2.3 ADMINISTRAÇÕES HIDROVIÁRIAS BRASILEIRAS
2.3.7 ADMINISTRAÇÃO DA HIDROVIA DO PARANÁ - AHRANA
Histórico
Os projetos de melhoria dos rios da bacia hidrográfica do rio Paraná para a
produção de energia elétrica e a exploração do transporte fluvial remontam à década
de 50, por ação da extinta CIBPU - Comissão Interestadual da Bacia do
Paraná-Uruguai. Já naquela época, os administradores públicos valeram-se dos melhores
conceitos de usos múltiplos das águas e de racionalização de recursos, como
propõe a atual legislação sobre o assunto. A Comissão formada pelos governadores
dos estados que se situam na bacia dos rios Paraná e Uruguai (São Paulo, Minas
Gerais, Goiás, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul),
estabelecia como prioridade, o desenvolvimento e a interiorização da economia
regional baseado em dois aspectos importantes: energia e transporte baratos, que
adviriam do aproveitamento múltiplo do recurso hídrico abundante da bacia.
Durante todo esse tempo, mesmo com as alterações institucionais e reformas
administrativas por que passaram as administrações públicas, ficou preservado o
conceito original da exploração de usos múltiplos das águas para os rios Tietê e
Paraná. Lamentavelmente o mesmo não ocorreu em outros rios importantes da
bacia, como os próprios formadores do rio Paraná, os rios Grande e Paranaíba, e
outros afluentes importantes, como o Iguaçu e o Paranapanema. Para estes últimos
rios, lamentavelmente o aproveitamento pela navegação foi desconsiderado quando
da construção de empreendimentos de produção de energia hidrelétrica. Não foram
implantadas, simultaneamente com as barragens que criaram os grandes
reservatórios pra garantir a geração de energia, as necessárias obras de
transposição das barragens (eclusas, por exemplo), para contribuir com a
preservação e a continuidade da navegação nos principais rios da bacia.
Historicamente, somando-se ao grande esforço do estado de São Paulo na
implantação dos empreendimentos de uso múltiplo no rio Tietê e parte do rio
Paraná, a União também participou e contribuiu, inclusive, com a alocação de
recursos federais: na década de 60 e meados da década de 70, com convênios de
cooperação através do extinto DNPVN - Departamento Nacional de Portos e Vias
Navegáveis, com a criação inclusive de uma comissão mista, a CENAT - Comissão
Executiva para a Navegação do Tietê-Paraná, que atuou nas obras de Barra Bonita,
Bariri, Ibitinga, Promissão, no rio Tietê, e de Jupiá, no rio Paraná.
A navegação dos rios Tietê e Paraná tomou novo impulso, a partir do início da
década de 80, quando o governo federal, através da Empresa de Portos do Brasil
S/A - PORTOBRÁS, hoje extinta, e o governo do Estado de São Paulo, através da
CESP - Companhia Energética de São Paulo, em conjunto, retomaram a construção
dos últimos aproveitamentos de geração de energia e de navegação na interligação
desses rios. Esses empreendimentos foram as barragens e eclusas de Nova
Avanhandava e Três Irmãos, no rio Tietê e o Canal Pereira Barreto que interliga os
reservatórios de Três Irmãos e o existente reservatório de Ilha Solteira no rio
Paraná. A partir de 1992, com o término do enchimento do reservatório de Três
Irmãos no rio Tietê, concluiu-se o processo de integração das hidrovias do rio Tietê e
do rio Paraná, com a navegação utilizando-se do canal artificial de Pereira Barreto,
que interliga os reservatórios de Três Irmãos e o reservatório de Ilha Solteira.
Em janeiro de 1998, com a inauguração da eclusa de Jupiá, cuja finalização só
foi concluída muitos anos depois do enchimento do reservatório desta barragem de
geração de energia, é que se tornou possível a interligação pela navegação dos rios
Tietê e Paraná, como vislumbraram os governantes da década de 50.
A situação atual
Os empreendimentos do Canal Pereira Barreto e da Usina de Três Irmãos,
projetados no final da década de 70 e com a construção iniciada na década de 80,
foram concebidos como empreendimentos de uso múltiplo, geração de energia e
navegação, com características próprias e particulares. No passado, esses
empreendimentos foram considerados integrados aos demais aproveitamentos
existentes no rio Paraná, Jupiá e Ilha Solteira, tendo sido denominado esse
agrupamento de "Aproveitamento Hidroelétrico de Urubupungá", pressupondo uma
operação conjunta e integrada desses três empreendimentos para a geração de
energia e navegação.
Uma das características importantes dessas obras foi a de possibilitar a
transferência de água do rio Tietê para o rio Paraná, a montante da foz original do
Tietê, aproveitando dessa forma, uma melhor utilização das turbinas de geração em
Ilha Solteira, graças a essa vazão afluente excedente.
A outra característica diz respeito à navegação que, fazendo parte do projeto,
participaria no rateio dos custos do empreendimento para viabilizar os custos da
geração de energia. Todas as condições operacionais do Canal Pereira Barreto e os
reservatórios de Ilha Solteira e Três Irmãos previram a navegação, sendo que essa
alternativa funcionaria como opção para a continuidade da navegação do rio Paraná
rio acima, em direção ao norte. Nesse caso, fica desnecessária, num primeiro
momento, a continuação da construção da eclusa na barragem de Ilha Solteira,
como previsto originalmente. Ou seja, para a navegação oriunda do rio Tietê e do rio
Paraná atingir a localidade de São Simão - GO no rio Paranaíba e de Água
Vermelha no rio Grande, a utilização do Canal de Pereira Barreto é imprescindível,
passando pelo reservatório de Três Irmãos.
Observa-se, portanto, que foi mantido o conceito original do uso múltiplo das
águas adotado na década de 50, pelo menos para esses dois importantes rios da
bacia hidrográfica do rio Paraná. Recentemente, esse conceito foi incorporado à
política de aproveitamento de Recursos Hídricos no Brasil, estabelecida pela Lei
9433/97, de 8 de janeiro de 1997.
Atualmente, o Departamento Hidroviário - DH da Secretaria dos Transportes do
Estado de São Paulo encarrega-se da gestão e administração da exploração e
manutenção no rio Tietê, enquanto que a Administração da Hidrovia do Paraná -
AHRANA é responsável pelos rios Paraná, Grande e Paranaíba, todos navegáveis.
No documento
INFLUÊNCIA DOS PARÂMETROS GEOMORFOLÓGICOS E HIDRÁULICOS NA NAVEGABILIDADE FLUVIAL
(páginas 54-57)