Capítulo II Identificação e Caracterização de Arranjos Produtivos Locais no Estado do Pará
2.2. Arranjos Produtivos Locais no Estado do Pará
2.2.2. Aglomerado Produtivo Local da Indústria Moveleira de Paragominas
O município de Paragominas, fundado em 1965, possui uma área de 19.396 Km2 na qual residem, segundo dados de 2000, uma população entorno de 76.450 habitantes. Distancia-se de Belém em 213 Km e conecta-se com a capital do Estado pela rodovia Belém-Brasília. Em termos econômicos o dinamismo do município assenta-se num tripé formado pela agropecuária, produção de madeira e indústria moveleira.
No específico ao seu aglomerado produtor de móveis de madeira, trata-se não só do maior aglomerado deste setor do Norte como um dos maiores do Brasil. Entre os principais produtos fabricados pelas empresas destacam-se, por ordem de importância: armários, móveis para dormitórios, sala, cozinha, banheiro, escritório, além de portas, esquadrias e artefatos144. Todavia, o aglomerado ainda precisa enfrentar uma série de questões que estrangulam seu pleno desenvolvimento.
O aglomerado possui uma estrutura horizontal, sem empresa âncora, na qual predominam os pequenos e micro produtores, mas, com um grau extremamente baixo de cooperação, associação e coordenação das atividades145. Sua produção destina-se, fundamentalmente, para o mercado local, com 95% das empresas direcionando sua produção para ele. Apenas 9,52% das empresas atendem o mercado estadual e 38,8%
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Dentre as várias linhas de produtos fabricadas, segundo Pará (2002a) as mais produzidas são: a de armários (20,83%), seguida de perto pelas de dormitórios (19,44%), sala (18%) e cozinha e banheiro (16,6%).
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Em Paragominas, verifica-se grande número de empresas que não participam de nenhuma entidade de classe ou comunitária (71,43%). No município existe apenas uma cooperativa, a COOPERMÓVEIS, que se encontra bastante fragilizada, e um sindicato, o SINDICERPA. Dentre os participantes destas entidades 28,6% dos filiados consideram a forma de atuação das entidades como boa e 71,4% como regular (Pará, 2002a).
direcionam parte de sua produção para o mercado nacional146 (Pará, 2002a). A dificuldade enfrentada pelos moveleiros em atingir outros mercados, que não o local, restringem substancialmente a forma de produção das empresas, com a grande maioria produzindo sobre encomenda, e apenas 19% possuindo alguma linha de fabricação em série. Desta forma, percebe-se a inexistência de um direcionamento da produção a uma linha específica de produto ou a um determinado segmento de mercado.
A maioria das empresas pratica a atividade em local próprio (85%), algumas desenvolvem a atividade em imóvel cedido (9,52%), e 4,76% em imóvel alugado. Parte significativa das empresas controla as perdas no processo produtivo (76%), estando esta relacionada diretamente com o desperdício da madeira ao ser cortada147. A grande maioria das indústrias reaproveita estes resíduos (76,16%), pois ainda tem como utilizá- los na confecção de detalhes ou pequenas peças de estruturação de móveis, ou ainda de pequenos objetos. Em contraponto a esta maioria, observa-se que 28,56% descartam estes resíduos.
As empresas utilizam-se bastante de serviços terceirizados. Dentre estes, o transporte é o mais utilizado por aproximadamente 80% das empresas, que o utilizam para levar a matéria-prima até a empresa, ou para entregar o móvel ao consumidor, sem, contudo, esse fato significar estratégia de redução de custos e sim a falta de estrutura própria de transporte.
O grau de informalidade na indústria de móveis de Paragominas é muito elevado com 76% das empresas estando nesta condição (Pará, 2002a). Dentre as razões da informalidade, destacam-se: o elevado encargo tributário; os elevados encargos sociais; a baixa produtividade; falta de interesse; e ao pouco tempo em atividade.
O grau da informalidade da mão-de-obra também é significativo. A média de empregados no município é de dez por empresa, sendo que, em média, sete possuem carteira assinada e três não a possuem. Contudo cabe destacar que as empresas formais possuem uma média de mão-de-obra superior a este número ao passo que as empresas informais, no geral, trabalham com mão-de-obra familiar. Entre os principais problemas
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O mobiliário em suas diversas utilizações (residencial, escolar, industrial, hospitalar etc.), tem, no hall
de suas características, demanda de tecnologia pouco complexa e de baixo custo, quando comparado a outras atividades produtivas, além de inúmeras oportunidades de mercado. No município de Paragominas, observa-se que o mercado municipal é o mais atingido. Este fato pode ser justificado pelas dificuldades de acesso a outros mercados, tais como escala de produção e a falta de estrutura de transporte. Em geral, os mercados estadual e nacional são atingidos por produtores formais, que se encontram mais estruturados e em melhores condições de competição.
com a mão-de-obra destaca-se seu baixo grau de qualificação e pretensão salarial acima das possibilidades do empregador148.
Os proprietários, em geral, não possuem um tipo de formação específica à atividade desenvolvida, o que contribui para a desorganização funcional em muitos aspectos, dentre os quais, pode-se destacar, o processo produtivo149, em decorrência do desconhecimento de técnicas adequadas para a execução das etapas de produção.
Em termos da aquisição da matéria-prima em torno de 95% dos moveleiros a adquirem de terceiros e apenas 9,52% dos empresários abastecem sua fábrica com matéria-prima própria150. A totalidade da matéria-prima é proveniente do próprio município, todavia, dentre as dificuldades na sua compra destacam-se: custos elevados, prazo de pagamento e qualidade da madeira. Em grande parte isto deriva do fato das indústrias madeireiras, em geral, só venderem em grande quantidade para grandes empresários ou exportadores, restando para o consumo local a madeira de menor qualidade e que não passa pelos controles de exportação. Sendo assim, os moveleiros ficam submetidos a comprar madeira de atravessadores, a preços mais altos e com menores prazos de pagamento151. Outro fato importante observado no município, é que a matéria-prima utilizada muitas vezes é obtida pela doação de resíduos provenientes das indústrias madeireiras.
Além da dificuldade na aquisição da matéria-prima, parte significativa dos empresários sofre de dificuldade na aquisição de maquinário fundamentalmente pela: falta de linha de crédito; falta de escala de produção; deficiência no treinamento da mão-de-obra; inadequação das máquinas para a matéria-prima local; dificuldade de acesso a conhecimentos de processos tecnológicos; falta de assistência técnica; falta de mão-de-obra para operação; falta de mercado; e, elevada carga tributária.
A maioria das movelarias de Paragominas elabora seus produtos como montados, o que é característica das pequenas fábricas por também só trabalharem sob
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No momento do corte devem ser observados: o melhor ângulo, manchas, rachaduras e outros, de maneira a obter o melhor aproveitamento da madeira, evitando perdas. As perdas também ocorrem quando os móveis são copiados de desenhos que não apresentam dimensionamento.
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Essa última dificuldade está diretamente relacionada aos serviços de empreitada, pois o que se pode ser percebido, é que em Paragominas, nesse tipo de serviço, os empregados exigem receber o equivalente a 25% da produção.
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Em termos do grau de instrução dos proprietários verifica-se que 47,62% dos proprietários não concluíram o Ensino Fundamental, e que 33,3% não concluíram o Ensino Médio. Somente 4,76% possuem o Ensino Superior Completo (Pará, 2002a).
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Entre as espécies mais utilizadas destacam-se por ordem de importância: angelim, ipê, pau amarelo, sucupira, cedro, jatobá, taquari e timboana.
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O baixo índice de organização social é fator que dificulta a construção de uma estratégia de compra conjunta que facilite a aquisição da matéria-prima, a menores custos e de melhor qualidade.
encomenda. A porcentagem de concepção de desmontados e modulados é pequena, pois esses tipos de produtos requerem uma linha de produção mais detalhada e maior nível de especialização. Na produção, a maioria das movelarias utiliza processo semi- industrial e artesanal, na confecção de seus produtos152. Em termos de design o estilo rústico é o mais utilizado por se tratar de município com características rurais. No entanto, verifica-se uma produção significativa no estilo moderno e clássico.
O desenvolvimento dos produtos é feito de 3 maneiras pelas empresas: copia de revistas ou publicações; elaboração própria; ou recebe o desenho do próprio cliente. Dentre as que elaboram o próprio produto, o fazem de duas formas: pelo próprio dono ou por um desenhista. Cabe destacar que de maneira geral, não é utilizada mão-de- obra especializada, o que impacta diretamente o processo produtivo, pois, quando se tem um projeto bem elaborado, além de se evitar problemas estruturais e de produção, têm-se produtos de maior qualidade produzidos de maneira adequada e até redução dos custos.
Durante o processo de desenvolvimento do produto, praticamente todas as indústrias pesquisadas fazem alterações por meio de solicitação direta dos clientes ou observam tendências em feiras e revistas, não sendo utilizados serviços especializados. O fato de não existirem empresas que dispõem de departamento de projetos e/ou que utilizam serviços de designers ocorre porque, além do baixo nível de informação e do baixo poder econômico dos empresários de Paragominas, as movelarias desse município ainda não têm volume de produção que justifique tais serviços.
Quanto às instituições consultadas pelo setor moveleiro de Paragominas para obtenção de informações, a mais consultada é o sistema SEBRAE. Outras instituições consultadas são a COOPERMÓVEIS e o SINDISERPA. Contudo, ainda é significante o número de moveleiros que nunca procurou instituições (33,32%). Ademais, ressalta-se que nenhuma instituição de pesquisa foi consultada pelos produtores, e que é baixo o índice de consultas nos órgãos do governo (Pará, 2002a). Ainda no tocante a demanda por informação, o maior interesse dos moveleiros de Paragominas é: por mercados de atuação e oportunidades de negócios, parcerias e terceirização; qualificação de recursos humanos; fontes de financiamento; transferência de tecnologia, normas técnicas e propriedade industrial; processo de produção/controle e qualidade/gestão; assistência técnica; fornecedores de máquinas e equipamentos;
fornecedores de matéria-prima/insumos; manutenção de máquinas e equipamentos; extensão tecnológica (projeto/diagnóstico/resolução de problemas); e, publicações técnicas.
No que se refere às dificuldades encontradas na busca por informações, verifica-se que os maiores entraves estão no: excesso de burocracia; na falta de pessoal de atendimento qualificado; desconhecimento dos centros e serviços de informação; falta de divulgação das informações existentes; descrédito nas informações; no desinteresse dos moveleiros; na demora do atendimento; e, custo elevado dos serviços. Sem embargo, as fontes de informação mais utilizadas são: publicações especializadas (revistas, boletins, relatórios e catálogos); programas de televisão; feiras e exposições; catálogos de fornecedores e fabricantes; cursos, congressos, seminários e palestras; jornais; programas de rádio; sítios da internet; e, consultores e especialistas.