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AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA

No documento DIREITO DO TRABALHO I material 09 (páginas 30-35)

Sendo assim, a súmula 241 tende a ser alterada/cancelada

A) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA

AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA.

COPARTICIPAÇÃO DO EMPREGADO NO CUSTEIO. Caracterizada a existência de dissenso pretoriano, dá-se provimento ao agravo de instrumento para destrancar o recurso de revista. Agravo de instrumento conhecido e provido.

B) RECURSO DE REVISTA. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA. COPARTICIPAÇÃO DO EMPREGADO NO CUSTEIO.

Cinge-se a controvérsia à natureza jurídica do auxílio-alimentação fornecido ao longo da contratualidade, mediante coparticipação do empregado

maiores debates, consoante o entendimento jurisprudencial firmado no âmbito deste Tribunal Superior, no sentido de que a alimentação fornecida de forma não gratuita pelo empregador, mediante contribuição do empregado no custeio da parcela, descaracteriza a sua natureza salarial. Precedentes.

Recurso de revista conhecido e provido. (meu grifo)

9.6. Formas e meios de pagamento do salário:

O salário deve ser pago pessoalmente ao empregado, mediante recibo, até o 5º dia útil do mês subsequente ao trabalhado, conforme previsto no artigo 459, § 1º, da Consolidação das Leis do Trabalho.

O principal meio de pagamento do salário é o dinheiro. O artigo 463 da Consolidação das Leis do Trabalho proíbe o pagamento em moeda estrangeira. Logo, se a contratação for feita em moeda estrangeira no ato do pagamento deverá ser feita conversão para a moeda nacional.

O pagamento pode ser feito em cheque o depósito bancário (artigo 464 da Consolidação das Leis do Trabalho), sendo vedado o pagamento em notas promissórias, pois além de prorrogar a data do pagamento é de difícil circulação. Proibido também o empregador pagar o salário do empregado através de vales ou bônus (o chamado truck system), adiante explicado.

9.7. Proteção ao salário:

-

Truck-sistem – trata-se de uma limitação na autonomia do trabalhador em escolher como e

onde quer gastar ou investir seu salário. A legislação trabalhista é expressa no sentido de se proibir o pagamento do salário por meio de vales, bônus ou equivalentes para a aquisição de mercadoria no estabelecimento do empregador. Essa proibição está contida no artigo 462, § 2º da CLT.

Exceção – artigo 462, § 3º da CLT.

Art. 462 - Ao empregador é vedado efetuar qualquer desconto nos salários do empregado, salvo quando este resultar de adiantamentos, de dispositivos de lei ou de contrato coletivo.

(...)

§ 2º - É vedado à empresa que mantiver armazém para venda de mercadorias aos empregados ou serviços estimados a proporcionar-lhes prestações "in natura" exercer qualquer coação ou induzimento no sentido de que os empregados se utilizem do armazém ou dos serviços. (Incluído pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967)

§ 3º - Sempre que não for possível o acesso dos empregados a armazéns ou serviços não mantidos pela Empresa, é lícito à autoridade competente determinar a adoção de medidas adequadas, visando a que as mercadorias sejam vendidas e os serviços prestados a preços razoáveis, sem intuito de lucro e sempre em benefício dos empregados. (Incluído pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967)

Se o salário for ajustado por tempo não se admite alteração para salário por unidade de obra ou para salário misto, em razão do princípio da inalterabilidade e intangibilidade formal do salário.

A partir da Constituição Federal de 1988, em seu artigo 7º, inciso VI, a redução salarial somente é possível por meio de negociação coletiva.

9.8. Descontos legais: contribuição previdenciária, imposto de renda, contribuição sindical, ressarcimento em caso de dano doloso ou culposo provocado pelo empregado, neste último caso, desde que a possibilidade tenha sido acordada pelas partes (art. 462, § 1º da CLT):

Art. 462 - Ao empregador é vedado efetuar qualquer desconto nos salários do empregado, salvo quando este resultar de adiantamentos, de dispositivos de lei ou de contrato coletivo.

§ 1º - Em caso de dano causado pelo empregado, o desconto será lícito, desde que esta possibilidade tenha sido acordada ou na ocorrência de dolo do empregado. (Parágrafo único renumerado pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967)

Exemplo: desconto do salário do frentista do valor de cheques devolvidos sem provisão de fundos, quando ele não observou as recomendações previstas em instrumento coletivo (OJ 251 da SDI-1):

OJ-SDI1-251 DESCONTOS. FRENTISTA. CHEQUES SEM FUNDOS (inserida em 13.03.2002)

quando o frentista não observar as recomendações previstas em instrumento coletivo.

9.8.1. Descontos salariais convencionais: somente poderá ser feito com autorização prévia e por escrito do empregado, tais como, despesas com planos de assistência médico-hospitalar, de seguro, de previdência privada ou de entidade cooperativa, cultural ou recreativa associativa dos trabalhadores do empregador. Todavia, comprovada a coação ou outro defeito capaz de viciar essa autorização, o desconto efetuado a esse título será destituído de validade, impondo-se a sua restituição (Súmula 342, do TST):

SUM-342 DESCONTOS SALARIAIS. ART. 462 DA CLT (mantida) - Res.

121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003

Descontos salariais efetuados pelo empregador, com a autorização prévia e por escrito do empregado, para ser integrado em planos de assistência odontológica, médico-hospitalar, de seguro, de previdência privada, ou de entidade cooperativa, cultural ou recreativo-associativa de seus trabalhadores, em seu benefício e de seus dependentes, não afrontam o disposto no art. 462 da CLT, salvo se ficar demonstrada a existência de coação ou de outro defeito que vicie o ato jurídico.

Obs.: Nos termos do artigo 1º da Lei 10.820, de 17/12/2003, incluem-se entre os descontos salariais efetuados pelo empregador, com a autorização do empregado em sua folha de pagamento ou sobre as verbas rescisórias aqueles destinados a quitar empréstimos, financiamentos e operações de arrendamento mercantil concedidos por instituições financeiras e sociedades de arrendamento mercantil. Todavia, não poderá exceder de 35% da remuneração:

Art. 1o Os empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, poderão autorizar, de forma irrevogável e irretratável, o desconto em folha de pagamento ou na sua remuneração disponível dos valores referentes ao pagamento de empréstimos, financiamentos, cartões de crédito e operações de arrendamento mercantil concedidos por instituições financeiras e sociedades de arrendamento mercantil, quando previsto nos respectivos contratos. (Redação dada pela Lei nº 13.172, de 2015)

§ 1o O desconto mencionado neste artigo também poderá incidir sobre verbas rescisórias devidas pelo empregador, se assim previsto no respectivo contrato de

empréstimo, financiamento, cartão de crédito ou arrendamento mercantil, até o limite de 35% (trinta e cinco por cento), sendo 5% (cinco por cento) destinados exclusivamente para: (Redação dada pela Lei nº 13.172, de 2015)

I - a amortização de despesas contraídas por meio de cartão de crédito; ou (Incluído pela pela Lei nº 13.172, de 2015)

II - a utilização com a finalidade de saque por meio do cartão de crédito.

(Incluído pela pela Lei nº 13.172, de 2015)

OJ-SDC-18

DESCONTOS AUTORIZADOS NO SALÁRIO PELO TRABALHADOR.

LIMITAÇÃO MÁXIMA DE 70% DO SALÁRIO BASE (inserida em 25.05.1998)

Os descontos efetuados com base em cláusula de acordo firmado entre as partes não podem ser superiores a 70% do salário base percebido pelo empregado, pois deve-se assegurar um mínimo de salário em espécie ao trabalhador.

9.8.2. Proteção do salário contra credores do empregador:

Em caso de falência: o salário tem caráter alimentar, constituindo crédito privilegiado ou preferencial na falência.

Nova Lei de falência: Lei n. 11.101, de 09/02/2005, artigo 83

– crédito referente a salários

bem como as indenizações ficaram limitados a 150 salários mínimos por credor. Os créditos de acidente do trabalho são privilegiados e estão fora do limite legal.

Art. 83 (Lei n. 11.101/2005). A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem:

I – os créditos derivados da legislação do trabalho, limitados a 150 (cento e cinqüenta) salários-mínimos por credor, e os decorrentes de acidentes de trabalho;

9.8.3. Proteção do salário contra familiares do empregado: o salário deve ser pago diretamente ao empregado, ainda que menor de 18 anos (artigo 439 da CLT).

Apenas na hipótese de dissolução do contrato, ao menor de 18 anos é necessária a assistência dos seus responsáveis legais.

Art. 439 - É lícito ao menor firmar recibo pelo pagamento dos salários.

Tratando-se, porém, de rescisão do contrato de trabalho, é vedado ao menor de

empregador pelo recebimento da indenização que lhe for devida.

Contra credores do empregado: nos termos do artigo 833 do Código de Processo Civil de

No documento DIREITO DO TRABALHO I material 09 (páginas 30-35)

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