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CAPITULO III. O ACERVO ARQUEOLÓGICO DO MUSEO DEL PATRIMONIO

3.4. Diagnóstico do Ambiente das Coleções

3.4.2. Agentes Biológicos

Os agentes biológicos causam sérios danos aos acervos. O controle de micro-organismos, insetos xilófagos e roedores depende da constante manutenção climática e limpeza de reservas e salas expositivas. A proliferação dos micro- organismos em acervos orgânicos e papéis pode ser controlada por meio de sistema de ventilação. Os insetos xilófagos e roedores podem ser evitados com vistorias periódicas nas reservas e salas, sejam expositivas ou não.

Os micro-organismos abrangem diversas espécies de fungos e bactérias. Os fungos microscópios, mais conhecidos como mofo ou bolor surgem em ambientes com umidade acima (UR) de 70% e temperaturas (T) entre 15°C e 25°C, portanto, a ventilação controlada a fim de regular as variações de UR e T é fundamental para que não ajam formações de colônias e a produção de novos esporos. Segundo Steve King e Colin Pearson (2001),

A troca do ar é necessária para se conseguir uma diluição do acúmulo de contaminantes gerados internamente [...] Essa ventilação pode ser proporcionada pelo favorecimento das brisas naturais ou meios mecânicos, como ventiladores. Para ser eficaz, a corrente de ar deve passar pelo ocupante ou pelo objeto. Quanto maior a velocidade do ar, mais eficiente [...], porém há um limite prático imposto pelos prejuízos ou pelo incômodo que produz. [...] este [...] tipo de ventilação desempenha um papel na

prevenção do crescimento de fungos nos climas quentes e úmidos [...]. (2001, p. 57)

Na terceira missão foi realizado um levantamento no Acervo y Reserva Técnica para verificar a presença de agentes biológicos de deterioração, como insetos xilófagos coleópteros (brocas), eisópteros (cupins e “térmitas”); tisanuros (traça – do - livro ou peixe – de - prata), visto que insetos como diversas espécies de baratas (Figura 48), e pombos (Figura 49) já haviam sido identificados nas primeiras missões. Quanto à presença de fungos, este se manifestou em um dos materiais ósseos tratados na primeira missão (Figura 50), oriundos de um material encontrado na região. Outros insetos foram registrados nas demais missões (ver apêndice).

Figura 48 – De cima para baixo Blatella germânica e Periplaneta americana coletadas em uma das salas do MPR. O principal foco de infestação foi encontrado no banheiro compartilhado entre MPR e a Biblioteca Municipal.

Foto: Taciane Souza, 2015.

Figura 49 – Fachada do museu: fios elétricos cobertos por excrementos e ninhos de pombos.

Figura 50 – Presença de fungo no material ósseo tratado na primeira missão. Foto: Taciane Souza, 2015.

Durante o levantamento na reserva técnica do MPR alguns materiais etnográficos apresentavam desgastes, desprendimento de fibras (Figura 51) e orifícios provocados por brocas (Coleópteros) no material plumário (Figura 52). Alguns livros também possuíam orifícios de brocas e desgastes oriundos de traças dos livros (Tisanuros) (Figura 53). Clara Camacho (2007) ressalta essa problemática,

Entre os materiais mais susceptíveis a ataque biológico encontram-se a plumária, apele animal, o couro, o pergaminho, o cabelo, a lã, a seda, as colecções de insectos,as colecções de plantas secas e sementes, as colecções de história natural, o papiermâché, os materiais ricos em amido, a entrecasca e qualquer material orgânico húmido. Materiais como o algodão normalmente só são atacados para que os insectos possam aceder ao exterior dos objectos. O papel, na maioria dos casos, é mais atacado quando se encontra sujo e húmido. (2007, p. 113)

Esses materiais foram analisados no laboratório do museu, ainda em processo de implantação, para que se verificasse a existência de infestação ativa. Visto que não possuíam nenhum vestígio de brocas ou outras infestações esses foram higienizados e reorganizados na reserva técnica.

Figura 51 – Material etnográfico com sujidades, desgastes e desprendimento das fibras

.

Figura 52 – Material plumário danificado por ataque de brocas (Coleópteros).

Foto: Taciane Souza, 2015.

Figura 53 – Livro com desgastes e orifícios provocados por traças dos livros (Lepisma saccharina) e brocas (coleópteros).

Foto: Taciane Souza, 2015.

O MPR possuía algumas armas de grande e pequeno porte (fuzis e pistolas) em seu acervo, acondicionadas em caixas e embaixo de mesas na reserva. Porém, outras armas (fuzis) encontravam-se alocadas na sala pertencente à biblioteca por falta de espaço na mesma. As armas que já estavam na reserva foram vistoriadas e classificadas de acordo com o estado de conservação e patologias, colocando-as em três categorias: quarentena, higienização e intervenção. Pela falta de tempo na terceira missão, algumas foram armazenadas nas mesmas vitrines onde foram encontradas, agora higienizadas (Figura 54), e acondicionadas em outras vitrines presentes no laboratório. Uma das armas ficou em quarentena recebendo um tratamento químico ao constatar-se a existência de coleópteros xilófagos (Figura 55).

Figura 54 – Armas acondicionadas na vitrine do laboratório de conservação do MPR.

Foto: Taciane Souza, 2015.

Figura 55 – Arma deixada em quarentena no laboratório de conservação. Foto: Jaime Mujica, 2015.

A quarentena é um método preventivo empregado nas instituições museais com a finalidade de evitar possíveis contágios de agentes biológicos e/ou pragas oriundos de objetos vindos de outros lugares. O organograma (Figura 56) abaixo mostra as distintas fases de incorporação ou recepção de objetos.

Figura 56 – Fases de incorporação e recepção a aplicadas a um objeto ou conjunto de objetos que precisam de quarentena.

Fonte: Plano de Conservação Preventiva: Bases orientadoras, normas e procedimentos, 2007.

A vistoria na reserva constatou em alguns objetos como quadros com imagens de antigos intendentes (arte em papel), entre outros objetos de mesma tipologia sujidades (pó), perdas, desgastes, manchas e oxidação. Em um dos armários havia alguns casulos de traças das roupas (Tineola uterella)47 um dos tipos mais comuns, mas que causam estragos consideráveis ao acervo (Figura 56). O armário foi limpo e recebeu novamente os objetos também higienizados pela equipe do LÂMINA.

Yaci-Ara Forner (2008) ressalta a importância da identificação das problemáticas nos acervos tratados e não tratados no intuito de reconhecer antigas infestações, facilitando assim a detecção de novas. Visto que, alguns níveis de proliferações podem atuar de maneira integrada ou mista dependendo do espaço e ambiente favoráveis.

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Figura 57 – Casulos de traças das roupas (Tineola uterella) encontrados em um dos armários da reserva técnica do MPR.

Foto: Taciane Souza, 2015.

O controle dos agentes biológicos só terá resultados se o museu monitorar seu acervo e implementar uma série de normas e controle, a saber: diretrizes de entrada e saída dos artefatos; proibição de alimentos nas salas de exposições e reservas; orientações de limpezas das salas; tipo de materiais empregados nas embalagens, acondicionamento e exposição; formas e horários de ventilação dos locais; valores máximos de umidade relativa e de temperatura; etc. Desta forma, a presença dos distintos tipos de organismos no local será amenizada. Como ressaltado por Clara Camacho (2007),

Uma parte fundamental do controle biológico é o controlo integrado de infestações, que deve ser adaptado às características do edifício, do acervo e das acções que rodeiam as colecções. Pode ser encarado como uma série de mudanças de comportamento graduais que devem contar com a participação de toda a equipe do museu. O plano tem de ser realista e bem adequado, caso contrário serão poucas as probabilidades de sucesso. (2007, p.66)

Portanto, em 2016 o Museu instalou um ar-condicionado no Archivo Histórico para prevenir a proliferação de micro-organismos e insetos no acervo fotográfico e arquivístico. Sendo esse um sinal que o museu tem seguido as orientações de conservação preventiva, começando pelo acervo de papel que necessita de mais cuidados que os demais objetos do acervo que já estavam recebendo tratamentos interventivos e preventivos pela equipe.

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