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4.2 AGENTES PRODUTIVOS E AGENTES INSTITUCIONAIS DO APL

4.2.2 Agentes institucionais da esfera estadual

O Governo do Estado da Paraíba tem atuado intensivamente junto ao APL de Pegmatitos e Quartzitos da Microrregião do Seridó, através de, principalmente, três frentes: Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico - SETDE, com políticas públicas como o EMPREENDER-PB; Secretaria de Planejamento e Gestão - SEPLAG, com o COOPERAR; e Companhia de Desenvolvimento de Recursos Minerais da Paraíba - CDRM, órgão vinculado à SETDE.

O Programa de Apoio ao Empreendedorismo na Paraíba - EMPREENDER, criado pela Lei Estadual Nº 9.335, de 25 de janeiro de 2011, consiste em uma política pública de microcrédito, que tem como prioridade o fomento ao empreendedorismo e à inovação, através da concessão de crédito orientado aos pequenos empreendedores individuais, a grupos organizados (associações, núcleos de inclusão produtiva, APLs, etc.) e à micro e pequenas empresas. O programa proporciona acesso às tecnologias sustentáveis de produção, qualificação, assistência técnica, acesso à logística de distribuição e à segmentação de novos mercados, potencializando o crescimento dos negócios e as vocações econômicas de cada região do Estado, melhorando a distribuição de renda (EMPREENDER, 2011).

São quatro as modalidades de crédito disponíveis: (1) fornecimento para compras governamentais; (2) desenvolvimento de núcleos de indução produtiva; (3) desenvolvimento de negócios sociais sustentáveis; e (4) desenvolvimento de negócios produtivos.

O setor mineral é beneficiado através da modalidade (2), a qual consiste em um financiamento creditício, com taxas de juros mais baixas, para fortalecimento do APL, por meio das Cooperativas. Nesta modalidade o programa busca grupos de produção organizados

no Estado, com o intuito de identificar projetos que possuam características de capital social, ou seja, um produto, serviço ou processo que sirva como base de um negócio altamente escalável, que venha gerar um volume de riqueza muito maior do que o investimento necessário para iniciá-lo. Após a seleção dos negócios, o programa desenvolve um plano de investimentos e de geração de negócios de forma a dar condições de competitividade operacional e gerencial (EMPREENDER, 2011).

Através deste programa, nos anos de 2011 e 2012, as Cooperativas constituídas na Microrregião do Seridó, com exceção da de Junco do Seridó, foram beneficiadas com recursos financeiros, apresentados no Quadro 22, os quais possuem destinação previamente definida.

Quadro 22 - Recursos financeiros concedidos pelo EMPREENDER-PB

Cooperativa Município Produto Valor investido (R$) Objetivo

COOPERMINERAL Frei Martinho

Capital Social

R$ 376.500,00 Compra de máquinas, equipamentos e aquisição

de capital de giro para proporcionar melhorias no

processo produtivo e aumento no valor agregado

dos produtos. COOGARIMPO Nova Palmeira R$ 446.280,00

COOMIPEL Pedra Lavrada R$ 490.000,00

COOPICUÍ Picuí R$ 364.040,00

COOPEVÁRZEA Várzea R$ 500.000,00

TOTAL R$ 2.176.320,00

Fonte: Elaboração própria (2012)

Já o COOPERAR consiste em um programa que atua em parceria com o Banco Mundial, o qual busca desenvolver Projetos de Redução da Pobreza Rural - PRPRs e inclusão produtiva. Trata-se de um financiamento a fundo perdido, ou seja, recursos disponibilizados sem perspectivas de reembolso, que, no setor mineral, apoiam as Cooperativas de mineração na compra de equipamentos, máquinas e outros materiais permanentes, que possibilitem melhorias na extração de minerais (COOPERAR, 2012). No ano de 2012, cada uma das seis Cooperativas assinaram convênios, e receberam os seguintes valores expostos no Quadro 23.

Quadro 23 - Recursos financeiros concedidos pelo COOPERAR

Cooperativa Município Valor disponibilizado (R$) Objetivo

COOPERMINERAL Frei Martinho R$ 236.742,42

Apoiar as Cooperativas de mineração na compra de equipamentos, máquinas e outros

materiais permanentes, que possibilitem melhorias na

extração de minérios. COOPERJUNCO Junco do Seridó R$ 304.852,30

COOGARIMPO Nova Palmeira R$ 284.323,27 COOMIPEL Pedra Lavrada R$ 203.349,75

COOPICUÍ Picuí R$ 239.600,00

COOPEVÁRZEA Várzea R$ 254.387,50

TOTAL R$ 1.523.255,24

A diferença básica entre o EMPREENDER-PB e o COOPERAR é que o primeiro possui status de banco, faz empréstimos, a partir de recursos reembolsáveis, com carência de 1 ano, pago a juros reduzidos. Já o segundo disponibiliza recursos não reembolsáveis, pois consiste em um fundo de apoio à redução da pobreza rural.

Quanto à Companhia de Desenvolvimento de Recursos Minerais da Paraíba - CDRM, consiste em uma sociedade de economia mista, autorizada pela Lei Estadual Nº 4.067 de 28 de junho de 1979, que executa a política do Governo do Estado voltada ao setor mineral, nas áreas de geologia, mineração, hidrogeologia e economia mineral (CDRM, 2011).

Na área de mineração, a CDRM executa e mantém em perspectivas de execução cinco ações através de parcerias com entes federais e estaduais e por iniciativa própria: (1) execução de serviços de extensão mineral; (2) monitoramento do mercado mineral; (3) difusão dos conhecimentos sobre recursos minerais; (4) qualificação para exploração de gemas e artesanato mineral; e (5) apoio aos pequenos minerados.

As ações desenvolvidas pela CDRM no âmbito do APL são apresentadas no Quadro 24, divididas por perspectivas de execução.

Quadro 24 - Ações desenvolvidas pela CDRM

Perspectiva Ações

(1) Execução de

serviços de extensão mineral

Serviços de assistência técnica às seis Cooperativas, realizando uma educação não formal, de caráter permanente ao setor de produção de minerais de pegmatitos e quartzitos, que inclui: elaboração de projetos para a formalização de áreas; orientação nos processos de extração, beneficiamento e comercialização da produção mineral e nas questões relacionadas à segurança no trabalho, uso e manuseio de explosivos; ações voltadas à sustentabilidade do setor produtivo; apropriação de inovações tecnológicas e apoio ao cooperativismo e a formação de mão-de-obra especializada.

(2) Monitoramento do

mercado mineral

levantamento da estrutura da oferta e da demanda de minerais de pegmatitos; formação, manutenção e disponibilidade de banco de dados;

divulgação de informações de mercado.

(3) Difusão dos

conhecimentos sobre recursos minerais

acompanhamento e orientação das atividades de mineração; realização de diagnósticos ambientais;

disponibilização ao acervo técnico e serviço de identificação física de amostras minerais.

(4) Qualificação para

exploração de gemas e artesanato mineral

implantação de centros de treinamento de lapidários e artesões minerais; treinamento de instrutores em lapidação de gemas e artesanato mineral; cursos de lapidação de gemas e artesanato mineral;

apoio à comercialização dos produtos gerados.

(5) Apoio aos pequenos

minerados

cessões de equipamentos de mineração; assistências técnicas;

capacitações.

Observa-se que na esfera estadual, as ações estão voltadas, basicamente, à disponibilização de recursos financeiros reembolsáveis ou não reembolsáveis, apoio técnico e difusão de informações e conhecimentos necessários à extração, beneficiamento e comercialização de minerais, sempre em atendimento às necessidades das seis Cooperativas de mineração da região.