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Capítulo 2 – Estágio em Farmácia Comunitária

8. Aconselhamento e dispensa de outros produtos de saúde

8.1.Produtos de dermofarmácia, cosmética e higiene

Segundo o Decreto-Lei n.º 113/2010 de 21 de outubro38, um produto cosmético é “qualquer substância ou mistura destinada a ser posta em contacto com as diversas partes superficiais do corpo humano, designadamente epiderme, sistemas piloso e capilar, unhas, lábios e órgãos genitais externos, ou com os dentes e as mucosas bucais, com a finalidade de, exclusiva ou principalmente, os limpar, perfumar, modificar o seu aspeto, proteger, manter em bom estado ou de corrigir os odores corporais”.

Apesar de estes produtos serem de venda livre, é fundamental que seja transmitida toda a informação útil (Por exemplo: modo de aplicação, duração do tratamento, possíveis reações adversas, cuidados a ter, etc.) no ato da venda, para que o utente use o produto de forma correta e racional. Além disso, o farmacêutico ou técnico deve ter a sensibilidade para avaliar se determinada situação necessita de intervenção ou referenciação médica.

A FTTR conta com uma vasta gama de produtos cosméticos que se encontram organizados nos lineares mais próximos da entrada da farmácia, por marcas e gamas. Algumas das marcas presentes são: A-Derma®, Helan®, Martiderm®, Bioderma®, Uriage®, Avéne®, Filorga®, Ducray®, SVR®, Klorane® e René®, entre outras.

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Relativamente à higiene oral, como foi referido anteriormente, a FTTR dispõe de uma secção dedicada apenas a esses produtos, onde constam produtos como: elixires, pastas dentífricas, pastas para a fixação de próteses, escovas de limpeza, produtos destinados ao tratamento de aftas, entre outros. Algumas das marcas disponíveis são a Elgydium®, Paradontax®, Elugel® e Bexident®, entre outras.

Por fim, a FTTR possui bastante oferta de produtos de higiene íntima, contando com produtos como geles para higiene íntima diária, geles hidratantes íntimos, soluções antissépticas, entre outros. As marcas que normalmente têm mais saídas são a Helan®, a Lactacyd® e a Saugella®.

Durante o meu estágio pude observar e realizar vários aconselhamentos para situações que envolviam estes produtos, e rapidamente me apercebi da necessidade de haver um aconselhamento por parte do farmacêutico ou técnico. Outro aspeto importante é a necessidade de toda a equipa estar familiarizada com as gamas disponíveis na farmácia, de modo a conseguir oferecer o melhor aconselhamento possível ao utente.

8.2.Produtos para alimentação especial e dietéticos

Segundo o Decreto-Lei n.º 2016/2008 de 11 de novembro39, os alimentos dietéticos destinados a fins medicinais específicos são “uma categoria de géneros alimentícios destinados a uma alimentação especial, sujeitos a processamento ou formulação especial, com vista a satisfazer as necessidades nutricionais de pacientes e para consumo sob supervisão médica, destinando-se à alimentação exclusiva ou parcial de pacientes com capacidade limitada, diminuída ou alterada para ingerir, digerir, absorver, metabolizar ou excretar géneros alimentícios correntes ou alguns dos nutrientes neles contidos ou seus metabólicos, ou cujo estado de saúde determina necessidades nutricionais particulares que não géneros alimentícios destinados a uma alimentação especial ou por uma combinação de ambos”.

De acordo com Decreto-Lei n.º 74/2010 de 21 de junho40, os produtos para alimentação especial são “géneros alimentícios que, devido à sua composição especial ou a processos especiais de fabrico, se distinguem claramente dos alimentos de consumo corrente, são adequados ao objetivo nutricional pretendido e comercializados com a indicação de que correspondem a esse objetivo”.

Os produtos dietéticos para alimentação especial são geralmente aconselhados para crianças, pessoas em recuperação, pessoas com alergias alimentares ou doenças graves, idosos com

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doenças crónicas, entre outros. Estes produtos suplementam ou substituem a dieta na totalidade, com o intuito de assegurar o fornecimento dos nutrientes essenciais e possibilitar a recuperação e, nalguns casos a sobrevivência, dos doentes.

A FTTR conta com vários produtos destinados a este tipo de situações, como por exemplo, produtos hiperproteicos de baixo índice glicémico, produtos hipercalóricos, produtos hiperproteicos e hipercalóricos, produtos para facilitar a mastigação/deglutição, entre outros.

Neste caso, a farmácia conta com marcas como a Fresenius® e a Nestlé®, entre outras.

Durante o meu estágio tive a oportunidade de assistir a formações da Danone®, Nestlé® e Fresubin® sobre estes produtos, o que se verificou bastante útil, uma vez que me permitiu conhecer melhor as diferentes gamas e perceber as diferenças entre elas, bem como as diferenças entre cada produto inserido na mesma gama. Assim, consegui ampliar o meu conhecimento, o que me permitiu melhorar a qualidade do meu aconselhamento acerca destes produtos e das situações em que são usados.

8.3.Produtos dietéticos infantis

O leite materno é um alimento vivo, completo e natural, e que possui várias vantagens, quer a curto, quer a longo prazo; e tanto para o bebé, como para a mãe. Assim, existe um consenso mundial de que a prática do aleitamento materno de forma exclusiva é a melhor maneira de alimentar as crianças até aos 6 meses de vida.41 No entanto, por uma razão ou por outra, como por exemplo quando o leite materno é insuficiente ou quando a amamentação é rejeitada pelo bebé, isto nem sempre é possível. Por este motivo, existem no mercado produtos dietéticos infantis adaptados às necessidades dos bebés.

Neste âmbito, a FTTR conta com vários produtos dietéticos infantis, maioritariamente leites. Estes devem ser escolhidos de acordo com a idade do bebé: 0 a 6 meses; 6 meses a 1 ano e 1 ano a 3 anos. Dentro das várias marcas existem fórmulas indicadas às necessidades de cada bebé, nomeadamente: leites para bebés prematuros, hipoalergénicos, anti regurgitantes, sem lactose, anti obstipantes, entre outros. Além dos leites, a FTTR possui ainda farinhas lácteas e não lácteas, suplementos alimentares para bebés, pacotinhos de fruta, entre outros produtos. As principais marcas disponíveis na FTTR são a Nestlé®, a Aptamil® e a Novalac®.

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8.4.Fitoterapia e suplementos nutricionais (nutracêuticos)

Segundo o Decreto-Lei n.º 176/2006 de 30 de agosto17, alterado pelo Decreto-Lei n.º 112/2019 de 16 de agosto42, um medicamento à base de plantas é “qualquer medicamento que tenha exclusivamente como substâncias ativas uma ou mais substâncias derivadas de plantas, uma ou mais preparações à base de plantas ou uma ou mais substâncias derivadas de plantas em associação com uma ou mais preparações à base de plantas”.

De acordo com o artigo 3º do Decreto-Lei n.º 136/2003 de 28 de junho43, alterado pelo Decreto-lei n.º 296/2007 de 22 de agosto44 e pelo Decreto-Lei n.º 118/2015 de 23 de junho45, os suplementos alimentares são “os géneros alimentícios que se destinam a complementar e ou suplementar o regime alimentar normal e que constituem fontes concentradas de determinadas substâncias nutrientes ou outras com efeito nutricional ou fisiológico, estremes ou combinadas, comercializadas em forma doseada, tais como cápsulas, pastilhas, comprimidos, pílulas e outras formas semelhantes, saquetas de pó, ampolas de líquido, frascos com conta-gotas e outras formas similares de líquidos ou pós que se destinam a ser tomados em unidades medidas de quantidade reduzida”.

Apesar destes produtos serem de venda livre, se não forem utilizados de forma correta e racional, também podem originar riscos para a saúde do utente. Assim, é importante que o farmacêutico ou técnico faça um bom aconselhamento, tendo em conta a medicação que o utente toma, as necessidades de cada utente, a composição de cada produto e as suas principais indicações terapêuticas. Além disso, também é importante que o farmacêutico ou técnico forneça as informações que ache importantes para garantir um uso correto e racional do produto, como por exemplo: o modo de administração, posologia, duração do tratamento, precauções, interações e possíveis reações adversas.

Durante o meu estágio tive, por várias vezes, a oportunidade de aconselhar e dispensar medicamentos à base de plantas e suplementos alimentares para diversas situações, entre elas: melhorar a qualidade do sono, melhorar a capacidade cognitiva e/ou concentração, atenuar a fadiga física e/ou mental e tratar infeções urinárias.

8.5.Produtos e medicamentos de uso veterinário

Segundo o artigo 3º do Decreto-Lei n.º 314/2009, de 28 de outubro46, um medicamento veterinário é “toda a substância, ou associação de substâncias, apresentada como possuindo propriedades curativas ou preventivas de doenças em animais ou dos seus

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sintomas, ou que possa ser utilizada ou administrada no animal com vista a estabelecer um diagnóstico médico-veterinário ou, exercendo uma ação farmacológica, imunológica ou metabólica, a restaurar, corrigir ou modificar funções fisiológicas”.

Os medicamentos de uso veterinário são extremamente importantes para a saúde e bem-estar dos animais. Por isso, a FTTR dispõe, como foi referido anteriormente, de uma secção inteiramente dedicada a produtos veterinários. No meu estágio, os produtos mais comumente solicitados foram as pílulas contracetivas e os desparasitantes internos e externos. No aconselhamento destes produtos, o farmacêutico ou técnico deve começar por inquirir sobre o tipo e porte do animal, bem como a idade e peso do mesmo; sendo que posteriormente deve explicar de forma simples e clara o modo de administração, posologia, duração do tratamento e cuidados a ter. Além disso, o farmacêutico ou técnico deve alertar o utente para a importância da vacinação e desparasitação frequente dos animais.

Por fim, é de extrema importância que o farmacêutico ou técnico tenha o discernimento para identificar as situações que precisam de referenciação para uma consulta veterinária.

8.6.Dispositivos médicos

De acordo com o artigo 3º do Decreto-Lei n.º 145/2009, de 17 de junho47, um dispositivo médico é “qualquer instrumento, aparelho, equipamento, software, material ou artigo utilizado isoladamente ou em combinação, incluindo o software destinado pelo seu fabricante a ser utilizado especificamente para fins de diagnóstico ou terapêuticos e que seja necessário para o bom funcionamento do dispositivo médico, cujo principal efeito pretendido no corpo humano não seja alcançado por meios farmacológicos, imunológicos ou metabólicos, embora a sua função possa ser apoiada por esses meios, destinado pelo fabricante a ser utilizado em seres humanos para fins de:

i) Diagnóstico, prevenção, controlo, tratamento ou atenuação de uma doença;

ii) Diagnóstico, controlo, tratamento, atenuação ou compensação de uma lesão ou de uma deficiência;

iii) Estudo, substituição ou alteração da anatomia ou de um processo fisiológico;

iv) Controlo da conceção.”

Os dispositivos médicos encontram-se divididos em 4 classes distintas (I, IIa, IIb e III), tendo em conta a duração do contacto com o corpo humano, invasibilidade no corpo

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humano, anatomia afetada pela utilização, potenciais riscos inerentes à utilização do dispositivo e os possíveis incidentes relacionados com as características e/ou funcionamento do dispositivo.48

Dentro dessas 4 classes existem vários exemplos de produtos48:

• Classe I (baixo risco): sacos coletores de urina, meias de compressão, canadianas, pensos oculares, seringas sem agulha, ligaduras;

• Classe IIa (baixo médio risco): compressas de gaze hidrófila esterilizadas ou não esterilizadas, cateteres urinários, medidores de tensão com fonte de energia associada, lancetas;

• Classe IIb (alto médio risco): material de penso para feridas ulceradas extensas e crónicas, canetas de insulina, preservativos masculinos, soluções de conforto para portadores de lentes de contacto;

• Classe IV (alto risco): preservativos com espermicida, pensos com medicamentos, dispositivos intrauterinos que não libertem progestagénios.

Além das classes referidas, destacam-se ainda os dispositivos para diagnóstico in vitro, como é o caso de testes de gravidez, equipamento para medição de glicemia e recipientes para recolha de amostras para análise.48

9. Medicamentos manipulados e preparações