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1. Estratégia Metodológica

1.4 Acesso aos Entrevistados: procedimentos e cautelas

Para testar as nossas hipóteses, foi pensado inicialmente realizar as entrevistas aos enfermeiros/as do Centro de Saúde de Vieira do Minho, a principal razão por esta escolha deve-se ao factor de proximidade. Por questões de gestão de tempo este seria o melhor local para a realização das entrevistas por se encontrar próximo da localidade onde resido e trabalho. Desta forma seria possível poupar algum tempo em deslocações o que me seria favorável para outras fases deste estudo. Devido à falta de resposta da respectiva entidade, foi necessário pensar numa alternativa para fazer face às respostas negativas e aos obstáculos encontrados. Neste sentido visamos sobretudo avançar para o acesso aos entrevistados, constituindo uma amostra qualitativa, sem que esteja aqui em causa preocupações de representatividade ou de generalização (Gonçalves, 2004: 53; Guerra, 2010: 46).

Incidindo no grupo profissional de enfermeiros foi possível realizar 10 entrevistas. Dos contactos privilegiados e de estratégias de “bola de neve”, conseguiu-se concluir que este

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número de entrevistas apresenta-se satisfatório, dado que se atingiu o efeito de saturação. Na verdade, a partir da oitava entrevista, pode-se concluir que os entrevistados nono e décimo já não contribuírem com mais informação relevante e diferenciada das outras entrevistas. Posto isto, não se justificava a continuação de entrevistas a outros enfermeiros já que não existia nova informação no discurso dos entrevistados. Outro factor a ter em consideração nesta fase de trabalho de campo do cientista social é o número da sua equipa. Uma vez que nesta situação o cientista social e o entrevistador são a mesma pessoa e sendo o único a executar o trabalho de campo, é aconselhável que, o número de entrevistados não seja muito alargado devido a morosidade da análise das entrevistas.

Ainda assim, foi nossa intenção encontrar a maior diversidade possível através das características dos entrevistados, ou seja, procurar as variáveis que façam a sua posição variar face ao objecto em estudo (Guerra, 2010: 46), tais como o sexo, a idade. O objectivo deste estudo não é encontrar uma representatividade estatística, mas antes uma representatividade social deste grupo profissional em específico e a diversidade do fenómeno.

2. Associativismo e Avaliação de Desempenho na Enfermagem: posições e

percepções

Uma vez realizadas as entrevistas tanto ao Presidente da Ordem dos Enfermeiros do Norte como aos enfermeiros procedemos à análise de conteúdo das mesmas (ver Anexo IV e V). A análise de conteúdo permite-nos aferir as hipóteses colocadas no início deste estudo relativamente aos poderes que a Ordem detêm do Estado, qual a sua utilização e ainda a perspectiva dos enfermeiros sobre o papel da Ordem no processo de avaliação de desempenho.

São três as áreas privilegiadas da actuação da Ordem. Da análise de conteúdo efectuada à entrevistada do Presidente da Ordem dos Enfermeiros da Região do Norte foi-nos possível verificar que as áreas de actuação privilegiadas da Ordem são relativamente à Qualidade do Serviço, à Regulamentação e ao Controlo do Exercício da Profissão. Retêm-se desta parte da análise da entrevista que a Ordem incide mais sobre as questões legais da profissão. Neste sentido podemos concluir que estas são as áreas que preenchem mais o campo de actuação da Ordem, deixando pouco espaço para a intervenção da Ordem em outras áreas, nomeadamente no campo mais profissional.

Quanto ao processo de avaliação de desempenho em si, a Ordem considera este como um processo de valorização. Quando questionado sobre este processo a visão da Ordem é

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que este tem que ser encarado “não como um processo de facto de controlo da prestação de cuidados desse profissional, se os pratica bem se os pratica mal, mas vemos a avaliação de desempenho mais como um processo de desenvolvimento e valorização profissional” (Presid. Ordem dos Enfermeiros do Norte). A visão da Ordem no que diz respeito a este processo é de uma oportunidade de evolução, de melhorar as suas competências, de valoração do trabalho do profissional de enfermagem, contudo para que o modelo de avaliação resulte é preciso que haja uma aplicação correcta e estandardizada do mesmo para que a sua aplicação seja igual a nível nacional e os resultados dela provenientes sejam o mais figdignos possível, o que não acontece como o próprio Presidente assume quando diz que:

os enfermeiros gostariam de ter ou de estar nesta fase agora deste processo de avaliação com melhores orientações e melhores indicações de como é que o processo deve iniciar, o desenvolvimento do processo e a finalização do processo (…) estamos por exemplo no ano de 2015 em março e praticamente, pelo que eu vou ouvindo poucas são, ou quase, conta-se pelos dedos de uma mão as instituições que estão com o processo a iniciar-se.

Quando a própria aplicação do processo de avaliação se encontra “comprometida” e não existe uma incorporação dos enfermeiros neste processo torna-se difícil olhar para ele como algo positivo, de valorização do seu trabalho até pelo desconhecimento que existe sobre o seu funcionamento. Quando questionado sobre o posicionamento dos enfermeiros relativamente a este processo o Presidente da Ordem diz que:

os enfermeiros são avaliados, são julgados nos seus desempenhos e acabam por no

final dessa avaliação, tanto aquele que se esmerou, que se empenhou como aquele que não o fez a estar no mesmo pé de igualdade, de reconhecimento em termos remuneratórios e isto de facto é o que produz, é o que discrimina, esta é a diferença que existe neste momento.

Uma grande diferença, pois enquanto a Ordem vê o processo como uma forma de valorização poderemos dizer que os enfermeiros veem-no como um processo discriminatório, segundo a Ordem. Ou seja, a visão da Ordem não reflecte a posição dos associados que representam relativamente a este processo. Verifica-se que existe conhecimento desta insatisfação por parte dos profissionais de enfermagem e das falhas de implementação do processo, contudo a intervenção da Ordem neste problema de uma dimensão profissional é muito ténue.

A Ordem envolve-se nos critérios de avaliação do Processo de Avaliação de Desempenho. Existe uma direção de enfermagem que define os critérios a serem implementados. Isto revela que a Ordem tem uma posição importante na definição dos critérios a serem avaliados, no que se refere ao trabalho do enfermeiro, o que coloca a Ordem numa posição de destaque no desenvolvimento do modelo de avaliação. Acaba por ter como

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o próprio Presidente afirma uma intervenção nas condições do trabalho do enfermeiro que por sua vez terá repercussões ao nível da avaliação de desempenho.

A Ordem é detentora de uma variada autonomia. A Ordem tem vários poderes delegados do Estado, reconhecimento da sua importância na coordenação e representação dos interesses de uma profissão. A ordem tem autonomia a nível administrativo, são eles que se coordenam entre si e que praticam atos administrativos definidos verticalmente; autonomia financeira, ou seja, apesarem de serem uma instituição de direito público esta não recebe qualquer verba por parte do Estado e é financiada pelas contribuições dos seus associados. A Ordem tem também alguma intervenção em questões legislativas. Isto revela a importância da existência de uma associação, neste caso pública e portanto denominada “Ordem” no desenvolvimento e nas mudanças efectuadas numa determinada área profissional.

Quanto às actividades de cariz associativo são várias realizadas pela Ordem. As actividades vão desde workshops, a tertúlias, seminários, pontos de encontro. Promovem, em contexto de “formação” na sua maioria, actividades que envolvem os associados. Porém á uma falta de adesão a este tipo de actividades, que segundo o Presidente se deve ao contexto socioeconómico que o país atravessa e as instituições não poderem libertar os seus profissionais para este tipo de actividade.

Uma vez concluída a análise à entrevistada do Presidente da Ordem dos Enfermeiros da Região do Norte, podemos verificar as hipóteses elaboradas para estudo. Da análise efectuada à entrevista do Presidente podemos verificar que a primeira hipótese que diz: “A Ordem dos Enfermeiros não exerce poder sobre o modelo de Avaliação de Desempenho adotado pelo Estado” confirma-se já que a Ordem não tem um poder direto sobre o modelo de avaliação, isto é, os poderes que a Ordem detém não são os suficientes para exercer influência sobre o modelo em si, contudo a mesma tem um poder decisivo relativamente aos critérios a serem avaliados relativamente aos enfermeiros, como o próprio Presidente referiu, por exemplo, o número de doentes por enfermeiro o que acaba por contribuir também directamente no desempenho dos enfermeiros. É um poder importante já que tem implicações diretas no desempenho dos profissionais. Assim sendo damos como validada a nossa segunda hipótese que diz que: “A Ordem dos Enfermeiros tem influência sobre os critérios de avaliação definidos no modelo de Avaliação de Desempenho”.

Abordaremos agora a análise às entrevistas dos enfermeiros. Quando questionados sobre as principais temáticas pelas quais recorrem à Ordem estas dividem-se em três categorias que são: formação, mercado profissional e documentação. Os enfermeiros dirigem-

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se à Ordem essencialmente (Masculino, 45 anos) “em busca de algumas formações, novas técnicas, whorkshops”, mas também (Feminino, 33 anos) “de especialização”.

Quanto à formação e à documentação a resposta é dada de facto pela Ordem, já quanto à questão profissional depois de contactada pelos associados a mesma reencaminha essas situações para o sindicato. Os enfermeiros/as entrevistadas mencionaram essa questão, quando disseram que (Feminino, 36 anos) “quanto à Ordem ela própria diz que essas questões não lhes dizem respeito e reencaminham para o sindicato” situação esta que demonstra falta de envolvimento da Ordem e de interesse por estas questões quando a própria refere que “este tipo de situações não lhe dizem respeito”. Se virmos esta situação do ponto de vista de uma solidificação, de uma consistência da profissão e de uma ligação ao meio associativo há uma quebra de relação tornando a ligação do associado com a Ordem mais diluída enfraquecendo assim o seu poder de representação.

Se a procura pela Ordem se classifica maioritariamente por questões de formação e/ou documentação como será que os associados se posicionam quanto ao apoio que possivelmente sentem da Ordem. Neste sentido a análise de conteúdo às entrevistas revelou que a maior parte do discurso dos actores sociais aqui em análise se revela de uma grande insatisfação com o apoio demonstrado pela Ordem no mercado de trabalho, como podemos ver nas seguintes afirmações: (Feminino, 30 anos) “Não me sinto muito. Já tive que recorrer a nível pessoal, e tentei conseguir apoio jurídico e orientação jurídica mas a verdade é que não me senti nada apoiada nem pela associação nem pelo sindicato”, da mesma forma se sente outra entrevistada quando afirma que (Feminino, 35 anos) “Na realidade não sinto muito apoio da Ordem desde que entrei no mercado de trabalho”.

A posição assumida pelos entrevistados/as é de falta de representatividade, falta de apoio a nível profissional, de actuação profissionalmente, nota-se entre linhas, quando não é explícito, uma referência ao mercado de trabalho que é quando surgem os problemas, desde conflitos a apoio jurídico a orientação, etc. Inexistência de um envolvimento, conhecimento e posicionamento da Ordem face a estas temáticas. Esta situação enfraquece também o poder da Ordem que vai ficando desacreditado e por consequência o poder associativo capaz de efectuar mudanças quando unido.

Os actores sociais sentem-se insatisfeitos com o apoio da Ordem e a procura pela mesma regista-se maioritariamente em questões de qualificação e documentação. Assim sendo, torna-se pertinente saber a perspectiva dos associados relativamente ao trabalho efectuado pela Ordem. Surgem quatro posições quanto ao trabalho da Ordem. É alegada a falta de defesa da profissão e consequentemente dos interesses da mesma, por falta de

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envolvimento em questões práticas da profissão, (Feminino, 35 anos) “se eles não sabem, ou não querem saber, aquilo por que nós passamos a nível profissional acho que não estão preparados para defender os nossos interesses porque simplesmente não sabem”, (Feminino, 38 anos) “eles [Ordem] na nossa vida enquanto profissionais têm uma presença muito fraca”. Na perspectiva dos associados existe uma falta de interesse por parte da Ordem quanto à área profissional e por essa razão os mesmos sentem-se insatisfeitos com a sua representação no que diz respeito a estas temáticas.

Contudo os enfermeiros/as reconhecem a atuação da Ordem a nível da

regulamentação da profissão, (Masculino, 35 anos) “a Ordem foca-se essencialmente em

questões relativas à regulamentação da profissão, ao acesso à profissão (…) Nestas áreas acho que sim, que faz um bom trabalho” aspecto muito importante para a organização da mesma. Há uma valorização do trabalho exercido nesta área.

Enquanto a Ordem vê a Avaliação de Desempenho como um processo de valorização, os associados estruturam o seu pensamento para este processo em torno de termos como competitivo, consequências, parcial, etc. É considerável o número de entrevistados que classificam este processo como parcial e sem consequências do resultado proveniente da avaliação, como, por exemplo, afirmam os seguintes actores sociais: (Feminino, 35 anos) “não é justo eu ter um bom desempenho e não ser recompensada por isso, e quem não fez nada por atingir os objectivos também não é. É frustrante, só isso, para o sistema de avaliação acabamos por ficar em pé de igualdade” e (Feminino, 33 anos) “sem consequência não estou a ver qual é propriamente o objectivo da avaliação”. Esta posição é o reflexo da insatisfação não com o processo em si mas com a sua aplicação, que já foi anteriormente referido pela própria Ordem.

Diríamos que é caso então para haver uma atitude mais proactiva da Ordem no sentido de garantir o bom funcionamento deste processo. Uma vez que a Ordem intervém na definição dos critérios a serem avaliados também deveria garantir que os mesmos fossem cumpridos. Claro que o facto de não existir repercussões do seu desempenho (quer seja bom ou mau), pelo menos nas instituições públicas, cria um descontentamento em relação a este processo daí referido a falta de consequências.

Outra característica mencionada pelos associados e que consideramos relevante para esta análise foi o facto de considerarem este processo anti-partipativo, como diz este entrevistado (Feminino, 30 anos) “Eu sou a favor se a avaliação de desempenho fosse mais correcta, por assim dizer. Nós deveríamos ter alguma opinião nas metas que são preconizadas, deveriam ser decididas em conjunto”. Isto fomenta, nos avaliados, um

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sentimento de desagrado por, este processo, porque não compreendem de que forma é que este se vai desenvolver. Torna-se difícil corresponder aos objectivos se não há conhecimento dos mesmos. O envolvimento dos avaliados seria uma mais-valia tanto para estes como para as organizações que possivelmente teriam melhores desempenhos. Consideramos que neste campo a Ordem poderia sensibilizar as Instituições para o esclarecimento do que se pretende dos profissionais de enfermagem.

A perspectiva dos associados em relação ao processo de avaliação poderia ser modificada, com uma posição mais demarcada da Ordem. Os próprios associados frisam a falta de envolvimento da Ordem na temática aqui em análise quando dizem que não vêm a Ordem a tomar medidas para se certificar que o modelo esteja a ser aplicado como é suposto, (Feminino, 38 anos) “Verificar a implementação deste processo, por que muitas vezes estamos a meio do ano e ainda não sabemos como é que estamos a ser avaliados”, outro entrevistado refere ainda (Masculino, 45) “Se eles ajudam a construir o modelo também deveriam se preocupar em saber se o mesmo é bem aplicado, por que isso acaba por ter consequências nas nossas vidas profissionais”, isto leva os associados a procurarem mais o sindicato e a estabelecerem uma maior ligação a actividades sindicais do que com a Ordem, vindo assim, possivelmente, esta a perder poder de representatividade dos seus interesses e porventura a modificar aquela que é a visão da actuação da Ordem, devido à insatisfação dos associados.

Como advogam os actores sociais deveria existir uma maior cooperação entre Ordem e Sindicado, uma vez que ambos têm como finalidade a defesa dos interesses da profissão. Mas, neste momento, existe uma nítida separação do que é o trabalho da Ordem e as questões profissionais que são dirigidas para o Sindicato. De forma geral os associados sentem-se insatisfeitos com a falta de apoio demonstrada pela Ordem a partir do momento em que estes entram no mercado de trabalho.

Relativamente às actividades organizadas pela Ordem a adesão é diminuta. As actividades realizadas pela Ordem são de cariz profissional, de qualificação, especialização, actividades estas que têm pouca adesão segundo a Ordem, por questões de horários laborais mas também devido ao panorama económico que o país atravessa. Das posições assumidas pelos actores sociais visados, neste estudo, mencionam essencialmente a centralização destas actividades (Porto e Lisboa), e a boa oferta formativa que encontram no distrito sem terem necessidade de se descolocarem para outros centros, como é o caso deste entrevistado: (Feminino, 36 anos) “Não, não costumo. Primeiro porque esse tipo de eventos são muito centralizados ou no Porto ou em Lisboa e depois porque aqui tenho uma boa oferta formativa

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e então nunca precisei”. Outra causa referida é a falta de interesse em participar nestas

actividades realizadas pela Ordem, o que podemos interpretar como um indicativo de falta de identificação com aquilo que são os propósitos da Ordem como podemos ver neste testemunho: (Feminino, 30 anos) “Não. Sinceramente nunca senti interesse em ir”.

Uma vez concluída a análise às entrevistas podemos dizer que a terceira hipótese deste estudo não se confirma: “A associação de enfermeiros, apesar dos poderes que detém, exerce maioritariamente funções de representação dos seus associados”. Foi possível compreender tanto no discurso do Presidente da Ordem como no discurso dos entrevistados que a Ordem exerce maioritariamente funções relativamente ao funcionamento da profissão do que propriamente representação dos associados.

Das entrevistas realizadas retiramos informações penitentes para futuros estudos. Em algumas entrevistas (ver anexo III), os indivíduos referiram a questão do modelo de avaliação de desempenho aplicado ser diferente quando a instituição é privada e quando é pública mas a sua administração é privada. Levanta a questão da estandardização, da formatação do modelo escolhido, já que na maior parte dos casos, devido às parcerias público-privadas não irá ser aplicado. Que papel tem aqui então a Ordem? O que está ao alcance do poder associativo para tornar este processo uniforme? Seria pertinente compreender as condições que permitem, favorecem a aplicação de modelos distintos nas parcerias público-privadas.

Outro tema, também muito interessante, seria analisar as evoluções de carreira dos enfermeiros numa instituição privada e numa instituição que seja público-privada e a intervenção da Ordem, na defesa dos interesses dos enfermeiros, a exercerem funções em sectores diferentes. Haverá um distanciamento da Ordem quanto às necessidades dos enfermeiros a exercem no sector privado? Estas são algumas sugestões de estudos que provenientes das entrevistas efectuadas consideramos de grande interesse para uma exploração do associativismo português em profissionais altamente qualificados.

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Conclusões Finais

Do que foi analisado neste estudo, foi possível retirar algumas informações relevantes da Ordem dos Enfermeiros da Região do Norte, assim como dos entrevistados, sendo posteriormente essa informação objecto de análise e de comparação entre as afirmações de ambos. Importa também referir que relativamente à recolha da informação esta foi realizada entre Março e Julho de 2015, por isso quando tecemos considerações acerca do estado atual do poder da Ordem no Processo de Avaliação de Desempenho essas mesmas considerações reportam-se a esse período preciso.

Os principais focos de actuação da Ordem dos Enfermeiros são: Controlo do Exercício da Profissão, Regulamentação e a Formação. A Ordem dos Enfermeiros exerce as suas funções maioritariamente relacionadas com questões mais legislativas e burocráticas da profissão. Problemas relativos à profissão, provenientes do ambiente laboral ou estimuladas por medidas governativas, há uma certa passividade da Ordem quanto a essas situações.

É evidente o descontentamento dos associados em relação ao apoio da Ordem. Das entrevistas efectuadas foi possível identificar a existência de um descontentamento generalizado com o não envolvimento da Ordem em questões de carácter mais laboral. O facto de a Ordem não intervir nestas questões, quer seja através de comunicados à comunicação social, a entrevistas sobre as situações a que os profissionais de enfermagem estejam vulneráveis, incita nestes profissionais uma sensação de desligamento com o que eles consideram importante.

O problema da avaliação de desempenho está na sua aplicação. Do que foi dito, tanto

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