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Quando se chega à Afya, as pessoas são recebidas pelas mulheres que trabalham como terapeutas, o diálogo entre as mulheres é constante, seja para resolver alguma questão, seja para pedir “um cuidado” para outra terapeuta.

No dia três de agosto de 2018, quando estive na Afya, para conversar com as mulheres, presenciei o seguinte fato: Efu chegou pela manhã com uma Japonesa chamada Miko, que havia participado de um Curso ministrado por ela no Japão, e a jovem manifestou o desejo de conhecer a Experiência da Afya.

Falando inglês, Miko chegou e foi imediatamente recebida por Joelma, recepcionista, e por outras terapeutas, enquanto aguardava as terapeutas organizarem a sala de aplicação de barro para ela se submeter a uma seção. Ficaram ali na recepção brincando com o bebê de Joelma Enzo, que estava com pouco mais de seis meses.

Ela passou o dia na Afya, interagindo com as mulheres e vez por outra Efu explicava algo em inglês, depois se retirava para atender alguém. Foi uma cena inusitada, mulheres que não falavam o mesmo idioma, de culturas completamente diferentes, estabelecendo uma comunicação mediada pela acolhida, pela inclusão e pelo corpo.

Percebe-se uma linguagem não verbal que acontece entre as mulheres que trabalham com saúde e cura, uma capacidade de acolher, de estar aberto para iniciar o diálogo não exclusivamente verbalizado, como afirma Rosilene: “eu me sinto realizada trabalhando aqui, eu sempre quis trabalhar assim. Do mesmo jeito que eu me sinto bem trabalhando aqui, eu me vejo nas pessoas”. (Rosilene, depoimento em 7 de dezembro de 2019).

A Afya tem essa característica de estender a mão para quem chega, como fala Clarissa Pinkola Estés (2007, p. 64): “Elas nos trouxeram riqueza unicamente por sua existência”.

Percebe-se uma circulação de saberes em duas principais direções: das mais velhas para as mais novas, e entre mulheres de idades variadas. Pode-se visualizar um primeiro círculo pequeno com as mulheres mais velhas (Efu, Azucena, as freiras, Elinaide, D. Rosa, Dona Lourdes, terapeutas não freiras). Um segundo círculo intermediáio com mulheres que estão há dez anos ou mais: Vera, Maria José Felinto, Maria Ventura, e um terceiro circulo das mulheres que estão na Afya de um a sete anos: Titica, Severina Cruz, Fátima das Plantas, Eliane, Guiomar, Luciana, Liliane, Myllena, Maria Auxiliadora, Rosilene, Bruna. No caso de Jefferson e Geysi, que são irmãos, estão na faixa dos vinte anos e nasceram praticamente na Afya; são filhos de Vera.

Esses três círculos que giram em ritmos diferenciados e se apresentam de forma não visível, parece encaminhar cada mulher que chega e fica para um dos círculos invisivelmente presentes por um sentimento de pertencimento de acordo com o tempo que ela permence na Afya.

Essa circularidade de saberes não percebida pelas mulheres, mas vivenciada por elas, acontece no mínimos detalhes, o dia inteiro, em um leva e traz de técnicas e fazeres, aromas e sabores. Vez por outra uma esbarra na outra, um conflito pode aparecer, uma rusga pode surgir, mas no final termina bem:

As pessoas vêm aqui com outro olhar com outra expressão. As pessoas melhor de vida vêm com aquele olhar de lado sem acreditar e olhar diferente, curiosa. Nós, simples, vêm com amor e com a confiança de Deus. Depois que é atendida fica falando que se sentiu bem, que está bem melhor. Tinha pessoas que achava que aqui era Centro Espírita: a senhora

está sendo atendida por uma freira e uma evangélica. (Depoimento de

Fátima das Plantas, 2018).

A partilha do conhecimento e da sabedoria de cada mulher acontece principalmente de forma oral, algumas estão mais abertas e outras nem tanto, mas existe sempre uma certa abertura para acolher a outra. No cotidiano da Afya, esses círculos se entreleçam e dialogam entre si, sempre na direção da cura, do bem-estar, do bem viver de todas.

Todas sentem-se “pertencentes” àquele sistema, para utilizar uma terminologia de Bert Hellinger (2012, p. 46) “Cada um no sistema, tem o mesmo direito de pertencer”. E assim a troca vai acontecendo, ora mediada pela oralidade, ora mediada pelo sentimento amoroso de pertecer de acordo com sua ordem de chegada.

O que significa mesmo pertencer? Significa eu faço parte, eu sou parte, eu sou valorizada como parte, eu sou reconhecida, eu me vejo harmonizada no todo, todas somos, “eu sou porque nós somos”, quer dizer Ubuntu – Bem Viver para mim, para minhas companheiras, para todas as mulheres, para todas as criaturas, como fala Dona Titica: “Eu me sinto bem trabalhando aqui, é tão bom quando acordo, já tenho vontade de vir para cá”. (Depoimento, 2018).

Algumas mulheres da Afya se reuniram com algumas mulheres da comunidade do Alto do Mateus e formaram uma turma de Educação de Jovens e Adultos - EJA na sede da Afya. Assim começou um novo círculo de partilha de saberes, então poderíamos acrescentar um quarto círculo, integrando mulheres da Afya e mulheres da comunidade.

É uma circularidade que se movimenta no sentido do aspiral, começa com as mulheres mais antigas na Afya e vai seguindo sempre em frente, sempre na direção do reconhecimento e da cura de todas as mulheres, espalhando bênçãos por onde as mãos tocam:

Receber “a benção” para viver de verdade... Às vezes passamos toda a nossa vida à espera da “benção”, daquela que abra totalmente os portões: “Ande, sim, seja a força que você está destinada a ser... Ande, sim, viva como um ser pleno o tempo todo, até seus limites mais distantes”. Uma benção não faz com que você ganhe alguma coisa, mas, na verdade, faz

com que você use alguma coisa – algo que você já possui - ,o dom que nasceu junto com você no dia que você chegou à Terra. (ESTÉS, 2007, p. 20).

A Afya aproxima você dessa “benção”, que é reconhecer essa força que cura. Tudo parece distante, o Alto do Mateus parece distante, reencontrar-se consigo parece distante, adentrar esse caminho do autoconhecimento parece distante, ser pleno, acreditar que é possível quando tudo diz não parece distante.

Essa parece ser a benção, atraversar, attraversiamo, do italiano. Vamos atravessar “essa noite escura”, da doença, da desesperança, da depressão que se abate sobre as mulheres no tempo presente.

Pode-se falar numa “oralidade das mãos”, um “que fazer” das mãos, mãos que tocam e se deixam tocar, mãos que cozinham alimentos saudáveis, mãos que fazem pães enriquecidos, mãos que seguram livros, cadernos e lápis, mãos que massageiam as dores das mulheres doentes, mãos que massageiam os machucados da alma, mãos que te conduzem para o mundo da profundidade.

Essas mulheres simples, sofridas, resistentes, sonhadoras, persistentes, generosas, sempre em busca do “ser mais”, como afirmava Freire, sempre em busca de ajudar, dar um abraço forte quando as lágrimas escorrem pelo rosto, uma palavra de esperança quando tudo parece perdido, um conforto, um chá, uma massagem nas mãos, um Reiki.

Toda essa terapêutica já coloca a pessoa em movimento novamente, circulando, aprendendo, ensinando, procurando um caminho, uma direção, um sentido para a vida, procurando a “força que nunca seca”.

Nessa circularidade da vida, no encontro que descortina o véu que te afasta a pessoa de si mesma, a Afya parece um porto seguro, um aconchego, uma pousada amorosa, para começar esse processo de “mudança de pele” e de vida.

Essas mulheres tem uma linguagem própria, primeiro a partir do corpo, depois pelo uso da oralidade. Escutar sem julgar, observar cada entonação da voz, cada trejeito do corpo, a forma do sorriso meio escondido, as palavras que escapam, o jeito de falar, uma coisa que quer dizer outra coisa.

Essa circularidade de saberes traz um comportamento de culturas ancestrais, que é prestar atenção aos pormenores, prestar atenção aos sinais é sempre bem-vindo, como nos explica Gonçalves:

a atenção aos sinais e aos indícios inscritos nas páginas do mundo natural foi essencial para que os grupos humanos nômades se deslocassem com êxito por territórios incertos, para obter alimentação, água e orientação, para estabelecer relações de convivialidade ou para escapar das hostilidades de outros grupos. (GONÇALVES, 2009, p. 10).

Esse comportamento de prestar atenção aos sinais está presente no “que fazer” da Afya, que foi ao longo do tempo construindo uma metodologia de “leitura dos sinais” com a ajuda da “intuição” e do modus operandi de cada Terapia, estabelecendo relações de convivialidade e de autoproteção a grupos hostis.

Quando uma pessoa chega a Afya a anamnese é realizada solicitando a pessoa enferma que detalhe o que está sentindo, e a Bioenergética vai depois verificando cada detalhe e observando outros que a pessoa não conseguiu ver/sentir, aguçando a perpecção para identificar outros detalhes não aparentes.

Chega então uma compreensão, como é importante dar atenção aos sinais nesse trabalho de Educação para a Promoção da Saúde, aguçar a percepção, para pensar fora da caixa. Gonçalves fala: “quanto mais rica e complexa é a capacidade humana atual de pensar por alternativas, de captar continuidades ou descontinuidades impregnadas nos processos vitais, mais próximos estaremos de nossas raízes” (GONÇALVES, 2009, p. 10). A reverência às nossas raízes é um movimento ao mesmo tempo de respeito e homenagem a quem veio antes de nós, que Gonçalves chama a atenção:

Por que, então, não admitir uma vitalidade inteligente a ser levada em conta em nosso extenso passado ágrafo? Admitir a relevância das raízes de um paradigma indiciário nos reconcilia com um passado remoto e pouco referenciado, inerente à nossa humanidade comum. Da mesma forma, contribui para entendermos as crises de um modelo dominante de ciência e de técnicas, que colocam o ser humano no patamar de senhor do mundo, que tudo pretende controlar, ao mesmo tempo, explorar e, muitas vezes esgotar. (GONÇALVES, 2009, p. 10).

Estamos em plena crise de modelos, parece que “tudo se desmancha no ar”, a força do “achismo” tem vindo com todo ímpeto para cima do mundo da academia, mais uma vez somos levados a “prestar atenção aos detalhes, aos sinais”,

reconectar-nos com nossas raízes “africanas e ameríndias”, abrir mais espaço em nossa vida e no trabalho de educação popular para o paradigma indiciário24.

Poderíamos falar numa pedagogia dos sinais, uma pedagogia eurística, que fala através dos gestos, do olhar, do “não perceptível”. É a Pedagogia das coisas simples, das pequenas descobertas. Bert Hellinger fala que “existem acessos à verdade. Eu próprio sigo um caminho que conheço, mas ao seu lado existem ainda muitos outros”. (HELLINGER, 2012, p. 23).

A circularidade de saberes acolhe a verdade em movimento de cada uma, e não dá atenção a imposição da predestinação da vida das mulheres que vem com a

palavra dada.

Trabalha com a palavra que está sendo, a palavra dada é estática, imóvel, parada, sem vida, doente, a palavra que está sendo lembrada sempre o inacabamento, a curiosidade, a vontade de aprender, de evoluir, de crescer, de ser mais, de bem viver, de cura.

Essa circularidade, com ênfase na horizontalidade, nos lembra Freire (1985, p. 11) quando fala que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”. Esse exercício de não hierarquizar as diferentes práticas educativas precisa ser uma constante nesse processo de Educação Popular com mulheres das classes populares.

Percebe-se que há no que fazer da Afya uma significativa experiência dedicada à vida interior e de como os processos de desarmonia dessa vida interior provocam adoecimentos e mutilações na vida exterior pessoal.

Mas tratando-se de processos libertários é necessário ir um pouco mais além do pessoal/individual e pensar como outras mulheres que estão passando por processos de adoecimento e prisão podem acessar esses saberes. A evolução é individual, mas a libertação só é plena quando acontece no coletivo.

A leitura de mundo não é apenas a leitura do meu mundo, é também a leitura do mundo em que vivo, como vivo, como percebo este mundo e como me percebo

24 A proposta de um método interpretativo centrado sobre os resíduos, sobre os dados marginais, considerados reveladores. Desse modo, pormenores normalmente considerados sem importancia, ou até triviais, “baixos”, forneciam a chave para aceder aos produtos mais elevados do espírito humano[...] na década de 1870-80 -, começou a se afirmar nas ciências humanas um paradigma indiciário baseado justamente na semiótica. Mas as suas raízes eram muito antigas. (GINZBURG, 1989, p. 149-150)

neste mundo, dando mais um passo na transição do espontaneísmo para intencionalidade política do “que fazer”:

A compreensão dos limites da prática educativa demanda indiscutivelmente a claridade política dos educadores com relação a seu projeto... O a favor de quem pratico me situa num certo ângulo, que é de classe, em que diviso o contra quem pratico, isto é, o próprio sonho, o tipo de sociedade de cuja invenção gostaria de participar. A compreensão crítica dos limites da prática educativa tem que ver com o problema do poder que é de classe e tem que ver, por isso mesmo com a questão da luta e do conflito de classes. Compreender o nível em que se acha a luta de classes em uma dada sociedade é indispensável à demarcação dos espaços, dos conteúdos da educação, do historicamente possível, portanto, dos limites da prática-educativa (FREIRE, 1987, p. 46-47).

Toma-se fôlego para mergulhar profundamente no mundo interior, mundo de suas entranhas, mas como humanos é preciso subir para respirar na superfície, o mergulho no “Eu Maior” é rápido, apenas um “choque”, para se reabastecer; a vida acontece de verdade na superfície.

Viver aqui como se estivesse “lá” cria a ilusão do isolamento, da sepação, e não estar por inteiro aqui cria um ser humano em cima do muro, o que o povo chama popularmente de “meia pedra – meio tijolo”, ou seja, nem uma coisa, nem outra, ou seja, um ser imóvel, a reboque dos aconteceimentos, vai ser sempre interagido, vai sempre ficar buscando as terapias para tratar algum desconforto.

É o que Freire (1987) chama de ser inautêntico, estou aqui só de corpo, a alma, a mente está em outro lugar, o lugar “do deveria”, ou seja, o lugar do futuro. Mas a vida acontece no “aqui-agora”. Para interagir de forma pró-ativa é necessário estar por inteiro no “aqui-agora”, é preciso sentir, afetar-se com o que está acontecendo, ter compaixão pela situação de sofrimento para além de mim, para a situação de sofrimento do outro.

Esse afetar e deixar-se afetar pela vida coletiva, pelos determinantes sociais, econômicos, culturais que incide sobre a vida das pessoas, sobre a vida das mulheres pobres, que interage com estados emocionais desequilibrados e provocam adoecimentos, tem alargado cada vez mais os horizontes da Afya.

4.CONSIDERAÇÕES FINAIS

É muito bom encontrar Mulheres-Aliança-Solidariedade como você. Mulheres que acendem luzes novas e nos ajudam a não apenas tomar consciência do que perdemos, mas a procurar, cuidadosamente, até encontrar aquilo que nos torna mais humanas, mais sororais e fraternais nas nossas relações humanas. Mulheres que não se contentam em acender luzes, mas que se transformam em luzes.

Lucia Weiller falando sobre Tea Frigerio O ponto de chegada até aqui nesta pesquisa é bem diferente do ponto de partida. A pesquisadora que começou há quatro anos investigando também não é a mesma, e o país então... Quando iniciei a proposta havia uma desconfiança que partia muito mais de um desconforto meu, não era algo que fazia parte da vida das mulheres da Afya. Tinha uma convicção: haveria produção de conhecimento e intencionalidade politica na atuação daquelas mulheres?

Com minha mochila carregada de convicções e julgamentos chegou a Afya, as mulheres lhes receberam de braços abertos, nem se importaram com suas convicções, não estavam interessadas em comprovar ou não alguma hipótese que tivessem, estavam apenas sendo elas mesmas, amorosas, generosas, acolhedoras, prestadoras de serviços.

Assim comecei essa jornada de quatro anos. Durante a caminhada, várias vezes a pesquisadora caia-levantava-caia-levantava, mas o orientador sempre lá, com uma mão estendida, dizendo: “Vamos? Você pode, você consegue”.

Em momento algum a pesquisadora vislumbrou que Paulo Freire poderia fazer parte das marcas culturais fundantes daquela Entidade. Imaginava que o trabalho de Educação Popular realizado pelas freiras de Mariknoll e do Padre Nicola Mazza, no bairro Alto do Mateus, conservava aquela “flagrância” das décadas de oitenta e noventa, do auge da Educação Popular no trabalho realizado pelas Pastorais Sociais.

Quem trabalha com Educação Popular sabe que Paulo Freire esteve no Continente Africano diversas vezes. No “Livro Cartas à Guiné Bissau” (1978) entrei em contato com sua paixão pela África, mas poucos de nós sabemos que Paulo Freire começou sua jornada africana pela Tanzânia, que esteve com o presidente Julius Nyerere, que fez formação lá com os caminhos de Pedagogia do Oprimido e

que algumas gerações de Tanzanianos/as estudaram e se apaixonaram por ele, a partir da década de setenta.

A questão de fundo da pesquisa era estudar as práticas de promoção da saúde vivenciadas pela Afya - Centro Holístico da Mulher - Organização Não Governamental, considerando a relação entre prática e teoria, procurando identificar as marcas culturais que estavam na fundação daquela Entidade. A partir desta percepção analisar se a metodologia utilizada no trabalho da Afya entrelaçava elementos da cultura africana-tanzaniana de sua fundadora Efu, com perspectivas Freireanas.

Partindo dessa base, dessa fundação, procurou-se identificar como acontecia a construção do conhecimento entre as mulheres das classes populares protagonistas da Afya, e como se (re)criavam os caminhos que favoreciam a expressão ora evidente, ora oculta da influência dos saberes ancestrais femininos, bem viver e holístico: “O futuro com que sonhamos não é inexorável. Temos de fazê-lo, de produzi-fazê-lo, ou não virá da forma como mais ou menos queríamos”. (FREIRE, 1992, p. 102).

São vinte anos de trabalho, durante esse tempo a Afya se foi modificando como tudo na vida, o futuro se apresentou de várias formas, foi se construindo e reconstruindo junto com as mulheres, com a vida sofrida das protagonistas da Afya.

Da questão central da tese: as práticas de promoção da saúde vivenciadas pela Afya - Centro Holístico da Mulher - desde 1998, posso afirmar que faz parte das suas práticas de saúde:

-Trabalhar a experiência da doença/saúde na perspectiva das tradições ancestrais (africanas/ameríndias) da “doença como caminho de autoconhecimento e libertação”;

-Olhar para essa doença com humildade e abertura e procurar compreender que “mensagem” ela traz, a autopercepção do corpo em dor que me leva a superação da dicotomia entre sujeito-objeto, que leva a autorresponsabilidade de reconhecer que eu posso ser responsável pelo meu bem-estar (poder individual como mulher ↔ poder coletivo de todas as mulheres que estão passando pela mesma situação);

-Trabalhar o exercício cotidiano da saúde considerando a “hospitalidade dialogal, deixar-se hospedar pelo outro”, como afirma Teixeira (2017, p. 19), como

terapêutica de acolhimento, respeito e escuta das mulheres enfermas que chegam à Afya a procura de “uma porta de saída” do circulo vicioso do adoecimento repetitivo;

-Considerar como prática de saúde a cultura do cuidado, colocando como centralidade da terapêutica o ser humano integral, a partir do saber que as mulheres trazem de suas histórias de vida, famílias, comunidades, saberes adquiridos com mulheres idosas, vizinhas, e incorporando o conhecimento trazido pelas terapias holísticas;

-Considerar como prática de saúde a abertura ao pluralismo cultural presente na diversidade das mulheres que frequentam e convivem no espaço aberto e democrático da Afya, aproximando-se uma da outra sem temer, como seres relacionais que somos. Relar ↔ Relacionar encurtando a distância entre as mulheres e suas histórias;

-Considerar como prática de saúde o olhar a vida pela ótica da integração-

inclusão, alargando os canais de acolhida de todas as criaturas visíveis e invisíveis,

descentralizando o ser humano no universo da natureza, na busca do bem viver ↔ Ubuntu - “eu sou porque nós somos25:

-Considerar como prática de saúde a abertura para a mudança cotidiana e homeopática de hábitos alimentares, posturas corporais e comportamentais doentias. Abertura para incorporar à vida a utilização de produtos naturais na