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Fase 2: Modelagem do processo tecnológico

3.1 FASE 1: BASE METODOLÓGICA

A fase 1 – base metodológica – é composta de quatro etapas, de acordo com o Quadro 1, conforme detalhadas a seguir. Nesta fase, busca-se o conhecimento e entendimento de elementos que serão necessários para a implantação da metodologia no processo tecnológico em estudo. Também, almeja-se nesta fase, formar a equipe de trabalho que irá auxiliar ao engenheiro clínico na aplicação das fases da metodologia proposta e, todas as demais ações de preparação para tal implantação.

Todo o esforço para a aplicação da metodologia precisará ser gerenciado, coordenado e controlado. Qualquer conflito na equipe de trabalho deve ser resolvido e as prioridades estabelecidas. Essa é a parte mais crítica dentro do esforço total e, deve convencer a todos do grupo a se comprometer com esse esforço [HARRINGTON, 1993].

3.1.1 Etapa 1.1: Entendimento de conceitos da qualidade para a organização.

Nesta etapa, é definido o que é qualidade para os EAS. Busca-se conhecer e uniformizar conceitos do processo tecnológico em estudo para a implementação da metodologia. Sua duração será maior ou menor, de acordo com o nível do EAS. Segundo VARVAKIS et al. (2001), organizações onde já existe a cultura de formação de grupos de trabalho, ou que já adotem programas de qualidade ou melhoria contínua, terão o tempo para esta fase inicial reduzido. A busca desses conhecimentos deve ser realizada em regulamentações, referências bibliográficas, fabricantes ou processos de outros EAS que trazem requisitos, ações e/ou procedimentos que proporcionem a melhoria da qualidade do processo em estudo.

O conceito de qualidade, para SCHECKLER, é “qualidade não é uma nova filosofia gerencial, é uma nova filosofia de vida, uma nova postura comportamental, não somente para produzir mais, porém melhor, com menor custo, menor desperdício, menos retrabalho” [S CHECKLER, 1996 apud ZANON, 2001].

De acordo com MEZOMO (1995), o grande mestre da qualidade em saúde, “Avedis Donabedian” define a "qualidade" como:

"uma propriedade da atenção médica que pode ser obtida em diversos graus ou níveis. Esta propriedade pode ser definida como a obtenção dos maiores benefícios, com os menores riscos para o paciente, benefícios estes que, por sua vez, se definem em função do alcançável de acordo com os recursos disponíveis e os valores sociais existentes".

Para GALEANO (1999) e BESKOW (2001), a engenharia clínica adota o conceito de qualidade definido por JURAN (1990), que considera qualidade como sendo a “adequação ao uso”, ou seja, o usuário de um produto ou de um serviço pode contar com ele para o que necessita ou quer realizar. Esse processo é desenvolvido à partir de um gerenciamento contínuo baseado em três pilares: planejamento, controle e melhoria.

Neste trabalho, o objetivo vem ao encontro com as definições citadas, uma vez que a metodologia propõe a análise dos subprocessos, viabilizando ações proativas que visam identificar os impactos adversos potenciais e os riscos que estes apresentam para os pacientes e/ ou usuários. Buscando assim, um produto/ serviço de qualidade, suscetível à melhoria contínua, com a segurança dos atores envolvidos, o melhor desempenho da tecnologia, a identificação de carências, a redução dos erros de operação e defeitos dos equipamentos.

3.1.2 Etapa 1.2: Entendimento do macroprocesso tecnológico.

Macroprocesso é um processo que geralmente envolve mais de uma função da organização, cuja operação tem impacto significativo nas demais funções. Nos EAS, processos podem ser: atendimentos de emergência, processo de vacinação, contratação de pessoal, processos cirúrgicos, entre outros [BRASIL, 2002].

Processo tecnológico é todo o contexto do serviço a ser prestado que envolve a utilização de equipamento médico-hospitalar: processos de diagnóstico, terapia, tratamento e outros.

Dependendo da complexidade, o processo pode ser dividido em subprocessos, que são divisões do processo com objetivos específicos, organizados seguindo linhas funcionais. Os subprocessos recebem entradas e geram suas saídas em um único departamento. Os subprodutos podem ser divididos nas diversas atividades que os compõem e num nível mais detalhado em tarefas (procedimentos operacionais). A Figura 6 mostra uma representação da hierarquia de um processo.

Atividade 1 Atividade 2 Atividade 3

Tarefas 1 Tarefas 2 T a r e f a s A t i v i d a d e s P r o c e s s o S u b P r o c e s s o 1 S u b P r o c e s s o 2 S u b P r o c e s s o 3 S A Í D A E N T R A D A

Figura 6 – Hierarquia do processo [HARRINGTON, 1993]

No diagrama de blocos de um processo, cada bloco representa um subprocesso; no diagrama de blocos de um subprocesso, cada bloco representa uma atividade e, no diagrama de blocos da atividade, cada bloco representa uma tarefa.

Nessa etapa, busca-se ainda o conhecimento do processo tecnológico a ser analisado por meio da caracterização do EAS, além de algumas informações sobre o município onde se localiza, as quais ajudam a entender a demanda do hospital frente a sua

localização. É fundamental identificar as características operacionais do processo tecnológico e do EAS, pois a quantidade de resíduo tecnológico varia conforme a capacidade do processo gerador. Também é necessário identificar seus diferentes indicadores, como capacidade operacional, leitos disponíveis, pois possibilita identificar carências ou desperdícios nas unidades ou serviços nas quais o processo tecnológico analisado se encontra. Para essas análises, sugere-se que os formulários I e II, apresentados nos Anexos I e II, sejam utilizados.

3.1.3 Etapa 1.3: Entendimento das necessidades dos clientes externos.

No estabelecimento de saúde, o cliente externo do processo (cliente principal) é o paciente, mas os funcionários da área médica e funcionários de outras áreas podem ser considerados como clientes internos dos subprocessos. Sejam internos e/ ou externos, eles são o objetivo final do processo.

Segundo ALMEIDA (1995), o objetivo maior é a satisfação do cliente externo (pacientes), porém ressalta que, para tanto, torna-se necessário promover também a satisfação dos clientes internos (profissionais da saúde). É importante, então, fazer a pergunta: o que os clientes externos esperam da saída do processo (requisitos)?

3.1.4 Etapa 1.4: Entendimento do conceito Cliente, Fornecedor.

Os fornecedores são os responsáveis pelas entradas e devem atender às especificações do processo. As especificações são padrões ou características de qualidade exigidas pelo processo. Os fornecedores podem ser: subprocessos, fabricantes, setores ou até outros processos do EAS.

Clientes internos e/ ou externos são o objetivo final do processo; são eles que recebem as saídas: os produtos (bens ou serviços) do processo.

O reconhecimento dos fornecedores/ clientes e de suas relações é importante e justifica- se pelo fato de, na fronteira dos processos (no contato entre um subprocesso e seu cliente interno), normalmente serem encontradas oportunidades de melhorias significativas [VARVAKIS et al.,1998].