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o acidente sofrido pelo trabalhador, ainda que fora do local e horário de trabalho.

No documento Análise de Riscos (páginas 38-43)

Atividades de aprendizagem

Aula 5 – Visão Holística da Segurança e Saúde

IV. o acidente sofrido pelo trabalhador, ainda que fora do local e horário de trabalho.

6.2 Análises de acidente

A análise de um acidente exige observar os fatores humanos, de infraes-

trutura, desde aspectos fisiológicos, psicológicos, sociais, tecnológi- cos e de organização do trabalho que possam explicar a natureza, as cau-

sas e consequências dos acidentes. O modelo abaixo, em forma de espinha de peixe, auxilia o analista a perceber todos os fatores intervenientes, que de algum modo colaborou na ocorrência do acidente.

Listando-os, ficará mais fácil a visualização. O próximo passo é estabelecer relações de dependência entre os fatores (determinísticas ou probabilísticas) ou de simples correlação, como vimos anteriormente.

Figura 6.2: Modelo espinha de peixe

Fonte: Trivelato, G. Avaliação e Gestão de Risco no Local de Trabalho.

A análise de acidentes utiliza-se de diversos modelos que tentam explicar de- terminadas as faces do fenômeno acidentário. Levantando hipóteses sobre as relações dos fatores, o analista tenta explicar tecnicamente o desenvolvi- mento do acidente. É como um jogo de “quebra cabeças”, montado, peça por peça, onde as interações dos fatores são comprovadas pelas hipóteses levantadas pelo analista.

A análise de acidentes requer uma visão holística e sistêmica do conjunto de fatores, baseando-se na teoria da organização e de falhas, ou teoria de controle de falhas, em conceitos básicos e em mecanismo de controle do comportamento.

O olhar simultâneo para o detalhe (visão reducionista) e para o conjunto das interações de fatores (visão sistêmica) permitirá ao analista pericial obter uma resposta científica e consistente.

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Quadro 6.1: Conceitos de análise de um acidente automobilístico

Conceitos básicos Exemplo: Acidente de trabalho Mecanismo de produção de danos Atropelamento e colisão de veículo.

Agente agressivo Veículo em alta velocidade.

Alvos Pedestres e demais veículos.

Sistemas de contenção Sinalizações, redutores de velocidade, muretas, meio-fio, guarda-

-corpo, área de escape, etc.

Campo de ação agressiva Ato de atropelar, capotar, engavetar, abalroar e colidir.

Exposição sem proteção Falta de guarda-corpo, muretas, informação, mapas, lombadas, etc.

Evento danoso Perdas materiais, humanas, sociais e econômicas.

Danos Lesões, morte e incapacidades. Fonte: Cardella, B. Segurança no Trabalho e Prevenção de Acidentes: abordagem holística

6.3 Função de Segurança

A Função de Segurança de uma empresa é constituída de ações de

controle que visam reduzir a frequência e a intensidade da manifestação

dos riscos, bem como eliminar ou mitigar os impactos dos acidentes com medidas de emergência.

Figura 6.3: Função Segurança

Fonte: Cardella, B. Segurança no Trabalho e Prevenção de Acidentes: abordagem. As falhas podem surgir pelos seguintes motivos:

Falhas por descuidos internos Pessoal: cansaço, preocupação e estresse.

Externos: falta de infraestrutura, falta de sinalização e mau funciona-

mento das máquinas.

Falha técnica por limitação de algum recurso, capacidade ou ha- bilidade

Exemplo: fadiga de material, arranjo físico inadequado, falta de manutenção, limitação cognitiva, falta de habilitação e falta de conhecimento em emergências.

Falhas conscientes

Exemplo: devido a conflito de escolha entre duas alternativas.

6.4 Comportamento Seguro

A modulação de um Comportamento Seguro na empresa, virá a longo prazo, por meio de treinamentos, capacitações, diálogos, dinâmicas práticas que conscientizem os trabalhadores, gestores e diretores de todos os níveis hierárquicos. O papel da Cipa e do Sesmt tornam-se muito importantes para o envolvimento de todos em uma cultura para a segurança. É muito comum ouvir na sociedade que “a segurança só é valorizada quando há acidentes com danos e vítimas; porém, se não ocorrem sinistros todos tendem a relaxar seu comportamento e viver de forma inconsequente frente aos riscos”. Ter a verdadeira consciência de nossas “atitudes e suas consequências” torna-se fundamental para evitarmos acidentes. O ditado popular: “a pessoa colhe

o que planta” é facilmente estendido para “a organização tem o padrão de segurança que implanta”.

O Comportamento Seguro permite às pessoas identificar com antecipação os riscos e de modo consciente adotar as medidas preventivas que evitem os acidentes. Além do mais, o comportamento seguro representa o conhe-

cimento, a obediência e observação das normas e prescrições para o

trabalho, as formas corretas de realizar as operações, de acordo com ma-

nuais técnicos. Assim, evitando-se a improvisação nas soluções de traba-

lho, popularmente conhecida como “gambiarra”, estaremos dentro da faixa

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operacional de segurança. Se todos na organização tiverem comportamen-

tos seguros por princípio de trabalho, cria-se na organização uma “rede de segurança” cujo olhar coletivo corrigirá as possíveis falhas nos controles.

O ideal é que a função de segurança de uma empresa seja concebida e ob- servada por todos. Para isto, investimentos em treinamentos, capacitações, informações, etc. nunca será muito, pois para que haja comportamento se- guro as pessoas necessitam internalizar e vivenciar os conceitos de SST na forma correta de como agir antes dos acidentes, ou seja, na prevenção, como após a ocorrência dos mesmos, nas medidas de emergência e miti- gação das consequências. Segurança e saúde no trabalho torna-se cultura

da empresa, quando esta a observa e pratica com zelo e perseverança. Fa-

lhas ativas ou latentes, que eventualmente existam no processo de produção tendem a ser neutralizadas no decorrer do tempo, a medidas em que todos participam das ações de segurança e saúde no trabalho.

Resumo

Estudamos, nesta aula, o conceito de acidente de trabalho, que prevê a exis- tência de lesão corporal ou perturbação funcional. Outros acidentes sem le- sões ou doenças, igualmente importantes também devem ser analisados pelas empresas. O modelo de espinha de peixe destaca aspectos importantes na análise dos acidentes, tais como a organização, o entorno ambiental, o lado pessoal, e aspectos materiais do sistema produtivo. A função de segurança deve agir sobre os controles que permitam reduzir falhas eventuais existentes e ao mesmo tempo promover o comportamento seguro das pessoas.

Atividades de aprendizagem

Levante informações sobre o lamentável acidente ocorrido recentemente em Santa Maria, na Boate Kiss Acesso em: http://veja.abril.com.br/tema/ tragedia-em-santa-maria. Organize o modelo causal (espinha de peixe) para analisar o acidente, dispondo de forma esquemática os fatores aci- dentários.

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