precisei d'um político. Nunca precisei de político com meus idosos. Dia de sábado e domingo, tudo era festival com os idosos. E hoje mesmo o grupo que eu tomava conta dos idosos eu passei pra Oscar, mas muitos já disseram a mim, que só tinha alegria quando eu tomava conta dos idosos, porque eu sabia trabalhar com os idosos. Eu num tinha nada que oferecer, mas no dia do aniversário deles nós tinha tudo. Aí se fazia aquela festinha e comemorava. E passear, eles gostava muito de passear, e eu arrumava até de três ônibus em Macau, eu ia e conseguia até três ônibus pra nós ir. Nós tínhamos pra, pra Maracajaú, pra Maxaranguape, Pureza, fumos pra Caiçara. Teve um tempo que eu fiquei tomando conta. Cohab, que o pessoal da Cohab também vinha cooperar com a gente, né? a gente tinha que é, dar nossa contribuição. Eles vinham pra cá e com oito dias ou com quinze dias a gente ia pra lá. Eles contribuíam com a gente, vinha, a gente tinha que ir também. Mas eu acho que todos aqui pelo tempo que eu to trabalhando com os idosos, tudo gosta da minha opinião. Um se encontra comigo, "Maria, mulher, só tinha brincadeira, nós só tinha passeio quando era com você. Hoje ninguém tem mais passeio, o grupo dos idosos morreu". Eu digo "Mulher, ta vivo. Agora só que quem ta tomando conta num sabe movimentar com os idosos. Porque eu no dia de sábado e domingo tinha: o jogo de dominó, tinha um jogo de baralho, tinha um forró. As meninas faziam um, uma seresta". Elas faziam. Na minha época, né? E antes de eu ser evangélica eu era uma carnavalesca. Eu botava três blocos na rua. Era um de, de, era um bloco só de mulher. Botava um de, de escola de samba, e botava outro só de criança. Três blocos, eu botava. Os três dias de carnaval. E meus blocos era contratado na prefeitura. Toda época de carnaval eu recebia o, o ofício pra ir pra Macau, pegar as fantasias. Aí hoje em dia acabou-se tudo. Tem mais nada. Até o carnaval acabou-se. Eu era a mulher da folia. Agora eu sou da folia [Risos] sou do bloco de Jesus [Risos]. Agora eu trabalho só pra igreja. E com Simone, quando ela, às vezes ela num pode cooperar, nos encontros, ela manda me chamar, eu vou. Participo, porque ela é a presidente, eu sou a vice presidente da a, Associação de Mulheres, aí eu vou fazer parte. Participar. Às vezes faço parte lá do CJP. Aí o pessoal vem pra dar aula de reciclagem, eu vou pra lá pra cozinhar pro pessoal. Todo mundo gosta de mim. Assim mesmo evangélica, que tem muitos evangélicos que "Ai, eu não vou não porque eles são católicos – Não, eu não tenho nada a ver. Eu vou fazer meu trabalho. Eu to cooperando", né? Tem que cooperar.
5. Os mais jovens da comunidade aprendem as coisas que a senhora sabe e conta para eles?
OBJETIVO: Saber se, e como, o discurso oral das velhas senhoras fomenta a transmissão de seus saberes para a comunidade em que vivem.
M 3 – A minha menina, ela é por dentro de tudo. Ela trabalha com artesanato também. É, e gosta muito de, de fazer essas festas americanas, muita coisa ela faz. Hoje ela ta no Rancho. Ela ta trabalhando em rede. Agora outra que eu tenho, ela num, num trabalha não. Assim, essa, nunca gostou. Que pena, né? Foi embora pra Natal com doze anos e lá ainda ta. A primeira é evangélica. Só eu, essa que mora comigo e dois netos.
6. A senhora acha que a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável esta trazendo algum benefícios para a comunidade e para o meio ambiente?
OBJETIVO: Saber quais são os graus de consciência que as velhas senhoras possuem acerca da problemática ambiental e das atitudes de criação da RDS.
M 3 – Até o exato momento ta trazendo alguma coisa, né? Que a gente trabalha e o que a gente faz, vende. Quem vem compra, e isso pra gente já é uma ajuda, né? E ta se desenvolvendo. Esse turismo também pra mim é uma boa. Porque tem muito jovem aí que já se congregaram aí e já fizeram o curso de guia, eles estão de frente a todos os trabalhos. Eu trabalho com Subadhro no Programa de Criança. Só na época de festa ele, ele manda os meninos pra cá só pra mim enfeitar as roupas, reformar as roupas tudinho. Tenho dois netos. Tem um com doze anos ta lá também e tem um com quinze. Ontem quem fez a abertura lá da festa o, foi o meu neto de quinze anos. Eu acho que vai ser bom né? esse, esse, a Reserva. Que na época da Reserva aqui pra gente conseguir isso a gente foi... uma tribulação muito grande pra gente conseguir. Que a gente cismando fechemos a rua. Era menina, era moça, era rapaz, era velho... O que aparecesse a gente manifestou na rua pra, pra... a gente se manifestou-se na rua pra ver se a gente conseguia essa Reserva, né? Aí tocaram fogo nos ranchos. A gente ia pra costa botar dois, dois marcos ali de barco, botar uma bandeira bem grande pra ver se os italianos iam embora, né? Até que um dia foram embora mesmo, que até que não apareceram mais. E a í a gente ta levando a vida, né? Esperando que Deus conceda a gente alcançar mais coisa na nossa vida, que ainda ta precisando de trabalho pra essa mocidade que não tem. E eu acho que pra nós essa Reserva e esse, esse projeto de criança da Petrobrás é uma coisa boa. Pra o pai que reconhece é bom. Porque os filhos não vão pra rua, pelo menos eu e meus dois netos. Um estuda de uma hora até as cinco, e o outro estuda de sete... num sei se é nove. Sei que estuda também pela noite. Aí vão de manhã
na terça feira vão pro Rancho. Um vai de manhã e outro também pela tarde. Por isso que eu digo que a Reserva vai ser, ta sendo boa e ainda vai ser muito mais. Agora nós estamos esperando aí pela vontade do povo né? comprar esse, esse prédio aí é pra fazer a nossa Cooperativa, que eu também faço parte da Cooperativa de Pescado. Trabalho com o pescado numa turma. Nós fizemos um curso de Pescado, aí o pessoal que veio que era levando do Xingo, lá da banda da Paraíba. Aí deu um transporte pra gente fazer uma excursão, a gente foi. Parece que foi bem umas doze pessoas. A gente foi, passemos cinco dias na praia de Olinda e passemos dois dias em Xingó. Lá no estado da Paraíba, dentro .. Passeemos muito e eu, pra ver a idade que eu to, eu num, num vou dizer "eu sou velha", não. Eu sou jovem. Qualquer passeio que tiver eu vo... Fomos pra Fortaleza, eu tive em Fortaleza, teve um festival lá, aí nós foi também. Passemos dois dias. Foi dois dias lá. Se pass, aparecer passeio, já to lá. Tem que despairecer um pouco, né? Pois é, eu sei que ta bom. A gente tem que trabalhar muito pra alcançar o que a gente quer. [A pesquisadora pergunta se rtm mais alguma coisa pra acrescentar] Não, o que eu tenho pra acrescentar é que tudo que tiver de bom, que seja pra nossa comunidade, né? Alguém quiser ajudar mais do que já está ajudando, pra nós é, é uma contribuição muito grande pra nossa comunidade, porque nós estamos precisando muito. Daqui pra frente o que as águas vão rolar, ninguém sabe, né? Quem vem aí, alguém que venha mais de mais de longe ajudar a gente também, porque eu já estou nessa idade, meus netos tão crescendo. Eu posso passar de um lado pra outro mas eles estão aqui pra contar a história. É assim. Eu pra ajudar to só. Não sei se, se daqui mais pra frente alguma... mas acho que não vão mais bulir nessa Reserva não. Acho que nada mais vai acontecer, o que acontecer é só de bom... [Fim da entrevista]
ENTREVISTA 4
MULHER - 4
62 anos) Duração: 32min 17seg.
QUESTÕES
1. A maneira de viver da pesca, dos dias de hoje, é igual à maneira de pescar do seu tempo de menina, o que mudou nestes anos?
OBJETIVO: Saber como o tempo passou na vida das senhoras entrevistadas, em relação à ação do trabalho pesqueiro e das formas de convívio com o mar e o meio ambiente.
M 4 – Muito mudou muito, antes quando nós éramos crianças, passávamos uma temporada na
costa na época da quaresma que o vento era brando e ficava ruim de dos barcos vim e voltar à barra muito longe mais longe que hoje, então as famílias como o meu pai, e outros muitos outros pai por aqui pai de comadre Léle, tantos outros iam para a costa e lá passava a temporada da quaresma e a safra então era um período de seis meses, mas ou menos, eles por que lá eles tinham possibilidades de chegar e descarregar e se quisesse, poderia voltar na mesma hora, voltaria e ou então só saiam de madrugada e aqui eles tiam de sair muito cedo devido à barra ser muito longe, e hoje a barra tornou-se mais perto já abriu veio abrindo, abrindo, abrindo tem uma mais perto e também eu acho que quando o preço do peixe era diferente de hoje e a os compradores de peixe viam de longe. Hoje a maioria são daqui em que pegam e vão vender fora, antes aqui não tinha quem comprasse peixe os compradores viam de longe se hospedava até nas casa da gente. Cada qual tinha seu comprador. As vezes um comprava de várias pessoas. Se hospedava eu me lembro muito de um senhor chamado sr. Alberi, ele era bem alto, e ele se hospedava na casa de, na nossa casa, quando ele chegava em uma semana ele se hospedava na nossa casa e outra semana em outra casa variando. E hoje a maioria dos peixes daqui já saem mesmo daqui pessoas daqui vem pessoas de fora não resta duvida, vem muita gente de fora compra mais a maioria dos peixes já é exportado daqui pra fora os carros vão três vezes por semana vão na terça-feira, vão na sexta-feira a noite é terça a noite sexta a noite e alguns que ainda vão nos domingos também e vai ate o estado da Paraíba. Tem pessoas aqui como Evaristo, Evaristo só vem buscar a esposa dele dois dias por semana pra Natal e ele vai pra Paraíba. Ai é diferente ne mudou muito também o que a gente sente falta hoje é da lagosta que aqui morreu muita lagosta na época que a pesca era de corgos ne? Eu lembro muito. Muita gente hoje em dia que tem casa de tijolo foi tudo com o dinheiro de lagosta, já hoje ta péssima a pesca de lagosta aqui. É tanto que aqui pouca pesca a maioria vai pra fora, esses mergulhadores de rede essas coisas vai pra fora. Acabaram a nossa lagosta aqui. O peixe era tratado lá a própria família tratava o peixe nos ranchinhos, nos os varais era cheio de varal ao redor dos ranchos era assim uma rua de ranchos e de um rancho para o outro tinha varal por traz das casas tinha varal na frente tinha também e a gente às vezes os nossos pais tinha tratadeiras que iam com a gente, mas nós que já era maiozinho já ajudava também a gente ajudava pouco no meu caso eu ajudava pouco muito pouco lá eu e meu irmão por que nós vínhamos bem cedinho pra estudar aqui pra não perder aula nós tínhamos que sair de lá bem cedinho pra estudar aqui agora quando chegava lá que voltava, tinha a história, desguerra o peixe desguerra bota na moura eram aqueles barris bem grande de moura que mais o pescado mais lá era agulha e agulhão ne na safra também morria muito voador o voador já era
salgado diferente da do agulhão e da agulha, o agulhão e a agulha colocava na moura era uma moura que fazia com bastante sal e água salgada água da própria maré que o voador ele era salgado no próprio sal, o sal era tanto que tinha quem desguerrar tinha aquela parte de pessoas que vivia ali escalava o voador outros desgarrava e os outros iam salgando. A.. já agulha era diferente agulha se tratava e desgarrava os outros iam lavando e já ia despejando na nos barril de moura no outro dia tinha gente que levantava já pra estender a tarde, tirava pra quebrar todinha vamos quebrar o peixe, quebrar o peixe é deixar toda estiradinho na medida que estendia ele, ele ficava ai no outro dia se quabrava o peixe todinho pra fazer esterinha. Que era pra terminar de secar e os compradores levar. Hoje a maioria hoje só se fala em peso antes era em milheiro era um milheiro de voador era um milheiro de agulha era um milheiro de agulhão ai hoje é tudo peso, nenhum compra mais nessa história é no peso tudo é no peso mas na nossa época de criança né. O meu pai também saia muito na no porto do Gonçalo papai pescava quando ele pegava muito agulhão mais agulhão que agulha, guaiuba esses peixe assim bastante peixe assim bastante peixe de linha ai ele ficava não tinha como conservar no rancho não é? Diferente de hoje que eles já levam o gelo pra fora então ele ia sair no porto do Gonçalo ali em Macau vendia o peixe pronto agora de tardezinha eles não chegar nós que já pensávamos ficava papai saiu no porto. Mamãe as vezes ficava preocupada mais ai quando as vezes quando tinha muito vento ele com medo que ela não se preocupa-se ele vendia o peixe e vinha primeiro em casa pra poder voltar tudo isso facilitava morar na costa por que se fosse pra chegar aqui não dava mais pra ele voltar e lá ficava perto. 2. A senhora gosta de participar da vida de sua comunidade?
OBJETIVO: Saber os níveis de participação das velhas senhoras na vida de sua comunidade.
M 4 – Eu gosto de participar da igreja de tudo de