CAPITULO III. O ACERVO ARQUEOLÓGICO DO MUSEO DEL PATRIMONIO
3.4. Diagnóstico do Ambiente das Coleções
3.4.5. Intensidade Luminosa e Radiação Ultravioleta
Neste tópico não serão discutidas as características das ondas eletromagnéticas, tema mais amplamente apresentado por autores como Clara Camacho (2007) Maria Cecilia Drumond (2006) e Luiz Antônio Cruz Souza (2008). A radiação luminosa no laboratório, nas salas expositivas e vitrines, quando não administrada de forma adequada, pode se tornar uma grande vilã.
O conceito de luz por Sherelyn Ogden (2001),
A luz é uma forma de energia eletromagnética chamada radiação. A radiação que conhecemos da medicina e da ciência nuclear é a energia em comprimentos de onda muito mais curtos do que o espectro da luz; as ondas de rádio são de comprimento muito maior. A luz visível, que se
constitui da radiação que enxergamos, fica perto do centro do espectro eletromagnético. (2001, p. 13)
Portanto, a luz se divide em natural e artificial (OGDEN, 2001; SOUZA, 2008). A iluminação deve ser entendida de várias formas como agente facilitador que permite apreciar uma obra de arte e como também um dos principais agentes de degradação (SOUZA, 2008).
A luz natural é mais perigosa que a luz artificial, por apresentar um índice de irradiação ultravioleta (UV) muito elevado, o que pode favorecer a rápida degradação de alguns materiais. Algumas luzes artificiais também apresentam índices de irradiação UV elevados (por exemplo, as fluorescentes), porém na atualidade este inconveniente tem sido remediado com a tecnologia LED.
As medições dos níveis de luzes visíveis e UV são feitas por LUX (lumens por metro quadrado) e microwatts por lúmen (µw/l). No MPR as medições foram realizadas utilizando um aparelho chamado luxímetro (Figura 63).
Figura 63 – Luximetro usado no MPR, aparelho destinado a medir o nível de iluminamento ou iluminância de uma superfície.
Foto: Taciane Souza, 2015.
As coletas dos dados deram origem a um gráfico (03) com os índices de luminosidade do museu. No gráfico foi apontada a intensidade luminosa da sala expositiva (1) que apresenta duas janelas favoráveis para a entrada de luz natural e que não têm películas filtradoras de UV.
** No mês de junho a verificação da intensidade luminosa não pôde ser feita pela falta de equipamento.
Gráfico 3 – Gráfico ilustrativo das variações de intensidade luminosa na sala expositiva do MPR no ano de 2015, mostrando que na maior parte do ano os valores ultrapassam amplamente os máximos recomendados para o acondicionamento e exposição de coleções museais.
Foto: Taciane Souza, 2016.
O Museu contém 03 janelas de dimensões maiores localizadas na fachada e outras de dimensões menores na parte superior do prédio (Figura 64). Essas janelas superiores estão presentes no laboratório de conservação, na reserva técnica visitável e no Acervo y Reserva Técnica, sendo que neste último a luz natural incide indiretamente. Embora, a quantidade de luz natural em uma instituição museal deva ser mínima ou nula (ALARCÃO, 2007), o Museu busca métodos alternativos para o bloqueio da radiação solar no acervo.
Figura 64 – Janelas localizadas no interior no MPR recebendo luz natural e iluminando o laboratório de conservação e a reserva técnica visitável localizada no outro lado.
Foto: Taciane Souza, 2015. 0 200 400 600 800 1000 1200
Março Maio Agosto Outubro
LUX (1x)
Medição de Intensidade Luminosa (LUX), ano 2015
Manhã Tarde
Mesmo com uma radiação solar significativa, o acervo do museu não recebia diretamente iluminação natural, mesmo quando algumas peças eram expostas na vitrine48 da sala de exposição. As mudanças realizadas no museu como a implantação da reserva visitável na segunda sala utilizada como expositiva, seguida de orientações sobre os problemas da iluminação natural na sala. Nestas orientações havia uma solicitação para evitar a luz natural, a equipe pediu para que os funcionários requisitassem para a Intendência, filtros bloqueadores UV ou algum material que bloqueasse a emissão da radiação solar direta sobre o acervo.
Sherelyn Ogden (2001) ressalta a dificuldade de separação salas de armazenamento e as de pesquisa para o controle da luz,
Seria ideal manter os acervos protegidos de toda a luz, mas isto evidentemente é impraticável. Precisam ser avaliadas, às vezes, até mesmo as coleções armazenadas distante da luz. Freqüentemente, aliás, revela-se impossível separar os espaços de armazenagem e os de pesquisa. Os materiais precisam ser expostos, sobretudo em um espaço de museu. É preciso manter um equilíbrio difícil entre o desejo de proteger os materiais e a necessidade de mantê-los acessíveis. Qualquer redução da luz visível será capaz de minimizar os danos a longo prazo. (OGDEN, 2001 p. 20) Numa última visita ao Museu a solicitação não foi atendida, contudo o material continuava com a proteção improvisada com TNT sobre o acervo. Quanto à iluminação artificial o museu ainda busca adequar todas as salas com o mesmo tipo de lâmpada, as LED‟s, visto que já possui na reserva visitável iluminação deste tipo (Figura 65).
Figura 65 – Antiga sala de exposição, agora, reserva técnica visitável com o sistema de iluminação artificial utilizando lâmpadas LED‟s.
Foto: Taciane Souza, 2015.
48
A vitrine em questão possui dimensões maiores que as demais presentes no museu, ficando localizada abaixo de uma das janelas, onde a emissão da luz natural não incida sobre a mesma.
As mudanças ocorridas no museu em 2015 foram positivas em vista da eliminação do constante fluxo de pessoas dentro do Acervo y Reserva Técnica. Desta maneira, conseguiu-se evitar a iluminação artificial frequente sobre o acervo que ao longo do tempo tende a se acumular. Para evitar esse dano Catarine Alarcão (2007) exemplifica em uma tabela (05) os níveis aceitáveis para cada tipo de material.
Lux (lúmen/m2) U.V. (MW/m2) MATERIAIS
≤ 300 ≤ 75 Cerâmica, vidro, metais, pedra
≤ 200 ≤ 75 Pintura a óleo/ Têmpera, couro não pintado, laca, osso, madeira, marfim, corno, fotografia a preto e branco
≤ 50 ≤ 30 Aquarela, guache, manuscritos, corantes, desenhos, têxteis, fotografia a cores, couro pintado, maioria objetos de coleções naturais
Tabela 5 - Níveis de iluminação considerados aceitáveis nos museus. Fonte: Prevenir para preservar o património museológico, 2007.
A partir desses níveis de iluminação os profissionais poderão ajustar a intensidade luminosa mais aceitável para cada material. Embora, o MPR não tenha adquirido um luxímetro, as orientações para evitar à entrada de luz natural e a exposição de objetos à luz artificial no ambiente foram observadas na última missão no ano de 2015.