O Ser discípulo em Cristo
AFINAL, O QUE SIGNIFICAVA SER DISCÍPULO DE CRISTO?
A seguir você pode conferir alguns aspectos do que significava e significa ser discípulo de Jesus Cristo. Em lições posteriores algumas dessas características serão abordadas com maior profundidade.
Seguir Jesus significava ter intimidade com Ele enquanto viajava, prestar atenção nele, olhar atentamente para tudo o que Ele fazia, ouvir o que ele dizia, perceber os milagres que realizava, dar atenção à maneira como Jesus se relacionava com seu Pai, como falava com Ele, porque a grande ambição de um discípulo era ser igual a seu mestre. O apóstolo Paulo escreve que ser um discípulo de Jesus significa seguir a Jesus com a intenção de se tornar semelhante a Ele. O propósito eterno de Deus é ter muitos filhos à imagem de seu Filho Unigênito, de modo que Jesus seja o primogênito entre muitos irmãos:
Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou (Romanos 8.28-30).
Inclusive, esta é a razão por que Deus concedeu os dons espirituais: “até que todos (...) cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo” (Efésios 4.13). Confira também 2Coríntios 3.18: “E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito”; e 1João 3.2: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser, mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é”. Ainda, 1João 2.6:“Aquele que afirma que permanece nele, deve andar como ele andou”. Paulo ainda escreve, ao expressar seu cuidado com os seus discípulos: “Meus filhos, novamente estou sofrendo dores de parto por sua causa, até que Cristo seja formado em vocês”
(Gálatas 4.19), e “A fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo” (Colossenses 1.28).
John Stott comenta que há três perspectivas importantes que apontam para o propósito do discipulado, que é tornar-se conforme a imagem de Cristo (Romanos 8.29):“O propósito eterno de Deus (nós fomos predestinados); o propósito histórico de Deus (estamos sendo mudados, transformados pelo Espírito Santo); e o propósito escatológico de Deus (seremos como ele). Tudo isso contribui para a mesma finalidade de semelhança com Cristo, pois esse é o propósito de Deus para o seu povo”.38 O teólogo inglês ainda sugere cinco dimensões nas quais devemos nos basear a partir do momento em que nos dispomos a renunciar o eu a fim de seguir Cristo. Todas elas podem ser compreendidas a partir do texto de Filipenses 2.5-8: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!”.
Devemos ser como Cristo em sua encarnação:
“embora sendo Deus, não considerou que o ser igual
38 O discípulo radical, p. 62.
a Deus era algo a que devia apegar-se”. O discípulo é convocado a seguir o exemplo da humildade de Jesus, que não levou em conta o seu estado original de glória e poder, mas em amor e por amor, optou pela encarnação. John Stott comenta que toda missão autêntica é encarnacional, ou seja, ela exige contato, relação e intimidade. A missão encarnacional exige que os discípulos entrem no mundo de outras pessoas e apontem a esperança e a cura em Cristo.
Devemos ser como Cristo em seu serviço: “vindo a ser servo”. Assim como Jesus fez o que era o trabalho de um escravo, os discípulos não devem considerar nenhuma tarefa simples ou humilhante. Leia as palavras do Mestre em João 13.14,15: “Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz”.
Devemos ser como Cristo em sua longanimidade:“E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo”. O discípulo chamado à semelhança de Cristo deve estar disposto a sofrer e a ser perseguido. Pedro exorta os seus leitores a não pagarem o mal com mal (1Pedro 3.9; leia também Romanos 12.21). Cristo também sofreu e aceitou a humilhação como eventos que compunham uma missão superior.
Devemos ser como Cristo em sua missão: “foi obediente até à morte, e morte de cruz”. A morte de Jesus na cruz foi a forma pela qual Deus reconciliou a humanidade consigo. Por meio da sua morte substitutiva (nós deveríamos estar em seu lugar), Cristo possibilitou a reaproximação da humanidade com o Pai. Da mesma forma, nós, como seus discípulos, devemos apontar para a cruz e para o poder da vida sobre a morte como as Boas-Novas de Deus.
Devemos ser como Cristo em seu amor: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus.” A atitude de Jesus Cristo que motivou toda a jornada de expiação foi o amor. Leia o que Paulo escreve em Efésios 5.2: “e vivam em amor, como também Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus”. Nós somos exortados a amar como Cristo amou. O amor é o principal motivo pelo qual o discípulo seria reconhecido porque era o principal motivo pelo qual Cristo fora reconhecido.
“Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” (João 13.35).
Leia a seguir um precioso trecho escrito por C.S. Lewis a respeito do propósito do discipulado que vem sendo abordado aqui:
Quanto mais tiramos do caminho aquilo que agora chamamos de “nós mesmos” e deixamos que ele tome conta de nós, tanto mais nos tornamos aquilo que realmente somos. Ele é tão grande que milhões e milhões de “pequenos Cristos”, todos diferentes, não serão suficientes para expressá-lo plenamente. Foi ele que os fez a todos. Ele inventou — como um escritor inventa os personagens de um romance – todos os homens diferentes que vocês e eu devemos ser. Nesse sentido, nossos verdadeiros seres estão todos nele, esperando por nós. De nada vale procurar “ser eu mesmo” sem ele.
Quanto mais resisto a ele e tento viver sozinho, tanto mais me deixo dominar por minha hereditariedade, minha criação, meus desejos naturais e o meio em que vivo. Na verdade, aquilo que chamo com tanto orgulho de “eu mesmo” é simplesmente o ponto de encontro de miríades de cadeias de acontecimentos que não foram iniciadas por mim e não poderão ser encerradas por mim. Os desejos que chamo de “meus” são meramente os desejos vomitados pelo meu organismo físico, incutidos em mim pelo pensamento de outros homens ou mesmo sugeridos a mim pelos demônios.39
Além de apontar o propósito supremo do discipulado, que é o discípulo tornar-se como seu mestre, C. S.
Lewis comenta que não há uma percepção saudável de própria identidade fora da relação com Jesus Cristo.
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Reunido em pequenos grupos, leia, reflita e dialogue sobre as questões propostas:
● Resgate as dimensões do discipulado que devemos exercer em nossa decisão de seguir Cristo, conforme proposto por John Stott. De que forma prática você pode reproduzir o modelo de Cristo na sua vida através da encarnação, serviço, longanimidade e missão? Converse sobre isso com seu pequeno grupo.
● Você se recorda de mais alguma ruptura paradigmática abordada por Jesus na sua proposta de discipulado? Converse com o seu grupo. Qual das inovações instauradas por Jesus mais chamou a sua atenção? Por quê?
● Você concorda com C. S. Lewis acerca da perspectiva de que nossa identidade está em Cristo e de que nada vale tentarmos ser nós mesmos sem Ele? Pense sobre os possíveis desdobramentos dessa verdade.
39 Cristianismo puro e simples, p. 68.
● De que forma prática você pode reforçar a proposta de Cristo na sua forma de discipulado, seja por meio do respeito às mulheres ou qualquer pessoa que sofra algum tipo de discriminação?
Sintetizar (5 min)
Tente formular as principais contribuições da aula que surgiram como fruto da leitura do material e/ou dos diálogos nos pequenos grupos. Tente pensar nos tópicos abordados que, na sua opinião, são os mais importantes e relevantes.
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VIVER
Até o próximo encontro
Reflita e ore sobre as dimensões discipulares de Cristo que foram propostas nesta aula. Escolha uma atitude correspondente para cada uma delas: encarnação, serviço, longanimidade e missão. Se necessário, releia o conteúdo trabalhado em sala. Liste a seguir, após receber a orientação do Espírito, a atitude escolhida que corresponda a cada uma dessas atitudes.
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EU CREIO
Até o próximo encontro
Após o conteúdo trabalhado e a partir das suas próprias reflexões, escreva a seguir uma confissão de fé. Permita que ela seja correspondente à ministração do Espírito ao seu coração. O que Deus deseja que você passe a crer ou de que forma você deve passar a agir?
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Vida Discipular
SOLICITAÇÃO DE CONTAS
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Destaques da semana:
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Destaques do meu Tempo A Sós (TAS) com Deus nesta semana:
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