2 REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO
2.3 AGENTES POTENCIAIS E TIPOS DE RISCOS EXISTENTES NO AMBIENTE HOSPITALAR
Vários são os agentes potenciais de riscos presentes nos resíduos tecnológicos provenientes do processo de utilização da TMH dentro dos EAS que interferem na segurança do ambiente hospitalar.
Para que a engenharia clínica através da GTMH atue no gerenciamento de risco dentro do ambiente hospitalar, são necessários, anteriormente, o conhecimento e o entendimento de algumas definições de termos, tais como, risco, magnitude do risco e tipos de risco. A definição desses itens servirá de base para a metodologia proposta neste trabalho, que envolve reconhecer, ou seja, identificar, quais dos agentes potenciais estão presentes nos resíduos tecnológicos resultantes dos processos para indicar o tipo de risco existente e o impacto5 adverso que traz para o ambiente hospitalar. Assim, poderão sugerir
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A NBR ISO 14001 (apud BRASIL, 2002) define Impactos Ambientais como: modificações do meio ambiente, adversas ou benéficas, causadas pela ação de determinadas atividades produtos ou serviços de uma organização. Meio ambiente é definido como circunvizinhança em que uma organização opera, incluindo ar, água, solo, recursos naturais, flora, fauna, seres humanos e suas inter-relações.
ações técnico-administrativas, preventivas ou corretivas, que tendem a eliminar ou atenuar os efeitos nocivos dos subprodutos existentes no ambiente hospitalar dos EAS.
Segundo CHENG (2002), o risco é a medida da combinação do (1) perigo6; (2) probabilidade da ocorrência do evento adverso e (3) a população exposta.
O Ministério da Saúde [BRASIL, 1995] define: “Risco é uma ou mais condições de uma variável com potencial necessário para causar danos. Esses danos podem ser entendidos como lesões a pessoas, danos a equipamentos e instalações, danos ao meio ambiente, perda de material em processo, ou redução da capacidade de produção”.
Essa mesma instituição, na publicação intitulada Manual de gerenciamento de
resíduos de serviços de saúde [BRASIL, 2000], definiu risco como “a probabilidade que
tem um indivíduo de gerar ou desenvolver efeitos adversos à saúde, sob condições específicas a situações de perigo próprias do meio”. Essa definição leva à necessidade de se conceituar outros fatores que a compõem: a ameaça e a vulnerabilidade.
♣a ameaça é qualquer situação que pode representar um perigo, como a presença de resíduos contaminados por produtos químicos, radioativos, agentes patológicos.
♣a vulnerabilidade é representada pelas condições específicas de exposição a uma situação de perigo na qual se encontra o indivíduo (segregação inadequada dos resíduos, falta de capacitação, de normas).
A magnitude do risco é determinada pela combinação desses dois fatores; se for possível eliminar um dos dois, o risco desaparece por completo [BRASIL, 2000].
A classificação de riscos nos ambientes de trabalho é definida a partir da portaria 3.214/78 do Ministério do Trabalho e Emprego [BRASIL, 1978], em suas normas Regulamentadoras – NR de Medicina e Segurança do Trabalho. Os riscos diferenciam-se de acordo com a natureza dos agentes envolvidos, sendo os principais: físicos, químicos e biológicos. A norma regulamentadora NR 9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, citada na Portaria no 3.214, considera:
a) agentes de risco físico: são formas de energia a que os trabalhadores possam estar expostos, tais como ruídos, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, iluminação, umidade, dentre outros;
6 Segundo CHENG (2002) perigo é definido como potencial para um evento adverso, ou uma fonte de dano.
b) agentes de risco químico: são as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, sob a forma de poeira, fumaça, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam entrar em contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão;
c) agentes de risco biológico: são as bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus, dentre outros.
Além dos três tipos de riscos citados (físicos, químicos e biológicos), a portaria 3.214/78 considera riscos ambientais, os agentes mecânicos e outras condições de insegurança (ex. arranjo físico, eletricidade, máquinas e equipamentos, incêndio/ explosão, armazenamento, ferramentas) existentes nos locais de trabalho, capazes de provocar lesões à integridade física do trabalhador. Os elementos físicos e organizacionais que interferem no conforto da atividade laboral e, conseqüentemente, nas características psicológicas do trabalhador são denominados de “riscos ergonômicos”.
Neste trabalho, são considerados somente os agentes potenciais de riscos de natureza biológica, química e física, já que são elementos que estão relacionados diretamente com as características dos resíduos tecnológicos estudados. Os riscos ambientais e ergonômicos não serão abordados.
Segundo o Ministério da Saúde [BRASIL, 2000], diminuir a ameaça é sempre mais difícil do que reduzir a vulnerabilidade. Por exemplo, não se pode eliminar o uso de seringas, nem os tratamentos com radiações ionizantes, entre outros, em pacientes que deles necessitam, porém é necessário retificar ações que visem:
♣reduzir a quantidade de resíduos que necessitam de tratamento especial, através de uma correta segregação, pois, se todos os resíduos forem misturados e manejados juntos, a massa que necessitará de tratamento será igual ao total dos resíduos gerados nos EAS.
♣reduzir o uso de produtos perigosos, por meio da substituição dos produtos em uso por outros que apresentem um menor grau de periculosidade, ou através da mudança de procedimentos e processos tecnológicos que obtenham o mesmo resultado.
Essas duas ações, juntamente com a redução do resíduo gerado através de melhorias no processo, são alguns dos focos a serem direcionados pela metodologia proposta e serão alcançadas através da definição e análise dos processos tecnológicos.