4.2 AGENTES PRODUTIVOS E AGENTES INSTITUCIONAIS DO APL
4.2.1 Agentes produtivos
Os agentes produtivos são compostos pelas seis Cooperativas de mineração organizadas e formalizadas na região do Seridó, as quais, segundo Sordi e Costa (2010), formam os atores centrais do APL, por serem as organizações que desenvolvem a atividade econômica principal, ou seja, aquela diretamente associada ao núcleo do que é produzido, que no caso em estudo é a extração, beneficiamento e comercialização de minerais.
O Quadro 20 apresenta a relação das Cooperativas de mineração, os municípios onde estão localizadas, o número de produtores (garimpeiros) cooperados, o número de áreas (jazidas) formalizadas/legalizadas até o momento, e os motivos que estimularam a sua criação de cada uma delas.
Quadro 20 - Relação das Cooperativas
Cooperativa Município cooperados Nº de formalizadas Nº de áreas Motivação
COOPICUÍ Picuí 75 03 Formalizar e legalizar a atividade, e controlar a produção. COOPERMINERAL Martinho Frei 35 03 Gerar emprego e renda.
COOPERJUNCO Junco do Seridó 180
01 área formalizada (Ouro Velho) e mais
08 em processo de formalização
Melhorar as condições de trabalho dos garimpeiros; adquirir
áreas e legalizá-las; sair da informalidade; e agregar valor
aos minerais. COOPEVÁRZEA Várzea 102 01 (Nova Trapiá) Adquirir áreas e legalizá-las.
COOMIPEL Lavrada Pedra 25
02 áreas formalizadas e mais
01 em processo de formalização
Formalizar e legalizar a atividade mineral.
COOGARIMPO Palmeira Nova 60 01 (Alto do Fera) Fortalecer a potencialidade mineral do município. Fonte: Elaboração própria (2012)
As Cooperativas usam como critérios para ingresso de cooperados dois pré-requisitos: ser garimpeiro, comprovando que atua ativamente na atividade de mineração, e pagamento de uma taxa única (cota) que varia entre R$ 100,00 a R$ 120,00. A gestão é participativa, todas as decisões são tomadas em reuniões mensais (assembleias) com aquiescência de todos os cooperados. A divisão dos lucros é feita ao final do ano, proporcional à produção de cada cooperado. Já com relação à eleição dos Presidentes, os estatutos estipulam que deve ocorrer a cada três ou quatro anos, com direito de voto para todos os cooperados.
Dentre as Cooperativas, três atuam na extração e beneficiamento de minerais, as localizadas nos municípios de Junco do Seridó, Nova Palmeira e Pedra Lavrada. Já as outras três apenas na extração: Várzea, Picuí e Frei Martinho.
Os principais minerais extraídos em Várzea e Junco do Seridó são classificados como rochas ornamentais, dentre as quais se destacam os quartzitos. Enquanto que em Picuí, Frei Martinho Pedra Lavrada e Nova Palmeira, municípios situados na Província Pegmatítica da Borborema, região do Seridó na divisa entre os Estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte, os minerais extraídos são os chamados pegmatitos.
Tanto as rochas ornamentais como os pegmatitos são considerados minerais industriais que, segundo o DNPM (2009), “são todas as rochas e minerais, inclusive os sintéticos, predominantemente não metálicos, que, por suas propriedades físicas e químicas, podem ser utilizados como matérias-primas, insumo, ou aditivos em processos industriais”.
A mineração de minerais industriais, por envolver diversidade de rochas, apresenta lavra e beneficiamento diferenciados em função da tipologia da jazida e características mineralógicas, assim como grande amplitude funcional como fator condicionante às aplicações industriais. Estes tipos de minerais apresentam estreita afinidade como insumo às seguintes indústrias: construção civil; cerâmica; cimento e cal; fertilizantes e ração animal; química e metalurgia; celulose e papel; ótica e vidro; e eletroeletrônica (DNPM, 2009).
O grupo das rochas ornamentais engloba diversos tipos de rochas, que por sua estética e facilidades de extração em blocos, se prestam à utilização como granito e mármore, sendo aplicados em piso, revestimento e arte funerária. Envolvem rochas do tipo granitos, mármores, quartzitos, calcário laminado, silexito, conglomerado e arenitos. O comércio pode ser em blocos brutos ou em chapas sob as formas serradas ou polidas (BEZERRA, 2009b).
Já os minerais de pegmatitos são corpos rochosos de granulação grosseira que ocorrem sob a forma de lentes e veios de dimensões variadas, encaixados em rochas cristalinas. São fontes de suprimento de minerais industriais como o feldspato, quartzo, mica, caulim, cristal de rocha, tantalita, columbita, berilo, minerais de lítio, cassiterita, entre outros de menor expressão. A economicidade da extração de um pegmatito é tanto maior quanto maior o número de minerais que possam dele ser aproveitado (BEZERRA, 2009b).
O Quadro 21 apresenta a tipologia mineral prevalecente em cada Cooperativa, os principais minerais extraídos, e o tipo de beneficiamento que é realizado.
Quadro 21 - Caracterização das Cooperativas
Cooperativa Tipologia mineral Minerais extraídos Beneficiamento
COOPICUÍ Minerais de Pegmatitos Quartzo, mica, feldspato, albita, berilo, tantalita e
columbita. ---
COOPERMINERAL Minerais de Pegmatitos Feldspato, albita, mica, tantalita e berilo.
Há um Projeto para instalação de uma usina de beneficiamento, mas o potencial produtivo ainda é baixo.
COOPERJUNCO Ornamentais Rochas
Caulim, quartzito, feldspato, quartzo, mica, tantalita, calcita, dolomita, turmalina e água marinha.
Serraria de quartzito que produz pedras decorativas em tamanhos e cores variadas, utilizadas em revestimentos de paredes, pisos, piscinas e banheiros.
COOPEVÁRZEA Ornamentais Rochas Quartzito.
Está sendo desenvolvido um Projeto para ser instalada uma fábrica de pré- moldados (tijolos ecológicos) com o aproveitamento de resíduos minerais.
COOMIPEL Minerais de Pegmatitos
Albita, feldspato, quartzo, tantalita, turmalina, mica e
calcário dolomítico.
Unidade de beneficiamento com moinhos de bola (faixa granulométrica - 200 malhas) e do tipo martelo para moagem de calcário, albita e feldspato. COOGARIMPO Minerais de Pegmatitos Feldspato, albita, quartzo, tantalita e água marinha. Usina de beneficiamento com moinho de bola sendo instalada.
A constituição e a forma de atuação destas Cooperativas vão ao encontro do que foi definido anteriormente neste estudo, onde diz que Cooperativas são organizações de pessoas que se reúnem voluntariamente, em igualdade de direitos, com o objetivo comum de desenvolver uma atividade econômica, a partir da criação de uma empresa de propriedade coletiva gerida democraticamente. Apresentam particularidades em sua constituição legal, com adoção de princípios que exercem reflexos na forma como ocorre o processo decisório, o qual não é limitado a um único indivíduo, mas a todos aquelas que fazem parte (ICA, 1995; BARREIROS; PROTIL, 2005; KOOPMANS, 2006; MACHADO et al., 2006; FENG; HENDRIKSE, 2007; ABREU et al., 2008; NOVKOVIC, 2008; OSTERBERG; NILSSON, 2009; VUOTTO, 2011).