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Adaptação do MDC ao cenário educacional superior brasileiro

2. Fundamentação Teórica

2.4.2. Adaptação do MDC ao cenário educacional superior brasileiro

Devido a sua implantação como uma prática de intervenção pedagógica no contexto de sala de aula brasileiro de uma universidade pública - diferenciando da sua proposta inicial – coube a essa nova investida se adequar às necessidades específicas do mesmo, visto que o MDC era, até então, utilizado em torneio entre escolas o que o fazia acatar a outros critérios de sistematização. Tal empreitada teve o objetivo de, através de conteúdos curriculares comuns de uma disciplina de psicologia, propiciar aos alunos uma reflexão básica sobre a argumentação e seu papel no desenvolvimento do pensar crítico, além de oportunizá-los com a prática da argumentação nos diferentes debates realizados durante os ciclos temáticos vivenciados na disciplina (Ramírez, 2012).

Na adaptação do MDC ao uso em sala de aula, dois pontos essenciais foram levados em consideração. O primeiro, que o ensino-aprendizagem de conteúdos curriculares fosse assegurado ao longo da disciplina, como também, o desenvolvimento de competências argumentativas, obedecendo a objetivos antecipadamente especificados. Para tanto, foram tomados os textos e os conteúdos curriculares da disciplina, na qual o MDC foi implantado, como referência para promoção dos debates. O segundo ponto devia repetir a um conjunto de alterações d modelo original de modo a ajustá-lo ao novo contexto de uso (sala de aula). As mudanças estabelecidas foram encaradas como uma consequência natural já que diferentes posicionamentos, diante de uma nova realidade, seriam assumidos Leitão (2012).

A tabela abaixo sumaria diferenças básicas na aplicação do debate crítico aos dois contextos.

Quadro 1

Tabela: Proposta de implantação do Modelo de Debate Crítico Nota: Tabela extraída de Leitão (2012)

Resguardando as notas descritas acima, quanto à implantação do debate crítico em diferentes contextos, a disciplina foi dividida em seis ciclos temáticos, constituídos por, aproximadamente, quatro a seis aulas cada ciclo, com duraçãode 1h40m.

A figura abaixo sintetiza a dinâmica estabelecida a cada ciclo.

Figura 3: Ciclo metodológico da disciplina. Nota: Figura extraída de Ramírez (2012, p.41)

Na primeira aula de cada ciclo um tópico curricular era introduzido pela professora – em substituição à bancada investigativa – buscando introduzir diferentes

opiniões sobre o tópico suscitado, e indicando leituras previamente estabelecidas seguidas ou não de um exercício.

Na aula seguinte, aula dois, há uma retomada do conteúdo curricular já definido na aula anterior somando a estes conceitos da argumentação, sendo marcada como momento especialmente dedicado ao preparo do debate, sempre com base nos textos definidos para a disciplina.

A terceira aula foi dedicada ao debate propriamente dito, nos moldes referentes pelo Modelo de Debate Crítico (com adaptações), seguido de uma avaliação reflexiva acerca dos argumentos proferidos durante o mesmo.

O fechamento, aula quatro, se encerra com uma aula em que a professora – neutra durante o debate – retoma as discussões acerca do que foi proferido durante

as fases anteriores do ciclo quanto ao conteúdo curricular, como também, às noções de argumentação que foram inseridas naquele determinado ciclo (Leitão, 2012; Ramírez, 2012; Souza (2013).

Tal configuração permite a participação de todos os alunos assumindo diferentes papéis nas distintas fases dos ciclos, ora como juízes, ora como debatedores, ora plateia, pois, os mesmos não possuem uma participação fixa. Dessa forma, busca-se garantir, progressivamente, o desenvolvimento das competências argumentativas, como também, o desenvolvimento dos alunos nos debates.

Para obtenção de uma nota ao final do semestre os alunos são solicitados a compor, no terceiro e sexto ciclo, um ensaio relativo ao que foi discutido de acordo com as noções de composição explicitadas para confecção do gênero requerido. Tal pedido faz parte de um dos critérios de avaliação solicitada pela universidade onde o

MDC foi implantado. A produção dos ensaios, pelos alunos, gerou o banco de dados utilizado como análise nessa dissertação. O capítulo seguinte apresentará o método utilizado para análise desse corpus.

Somando ao que foi falado sobre o ciclo metodológico da disciplina, e como parte dos ciclos três e seis, era solicitado que os alunos escrevessem ensaios para composição de suas notas, conforme regra exigida pela instituição.

Para composição dos ensaios – foco de nosso interesse - foram enfatizados que os alunos produzissem seus textos, de acordo tópicos trabalhados durante a disciplina indicando nos mesmos um número mínimo de três argumentos e três contra- argumentos. Para tanto, era enfatizado que os alunos ao produzirem os argumentos não os construíssem em forma de listas ao longo de suas produções, mas, sim, mantivessem uma relação entre os argumentos e contra-argumentos, como forma de garantir uma relação dialógica ao longo de suas produções. Houve também um acompanhamento, junto aos monitores da disciplina, na tentativa de sanar as dúvidas que surgiam para confecção do gênero. Os textos escolhidos para produção dos ensaios e seus respectivos impasses eram apresentados no ciclo dois para ser entregue e discutido no ciclo três e, respectivamente, no ciclo cinco para ser entregue e discutido no ciclo seis.

Após a confecção do primeiro ensaio os alunos foram convidados a reler a correção de seus textos e, caso quisessem, o reescrever. A oportunidade de reescrita acabou trazendo uma nova oportunidade dos alunos desenvolverem sua habilidade argumentativa escrita por meio de uma tomada de consciência metatextual6. Antes da produção do segundo ensaio os alunos fizeram leitura dos ensaios dos colegas como forma de direcionar um novo olhar nas suas produções. Foi enfatizado o uso de

6 O termo consciência metatextual refere-se às práticas nas quais os indivíduos tomam o texto como

conectores e operadores argumentativos e quais suas finalidades na confecção de um texto argumentativo. Por último, foi entregue uma ficha de correção (ver anexos) aos alunos para que os mesmos se detessem aos critérios que estavam sendo avaliados.

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