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CAPÍTULO 4: Procedimentos Metodológicos

4.1 Modelos de regressão com dados em painel

4.1.7 Unidades de medida e fonte das informações

4.1.7.1 Variáveis do modelo e expectativa de sinal

Os acidentes de trabalho são fenômenos complexos e socialmente determinados, sugestivos da intensa exploração a que é submetida boa parte dos trabalhadores. Os fatores que os determinam são de natureza extremamente diversa, dependendo da forma como o problema da acidentabilidade do trabalho está sendo abordada, do tipo de pesquisa que está sem empreendida, do tipo de método e da metodologia que está sendo utilizada, do período de análise, da disponibilidade de informações estatísticas, entre outros fatores. A revisão bibliográfica, desenvolvida nos capítulos 2 e 3, procurou destacar na literatura atinente ao tema as principais variáveis destacadas nos vários estudos analisados, variáveis estas que estão destacadas e sumarizadas nos quadros 2 e 3. Cumprida esta etapa e levando-se em consideração cada um dos modelos de análise de regressão aqui propostos são apresentados na tabela 23 as variáveis utilizadas em cada um dos modelos e as

expectativas do sinal ou resultado esperado em relação à cada uma delas, antes de procedermos à realização do estudo empírico propriamente dito.

Tabela 22: Variáveis do modelo e expectativa de sinal para o modelo de regressão. Código Variável ou

fator

Expectativa do sinal/resultado

TD Taxa de

Desemprego

(+) pode ser usada como uma proxy de um indicador de uma crise econômica (Futema 2004) aliado ao fato de que por ser um dos fatores dos trabalhadores serem resilientes e ficarem à mercê dos perigos que os rondam a todo instante (Navarro, 2015). Uma redução na taxa de desemprego também pode estar relacionada à um estímulo ao aumento na Taxa de Rotatividade da mão-de-obra, afetando também a ocorrência de acidentes, dada a falta de treinamento para o serviço (Veloso, 1997, Santos, 2000).

GA Grau de

Abertura

(+) pode ser usada como uma proxy para o aumento da concorrência na economia, aumentando internamente à firma a pressão à que estão submetidos os trabalhadores, (Futema 2004) pressão essa também influenciada pela taxa de desemprego no mercado de trabalho (Navarro, 2015).

PIB/HAB PIB per capita (+) ou (-) tomado como um indicador das características socioeconômicas do país (Lima, 1999) do grau de desenvolvimento econômico e industrial da região (Otani, 2005). Um aumento no grau de desenvolvimento pode causar redução da acidentabilidade e uma redução neste indicador pode causar aumento da acidentabilidade (Handar, 2007).

PIBVAR Produto Interno Bruto a preços de mercado % variação real anual

(+) ou (-) pode ser usada como uma proxy de um indicador do nível de atividade e de uma crise econômica ou de incerteza política (Futema 2004).

EMP N° de vínculos formais.

(+) quanto maior o número de vínculos formais de emprego maior o número de trabalhadores expostos ao risco do trabalho (Marinho, 2005), associado também às características próprias do trabalho realizado nas empresas (Sêcco, 2002) e em atividades de maior grau de risco (Miranda et all 2012).

DR Desigualdade de Renda

(+) ou (-) tomado como um indicador das características socioeconômicas do país (Lima, 1999) do grau de desenvolvimento econômico e industrial da região (Otani, 2005). Um aumento no grau de desenvolvimento pode causar redução da acidentabilidade e uma redução neste indicador pode causar aumento da acidentabilidade (Handar, 2007).

FISC Número de Auditores Fiscais do Trabalho

(+) ou (-) dadas as limitações observadas na prática sindical para interferir nas situações geradoras de acidentes e as deficiências das instâncias responsáveis pela inspeção e vigilância dos ambientes de trabalho (Mangas, 2003). Em princípio, quanto maior o tamanho do aparato fiscalizador

menor a acidentabilidade ou vice versa. Nos ambientes onde há um público com ausência ou pouca vinculação sindical (Bortoleto et all, 2011) e insuficiente organização dos trabalhadores e mais precária for o aparato regulador e fiscalizador do Estado maior a acidentabiidade (Pignati & Machado, 2005), (Marinho, 2005), Handar (2007), com a aplicação de multas, Navarro (2015), Ribeiro, et all (2015) e Melo et all (2016).

TST Número de

Técnicos de Segurança do Trabalho

(-) maior atenção ao cumprimento da Legislação Trabalhista, com a contratação de Técnicos de Segurança no Trabalho. Em princípio, quanto mais profissionais desse tipo no ambiente de trabalho melhor a avaliação dos riscos ambientais e informações necessárias para evitar atitudes e condições inseguras (Debiasi, 2004) e exposição aos riscos (Reichle, 2007).

FAP Vigência do

FAP

(-) espera-se um sinal negativo, indicando uma mudança estrutural no comportamento da variável dependente após a entrada em vigor do Fator Acidentário de Prevenção.

TR Taxa de

Rotatividade

(+) maior taxa de rotatividade associada a falta de treinamento na função (Sêcco, 2002) e treinamento contínuo dos profissionais (Almeida 2005). Precariedade das condições e relações de trabalho (Lima, 2005) causando falta de qualificação e formação dos trabalhadores (Moreira, 2005). Falta de treinamento no ambiente de trabalho (Nagai et all, 2007), para a capacitação para o trabalho (Melo et all, 2016) principalmente nos setores que apresentam estágios mais avançados de precarização do trabalho (Takahashi et all, 2012).

Sexo Sexo do trabalhador

(+) pelo fato de haver mais homens inseridos no mercado de trabalho, exercendo ocupações “tipicamente” masculinas associadas à atividades econômicas mais perigosas.

(-) Maior atenção pelo trabalhador do sexo feminino no trabalho; fragilidade para certas atividades que oferecem riscos ambientais (Leal, 2009).

Esc Escolaridade (-) ou (+) dado o baixo nível de instrução do trabalhador (Santos, 2000; Montagner, 2001) a baixa qualificação da mão-de-obra (Lima, 2005; Moreira, 2005; Sthepan, 2008; Martins, 2009; Leal, 2009; Batista, 2010; Bortoleto, et all 2011; Scusssiato, et all 2013 e Sousa et all, 2016). Quanto maior o grau de instrução maior é a possibilidade de gerar externalidades positivas, aumento do conhecimento específico, o indivíduo se especializa em uma determinada atividade desenvolvendo seu trabalho com mais cuidado. Trabalho menos especializado, maior exposição ocupacional (Leal, 2009).

Idade Faixa etária do trabalhador: Jovem; Maduro e Idoso

(+) dada a maior incidência entre os maiores de 44 anos (Waldvoegel & Silva, 2000 e Montagner, 2001) classificados no modelo como “idosos” e predominância de ocorrência entre adultos jovens

(Pepe, 2005; Moreira & Magalhães, 2012 e Scussiato, et all (2013) e também entre os adultos maduros (Barbosa, et all (2004) e Waldvogel, et all 2011). Aumento do número de jovens e de idosos no mercado de trabalho (Moreira, 2005).

Idade média Idade em anos (-) ou (+), afetando de forma inversa ou diretamente a variável dependente, dado que com o aumento da idade o trabalhador ganha experiência, trabalhando com eficiência; com a maior idade as pessoas constituem família, tornando-se mais conservadores em suas atividades e menos propensas ao risco ambiental, usando técnicas de proteção individual; com a chegada da idade ocorre a depreciação do capital humano (conhecimento geral e específico), sendo que esses trabalhadores, ocupando cargos de chefia, oferecem menos risco ambiental; e de forma análoga, pode-se imaginar que os jovens, no início de suas carreiras, dispõem de pouca capacidade funcional, tendendo a um aumento na exposição ao risco ambiental e influenciando de forma indireta a variável dependente (Stehan, 2008 e Leal, 2009). Quanto maior a idade média do trabalhador, maior a probabilidade de doenças ocupacionais (Scharzer, 2007), associada também ao setor econômico (Fernandes, 2015). Renda Remuneração Média do Segurado em Salários Mínimos

(-) em função de salários insuficientes, associados a sobrecarga de serviço e situação ocupacional insatisfatória (Ruiz, 2004) com baixa remuneração pelo trabalho (Lima, 2005), com menores salários e menor poder decisório (Bortoleto, 2011).

JT (Jornada de Trabalho) Quantidade de horas contratuais por semana do segurado (valores médios)

(+) com a continuidade da jornada de trabalho (Koifman, et all 1993 e Barbosa, et all (2004)), relacionada à organização do trabalho em turnos e à intensificação do seu ritmo através de máquinas (Scopinho, et all 1999) em jornadas de trabalho mais longas (Montagner, 2001) ou dupla jornada de trabalho (Sêcco, 2002), adoção do pagamento por produção (Alves, 2006) e a intensificação com o trabalho realizado (Fellberg, et all (2001(a)).

(-) ou (+) quanto maior a jornada de trabalho maior é o grau de fadiga do trabalhador; nível de estresse elevado; maior exposição a riscos ambientais devido à jornada de trabalho. De forma análoga, menor grau de fadiga e maior controle dos riscos ocupacionais provocam efeito negativo da variável dependente.

Tamanho do estabelecimento Micro; Pequeno; Médio e Grande

(+) ou (-) pois as médias, pequenas e microempresas são as menos privilegiadas em Segurança no Trabalho dado, por exemplo, pela não obrigatoriedade da CIPA ou SESMST. O coeficiente de acidentalidade estaria relacionado de forma inversamente proporcional ao porte do estabelecimento (Sampaio, et all 1998, Caixeta & Barbosa-Branco, 2005 e Moreira & Magalhães 2012. A razão de chance da ocorrência de acidentes do trabalho seria maior quanto menor o tamanho do

estabelecimento. (+) afetando de forma direta a variável dependente, possivelmente relacionado à redução dos gastos com equipamentos de proteção nas empresas de menor porte, de forma a preservar a maximização do lucro; um maior poder de coerção sobre os trabalhadores envolvidos no processo produtivo aliado ao fato das mesmas estarem inseridas em mercados competitivos. O aumento no tamanho do estabelecimento aumentaria a proteção.