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O Ser discípulo (Parte 1)

CUIDADO COM A CRIAÇÃO (GÊNESIS 2.15, SALMO 115.16)

O cuidado e a interferência respeitosa sobre a criação são as bases do mandato cultural outorgado por Deus ao homem no Éden. O plano de Deus de restauração não incluía apenas a reconciliação dos humanos com Deus e com o próximo, mas também a libertação da criação que geme. É claro que um dia haverá novo céu e nova terra, e essa é uma parte essencial da esperança de futuro perfeito que nos aguarda no final dos tempos.

Porém, enquanto isso, toda a criação está gemendo, passando pelas dores de parto da nova criação (Romanos 8.18-32). O que ainda se discute é o quanto do destino final da terra pode ser vivenciado agora.

Assim como a compreensão do destino final cultivada pelo discípulo influencia sua relação com o seu próprio corpo – no sentido de que ele será glorificado, mas isso não deve privá-lo dos cuidados básicos com a saúde e educação física, por exemplo –, a compreensão do novo céu e da nova terra deve influenciar e aumentar a consideração que temos pela terra agora.

Como, então, devemos nos relacionar com a terra? Se lembrarmos que ela foi criada por Deus e colocada sob os nossos cuidados, devemos evitar dois extremos opostos: a deificação da natureza e a exploração exaustiva dela. O mandato cultural é um chamado nobre para cooperarmos com Deus no cumprimento dos seus propósitos, a fim de transformar a ordem criada para o benefício de todos. Portanto, os seguidores de Cristo devem escolher, como diz Chris Wright, “formas sustentáveis de energia quando é viável.

Desligam aparelhos em desuso. Sempre que possível, compram alimentos, mercadorias e serviços de empresas que tenham diretrizes ambientais eticamente saudáveis.

Eles se aliam a grupos de conservação. Evitam o consumo demasiado e o desperdício desnecessário e reciclam o máximo possível”.82 O mesmo autor, de forma um pouco mais rígida, questiona a postura dos discípulos quanto a sua relação com a natureza:

É totalmente inexplicável ouvir alguns cristãos afirmarem que amam e adoram a Deus, que são discípulos de Jesus, mas, mesmo assim, não se preocupam com a terra, que carrega seu selo de propriedade. Eles não se importam com o abuso que a terra sofre e, realmente, considerando seus estilos

82 Citado em O discípulo radical, p. 54.

de vida esbanjadores e por demais consumistas, conspiram contra isso. Deus deseja que nosso cuidado com a criação reflita nosso amor pelo Criador.83

SIMPLICIDADE (ATOS 4.32-34, MARCOS 6.8,9, MATEUS 6.24-34)

A igreja cristã primitiva, constituída em Jerusalém no dia de Pentecostes, caracterizava-se por um tipo de vida comunitária até então desconhecida. Aqueles crentes cheios do Espírito amavam uns aos outros a ponto de venderem e repartirem seus bens segundo a necessidade de cada um. Atos 4.32 diz que “ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse”. Ou seja, eles eram livres do egoísmo. Como resultado de suas relações econômicas transformadas,

“não havia pessoas necessitadas entre eles” (Atos 4.34).

Esse princípio de generosidade, expressado no ato de os discípulos colocarem seus bens à disposição dos necessitados, é uma indispensável característica de toda igreja cheia do Espírito.

Os seguidores de Cristo que tenham mais condições devem atentar para as necessidades dos menos favorecidos. Do contrário, serão como os ricos discípulos de Corinto – que comiam e bebiam demais, enquanto seus irmãos mais pobres passavam fome – que não escaparam da repreensão de Paulo (1Coríntios 11.10-34).

Jesus convoca seus seguidores a abraçar a santidade, a humildade, a simplicidade e o contentamento. Aliás, Ele atrela a vida verdadeira – a mais profunda paz e alegria bem como poder do Espírito – à decisão radical de segui-lo. A obediência cristã exige um estilo de vida simples que atente ao fato de que, ao redor do mundo, 800 milhões de pessoas estão em situação de pobreza absoluta e 10 mil morrem de fome todos os dias84. É sabido que alguns discípulos foram, são e serão chamados a viver entre os pobres, e outros a abrir o lar aos necessitados. Mas isso não diminui a determinação de Cristo ao incentivar e ordenar que seus seguidores cultivem estilos de vida simples.

Leia com bastante atenção e seriedade uma declaração que está na obra do teólogo inglês John Stott e foi adaptada do Pacto de Lausanne:

Tencionamos reexaminar nossa renda e nossos gastos, a fim de gastar menos, para que possamos doar mais.

Resolvemos renunciar ao desperdício, e opormo-nos à extravagância em nossa vida pessoal, em matéria de roupas e de moradia, de viagens e de templos. Também

83 Citado em O discípulo radical, p. 56.

84 Estimativa da ONU, em 2002.

aceitamos a distinção entre necessidades e luxo, hobbies criativos e símbolos de status vazios, modéstia e vaidade, celebrações ocasionais e o nosso dia a dia, e entre o serviço de Deus e à escravidão da moda.

(...) Aqueles dentre nós que pertencem ao Ocidente necessitam da ajuda de nossos irmãos dos países menos desenvolvidos a fim de avaliarem seus gastos.

Nós que vivemos nos países menos desenvolvidos, reconhecemos que também estamos expostos à tentação da avareza. De maneira que precisamos da compreensão, estímulo e orações uns dos outros.85 Leia também as profundas palavras do escritor Richard Foster:

Por nos faltar um centro divino, a necessidade de segurança levou-nos a um apego insano às coisas materiais. Precisamos entender que é psicótica essa avidez que a sociedade moderna tem pela opulência. É psicótica porque perdeu completamente o contato com a realidade. Ansiamos por possuir coisas das quais não precisamos e jamais desfrutaremos. Até compramos coisas que não queremos para impressionar pessoas das quais não gostamos.

Quando a obsolescência planejada é interrompida, a obsolescência psicológica assume o comando. Faz-nos sentir vergonha de usar roupas ou dirigir carros até que se gastem completamente. Os meios de comunicação de massa convenceram-nos de que não andar na moda é perder o chão da realidade. É hora de despertarmos para o fato de que conformar-se a uma sociedade doentia é adoecer. Enquanto não enxergarmos quanto nossa cultura está desequilibrada nessa questão, não conseguiremos lidar com o espírito de Mamom que vive dentro de nós nem desejaremos a simplicidade cristã.86

Richard Foster também ajuda todos aqueles que desejem o discipulado radical ao elaborar algumas dicas práticas na busca por simplicidade. Confira.

a) Compre as coisas pela utilidade que têm, e não pelo status que conferem. Nas palavras de John Wesley,

“quanto ao vestuário, compro o que for mais duradouro e, em geral, o menos enfeitado. Não compro nenhuma mobília que não seja necessária e barata”87.

b) Rejeite qualquer coisa que crie em você alguma dependência – isso vai do chocolate e café ao cigarro e álcool. A simplicidade é liberdade, não escravidão.

Recuse-se a ser escravo de qualquer coisa, a não ser de Deus. Um vício se identifica ao observar-se a existência de compulsões indisciplinadas.

85 O discípulo radical, p. 48.

86 Celebração da disciplina, p. 69.

87 Citado em Celebração da disciplina, p. 73.

c) Desenvolva o hábito de dar coisas.

d) Recuse a propaganda feita pelos guardiões da moderna indústria eletrônica. Os profissionais da propaganda tentam convencer-nos de que, pelo fato de haver um modelo mais moderno ou com uma função adicional, precisamos vender o modelo antigo e comprar o novo.

e) Aprenda a desfrutar as coisas sem possuí-las – praias, praças públicas e bibliotecas, por exemplo.

f) Examine com ceticismo saudável todas as propostas

“compre agora, pague depois”.

g) Obedeça às instruções de Jesus sobre falar direta e honestamente. “Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’”

(Mateus 5.37). Se concordar em realizar uma tarefa, complete-a. Evite bajulações e meias verdades. Rejeite os jargões e especulações abstratas, cujos propósitos são obscurecer e impressionar, em vez de iluminar e informar.

h) Rejeite qualquer coisa que seja instrumento de opressão. Essa é uma das questões mais difíceis de encarar e uma das mais sensíveis, mas é preciso enfrentá-la. Será que comemos e bebemos café e comemos bananas à custa da exploração dos trabalhadores no campo? Num mundo de recursos limitados, não estaria nossa avidez por riquezas implicando a pobreza de outros? É justo comprar produtos fabricados por pessoas forçadas a trabalhar em monótonas linhas de montagem? Agradam-nos os relacionamentos hierárquicos das empresas, que mantêm pessoas submissas a nossa vontade?

i) Afaste-se de qualquer coisa que o distraia de sua busca pelo reino de Deus. A busca intensa por outras coisas, ainda que legítimas e boas, podem facilmente nos levar a perder o rumo. Emprego, posição, família, amigos, segurança – tudo isso pode ocupar, com extrema rapidez, o foco das nossas atenções.88 Que Deus dê ao seu povo sabedoria, graça, consciência renovada do Reino e força!

Compartilhar (15 min)

● Compartilhe com o seu pequeno grupo qual dessas características do discipulado abordadas é mais desafiadora para você. Por quê? Alguma delas gerou algum tipo de resistência em você?

Tente identificá-las.

88 Celebração da disciplina, p. 83.

● Pense nas formas como você tem falhado nos desafios propostos por Cristo abordados nesta aula. Compartilhe com o grupo e tente estabelecer algumas metas que possam ajudá-lo a incorporar mais intensamente o discipulado.

● Como a sua igreja tem lidado com a simplicidade e o cuidado com a criação? Converse com o seu grupo sobre a realidade da sua comunidade local. Se surgir alguma boa ideia que auxilie sua igreja com o cumprimento das direções de Cristo, o que acha de orarem e levarem adiante?

Sintetizar (3 min)

Contribua com a formulação das principais conclusões da aula que surgiram como fruto da leitura do material e/ou dos diálogos nos pequenos grupos.

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VIVER

Até o próximo encontro

Revise o conteúdo trabalhado em sala, ore e reflita.

Peça ajuda ao Espírito Santo a fim de começar a desenvolver um hábito que o auxilie no cumprimento das direções do discipulado radical deixadas por Jesus Cristo. O desafio é que você pense em um hábito para cada uma das características abordadas.

EU CREIO

Até o próximo encontro

Elabore com atenção e reflexivamente uma confissão da qual você quer se apropriar a partir do estudo desta aula.

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Vida Discipular

SOLICITAÇÃO DE CONTAS

Nome do Relacionamento Discipulador (RD):

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Destaques da semana:

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Destaques do meu Tempo A Sós (TAS) com Deus nesta semana:

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O Ser discípulo