, respectivamente, considera como princípios éticos e democráticos: o “direito de todos à arte e à cultura; direito à informação, à comunicação e à crítica cultural”, bem como o “direito à memória e direito ao acesso e preservação das manifestações da tradição”.

Com base tanto no PNC como na PC-UFRN, fica evidente, portanto, a necessidade de criação de um sistema próprio da instituição que possibilite o cumprimento dos referidos objetivos e princípios das políticas culturais de uma maneira automatizada, ágil e democrática.

Ao discutirmos aqui estratégias para a conservação do patrimônio artístico e cultural do GDUFRN isto é, seus espetáculos de dança, estamos cumprindo, em primeiro lugar, a Política Cultural da própria UFRN e, além disso, valorizando e difundindo o conhecimento na área da dança, o qual já identificamos que é fruto de um trabalho artístico-pedagógico complexo e multidisciplinar a partir das pesquisas e trabalhos corporais desenvolvidos pelos integrantes do GDUFRN, resultando em obras de dança apresentadas em variados contextos sociais e educacionais.

Em segundo lugar, encontrar estratégias para que esse conhecimento seja estruturado, organizado e disponibilizado, a fim de poder ser consultado a qualquer tempo pelos discentes em formação, docentes, bem como pelo público geral é um grande avanço em direção à democratização do acesso à arte e cultura brasileira, por meio de uma base de dados pioneira em preservar a memória da dança na UFRN.

Desta forma, reunir o patrimônio do GDUFRN, preservando-o e disponibilizando-o num sistema de gerenciamento criado para, dentre outras, esta finalidade é valorizar a própria política cultural, levando em consideração que o vigente Plano de Cultura da UFRN foi aprovado em primeiro lugar com nota máxima (10) dentre 101 (cento e uma) Instituições Federais de Ensino Superior na seleção pública aberta em 2015, pelo Ministério da Cultura, em parceria com o Ministério da Educação, por meio do Programa Mais Cultura nas Universidades (Portaria Interministerial MinC/MEC nº 18, de 18/12/2013).

Nessa perspectiva, trazemos, novamente a reflexão crítica de Xavier (2018), a qual afirma que:

torna-se fundamental refletir sobre o fato de o poder público brasileiro pouco valorizar a memória cultural, relegando-a à invisibilidade. Como consequência disso, há poucos arquivos acervos públicos de dança no Brasil:

no Rio de Janeiro: acervo da Funarte (Ministério da Cultura); e em São Paulo:

Arquivo Multimeios do Centro Cultural São Paulo (Secretaria Municipal de Cultura), Rumos Dança do Itaú Cultural e Biblioteca Jenny Klabin Segall.

No contexto das universidades públicas, especialmente na UFRN, o fato de incluirmos obras da dança no Acervus, temos a segurança de ser um sistema institucionalizado, isto é, vinculado à Universidade, garantindo a permanência, preservação e constante aperfeiçoamento da coleção de dança.

5.3 Acervus: a interface no arquivamento da dança

O sistema Acervus22 é o sistema de gerenciamento dos acervos museológicos, artísticos e históricos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. É um sistema que dá suporte aos sistemas principais da UFRN, como, por exemplo, o de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA), o de Gestão de Patrimônio, Administração e Contratos (SIPAC) e o de Gestão de Recursos Humanos (SIGRH).

Desenvolvido pela Superintendência de Informática da UFRN (Sinfo), em 201623, a ideia do Acervus se originou quando o Núcleo de Arte e Cultura da UFRN (NAC) procurou a Sinfo a fim de criar um sistema que desse visibilidade às obras de artes sob os cuidados do NAC, atendendo às recomendações de uma Auditoria Interna da Universidade (MEDEIROS, 2018), uma vez que estas apontavam para a necessidade de implementação de um sistema no qual o registro de dados dos patrimônios artísticos, históricos e museológicos da Universidade pudessem ser acessados a qualquer tempo.

Além das obras do NAC, com o surgimento do Acervus, o sistema terminou por contemplar também outros setores da UFRN que lidam com acervos históricos, artísticos e museológicos, como é o caso do Museu Câmara Cascudo (MCC), Museu do Seridó, do Núcleo Temático da Seca do Semi-árido (NUT-SECA), do Laboratório de Documentação Histórica (LABORDOC), Departamento de Geofísica (DGEF), Departamento de Políticas Públicas (DPP) e Pró-reitoria de Extensão (PROEX).

Inserido no sistema Acervus, em termos práticos, a memória da dança que propomos será constituída por uma rede interligada, que seja capaz de fornecer uma experiência aproximada acerca do espetáculo ali inserido.

Com informações e materiais sobre os espetáculos reunidos num único local, tornamos as memórias ali disponíveis em experiências, trazendo o processo e contexto nos quais a obra

22 https://acervus.ufrn.br/

23 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE. Avanços, desafios e conquistas: relatório de gestão 2011-2019. Natal: SEDIS-UFRN, 2021.

de dança se desenvolveu, ampliamos os potenciais arquivísticos com conexões relacionadas à obra.

Lovejoy (2004), citado por Beiguelman, (2014, p. 13) chama a atenção para o fato de que

na internet, o contexto está intimamente conectado ao conteúdo. A dinâmica

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