4. ESTUDOS DE CASO
4.2. PILHAS E BATERIAS
4.2.2. AGENTES ENVOLVIDOS
4.2.2.1. Usuário (compradores de pilhas e baterias)
Os usuários das pilhas e baterias são responsáveis por devolver os produtos depois do uso em qualquer ponto de coleta, sendo esses varejistas ou credenciados, além de terem papel fundamental em não comprar pilhas e baterias clandestinas.
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4.2.2.2. Canais de Distribuição (Varejistas e Assistências Técnicas autorizadas)
A rede de estabelecimentos que comercializam pilhas e baterias e assistência técnica autorizada pelos fabricantes e importadores devem receber os produtos usados dos usuários, funcionando como pontos de coleta, sendo facultativo o recebimento de produtos de outras origens. Esses, depois de acumularem uma quantidade suficiente, devem acionar a empresa de logística para a retirada.
4.2.2.3. Fabricantes e Importadores
Os fabricantes e Importadores, através da ABINEE, devem arcar com os custos do processo de logística reversa, a partir de sua coleta nos canais de distribuição. Mesmo quando não associados à ABINEE, são notificados para assumirem os seus passivos, através da contratação de empresa que realiza o transporte, armazenamento e a destinação final.
Pela Resolução CONAMA No 401, devem:
I - estar inscritos no Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras dos Recursos Ambientais – CTF, de acordo com art. 17, inciso II, da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981;
II - apresentar, anualmente, ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA laudo físico-químico de composição, emitido por laboratório acreditado junto ao Instituto Nacional de Metrologia e de Normatização – INMETRO;
III - apresentar ao órgão ambiental competente plano de gerenciamento de pilhas e baterias, que contemple a destinação ambientalmente adequada, de acordo com esta Resolução.
4.2.2.4. Transportador
A empresa de Logística contratada é solicitada pelos postos de coleta ou outros pontos, que são capazes de armazenar mais de 30 kg de pilhas, e realiza a coleta do material, o armazenamento adequado, a separação por fabricante e o transporte até a destinação final (Figura 6), sendo todo o processo financiado pelos fabricantes e importadores.
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Figura 6: Fluxograma operacional da empresa de logística. Fonte: GM&C, 2011
4.2.2.5. Recicladoras
As pilhas e baterias são direcionadas para as recicladoras que reciclam, tratam e utilizam os produtos para a produção de sais e óxidos metálicos (as pilhas e baterias são desencapadas e seus metais queimados em fornos industriais de alta temperatura, dotados de filtros que impedem a emissão de gases poluentes). A Suzaquim Indústria Química é a empresa contratada pela ABINEE para este trabalho.
4.2.2.6. Poder Público
O poder público, como na logística reversa das embalagens de agrotóxicos, deve fiscalizar o funcionamento do sistema, contribuir com os programas de educação ambiental, onde atua de forma mais intensa pelas as pilhas e baterias serem produtos tão difusos, e ainda precisa conscientizar os usuários para a diminuição da compra e venda de produtos ilegais.
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4.2.3. PROCESSO
Os estabelecimentos comerciantes e assistências técnicas são obrigados a receber as pilhas e baterias comercializadas. Lá os usuários devem ser orientados sobre a necessidade da devolução dos produtos perigosos e podem entregar em pequenas quantidades as pilhas e baterias usadas.
Os estabelecimentos são responsáveis em fazer o repasse para os fabricantes, assim fazem o armazenamento até acumularem uma quantidade justificável para o transporte e depois entraram em contato com a empresa transportadora que faz a retirada no local.
No programa de logística reversa da ABINEE, as pilhas e baterias são retiradas pela GM&C que faz toda a triagem, divide os custos entre os fabricantes e já encaminha os produtos para destinação final, onde essas são recicladas ou recebem a destinação correta em aterro industrial licenciado.
Outra maneira de ocorrer a reciclagem das pilhas e baterias é pelos programas de empresas privadas que recolhem e destinam por conta própria o produto encaminhando diretamente para a empresa de reciclagem.
4.2.4. Resultados
O programa de âmbito nacional, administrado pela ABINEE, iniciou-se em 2010 e ainda não foi possível mensurar seus resultados.
Com os coletores do Papa Pilhas do Grupo Santander, foram recolhidas 172 toneladas de pilhas e baterias em 2010 (Santander, 2011).
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Figura 7: Resultados do programa Papa Pilhas. Fonte: Santander, 2011
Esses resultados, porém, não são suficientes para verificar a real efetividade dos programas, umas vez que entram mais de um bilhão de pilhas e baterias por ano no mercado, existem muitas pilhas ilegais e o Papa Pilhas mensura em toneladas coletadas, o que inclui nos resultados uma parcela de lixo tecnológico.
4.2.5. Avaliação
O projeto consegue segregar a responsabilidade de cada fabricante e principalmente dividir os custos, porém por ser um produto muito difuso ainda falta divulgação e abrangência.
O principal ponto que precisa ser aprimorado é a educação ambiental e a conscientização dos usuários, uma vez que esses possuem papel fundamenta na cadeia logística e as pilhas e baterias clandestinas, geralmente fabricadas em países asiáticos, ocupam cerca de 40% do mercado (ABINEE, 2011).
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Segundo a Resolução CONAMA No 401:
Os fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes destas pilhas e baterias, ou de produtos que as contenham para seu funcionamento, serão incentivados, em parceria com o poder público e sociedade civil, a promover campanhas de educação ambiental, bem como pela veiculação de informações sobre a responsabilidade pós-consumo e por incentivos à participação do consumidor neste processo.
Assim ainda falta uma definição da responsabilidade pela educação ambiental.
O consumidor final se mostra um elo fundamental e ainda extremamente frágil, isso porque ainda não recebe nenhum estímulo para retornar o produto, muitas vezes nem tendo conhecimento da legislação, desse modo, é importante focar em possíveis alternativas para estimular os usuários de pilhas e baterias a retornarem os produtos usados. Algumas práticas como desconto na compra de novos produtos e reembolso de parte do valor pago anteriormente no produto podem ser aplicadas, porém não é o observado no cenário mundial, onde apenas com a conscientização dos consumidores e os pontos de coleta, grande percentual das pilhas e baterias é reciclado.
Outro fator é a distribuição dos pontos de coleta, que ainda se restringe as capitais e grandes cidades. Quando estabelecido contato com a GM&C, a empresa se dispôs a coletar as pilhas e baterias das principais marcas, desde que acumulados 30 quilos, independente do local de armazenamento. Assim percebe-se que o programa pode garantir a reciclagem das pilhas e baterias, desde que seja investido um capital inicial para sua divulgação.
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