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Eu acho que sim Eu não sei nem falar a respeito disso porque eu fico assim tão as vezes eu

reclamo com as meninas porque luta tanto é uma coisa e outra que trabalham tanto, e é tanta reunião, e é tanta coisa, mas aí às vezes alguém fala que não é de acordo, que não gosta dessas coisas, e aí eu que me sinto, porque elas se envolve sempre as pessoas, aí eu não sei nem dizer. Mas eu acho que é tem tido assim, alguma coisa boa, né, tem acontecido e conseguido, né? Eu tenho muita fé, quem sabe se não vai continuar outra coisa pra melhorar para nossa comunidade. A gente quer é que melhore, que mude pra melhor. Quem sabe?

[A pesquisadora pergunta se a entrevistada quer acrescentar alguma coisa].

M 1 – Eu sempre ponho elas pra trabalharem aqui. Eu praticamente é quem crio as minhas netas, né? Eu posso dizer, porque elas trabalham em Macau. Vão todo dia. Não têm com quem deixar. Eu quem fico, desde a primeira de Arlete, até... agora ainda continuo. Eu posso dizer que eu quem crio. Quando elas chegam é assim, é à tarde e não vão trabalhar. E Arlete trabalha aí no colégio também aqui. De manhã é em Macau. E à tarde é aqui. Agora é que ela ta lá. Tava de licença e agora é que vai retornar. Luiza também, ela trabalha em Macau vai todo dia e eu quem fico com as meninas. E elas vão. Tem uma viagem pra qualquer canto se não dá pra levar as crianças, eu fico. E quando eu vejo o movimento aqui de comunidade que ta acontecendo aqui em Diogo Lopes, elas saem praqui pracolá, mas saem despreocupadas porque sabe que eu to com as crianças [Risos]. Porque logo eu mesma não participo dos Encontros das reuniões. Aí eu não sei falar. Quando a pessoa ta ali participando ainda sabe falar alguma coisa, mas quando não participando fica difícil... [Fim da entrevista].

ENTREVISTA 2

Mulher - 2 (56 anos)

Duração: 21min 26seg. QUESTÕES

1. A maneira de viver da pesca, dos dias de hoje, é igual à maneira de pescar do seu tempo de menina, o que mudou nestes anos?

OBJETIVO: Saber como o tempo passou na vida das senhoras entrevistadas, em relação à ação do trabalho pesqueiro e das formas de convívio com o mar e o meio ambiente.

M 2 – Ah, mudou muita coisa. Sabe por quê? Porque na época que eu cheguei aqui em Diogo Lopes, as coisas era mais difícil, mas era mais, entende? Era difícil, como? No movimento de pegar em dinheiro, mas a fartura era mais. Tudo era mais. O povo era inocente pela uma parte, né? Tinha como conversar com você, você sair na rua, você ficar no armazém conversando com um senhor de idade, não tinha nada de imoralidade, e era um grande respeito, e parecia até que as pessoas se sentia bem quando chegava uma pessoa pra perguntar uma coisa sobre pescaria. E hoje não, hoje ta tudo poluído, as coisas tão diferente. No saber, cresceu muito, né? Naquela época, atual, atrasada, era o povo que não sabiam muito ler, mais tinha muita inteligência. Às vezes as pessoas que não sabem ler, tem cabeça por dez que são formada. Não é verdade? Então, as pescaria era assim brutal, assim, entende? Assim… o pescador ia pra o mar com rapadura e farinha e água. Não tinha esse alimento certo. Eles passavam quatro, cinco, seis, dias no mar só com isso. É.. faziam, né? levavam às vezes rapadura, fazia assim aquela garapa pra tomar. A alimentação era muito diferente. Eles iam pescar, pescavam muito peixe, traziam muito voador, dourado. Era uma coisa fabulosa, né? Mas o passado deles era muito estranho, eles eram quem passavam muita dificuldade. Mas, mesmo assim, eles enfrentavam com aquele, com aquela garra que fazia gosto, deles ir trabalhar, né? Chegavam hoje, pegavam vinte milheiro, quinze, trinta. Eu acho que eu cansei de ver, mais de uma vez, os barco lá em Luiz Gaspar, lá cima, né? que lá onde eu morava até de quarenta milheiro de voador, os barcos conseguia trazer. Aí jogavam as pedras fora e traziam, né? Mas hoje, as coisa foram mais ficando melhor numa forma e fracassando em outra, né? Porque aí entrou muita coisa, os jovens, a juventude tomou conta, aí vem essas loucura toda, aí os pobre dos velhos foram ficando pra trás, né? Foram parando a pesca e foi… ficando diferente, foi trocando de rancho, foi trocando de comida, trocando de pescaria e aí por diante. Muita coisa mudou, muita, muita. A gente passava naqueles armazéns tava aquela ruma de mulher pisando sal,

tinha outras tratando peixe, né? Era outra estendendo. Era as mulher, o trabalho braçal das mulher… que conseguia mais aqui era as mulher que trabalhava, não era só os homens. Os homens iam pescar, mas a mulher é que dava o jeito. Né? E o tempo que moía o sal naquele moinho, né? naquela roladeira, elas trabalhavam, tratavam o peixe, botava pra secar. Quando era à tarde elas voltavam pro armazém pra moer aquele sal e apanhar aquele peixe e a vida continuava desse mesmo jeito. As mulheres daqui iam pro mato buscar lenha, feixe de lenha na cabeça. Era umas guerreira, como ainda hoje são. E a senhora sabe, o que as mulheres de Diogo Lopes quer, elas vão enfrente. Não entende se é com homem, se é com mulher, o que elas vão disputar, não. Elas vão em frente e conseguem. E aqui, há muito tempo, toda vida aqui teve muita mulher guerreira, desde os tempo velho e agora no inicio é que tem mesmo. Vão pra batalha, enfrenta. Quem é que você vê? Um homem querendo fazer faculdade, né? aqui em Diogo Lopes tem poucos. Mas as mulher com aquela garra vão em frente, com sofrimento de pai e mãe. Pai trabalhando, mãe trabalhando e vão conseguir o até o objetivo que elas querem. Pelo menos eu cheguei aqui com dezenove anos de idade. Vim d’uma praia, de Canoa Quebrada, uma praia também muito sofrida, né? no inicio, porque era sofrida Canoa Quebrada, era horrível. É, fazia pena você chega naquela praia, naquelas casas, aquele povo humilde, aquelas casas tudo de alpendre, aquelas mulher trabalhando. Você fazia pena. Que lá, nessa época, não tinha desenvolvimento de nada em nada. Depois foi que começou a chegar um, uma pessoa nativa de Fortaleza, trazendo um casal de americano, e daí foi continuando o sucesso, né? Então eu cheguei aqui em Diogo Lopes, vim morar com meu irmão. Meu irmão casou, vim morar com meu irmão e depois eu conheci um rapaz. Aí então a gente veio se conhecer bem direitinho, e a gente casou e aqui eu estou. Com minha luta e a luta dele, do meu esposo, criemos nossos filhos. Hoje tenho muito orgulho de ver. Tenho cinco filhos, graças a Deus, todos sabem ler. Duas formada, graças a Deus. Todas duas são professoras, uma terminou faculdade e já vai terminar a outra etapa, né? porque e primeira é que vence, né? Depois vem às outras. E a outra ta terminando agora, a Marli, graças a Deus. Tenho muito orgulho disso. E esse esforço que a gente tivemos de trazer nossos filhos até onde eles estão, foi com o esforço meu, primeiramente Deus, meu e de meu marido. Meu marido ia pescar e eu trabalhava, fazia labirinto, não tenho vergonha de dizer, cheguei até a lavar roupa pra fora, pra famílias. Trabalhei muito pra Padre Murilo, lavando a roupa dele, ia pra lá fazer faxina e tudinho, mas com orgulho, porque era pra ajudar a minha família. E aqui eu estou, graças a Deus. Graças a Deus.

2. A senhora gosta de participar da vida de sua comunidade?

OBJETIVO: Saber os níveis de participação das velhas senhoras na vida de sua comunidade.

M 2 – Eu gosto de ajudar o próximo. Gosto muito de ajudar as pessoas carentes, mais do que eu, que ta precisando de ajuda. Gosto muito. Gosto muito de acolher uma pessoa que ta precisando, e gosto também de cuidar muito de gente idoso. Assim, quando eu vejo uma pessoa idoso, sem carinho, parece que ta com um pouco de mim. Se eu pudesse botar no colo e dar o que tava precisando, eu dava. Mas da minha maneira ajudo. Como posso. Por exemplo, também como a Igreja, gosto muito de ir pra Igreja, de ajudar. Não é porque sou carola, sabe? e ta as quatro horas, vinte e quatro horas com o terço na mão, não. É por que é de mim mesmo, e do meu pai e da manha mãe, que mim ensinaram a rezar. Principalmente meu pai, né? Meu pai era religioso, gostava de rezar o terço e nós era assim, parece, assim, uma historia: cinco filhas. Todos os dias ele fazia cada um da gente rezar um mistério. E assim essa tradição eu passei pra minha família e todos meus filhos sabem rezar, graças a Deus. Graças a Deus.

3. Em que momento, e como, a senhora dá a sua opinião sobre os problemas da comunidade? OBJETIVO: Conhecer as formas de apresentação do discurso oral das velhas mulheres.

M 2 – Eu dou opinião assim, porque eu acho que as pessoas que são envolvidas – porque hoje tudo tem política, né? tudo que se faça na vida é com política no meio – eles podiam olhar com mais atenção a comunidade de Diogo Lopes, porque tem coisa que ta precisando, né? Não vai dizer assim, que a prefeitura tem emprego para todos, que a gente sabe que não tem, né? Mas deveria dar mais atenção às coisas que a gente mais precisa. Por exemplo: aqui em Diogo Lopes nós não temos uma parteira “deplomada”. A gente não tem, e precisa. Muito. Agora, esses dois, de ano passado para cá, é que nós temos um médico aí, de plantão, um dentista pra atender. Mas antes não tinha, né? Mas nós ‘tamos precisando de uma parteira, que às vezes tem uma pessoa pra ganhar neném, às vezes não, quase todo dia tem, mas tem que ir rapidamente pra Macau. Já tem acontecido de ganhar neném dentro dos carros. Nós não temos hospital ali, um mini hospital que tem um espaço? Pois então deveria ter isso pra ajudar, não é? Você não acha que é certo? Então é isso aí.

4. Como é que a senhora faz para que as pessoas da comunidade aceitem a sua opinião sobre coisas da vida?

OBJETIVO: Saber se a opinião das velhas mulheres é aceita na comunidade e como elas reagem socialmente aos problemas e às inter-relações socioculturais.

M 2 – Às vezes eu converso com alguém, mas

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