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Estimativa de quantidade de sedimentos transportados

(ton/ ano)

Amarelo China 2 bilhões

Ganges Índia 1,5 bilhão

Amazonas Brasil 0,4 bilhão

Mississipi Estados Unidos 0,3 bilhão

Nilo Egito 0,1 bilhão

Fonte: ALFREDINI – 2005

Estas cargas estimadas dependem do regime de chuvas, da natureza do solo e

de sua cobertura vegetal.

4 ESTUDOS DE NAVEGABILIDADE DE RIOS BASEADOS NOS PARÂMETROS

GEOMORFOLÓGICOS E HIDRÁULICOS

4.1CONSIDERAÇÕES INICIAIS

As questões de engenharia visando às hidrovias para a navegação interior

pressupõem do engenheiro um bom conhecimento sobre a dinâmica dos cursos

fluviais, estudo que representa um dos mais difíceis capítulos da Engenharia

Hidráulica. O curso d’água, ainda que já bastante estudado, continua representando

uma questão de abordagem complexa. De fato, se os precedentes estudos

experimentais não forem exatamente aplicáveis ao caso em exame, este deverá ser

estudado atentamente e, somente após muitas e aprofundadas observações

poder-se-ão enunciar normas sobre as características dos cursos d’água.

O problema torna-se ainda mais difícil quando é necessário corrigir anomalias

que surgem como empecilhos para a segurança da navegação, mas que constituem

estados naturais do curso d’água.

Tendo sido os cursos d’água as primeiras e naturais vias de comunicação entre

os homens, muitos estudos foram realizados sobre eles, entretanto as soluções

adotadas são muitas vezes de difícil generalização.

A navegação interior no Brasil necessita que sejam usufruídas as vantagens do

baixo custo dos produtos básicos pelo transporte hidroviário, principalmente num

quadro mundial de economia globalizada, entretanto, as condições da economia

nacional e a conformação das redes fluviais em relação às regiões produtoras

dificultam a aplicação dos vultosos recursos em obras que, em geral, somente

tornar-se-ão viáveis em prazos relativamente longos. São condições conhecidas que

contingenciam o uso deste meio de transporte, para ser economicamente

competitivo, comparativamente aos modais de transporte concorrentes, que:

 A navegação fluvial deve ser realizada com embarcações de grande porte

que movimentem elevados volumes de cargas, o que exige obras de vulto

para a implantação das hidrovias.

 A navegação interior necessita de longas distâncias de transporte, o que faz

com que somente possa ser utilizada eficientemente quando completada uma

extensão considerável da hidrovia.

A implantação da hidrovia numa canalização integral de curso d’água tem como

principal investimento as obras de transposição de desnível, enquanto as demais

obras de melhoramento, balizamento, construção de portos, etc. são decorrência

natural do desenvolvimento do tráfego. As características das obras de transposição

de desnível condicionam, em grande parte, as embarcações que podem utilizar a

hidrovia e, portanto, a própria economicidade do meio de transporte.

Dentre as principais dificuldades para a livre navegação, destaca-se a passagem

de embarcações por desníveis localizados, normalmente devidos às barragens para

aproveitamentos hidráulicos. As obras de transposição de desnível são

fundamentais nas hidrovias interiores por permitirem a continuidade da

navegabilidade. Serão consideradas preferencialmente as embarcações constituídas

por comboios de empurra, por serem compatíveis com as atuais exigências

técnico-econômicas do transporte aquaviário interior.

As obras de transposição de desnível podem ser classificadas em:

Hidráulicas: são as eclusas de navegação, em que as embarcações são

deslocadas verticalmente numa câmara estanque pela variação do nível

d’água em que flutuam. Classificam-se em baixa queda (abaixo de 9m de

desnível), queda intermediária (entre 9 e 15m de desnível) e alta queda

(acima de 15m de desnível). Constituem-se nas obras mais difundidas, as

únicas no Brasil para transposição de desnível, em rios canalizados e canais

artificiais, principalmente pela facilidade de construção e simplicidade de

funcionamento, sendo, portanto, as que são tratadas nesta abordagem.

Mecânicas: os ascensores de embarcações são obras em que as

um recipiente móvel (berço, cuba ou cunha d’água), onde são previamente

introduzidas.

As obras de transposição de desnível devem atender às seguintes condições

básicas de navegação:

Segurança: os riscos a que estão submetidas às embarcações nas obras de

transposição não devem ultrapassar os riscos normais de navegação.

Adaptação às embarcações: a obra de transposição deve ser compatível

com a embarcação mais conveniente da hidrovia.

Capacidade de tráfego: a obra de transposição deverá poder movimentar

num determinado período, um número de embarcações capaz de transportar

a tonelagem de carga prevista pela hidrovia.

Rapidez de passagem: o tempo utilizado pelas embarcações para vencer o

desnível deverá ser mínimo.

Uma solução de compromisso destes requisitos básicos com a condição de

mínimo custo torna-se necessária ao considerar a obra de transposição,

particularmente quanto à rapidez de passagem, para que o custo total da obra seja

justificado perante aos benefícios aportados pela mesma, devendo-se, no entanto,

respeitar requisitos mínimos.

Em decorrência, as duas características fundamentais das obras de transposição

são: a dimensão da câmara e o tempo de passagem, sendo que este último definirá

a capacidade de tráfego.

A capacidade de tráfego de um rio canalizado é definida como a tonelagem de

carga que pode ser movimentada pela hidrovia num determinado período de tempo,

sendo normalmente limitada pelas obras de transposição de desnível. Somente em

situações muito excepcionais, outros obstáculos como más passagens, canais

estreitos, vãos de pontes, etc., tornam-se mais restritivas. Assim, a capacidade de

tráfego das obras de transposição de desnível de uma mesma hidrovia deveria ser a

mesma, para obter-se o melhor aproveitamento da navegação interior.

Segundo BRIGHETTI (2000), as vias navegáveis devem atender a certas

características para permitir o tráfego livre e seguro das embarcações-tipo adotadas

para as mesmas. Cabe notar que estas características podem eventualmente ser

atendidas apenas durante o período de navegação, sendo a duração deste período

fixada com base em considerações naturais, políticas e econômicas.

A escolha da embarcação-tipo também deve ser feita a partir de estudos

econômicos, pois, quanto maior for o porte da mesma (e conseqüentemente, mais

barato o custo do transporte devido ao fator de economia de escala) maior será o

custo das obras a serem realizadas. Por vezes, o melhoramento do curso d’água

poderá ser realizado por etapas sucessivas, sendo previstas diversas

embarcações-tipo de porte crescente, havendo então a necessidade de obras para a adaptação da

via em cada nova etapa.

Do ponto de vista da via navegável, é necessário apenas conhecer as dimensões

principais da embarcação-tipo: comprimento, boca (largura máxima) e calado.

Outras características das embarcações não são em geral muito importantes sob

este ponto de vista, cabendo lembrar que atualmente as vias fluviais são quase

sempre preparadas para receber comboios de empurra.

Fixadas as dimensões da embarcação-tipo, a via navegável deverá,

basicamente, atender às seguintes características:

a) Profundidade mínima – Calado da embarcação-tipo mais uma folga mínima

de 0,30 a 0,50 m. Deve-se ter em conta que profundidades menores que duas

vezes o calado da embarcação provocam uma redução do rendimento

propulsivo (acarretando redução de velocidade ou aumento do consumo de

combustível), não sendo conveniente, por este motivo, adotar profundidades

muito pequenas ao longo de toda a via. O mínimo indicado deve ser admitido

apenas em pontos isolados ou trechos restritos do canal de navegação e

refere-se unicamente à segurança do tráfego.

b) Largura mínima – Considera-se que em trechos retos, a largura mínima

necessária para permitir o cruzamento seguro e sem redução de velocidade

de duas embarcações é de 4,4 vezes a boca da embarcação. Sem

cruzamentos, a largura pode ser reduzida à metade.

c) Área mínima da seção molhada – Para que não haja restrições de

rendimento propulsivo, a área da seção molhada de uma via navegável

deverá ser, no mínimo, 6 (seis) vezes a área da seção mestra

1

da

embarcação. Eventualmente poderá ser tolerável uma redução até 5 (cinco)

vezes desta.

d) Raio de curvatura – Para que não haja também restrições de velocidade nas

curvas, o raio de curvatura deverá ser, no mínimo, 10 (dez) vezes o

comprimento da embarcação. Raios menores podem ser admitidos desde que

a largura da seção seja aumentada de uma sobrelargura

2

dada pela

expressão:

R L s 2 2

Onde L é o comprimento da embarcação e R o raio de curvatura da curva.

Raios de curvatura menores que 10L obrigam à redução da velocidade

aproximadamente segundo a tabela a seguir: