3. MÉTODO
4.1 CARACTERÍSTICAS DA AMOSTRA
4.2.2 Afastamento do trabalho
Com a possibilidade de haver a presença de estresse ocupacional e/ou alterações vocais buscou-se investigar se os participantes já haviam se afastado de suas atividades laborais em função desses problemas. De tal modo verificou-se que, 68 (79,06%) referiram não ter se afastado do trabalho por motivos de estresse ocupacional e/ou alterações vocais e 18 (20,04%) mencionaram já ter ficado afastado do trabalho por tais motivos (GRÁFICO 4).
Pôde-se perceber que há significativa diferença entre a porcentagem de participantes que não se afastaram do trabalho por motivo de estresse ou por alguma alteração vocal e a porcentagem dos que já o fizeram, o que confere dados bastante otimistas, principalmente se forem comparados com os obtidos em pesquisas semelhantes. Conforme já foi apresentado, há grande ocorrência de professores afastados das suas atividades laborais tanto por motivo de estresse ocupacional quanto por alterações vocais.
68 18 0 10 20 30 40 50 60 70 NÃO SIM
Gráfico 4 – Afastamento do trabalho por motivo de estresse ocupacional e/ou alterações vocais (n=86)
Fonte: Elaboração da autora, 2009.
Ainda referente ao item 18, foi solicitado que os professores apontassem o número total de vezes e o tempo que se afastaram do trabalho. Dos 18 participantes que referiram ter se afastado, 11 relataram ter se afastado apenas uma vez, três se afastaram por duas vezes e três por três vezes, apenas um professor citou ter se afastado por 4 vezes de seu trabalho.
No que se refere ao tempo do último afastamento (TABELA 3) o tempo mínimo que um professor ficou afastado do trabalho foi por um dia e tempo máximo de 60 dias, o que fornece uma média de 10,27 dias de afastamento. Quanto ao tempo que já havia ocorrido tais afastamentos, observou-se que o afastamento mais recente havia ocorrido há apenas um mês, e que já fazia 120 meses (10 anos) que havia ocorrido o afastamento mais distante, estabelecendo uma média de 27,38 meses. Quanto ao penúltimo afastamento verificou-se que, o tempo mínimo que um professor ficou afastado foi por 2 dias e o tempo máximo por 10 dias, com média de 5,85 dias. Os participantes relataram também que havia passado um mês da ocorrência do afastamento mais recente e 120 meses (10 anos) do afastamento mais antigo, compondo uma média de 36, 71 meses que passados de ocorrência do afastamento.
Tabela 3 – Tempo dos afastamentos (n=18)
Afastamentos Tempo de afastamento (dias) Há quanto tempo (meses) Mínimo Média Máximo Mínimo Média Máximo
Último 1 10,277777 60 1 27,3888888 120
Penúltimo 2 5,8571428 10 1 36,7142857 120
No que se refere aos motivos dos afastamentos, foram citados 15 diferentes causas (TABELA 4), dentre as quais: faringite, problemas e dores na garganta, laringite, amigdalite, afonia, estresse, voz, gastro (sic.), cirurgia, infecção respiratória, rouquidão, nódulos nas pregas vocais, gripe, tosse e labirintite.
Tabela 4 – Motivos de Afastamentos (n=18)
MOTIVOS DE AFASTAMENTOS FREQ.
Faringite 4
Problemas e dores na garganta 4
Estresse 3
Laringite 2
Amigdalite/ infecção na garganta 2
Afonia 2 Voz 2 Gastro (sic.) 1 Cirurgia 1 Infecção respiratória 1 Rouquidão 1
Nódulos pregas vocais 1
Gripe 1
Tosse 1
Labirintite 1
Fonte: Elaboração da autora, 2009.
Pôde-se observar que dos 15 motivos de afastamento do trabalho, oito (em negrito) estão diretamente relacionados a sintomas ou caracterizam-se como alterações vocais. Cabe retomar as percepções das condições de saúde dos professores universitários ao responder a presente pesquisa em que 89,53% dos professores universitários mostraram-se com percepção positiva. Vale, também, apontar que 55,81% dos professores universitários referiram apresentar algum desconforto físico e assim indicaram 31 diferentes desconfortos.
Para que se faça uma discussão, faz-se necessário apontar alguns conceitos de saúde - diz-se alguns, por não haver consenso quanto ao conceito de saúde. A Organização Mundial de Saúde citada por Scliar (2007) refere que “saúde é o estado do mais completo bem–estar físico, mental e social e não apenas a ausência de enfermidade". Mas tal conceito tem sido bastante questionado e criticado por se apresentar como algo utópico e inatingível.
De acordo com Scliar (2007),
o conceito de saúde reflete a conjuntura social, econômica, política e cultural. Ou seja: saúde não representa a mesma coisa para todas as pessoas. Dependerá da época, do lugar, da classe social. Dependerá de valores individuais, dependerá de concepções científicas, religiosas, filosóficas.
A saúde, para Canguilhem (2000), “é algo que se conquista, que se enfrenta e de que se depende, sendo fundamental o papel de cada um nesse combate. Nesse sentido, não se apresenta a idéia de que, no caso de um trabalho ideal, as condições de saúde estariam garantidas”. (CANGUILHEM, 2000 apud GOMES; BRITO, 2006). Pode-se considerar, inclusive, o conceito apontado em dicionário da língua portuguesa em que saúde é o “estado do indivíduo cujas funções orgânicas, físicas e mentais se acham em situação normal; estado do que é sadio ou são”. (FERREIRA, 2004).
Cuidar da saúde não é meramente cuidar dos problemas médicos relacionados ao aparecimento de doenças, é necessário ultrapassar o modelo médico para analisar amplamente as causas das doenças, sua extensão, e os fatores relacionados à manutenção da saúde. As distinções dos conceitos são qualitativamente diferentes se a explicação do fenômeno é dada a partir da dinâmica social que o constitui. (ULRICH, 2005, p. 101).
Considerados os desconfortos apontados pelos participantes da pesquisa poder-se- ia questionar o que os professores universitários entendem por saúde, tal questionamento não foi feito por não ser objetivo da presente pesquisa, investigar tal entendimento. Algumas hipóteses puderam ser levantadas considerando os conceitos de saúde apontados na literatura: os professores não consideram o bem-estar físico como componente da saúde? Não percebem os desconfortos como algo que fira o seu bem-estar? Qual a concepção de saúde para os professores universitários?
4.3 FATORES E CONDIÇÕES DO AMBIENTE DE TRABALHO E ESTRESSE