• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO 3: Acidentes do trabalho em setores de atividade e outros

3.1 Acidentes do trabalho em setores de atividade

3.1.4 Acidentes do trabalho em serviços públicos

Velloso et all (1997) descrevem o processo de trabalho da coleta de lixo domiciliar visto pelo próprio trabalhador. A unidade específica de análise foi o grupo de trabalhadores da Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro – COMLURB, lotados na gerência de limpeza leste, no bairro do Rio comprido. A metodologia utilizada baseou-se na recuperação da Vivência do trabalhador sobre o seu trabalho, acrescida da observação do pesquisador, registrada em vídeo.

Entre os riscos identificados no processo da coleta de lixo, destacam-se: mecânicos (cortes, ferimentos, atropelamentos, quedas graves), ergonômicos (esforço excessivo), biológico (contato com agentes biológicos patogênicos), químicos (substâncias químicas tóxicas) e sociais (falta de treinamento para o serviço).

Queiroz & Oliveira (2003) focalizam numa perspectiva interdisciplinar qualitativa, o problema de acidente de trânsito, muitos deles sendo acidentes de trajeto, a partir da visão de 20 vítimas hospitalizadas. Características sociais do acidentado e as circunstâncias do acidente foram analisadas. Focalizam ainda as representações sociais do acidentado sobre vários temas, como o hospital, as causas do acidente, o trânsito, o trabalho, o sistema de transporte coletivo e individual, a motocicleta e as perspectivas para o futuro.

Os autores concluem que as representações sociais do acidentado sobre o trânsito e o acidente de trânsito estão fortemente relacionadas com as dimensões

comportamentais e culturais dos indivíduos envolvidos. Tais achados sugerem que, em um nível mais abrangente, a solução do problema de acidente de trânsito requer, sobretudo, a implementação de políticas públicas que levem em conta a dimensão cultural e enfatizem programas de educação para o trânsito.

Souza & Minayo (2005) abordam mortes e agravos à saúde dos agentes de segurança pública do Rio de Janeiro, ocorridos em sua jornada ou fora dela. Efetuaram um levantamento de estudos existentes no país sobre vitimização de policiais e realizaram análise de dados primários sobre a morbimortalidade por acidentes e violências que vitimaram as seguintes categorias: Guardas Municipais, Policiais Militares e Civis do Rio de Janeiro, entre 1994 e 2004, usando a categoria causas externas, que inclui acidentes e agressões.

Descrevem e analisam taxas e proporções de morbimortalidade por acidentes e violências, destacando diferenciações internas e o crescimento da vitimização nas três categorias em 2003 e 2004. Agressões e acidentes de trânsito são as principais causas de morte e de lesões. Elevados riscos de morbimortalidade da Polícia Militar são comparados com as duas outras corporações e à população da cidade do Rio de Janeiro e do país.

Diniz et all (2005) demonstram como o estudo das estratégias operatórias contribui para elaborar medidas de prevenção dos acidentes sofridos pelos motociclistas profissionais, conhecidos como “motoboys”. Apresentam uma crítica à concepção do erro humano, hegemônica dentre os especialistas em segurança do trabalho. As medidas de transformação das situações geradoras de acidentes elaboradas com o apoio no estudo das estratégias implementadas pelos sujeitos estudados serviram para elaboração da convenção coletiva de trabalho.

Bacchieri et all (2005) empreenderam um estudo transversal de base populacional realizado em Pelotas – RS, pesquisando os determinantes e padrões de utilização da bicicleta como modo de transporte para o trabalho. Foram descritos os acidentes de trajeto e a utilização de equipamentos de segurança. A amostra incluiu 1.705 trabalhadores com 15 anos ou mais de idade, residentes na zona urbana, que utilizaram modos de transporte para o trabalho.

Análises bruta e ajustadas foram realizadas por meio de regressão de

Poisson, considerando o efeito do delineamento. A prevalência de utilização de

bicicleta foi de 17,2%. Trabalhadores homens, com baixa escolaridade e nível econômico mais baixo apresentam as maiores prevalências. Menos de 1,0% das

bicicletas possuíam os equipamentos de segurança exigidos pelo Código de Trânsito e 15,0% não tinham freios. Aproximadamente 6,0% dos trabalhadores sofreram acidentes de trânsito com lesões corporais nos últimos 12 meses.

Veronese & Oliveira (2006) realizaram pesquisa qualitativa na cidade de Porto Alegre – RS com o objetivo de explorar o fenômeno risco do acidente de trânsito na perspectiva de moto-boys. O estudo foi embasado nas teorias sociológicas sobre risco, em especial as que enfatizam o caráter sociocultural dos seus significados. Segundo os moto-boys, os riscos do acidente de trânsito são inerentes ao cotidiano do trabalho e produzidos por interesses pessoas e sociais, no sentido das por dinheiro, velocidade e urgência. Os acidentes de transito envolvendo moto-boys são acidentes de trabalho e, portanto, as ações de promoção da saúde que investem na sua prevenção precisam extrapolar o grupo de indivíduos que pilotam os motociclistas, sendo dirigidas também a clientes e patrões de serviço de tele entrega.

Oliveira & Pinheiro (2007) empreenderam estudo objetivando identificar condições relacionadas a acidentes de trânsito envolvendo motoristas do transporte coletivo. Participaram 457 motoristas, todos do sexo masculino e empregados de companhias de ônibus de Natal, RN. As variáveis mais bem associadas ao envolvimento em acidentes foram: horas extras, trabalho em férias, emissão de atestados médicos, reclamações de passageiros, sonolência diurna excessiva e preocupação com: sono, dirigir atrasado e problemas familiares. A perspectiva temporal de presente não mostrou relação com envolvimento em acidentes. Conclui- se que o envolvimento de motorista de ônibus em acidentes de trânsito pode ser evitado, ou ao menos diminuído, por meio de melhoria daquelas condições de trabalho e de políticas públicas de saúde e segurança pública.

Silva et all (2008) analisaram o perfil de motoboys, sua atuação profissional e fatores associados à ocorrência de acidentes de trânsito no município de Londrina – PR, verificando, entre outros fatores, associações de alguns comportamentos no trânsito, bem como de características do exercício profissional de motoboys, com a ocorrência de acidentes do trânsito envolvendo esses profissionais durante seu trabalho, nos últimos doze meses.

Na análise multivariada, os fatores independentemente associados – de forma direta – ao relato da ocorrência de acidentes de trânsito durante o trabalho foram: a idade dos motoboys; a adoção de velocidades acima de 80 km/h nas avenidas do município; e a alternância de turnos de trabalho.

Melo (2014) explorou possíveis associações entre as condições de trabalho e saúde, perfil demográfico e socioeconômico e acidentes de trabalho em profissionais da Intervenção do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Salvador – BA, em estudo transversal de caráter exploratório, com o uso de análise de regressão logística separadamente por sexo.

Os resultados indicaram que na análise por regressão logística do sexo feminino, para cada ano de trabalho no SAMU correspondeu um aumento de 12% na prevalência de acidentados, após controle dos outros fatores analisados, os quais se evidenciaram como fatores de proteção.

Já no sexo masculino, os trabalhadores com pós-graduação apresentaram prevalência de acidentes do trabalho 3,6 vezes superior à dos demais; trabalhadores de motolância tiveram prevalência 2,8 maior que os outros; comparados com os trabalhadores de baixa exigência os restantes tiveram prevalência 2,9 maior; e trabalhadores com conflito entre colegas 1,5 vezes maior que os outros.

A prática de atividade física e a existência de suporte entre colegas funcionaram como fatores de proteção para ambos os sexos. Os resultados mostram a importância do suporte social como fator primordial e até então não abordado em outros estudos da revisão de literatura apontada.

Santos et all (2016) empreenderam estudo objetivando avaliar o aspecto de segurança do trabalho, relacionando a análise quantitativa, temporal e espacial em rodovias, em pesquisa documental, com base em banco de dados do Ministério dos Transportes e da Previdência Social.

Os resultados indicaram que a região nordeste do país foi a região que obteve o maior crescimento da extensão de rodovias e a que apresenta a maior densidade de malha rodoviária. Em relação ao índice de acidentes de trabalho, essa região obteve a maior média, seguida da região norte, centro-oeste, sudeste e sul. A segurança do trabalho de construção de rodovias apresentou um quadro tão preocupante quanto os estudos de segurança do trabalho na construção civil de uma maneira geral. Recomenda-se a esses trabalhadores o apontamento dos riscos nas obras para um comportamento mais seguro. A instrução dos trabalhadores deveria ser um importante componente do processo de execução de trabalho.

Coutinho et all (2016) realizaram estudo objetivando identificar fatores que influenciam a severidade dos acidentes com motocicletas nas vias urbanas de Fortaleza com a utilização dos modelos ordenados do tipo probit e logit,

desenvolvendo modelos ordenados categóricos utilizando uma amostra com 3.232 observações de acidentes de trânsito de 2004 a 2011. A severidade resultante dos acidentes de trânsito foi classificada em quatro categorias.

Os resultados da calibração dos modelos indicaram que motociclistas que utilizam capacete e pilotam durante o dia têm menor risco de sofrer lesos mais graves. De outra forma, motociclistas mais velhos e que sofreram acidente ocorrido em finais de semana apresentaram um maior risco de lesões mais graves.

Sousa et all (2016) abordam a temática dos acidentes de trânsito envolvendo ciclistas atendidos nas capitais brasileiras, bem como os fatores que colaboram ou evitam essa ocorrência. Utilizou-se amostragem complexa e posterior análise de dados por regressão logística multivariada e cálculo das respectivas razões de chance para estudar o Inquérito de Delineamento Transversal, o qual compõe o Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes do Ministério da Saúde.

As razões de chance apontaram maiores chances de ocorrência de acidentes envolvendo ciclistas em indivíduos do século masculino, de menor escolaridade e que residem em área urbana e periurbana. Pessoas que não estavam utilizando a bicicleta para ir ao trabalho apresentaram maior chance de acidente.