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DIREITO DO TRABALHO I material 09

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Através de material gentilmente cedido pela

Professora Leizer Pereira da Silva, a quem dedico meus sinceros agradecimentos!

9. REMUNERAÇÃO 9.1. Conceito:

Remuneração corresponde ao conjunto de todas as prestações recebidas pelo empregado pela prestação do serviço, em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiro, devida por força do contrato de trabalho.

Nos termos da CLT, compreendem-se na remuneração, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber, conforme previsão no artigo 457:

Art. 457 - Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber.

Salário é palavra derivada do latim salarium, que teve origem na palavra salis, que significa sal.

O sal era a moeda de pagamento oferecida pelos romanos para pagar os domésticos e os soldados. Conforme artigo acima transcrito, é a contraprestação devida ao trabalhador e paga diretamente pelo empregador por força do contrato de trabalho.

O salário mínimo vigente (2020) é R$ 1.045,00 (mil e quarenta e cinco reais).

9.2. Composição do salário:

De acordo com previsão nos §§ 1º, 2º e 3º do artigo 457 da CLT e artigo 458, caput, o salário

compõe-se de importância fixa em dinheiro, de utilidades (tudo que não é salário -

alimentação, habitação, vestuário e outras prestações

in natura), de comissões, percentagens,

gratificações legais e de função, além das gorjetas (não só a importância espontaneamente dada

pelo cliente ao empregado, como também o valor cobrado pela empresa, como serviço ou

adicional, a qualquer título, e destinado à distribuição aos empregados):

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Art. 457 - Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber.

§ 1o Integram o salário a importância fixa estipulada, as gratificações legais e as comissões pagas pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017)

§ 2o As importâncias, ainda que habituais, pagas a título de ajuda de custo, auxílio-alimentação, vedado seu pagamento em dinheiro, diárias para viagem, prêmios e abonos não integram a remuneração do empregado, não se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem base de incidência de qualquer encargo trabalhista e previdenciário. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017)

§ 3º Considera-se gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também o valor cobrado pela empresa, como serviço ou adicional, a qualquer título, e destinado à distribuição aos empregados. (Redação dada pela Lei nº 13.419, de 2017)

§ 4o Consideram-se prêmios as liberalidades concedidas pelo empregador em forma de bens, serviços ou valor em dinheiro a empregado ou a grupo de empregados, em razão de desempenho superior ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades.

(Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017)

** (os §§ 5º a 11 referem-se especificamente a gorjetas)** REVOGADOS

Segue abaixo decisão do Tribunal Superior do Trabalho, publicada em 17/05/2019:

Poder Judiciário Justiça do Trabalho

Tribunal Superior do Trabalho

PROCESSO Nº TST-RR-2019-33.2011.5.03.0018 A C Ó R D Ã O

6ª Turma

GMACC/nfa/av/mrl

AGRAVO DE INSTRUMENTO DA RECLAMADA EMPREZA CENTRAL DE NEGÓCIOS LTDA. APÓS À ÉGIDE DA LEI 13.015/2014. VALE- TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NATUREZA

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instrumento, ante a demonstração de divergência jurisprudencial.

RECURSO DE REVISTA DA RECLAMADA EMPREZA CENTRAL DE NEGÓCIOS LTDA. APÓS À ÉGIDE DA LEI 13.015/2014.

CONTRATO UNIFICADO. CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA NÃO CONFIGURADA. Conforme se extrai dos autos, a reclamada extrapolou o limite legal para contratação temporária, desatendendo o prescrito nos artigos 2º e 10, § 2º da Lei 6.019/1974. Ademais, as provas confirmaram registro de contrato único. Assim, a aferição das alegações recursais requereria novo exame do quadro factual delineado na decisão regional, na medida em que se contrapõem frontalmente à assertiva fixada no acórdão regional, circunstância que atrai a incidência da Súmula 126 do TST. Recurso de Revista não conhecido.

INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ACIDENTE DE TRABALHO TÍPICO. PERCEPÇÃO DE AUXÍLIO DOENÇA ACIDENTÁRIO PELO INSS. QUANTUM INDENIZATÓRIO. O valor arbitrado a título de reparação por dano moral somente pode ser revisado na instância extraordinária nos casos em que se vulneram os preceitos de lei ou Constituição, os quais emprestam caráter normativo ao princípio da proporcionalidade. Considerando a moldura factual definida pelo Regional e insusceptível de revisão (Súmula 126 do TST), não há parâmetros que autorizem esta Corte a analisar se o valor atribuído - R$

20.000,00, - mostra-se excessivamente alto a ponto de se o conceber desproporcional. Não há qualquer registro acerca do tipo de acidente e respectivas sequelas, mas apenas a consignação de ser incontroversa a ocorrência do acidente, emissão da CAT, percepção de auxílio doença acidentário pelo INSS e conclusão pericial pelo nexo de causalidade.

Não houve oposição de embargos declaratórios.

Portanto, insuperável o óbice da Súmula 126 do TST, reitera-se, no caso concreto. Recurso de revista não conhecido.

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INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ASSÉDIO MORAL CONFIGURADO. O Regional, com fundamento no conjunto probatório dos autos, concluiu, com acerto, pela abusividade do poder diretivo do empregador. O TRT consignou ainda a existência de exposição do trabalhador de forma depreciativa e humilhante ante os outros trabalhadores, sendo incontestável o dano moral sofrido. Assim, deve ser reconhecida a culpa empresária. Tratando-se de dano moral, o sofrimento, decorrente de lesão à esfera íntima do sujeito, deve ser determinante para alcançar indenização, cujo sentido maior é a reparação de um dano de tal intensidade e que gere tamanha repercussão social - a qual pode ser de âmbito empresarial e até extrapolar essa esfera - a ponto de refletir de forma decisiva em sua vida, no contexto psicossocial, familiar e profissional. Recurso de revista não conhecido.

ASSÉDIO MORAL. XINGAMENTOS. QUANTUM INDENIZATÓRIO. O valor arbitrado a título de reparação por dano moral somente pode ser revisado na instância extraordinária nos casos em que se vulneram os preceitos de lei ou Constituição, os quais emprestam caráter normativo ao princípio da proporcionalidade. Considerando a moldura factual definida pelo Regional e insusceptível de revisão (Súmula 126 do TST), o valor atribuído - R$ 15.000,00, - não se mostra excessivamente elevado a ponto de se o conceber desproporcional, considerando o registro do Regional acerca dos constrangimentos a que era submetido o reclamante com os constantes xingamentos sofridos.

Recurso de revista não conhecido

VALE-TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. A Jurisprudência pacífica desta Corte posiciona-se no sentido de que o pagamento em pecúnia do vale-transporte não altera a sua natureza indenizatória, ante o que dispõe o art. 2º da Lei 7.418/83. Nesse diapasão, ao concluir pela natureza salarial do vale-transporte, pelo simples fato de ter sido pago ao reclamante em dinheiro, o Regional

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Recurso de revista conhecido e provido.

RECURSO DE REVISTA DA ECT. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. ENTE PÚBLICO. SÚMULA 331 DO TST. CULPA IN VIGILANDO. ÔNUS DA PROVA. MÁ APLICAÇÃO. A 6ª Turma do TST decidiu seguir o teor de decisões monocráticas do STF que têm afirmado que é do reclamante o ônus da prova acerca da efetiva fiscalização na execução do contrato de terceirização de mão de obra por integrante da Administração Pública. Considerando que no caso em exame a ausência de fiscalização decorreu unicamente do entendimento de não satisfação do encargo probatório pela tomadora dos serviços, o que contrariaria o entendimento exarado pela Suprema Corte - ressalvado entendimento contrário do relator -, ficou ausente registro factual específico da culpa in vigilando em que teria incorrido a tomadora de serviços. Nesse contexto, não há como manter a responsabilidade subsidiária do ente público contratante. Recurso de revista conhecido e provido.

Art. 458 - Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações

"in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967)

§ 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário-mínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967)

§ 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)

I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)

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II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)

III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)

IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante seguro-saúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)

V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)

VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)

VIII - o valor correspondente ao vale-cultura. (Incluído pela Lei nº 12.761, de 2012)

§ 3º - A habitação e a alimentação fornecidas como salário-utilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do salário-contratual.

(Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994)

§ 4º - Tratando-se de habitação coletiva, o valor do salário-utilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de co-habitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994)

§ 5o O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio ou não, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, próteses, órteses, despesas médico-hospitalares e outras similares, mesmo quando concedido em diferentes modalidades de planos e coberturas, não integram o salário do empregado para qualquer efeito nem o salário de contribuição, para efeitos do previsto na alínea q do § 9o do art. 28 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)

SUM-258 SALÁRIO-UTILIDADE. PERCENTUAIS (nova redação) - Res.

121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003

Os percentuais fixados em lei relativos ao salário "in natura" apenas se referem às hipóteses em que o empregado percebe salário mínimo, apurando-se, nas demais, o real valor da utilidade.

SUM-354 GORJETAS. NATUREZA JURÍDICA. REPERCUSSÕES (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003

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espontaneamente pelos clientes, integram a remuneração do empregado, não servindo de base de cálculo para as parcelas de aviso-prévio, adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado.

Abaixo, decisão proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, publicada em 22/01/2019:

PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA DO TRABALHO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 2ª REGIÃO RECURSO ORDINÁRIO - TRT/SP Nº 1001190-42.2017.5.02.0086 1º RECORRENTE: EMERSON ROGERIO RODRIGUES

2º RECORRENTE: MUZZA & RELLA PIZZARIA LTDA - ME ORIGEM: 86ª Vara do Trabalho de São Paulo

EMENTA

Integrações. Taxa de utilização de motocicleta de propriedade do trabalhador. A parcela correspondente à taxa pela utilização de motocicleta própria não detém natureza jurídica salarial, na medida em que é fornecida para execução do trabalho e não em caráter contraprestativo. Recurso do autor ao qual se nega provimento. (meus grifos)

PODER JUDICIÁRIO FEDERAL Justiça do Trabalho - 2ª Região

PROCESSO TRT/SP Nº 0001057-78.2014.5.02.0035 - 3ª TURMA RECURSO ORDINÁRIO

RECORRENTE: JOUBERT SIQUEIRA

RECORRIDA: LANXESS INDÚSTRIA DE PRODUTOS QUÍMICOS E PLÁSTICOS LTDA.

ORIGEM: 35ª VARA DO TRABALHO DE SÃO PAULO/SP

SALÁRIO UTILIDADE. VEÍCULO. INCORPORAÇÃO. O veículo fornecido pelo empregador ao empregado, quando indispensável para a realização do trabalho, não tem natureza salarial, ainda que seja utilizado em atividades particulares, sendo indevida a incorporação ao salário. Nesse sentido a Súmula 367, item I do C. TST. Recurso Ordinário a que se nega provimento. (grifei)

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PROCESSO Nº TST-ARR-20925-70.2016.5.04.0664 PUBLICAÇÃO – 15/03/2019

ACÓRDÃO (8ª Turma) GMDMC/Esr/cb/wa

A) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA.

AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA.

COPARTICIPAÇÃO DO EMPREGADO NO CUSTEIO. Caracterizada a existência de dissenso pretoriano, dá-se provimento ao agravo de instrumento para destrancar o recurso de revista. Agravo de instrumento conhecido e provido.

B) RECURSO DE REVISTA. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA. COPARTICIPAÇÃO DO EMPREGADO NO CUSTEIO.

Cinge-se a controvérsia à natureza jurídica do auxílio-alimentação fornecido ao longo da contratualidade, mediante coparticipação do empregado no custeio do benefício. A controvérsia não comporta maiores debates, consoante o entendimento jurisprudencial firmado no âmbito deste Tribunal Superior, no sentido de que a alimentação fornecida de forma não gratuita pelo empregador, mediante contribuição do empregado no custeio da parcela, descaracteriza a sua natureza salarial. Precedentes.

Recurso de revista conhecido e provido. (grifei)

Súmula nº 367 do TST

UTILIDADES "IN NATURA". HABITAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA.

VEÍCULO. CIGARRO. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 24, 131 e 246 da SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005

I - A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. (ex-Ojs da SBDI-1 nºs 131 - inserida em 20.04.1998 e ratificada pelo Tribunal Pleno em 07.12.2000 - e 246 - inserida em 20.06.2001) (grifei)

II - O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde. (ex-OJ nº 24 da SBDI-1 - inserida em 29.03.1996)

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Decisão publicada em 12/04/2019:

Poder Judiciário Justiça do Trabalho

Tribunal Superior do Trabalho

PROCESSO Nº TST-RR-11589-93.2014.5.15.0021 A C Ó R D Ã O

3ª Turma GMAAB/jan/LSB

I - AGRAVO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. TRANSCRIÇÃO INTEGRAL. ACÓRDÃO SUCINTO. Com efeito, tendo em vista que a decisão regional se mostra bastante sucinta quanto ao tema, restou demonstrado o desacerto do despacho agravado em relação à transcrição integral do tópico “Salário in natura” no recurso de revista, demonstrando o preenchimento dos requisitos do artigo 896 §1º-A, da CLT. Afastado o óbice apontado na decisão agravada, impõe-se a sua reconsideração relativamente à transcrição integral do tópico do acórdão regional em análise. Agravo conhecido e provido.

II – AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA.

INTEGRAÇÃO DA UTILIDADE. SALÁRIO IN NATURA.

FORNECIMENTO DE VEÍCULO PARA O TRABALHO E USO PARTICULAR. A decisão do e. Tribunal Regional parece contrariar a Súmula 367 do TST, razão pela qual se dá provimento ao agravo de instrumento para melhor exame do recurso de revista. Agravo de instrumento conhecido e provido.

III - RECURSO DE REVISTA. INTEGRAÇÃO DA UTILIDADE.

SALÁRIO IN NATURA. FORNECIMENTO DE VEÍCULO PARA O TRABALHO E USO PARTICULAR. Em relação ao salário in natura, o artigo 458 da CLT, com a interpretação adotada pela Súmula 367 do TST, diferencia o fornecimento da utilidade com a contraprestação pelo trabalho e para o trabalho. No presente caso, a situação amolda-se à segunda hipótese. Conforme se denota do quadro fático delineado pelo Tribunal Regional, o veículo fornecido pela empresa era

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imprescindível para o trabalho, não obstante pudesse também ser utilizado pelo empregado para fins particulares. Esse entendimento acerca da matéria já se encontra pacificado nesta Corte por meio da Súmula 367, I, do TST. Dessa forma, a decisão do e. Tribunal Regional contraria a Súmula 367 do TST. Recurso de revista conhecido por contrariedade à Súmula 367, do TST e provido.

CONCLUSÃO: Agravo conhecido e provido; Agravo de instrumento conhecido e provido; Recurso de revista conhecido por contrariedade à Súmula 367, do TST e provido. (grifei)

Abaixo, decisão proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região, publicada em 02/03/2020:

PODER JUDICIÁRIOJUSTIÇA DO TRABALHO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 18ª REGIÃO 2ª TURMA

PROCESSO TRT - ROT-0010646-84.2019.5.18.0161

RELATOR: DESEMBARGADOR GERALDO RODRIGUES DO

NASCIMENTO

RECORRENTE: SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO – SESC ADVOGADO(S): NÁDIA TAVARES CARDOSO MORAIS RECORRIDO: POLLYANA SILVA BORGES

ADVOGADO(S): REGINALDO ROMUALDO PEREIRA ORIGEM : VT DE CALDAS NOVAS-GO

JUIZ(ÍZA) : JULIANO BRAGA SANTOS

EMENTA: HABITAÇÃO. DESCONTOS DO ALUGUEL NOS

CONTRACHEQUES. NATUREZA INDENIZATÓRIA. O fornecimento da habitação pelo empregador, em regra, constitui salário "in natura", não podendo ser reconhecida a natureza salarial, salvo se ficar demonstrada a indispensabilidade para o trabalho ou se houver descontos salariais relativos à cobrança de parte do valor da utilidade, independentemente da quantia, consoante entendimento analógico firmado por este Egrégio Tribunal, ao apreciar o IRDR-0010195-28.2017.5.18.0000, com julgamento em 18.09.2018. No presente caso, foram descontados do salário da autora valores referentes ao aluguel, emergindo a natureza indenizatória da habitação. Recurso patronal provido. (meu grifo)

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9.3. Comissões:

Forma de pagamento calculada sobre o resultado do trabalho, ou seja, sobre as vendas efetivadas pelo empregado.

Como integra o salário nos termos do artigo 457, § 1º da CLT (já transcrito acima), tem natureza salarial.

É uma retribuição muito comum para remunerar o trabalho dos vendedores, viajantes pracistas etc. (empregados). As comissões abrangem as percentagens. Podem ser pagas não só por meio de percentagens, mas por unidades.

O artigo 466 da CLT estabelece que o pagamento de comissões e percentagens somente é exigível depois de ultimada a transação:

Art. 466 - O pagamento de comissões e percentagens só é exigível depois de ultimada a transação a que se referem.

§ 1º - Nas transações realizadas por prestações sucessivas, é exigível o pagamento das percentagens e comissões que lhes disserem respeito proporcionalmente à respectiva liquidação.

§ 2º - A cessação das relações de trabalho não prejudica a percepção das comissões e percentagens devidas na forma estabelecida por este artigo.

A ideia do legislador é de que o empregado tem direito de receber a comissão a partir do momento da efetivação da transação (aceita pelo patrão), independentemente de a transação ter sido quitada ou não, sob pena de o empregado concorrer com o risco do negócio. O direito às comissões nasce com a aceitação do negócio.

PROCESSO TRT/SP Nº 00012338220145020059 - 14ª TURMA RECURSO ORDINÁRIO

ORIGEM: 59ª VARA DO TRABALHO DE SÃO PAULO

RECORRENTE: VIVIANE GRACE TRINDADE DE OLIVEIRA ADV.: FERNANDO MARCOS DE CARVALHO

RECORRIDO: POLIMPORT COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA ADV.: THIAGO LOBO VIANA GONÇALVES NUNES

JUIZ SENTENCIANTE: MAURÍCIO MARCHETTI

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EMENTA COMISSÕES. VENDAS CANCELADAS PELOS CLIENTES.

ESTORNO DA COMISSÃO INDEVIDO. O art. 7º da Lei nº 3.207/57 autoriza o estorno da comissão paga apenas quando verificada a insolvência do comprador, e não na hipótese de a mercadoria vendida ter sido posteriormente trocada ou devolvida, ou em razão do cancelamento da venda pelo cliente, de modo que a conduta da reclamada em estornar comissões em razão de cancelamentos dos clientes se revela como ilícita, transferindo ao empregado o risco do negócio. Mercadorias devolvidas se referem a negócios concluídos, sendo devida a comissão, conforme art. 4º da referida lei.

A Lei n. 3.207/1957 regulamenta as atividades dos empregados vendedores, viajantes ou pracistas. Seu artigo 7º, acima mencionado, assim prevê:

Art 7º. Verificada a insolvência do comprador, cabe ao empregador o direito de estornar a comissão que houver pago.

Transações realizadas por prestações sucessivas (artigo 466, § 1º da CLT, já transcrito acima). O pagamento das comissões ocorrerá de acordo com a periodicidade ajustada para a liquidação, ou seja, o vencimento de cada parcela.

Exemplo: um empregado efetua a venda de um aparelho de televisão, no valor de R$

3.000,00 em 03 parcelas de R$ 1.000,00, vencíveis todo dia 10 a iniciar no mês subsequente ao da efetivação da transação, ele (o empregado) deverá receber sua comissão sobre a parcela de R$ 1.000,00 durante os 03 meses sucessivos, independente de o cliente pagar ou não.

Prestação vencida após o término do contrato de trabalho – o ex-empregado terá direito de receber as comissões incidentes após o término do contrato de trabalho (artigo 466, § 2º da CLT, também já transcrito acima). A cada vencimento do valor da parcela ajustada o empregador deverá efetuar um termo de rescisão contratual complementar com o valor da comissão, com reflexos no FGTS, nas férias proporcionais, ou integrais se for o caso, no 13º salário pela proporção paga na rescisão primitiva.

O direito às comissões já tinha sido adquirido antes da extinção do contrato de emprego.

9.4. Gratificações:

A gratificação é um

plus pago pelo empregador para remunerar ou estimular o exercício de

determinada situação, função, época ou para incentivo. Tem caráter salarial, desde que

ajustada tácita ou expressamente (artigo 457, § 1º, da CLT, já transcrito acima).

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Sobre tal tema, são importantes as seguintes Súmulas do TST:

SUM-159 SUBSTITUIÇÃO DE CARÁTER NÃO EVENTUAL E VACÂNCIA DO CARGO (incorporada a Orientação Jurisprudencial nº 112 da SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005

I - Enquanto perdurar a substituição que não tenha caráter meramente eventual, inclusive nas férias, o empregado substituto fará jus ao salário contratual do substituído. (ex-Súmula nº 159 - alterada pela Res. 121/2003, DJ 21.11.2003) II - Vago o cargo em definitivo, o empregado que passa a ocupá-lo não tem direito a salário igual ao do antecessor. (ex-OJ nº 112 da SBDI-1 - inserida em 01.10.1997)

SUM-372 GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO. SUPRESSÃO OU REDUÇÃO.

LIMITES (conversão das Orientações Jurisprudenciais nos 45 e 303 da SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005

I - Percebida a gratificação de função por dez ou mais anos pelo empregado, se o empregador, sem justo motivo, revertê-lo a seu cargo efetivo, não poderá retirar-lhe a gratificação tendo em vista o princípio da estabilidade financeira. (ex-OJ nº 45 da SBDI-1 - inserida em 25.11.1996)

II - Mantido o empregado no exercício da função comissionada, não pode o empregador reduzir o valor da gratificação. (ex-OJ nº 303 da SBDI-1 – DJ 11.08.2003) – ESSA SÚMULA POSSIVELMENTE SERÁ ALTERADA EM FACE DO QUE DISPÕE O §2º DO ARTIGO 468 DA CLT:

Art. 468 - Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, e ainda assim desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia.

§ 1o Não se considera alteração unilateral a determinação do empregador para que o respectivo empregado reverta ao cargo efetivo, anteriormente ocupado, deixando o exercício de função de confiança. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017)

§ 2o A alteração de que trata o § 1o deste artigo, com ou sem justo motivo, não assegura ao empregado o direito à manutenção do pagamento da gratificação correspondente, que não será incorporada, independentemente do tempo de exercício da respectiva função.(Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017)

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SUM-202 GRATIFICAÇÃO POR TEMPO DE SERVIÇO.

COMPENSAÇÃO (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003

Existindo, ao mesmo tempo, gratificação por tempo de serviço outorgada pelo empregador e outra da mesma natureza prevista em acordo coletivo, convenção coletiva ou sentença normativa, o empregado tem direito a receber, exclusivamente, a que lhe seja mais benéfica.

SUM-203 GRATIFICAÇÃO POR TEMPO DE SERVIÇO. NATUREZA SALARIAL (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003

A gratificação por tempo de serviço integra o salário para todos os efeitos legais.

SUM-253 GRATIFICAÇÃO SEMESTRAL. REPERCUSSÕES (nova redação) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003

A gratificação semestral não repercute no cálculo das horas extras, das férias e do aviso prévio, ainda que indenizados. Repercute, contudo, pelo seu duodécimo na indenização por antiguidade e na gratificação natalina.

9.4.1. Gratificação de quebra de caixa: tem finalidade de remunerar o trabalho do caixa bancário, considerando a maior responsabilidade que a função exige, já que o empregado pode cometer erros involuntários na contagem de dinheiro.

Não há previsão legal para o pagamento; é uma parcela espontânea, isto é, nenhum empregador está obrigado a pagá-la, salvo se norma coletiva ou regulamento empresarial contiverem a previsão. Tem natureza salarial (Súmula 247/TST):

SUM-247 QUEBRA DE CAIXA. NATUREZA JURÍDICA (mantida) - Res.

121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003

A parcela paga aos bancários sob a denominação "quebra de caixa" possui natureza salarial, integrando o salário do prestador de serviços, para todos os efeitos legais.

9.4.2. Participação nos lucros ou resultados: prevista na Constituição Federal, em seus artigos 7º, XI e 218, § 4º. Está desvinculada da remuneração, não substitui nem complementa a remuneração do empregado, nem sequer a integra para qualquer efeito trabalhista, não lhe sendo aplicado o princípio da habitualidade (artigo 3º da Lei n.

10.101/2000).

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A referida lei prevê alguns requisitos: a PLR tem de ser objeto de negociação entre empresa e seus empregados, mediante um dos seguintes procedimentos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I – comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II – convenção ou acordo coletivo.

Art. 3º (Lei n. 10.101/2000) A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade.

§ 1º. Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição.

§ 2º. É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil.

(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)

§ 3º. Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados.

SUM-451 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS.

RESCISÃO CONTRATUAL ANTERIOR À DATA DA DISTRIBUIÇÃO DOS LUCROS. PAGAMENTO PROPORCIONAL AOS MESES TRABALHADOS. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 390 da SBDI-1) - Res. 194/2014, DEJT divulgado em 21, 22 e 23.05.2014

Fere o princípio da isonomia instituir vantagem mediante acordo coletivo ou norma regulamentar que condiciona a percepção da parcela participação nos lucros e resultados ao fato de estar o contrato de trabalho em vigor na data prevista para a distribuição dos lucros. Assim, inclusive na rescisão contratual antecipada, é devido o pagamento da parcela de forma proporcional aos meses trabalhados, pois o ex-empregado concorreu para os resultados positivos da empresa.

9.4.3. Gratificação de natal, ou 13º SALÁRIO, ou ainda, salário

trezeno: surgiu da prática e do costume de presentear o empregado no final do ano. A Lei

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4.090/1962, regulamentada pelo Decreto n. 57.155/1965 com os acréscimos introduzidos pela Lei 4.749/1965, incorporou essa prática, tornando a gratificação compulsória.

Art. 1º (Decreto n. 57.155/1965) O pagamento da gratificação salarial, instituída pela Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, com as alterações constantes da Lei nº 4.749, de 12 de agosto de 1965, será efetuado pelo empregador até o dia 20 de dezembro de cada ano, tomando-se por base a remuneração devida nesse mês de acordo com o tempo de serviço do empregado no ano em curso.

Parágrafo único. A gratificação corresponderá a 1/12 (um doze avos) da remuneração devida em dezembro, por mês de serviço, do ano correspondente, sendo que a fração igual ou superior a 15 (quinze) dias de trabalho será havida como mês integral.

Beneficiários: empregados urbanos, rurais, avulsos, intermitentes e domésticos (art. 7º, VIII e XXXIV e Parágrafo único, da Constituição Federal); trabalhadores temporários (Lei n.

6.019/1974).

Época de pagamento: até o dia 20 de dezembro de cada ano, com base na remuneração do mês de dezembro e observará o tempo de serviço.

Adiantamento: 1ª metade entre os meses de fevereiro e novembro de cada ano e não está obrigado a efetuar o adiantamento no mesmo mês a todos os empregados (art. 3º, § 2º do Decreto n. 57.155/1965).

Férias do empregado

– o adiantamento será pago por ocasião das férias do empregado,

desde que este o requeira no mês de janeiro do correspondente ano.

Art. 4º (Decreto n. 57.155/1965) O adiantamento será pago ao ensejo das férias do empregado, sempre que este o requerer no mês de janeiro do correspondente ano. (grifei)

Cessação do contrato de trabalho

– a gratificação natalina será proporcional aos meses

trabalhados quando ocorrer a extinção do contrato a prazo, inclusive de safra, despedida sem

justa causa, indireta, desligamento voluntário (pedido de demissão), encerramento da atividade

empresarial por falência, despedida fundada em recuperação judicial, liquidação extrajudicial,

dissolução irregular da empresa, aposentadoria (art. 1º, § 3º, II, da Lei 4.090/1962), bem

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como, o encerramento do contrato por acordo mútuo entre as partes (artigo 484-A da CLT – acrescentado pela Lei n. 13.467/2017).

Art. 484-A. O contrato de trabalho poderá ser extinto por acordo entre empregado e empregador, caso em que serão devidas as seguintes verbas trabalhistas:

I - por metade:

a) o aviso prévio, se indenizado; e

b) a indenização sobre o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, prevista no § 1o do art. 18 da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990;

II - na integralidade, as demais verbas trabalhistas.

Em caso de rescisão do contrato por culpa recíproca e força maior, o 13º salário será pago à razão de 50%. Em caso de dispensa por justa causa do empregado, a gratificação de natal não será devida (artigo 3º da Lei n. 4.090/62, artigo 7º do Decreto 57.155/65 e Súmula 14 do TST):

SUM-14 CULPA RECÍPROCA (nova redação) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003

Reconhecida a culpa recíproca na rescisão do contrato de trabalho (art. 484 da CLT), o empregado tem direito a 50% (cinquenta por cento) do valor do aviso prévio, do décimo terceiro salário e das férias proporcionais.

9.4.4. Diárias para viagem: ainda que excedam a 50% o salário do empregado, NÃO MAIS possuem natureza salarial, CONFORME NOVA REDAÇÃO DO

§ 2º do artigo 457 – acima transcrito.

SUM-318 DIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO PARA SUA INTEGRAÇÃO NO SALÁRIO (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003

Tratando-se de empregado mensalista, a integração das diárias no salário deve ser feita tomando-se por base o salário mensal por ele percebido e não o valor do dia de salário, somente sendo devida a referida integração quando o valor das diárias, no mês, for superior à metade do salário mensal. ESSA SÚMULA POSSIVELMENTE SERÁ ALTERADA/CANCELADA EM FACE DO QUE DISPÕE O §2º DO ARTIGO 457 DA CLT

Abaixo, decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região, publicada em 29/07/2019:

(18)

PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA DO TRABALHO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 18ª REGIÃO 3ª TURMA

PROCESSO TRT - RO-0011805-76.2017.5.18.0082 RELATOR : ISRAEL BRASIL ADOURIAN

RECORRENTE(S) : LINDOMAR CORREIA DE SOUSA

ADVOGADO(S) : JOAQUIM CANDIDO DOS SANTOS JUNIOR

RECORRIDO(S) : AUTO MECANICA RETIRO DO BOSQUE LTDA - ME ADVOGADO(S) : LARISSA MAIRA COSTA

ADVOGADO(S) : NELSON SOARES DA SILVA NETO ADVOGADO(S) : TARCISIO DE PINA BANDEIRA

RECORRIDO(S) : CEREALISTA E TRANSPORTES DA ROLT LTDA. - EPP

ADVOGADO(S) : LARISSA MAIRA COSTA

ADVOGADO(S) : NELSON SOARES DA SILVA NETO

RECORRIDO(S) : IRMAOS DA ROLT - TRANSPORTES, IMPORTACAO E EXPORTACAO

LTDA

ADVOGADO(S) : LARISSA MAIRA COSTA

ADVOGADO(S) : NELSON SOARES DA SILVA NETO ADVOGADO(S) : TARCISIO DE PINA BANDEIRA RECORRIDO(S) : RODANDO TRANSPORTES LTDA ADVOGADO(S) : LARISSA MAIRA COSTA

ADVOGADO(S) : NELSON SOARES DA SILVA NETO

ORIGEM : 2ª VARA DO TRABALHO DE APARECIDA DE GOIÂNIA JUIZ(ÍZA) : ENEIDA MARTINS PEREIRA DE SOUZA

EMENTA

DIÁRIAS. NATUREZA JURÍDICA. A antiga redação do § 2º do artigo 457, da CLT, bem como a Súmula nº 101, do C. TST, encerram apenas presunção relativa do caráter salarial da diária quando esta ultrapassa 50% (cinquenta por cento) da remuneração do trabalhador, o que pode ser afastado por prova em contrário. No presente caso, restou assente que as diárias visavam exclusivamente ressarcir despesas realizadas com viagens, o que afasta a sua natureza salarial.

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9.4.5. Ajudas de Custo: é parcela compulsória, paga de uma única vez e visa ressarcir as despesas com mudança do empregado em razão de sua transferência. Não possuem natureza salarial, - §2º do artigo 457 – já transcrito acima.

9.4.6. Abonos: os abonos são adiantamentos de salários e integram o salário.

9.4.7. Prêmios: tem finalidade de recompensar, estimular, agradar, presentear o empregado. É instituído em caráter liberatório para uma situação especial, não obrigando o empregador a repeti-lo “ad futurum” desde que pago esporadicamente e não tem caráter salarial. Não tem natureza salarial, conforme previsto no § 2º do artigo 457 (acima transcrito).

9.4.8. Gueltas: pagamento ao empregado feito por terceiros estranhos do empregador, a título de incentivo. Há entendimento de que possuem natureza retributiva, mesmo que pago por terceiros, o que lhe conferiria natureza salarial, por aplicação analógica do artigo 457,

caput, e § 3º da CLT e Súmula 354 do TST. Entretanto, há jurisprudência

contrária negando a integração da verba à remuneração por falta de previsão legal.

Abaixo, decisão publicada em 28/03/2019, proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região, entendendo pela NATUREZA SALARIAL DAS GUELTAS:

PROCESSO TRT - RO-0011559-87.2017.5.18.0015

RELATOR : DESEMBARGADOR DANIEL VIANA JÚNIOR RECORRENTE : FUJIOKA ELETRO IMAGEM S/A

ADVOGADA : FLORENCE SOARES SILVA

ADVOGADA : TAINA JUNGMANN GONCALVES GODOY RECORRENTE : GISLENE ALVES DE OLIVEIRA

ADVOGADO : LICINIO ELEUTERIO PACINI LEAL RECORRIDOS : OS MESMOS

ORIGEM : 15ª VARA DO TRABALHO DE GOIÂNIA JUIZ : MARCELO NOGUEIRA PEDRA

EMENTA

GUELTAS. NATUREZA JURÍDICA. A exegese do art. 457 da CLT autoriza concluir que, assim como as gorjetas, as "gueltas" pagas por fornecedores de empresas a trabalhadores desta, referentes a venda de produtos daquela

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(fornecedora), têm natureza salarial, sendo aplicável ao caso, analogicamente, a Súmula nº 354 do C. TST. (meu grifo)

Súmula nº 354 do TST

GORJETAS. NATUREZA JURÍDICA. REPERCUSSÕES (mantida) - Res.

121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003

As gorjetas, cobradas pelo empregador na nota de serviço ou oferecidas espontaneamente pelos clientes, integram a remuneração do empregado, não servindo de base de cálculo para as parcelas de aviso-prévio, adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado.

9.5. Adicionais:

9.5.1. Adicional de insalubridade: atividades ou operações insalubres, definidas em quadro aprovado pelo Ministério do Trabalho (artigo 190 da CLT) são aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho expõem os empregados a agentes químicos, físicos ou biológicos nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância (artigo 189 da CLT).

O adicional de insalubridade é calculado à base de 10%, 20% ou 40% sobre o salário mínimo se o trabalhador tiver direito ao grau mínimo, médio ou máximo, respectivamente, conforme grau de exposição aos agentes insalubres.

O agente insalubre deve estar catalogado pelo Ministério do Trabalho para que o trabalhador faça jus ao adicional de insalubridade.

Abaixo, decisão do TST publicada em 09/11/2018 sobre esse tema:

PROCESSO Nº TST-RR-20004-86.2015.5.04.0522 ACÓRDÃO

(1ª Turma) GMWOC/pv/db

RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/14. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. PEDREIRO.

CONTATO COM CIMENTO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO NA RELAÇÃO OFICIAL DO MINISTÉRIO DO TRABALHO.

Consoante a jurisprudência uniforme desta Corte Superior, a constatação da insalubridade, mediante

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respectivo adicional, sendo necessária a classificação da atividade insalubre na relação oficial elaborada pelo Ministério do Trabalho (Súmula nº 448, I, do TST). Assim, é firme o entendimento deste Tribunal de que as atividades exercidas pelos trabalhadores da construção civil, relacionadas ao manuseio de cimento e cal, não ensejam o pagamento da parcela, porquanto não se classificam como insalubres na NR 15 da Portaria nº 3.214/78 do Ministério do Trabalho, que se dirige à fabricação e transporte de cimento e cal em fase de grande exposição à poeira mineral. Dessa orientação divergiu o acórdão regional.

Recurso de revista conhecido e provido. (meu grifo)

Decisão do Tribunal Superior do Trabalho, publicada em 14/12/2018:

PROCESSO Nº TST-RR-1410-78.2017.5.21.0005 A C Ó R D Ã O

6ª Turma GDCCAS/srm

AGRAVO DE INSTRUMENTO. LEI 13.467/2017.

ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. LIMPEZA DE QUARTOS E BANHEIROS DE HOTEL. CAMAREIRA. SÚMULA 448, II, do TST.

TRANSCENDÊNCIA. O processamento do recurso de revista na vigência da Lei 13.467/2017 exige que a causa ofereça transcendência com relação aos reflexos gerais de natureza econômica, política, social ou jurídica, a qual deve ser analisada de ofício e previamente pelo Relator (artigos 896-A, da CLT, 246 e 247 do RITST). Constatada a transcendência política da causa e demonstrada a contrariedade à Súmula 448, II, do TST, deve ser processado o Recurso de Revista.

Agravo de Instrumento de que se conhece e a que se dá provimento.

RECURSO DE REVISTA. LEI 13.467/2017. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. LIMPEZA DE QUARTOS E BANHEIROS DE

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HOTEL. CAMAREIRA. SÚMULA 448, II, do TST.

TRANSCENDÊNCIA. O reconhecimento de que o trabalho das camareiras de hotel se equipara apenas à atividade de coleta de lixo doméstico, ao fundamento de que suas atividades “se limitam à limpeza dos quartos e banheiros privativos do hotel, cuja utilização se restringe aos hóspedes do estabelecimento” contraria a Súmula 448, II, do TST, conforme demonstrado pela parte recorrente. Esta c.

Corte firmou jurisprudência no sentido de que a limpeza e higienização de quartos e banheiros de uso público, com grande circulação de pessoas, tais como hotéis e motéis, equipara-se a lixo urbano e, portanto, confere direito ao adicional de insalubridade em grau máximo. Transcendência política da causa reconhecida na forma do art. 896-A, § 1º, II, da CLT. Recurso de Revista de que se conhece e a que se dá provimento. (meu grifo)

A Súmula Vinculante 04 do Supremo Tribunal Federal preceitua que:

“Salvo nos casos previstos na Constituição, o salário mínimo não pode ser usado como indexador de base de cálculo de vantagem de servidor público ou de empregado, nem ser substituído por decisão judicial”.

Isso provocou o cancelamento da Súmula nº 17 e alteração da Súmula 228. A Confederação Nacional da Indústria ajuizou em 11/07/2008 reclamação perante o STF sustentando que a nova redação da Súmula 228 do TST ao fixar o salário contratual como base de cálculo do adicional de insalubridade conflitava com a Súmula Vinculante nº 04. Em 15/07/2008, o TST suspendeu a Súmula n. 228:

SUM-17 ADICIONAL DE INSALUBRIDADE (cancelada) - Res. 148/2008, DJ 04 e 07.07.2008 - Republicada DJ 08, 09 e 10.07.2008

O adicional de insalubridade devido a empregado que, por força de lei, convenção coletiva ou sentença normativa, percebe salário profissional será sobre este calculado.

SUM-228 ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. BASE DE CÁLCULO (nova redação) - Res. 148/2008, DJ 04 e 07.07.2008 - Republicada DJ 08, 09 e 10.07.2008

(Súmula cuja eficácia está suspensa por decisão liminar do Supremo Tribunal Federal) - Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012

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Supremo Tribunal Federal, o adicional de insalubridade será calculado sobre o salário básico, salvo critério mais vantajoso fixado em instrumento coletivo.

NOTÍCIA VEICULADA EM 18/04/2018 - O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, cassou parte da Súmula 228 do Tribunal Superior do Trabalho que estipulava o salário básico como base de cálculo do adicional de insalubridade. A decisão se deu na Reclamação (RCL) 6275, ajuizada pela Unimed Ribeirão Preto Cooperativa de Trabalho Médico, e torna definitiva a exclusão da parte do verbete, suspensa desde 2008 por liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes – que presidia o STF na época – em outra Reclamação (RCL 6266) sobre o mesmo tema.

(...)

Na decisão, o ministro Lewandowski explicou que, no julgamento que deu origem à SV 4, o STF entendeu que, até que seja superada a inconstitucionalidade do artigo 192 da CLT por meio de lei ou de convenção coletiva, a parcela deve continuar a ser calculada com base no salário mínimo. Por essa razão, concluiu que a decisão do Plenário do TST que deu nova redação à Súmula 228 contrariou o entendimento firmado pelo Supremo a respeito da aplicação do enunciado da SV 4. Com esse fundamento, julgou procedente a reclamação para cassar a Súmula 228 do TST “apenas e tão somente na parte em que estipulou o salário básico do trabalhador como base de cálculo do adicional de insalubridade devido”.

Outras súmulas que tratam do assunto:

SUM-80 INSALUBRIDADE (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003

A eliminação da insalubridade mediante fornecimento de aparelhos protetores aprovados pelo órgão competente do Poder Executivo exclui a percepção do respectivo adicional.

SUM-289 INSALUBRIDADE. ADICIONAL. FORNECIMENTO DO APARELHO DE PROTEÇÃO. EFEITO (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003

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O simples fornecimento do aparelho de proteção pelo empregador não o exime do pagamento do adicional de insalubridade. Cabe-lhe tomar as medidas que conduzam à diminuição ou eliminação da nocividade, entre as quais as relativas ao uso efetivo do equipamento pelo empregado.

SUM-293 ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. CAUSA DE PEDIR.

AGENTE NOCIVO DIVERSO DO APONTADO NA INICIAL (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003

A verificação mediante perícia de prestação de serviços em condições nocivas, considerado agente insalubre diverso do apontado na inicial, não prejudica o pedido de adicional de insalubridade.

SÚMULA TRT18 Nº 29

ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. FRIO. AUSÊNCIA DE CONCESSÃO DO INTERVALO PREVISTO NO ART. 253 DA CLT.

É devido o adicional de insalubridade quando não concedido o intervalo para recuperação térmica, previsto no art. 253 da CLT, ainda que fornecidos os equipamentos de proteção individual e fiscalizado o uso.

(RA nº 139/2014, DEJT – 08.01.2015, 09.01.2015, 12.01.2015)

Interessante esta decisão abaixo, publicada em maio/2016 envolvendo esse tema:

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 2ª REGIÃO 17ª TURMA

PROCESSO N° 0000245-31.2012.5.02.0221

RECORRENTE: ROTOBRINQ INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ROTOMOLDAGEM LTDA.

RECORRIDO: ADALBERTO LIMA DIAS ORIGEM: 01ª Vara do Trabalho de Cajamar

ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE DILIGÊNCIA NO LOCAL REAL DE TRABALHO. REDUÇÃO DAS EXIGÊNCIAS DE PROVA. LAUDO PERICIAL REALIZADO NO NOVO LOCAL DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL DA RÉ. CONDIÇÕES SEMELHANTES. APLICAÇÃO DA TEORIA DA VEROSSIMILHANÇA PREPONDERANTE. Tendo em vista a impossibilidade de realização de perícia no local real de trabalho do reclamante, já que desativado, deve-se reduzir as exigências de prova no caso concreto e acolher o Laudo Pericial realizado no

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preponderante para a solução da controvérsia.

* Esclarecimento:

Pela impossibilidade de laudo no local original, desativado, o acórdão de relatoria da desembargadora Maria de Lourdes Antônio aplicou a Teoria da Verossimilhança Preponderante, desenvolvida na Suécia e Alemanha. Esta teoria sustenta que a parte (autor ou réu) que alegar posição mais verossímil em relação à outra deve ser beneficiada pelo resultado do julgamento. Uma vez que a perita constatou condições insalubres no novo posto, a presunção mais provável é de que elas também eram assim no posto antigo: “Ora, se a intenção da ré, ao transferir as atividades industriais para novo local, era reduzir os custos, certamente as condições do ambiente laboral seriam salubres, não se podendo presumir que ocorreu justamente o contrário, ou seja, que as atividades eram salubres e que passaram a ser insalubres no novo local”.

(Fonte: sítio eletrônico do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região)

Registre-se que, conforme será visto adiante, não há possibilidade de o trabalhador receber os dois adicionais (insalubridade e periculosidade) cumulativamente. Em verdade, o entendimento vai além: o trabalhador não poderá sequer acumular dois graus de adicional de insalubridade, ainda que esteja submetido a mais de um tipo de agente e grau, conforme se depreende da decisão abaixo proferida pelo TST (publicada em 26/10/2018):

PROCESSO Nº TST-RR-10393-49.2014.5.15.0034 A C Ó R D Ã O

(5ª Turma) GMDAR/LAL/

I. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA REGIDO PELA LEI 13.015/2014. 1. CERCEAMENTO DE DEFESA. A fundamentação está baseada unicamente em divergência jurisprudencial inservível, porquanto nos arestos transcritos não consta a fonte oficial de publicação, em desconformidade com a Súmula 337 do TST. 2. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. AGENTES INSALUBRES DIVERSOS.

CUMULAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Demonstrada possível violação do artigo 193, § 2º, da CLT impõe-se dar provimento ao agravo de instrumento para determinar o processamento do recurso de revista. 3. EQUIPARAÇÃO SALARIAL. ALEGAÇÃO DE FATO IMPEDIDITIVO. ÔNUS DA PROVA DA RECLAMADA. SÚMULA 6, VIII, DO TST. O Tribunal Regional registrou que restou demonstrado que a Reclamante e o paradigma exerciam a mesma função, com a mesma perfeição técnica. Muito embora a Reclamada tenha afirmado que o desempenho da atividade pelo paradigma possuía maior perfeição técnica, o TRT consignou que não houve comprovação

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desta tese. Desse modo, não há falar em violação dos artigos 818 da CLT e 333, II, do CPC, porquanto, na forma do item VIII da Súmula 6 do TST, apresentado fato impeditivo da equiparação salarial, caberia à Reclamada comprová-lo, ônus do qual não se desincumbiu, nos termos delineados pelo Tribunal Regional. 4.

HORAS EXTRAS. SÚMULA 126 DO TST. O Tribunal Regional, soberano na análise de fatos e provas, consignou que restou comprovada a prestação de serviços em caráter excedente, inclusive aos sábados, e descumprimento do regramento referente ao intervalo intrajornada. Nesse contexto, para alterar a conclusão seria necessário o revolvimento de fatos e provas, expediente vedado nessa esfera recursal, na forma da Súmula 126/TST. Agravo de instrumento parcialmente provido.

II. RECURSO DE REVISTA REGIDO PELA LEI 13.015/2014.

ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. AGENTES INSALUBRES DIVERSOS. CUMULAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.

Discute-se, no caso, a possibilidade de recebimento cumulado de adicionais de insalubridade em graus médio e máximo, em razão da exposição do trabalhador a diversos agentes insalubres. O Tribunal Regional, concluiu que, pelo fato de o trabalhador estar submetido a agentes insalubres diversos, tem direito à percepção cumulada de adicionais, notadamente do adicional de insalubridade em grau médio, pela exposição a ruído, e em grau máximo, pela exposição a agentes químicos. Contudo, a jurisprudência do TST é pacífica quanto à impossibilidade do pagamento cumulado de adicionais de insalubridade.

Nesse cenário, conclui-se que o Tribunal Regional, ao deferir a cumulação de adicionais de insalubridade em graus médio e máximo, ainda que decorrentes de exposição a agentes insalubres distintos, violou o artigo 193,

§ 2º, da CLT. Julgados do TST. Recurso de revista conhecido e provido.

(meu grifo)

9.5.2. Adicional de periculosidade: tem direito ao recebimento os trabalhadores urbanos, rurais e avulsos. Previsto no artigo 193 da CLT, devido aos empregados que trabalham em contato permanente ou intermitente com explosivos, inflamáveis, em condições de risco acentuado, comprovadas por perícia:

Art. 193. São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem risco acentuado em virtude de exposição permanente do trabalhador a: (Redação dada pela Lei nº 12.740, de 2012)

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2012)

II - roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança pessoal ou patrimonial. (Incluído pela Lei nº 12.740, de 2012)

§ 1º - O trabalho em condições de periculosidade assegura ao empregado um adicional de 30% (trinta por cento) sobre o salário sem os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou participações nos lucros da empresa.

(Incluído pela Lei nº 6.514, de 22.12.1977)

§ 2º - O empregado poderá optar pelo adicional de insalubridade que porventura lhe seja devido. (Incluído pela Lei nº 6.514, de 22.12.1977)

§ 3º Serão descontados ou compensados do adicional outros da mesma natureza eventualmente já concedidos ao vigilante por meio de acordo coletivo. (Incluído pela Lei nº 12.740, de 2012)

§ 4o São também consideradas perigosas as atividades de trabalhador em motocicleta. (Incluído pela Lei nº 12.997, de 18 de junho de 2014)

Abaixo, decisão proferida pelo TRT 18ª Região, publicada em 17/05/2019:

PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA DO TRABALHO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 18ª REGIÃO PROCESSO TRT - RO-0011067-79.2018.5.18.0009

RELATORA : DESEMBARGADORA KATHIA MARIA BOMTEMPO DE ALBUQUERQUE

RECORRENTE : BM ALARMES LTDA. - EPP ADVOGADA : DELCIDES DOMINGOS DO PRADO RECORRIDO : LUCIANO ALMEIDA DA SILVA ADVOGADO : JUNISMAR MARCAL CHAVEIRO RECORRIDA : DL ALARMES LTDA. - ME

ADVOGADO : DELCIDES DOMINGOS DO PRADO

RECORRIDA : NEW LINE COMÉRCIO E SERVIÇOS TECNOLÓGICOS LTDA. - ME

ADVOGADO : DELCIDES DOMINGOS DO PRADO

RECORRIDA : NEW LINE SISTEMAS DE SEGURANÇA LTDA. - ME ADVOGADO : DELCIDES DOMINGOS DO PRADO

ORIGEM : 9ª VARA DO TRABALHO DE GOIÂNIA JUIZ : WANDERLEY RODRIGUES DA SILVA EMENTA

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ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. ARTIGO 193, §4º, DA CLT. O parágrafo 4º do artigo 193 da CLT estabelece que "são também consideradas perigosas as atividades de trabalhador em motocicleta". Verifica-se que a norma legal não faz nenhuma ressalva quanto às atividades desempenhadas pelo trabalhador, basta que utilize a motocicleta para desempenhar suas atividades laborais. Dessa forma, restando demonstrado nos autos que o autor desempenhava suas funções utilizando-se motocicleta para se deslocar até os clientes, fará jus ao pagamento do adicional de periculosidade, com base no § 4º do artigo 193 da CLT.

O contato eventual com agente perigoso, ou o que sendo habitual, se dá por tempo extremamente reduzido, não dá ao empregado direito de perceber o adicional respectivo (Súmula 364 do TST):

SUM-364 ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. EXPOSIÇÃO EVENTUAL, PERMANENTE E INTERMITENTE (inserido o item II) - Res. 209/2016, DEJT divulgado em 01, 02 e 03.06.2016 I - Tem direito ao adicional de periculosidade o empregado exposto permanentemente ou que, de forma intermitente, sujeita-se a condições de risco.

Indevido, apenas, quando o contato dá-se de forma eventual, assim considerado o fortuito, ou o que, sendo habitual, dá-se por tempo extremamente reduzido.

(ex-Ojs da SBDI-1 nºs 05 - inserida em 14.03.1994 - e 280 - DJ 11.08.2003) II - Não é válida a cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho fixando o adicional de periculosidade em percentual inferior ao estabelecido em lei e proporcional ao tempo de exposição ao risco, pois tal parcela constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantida por norma de ordem pública (arts. 7º, XXII e XXIII, da CF e 193, §1º, da CLT).

SUM-447 ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. PERMANÊNCIA A BORDO DURANTE O ABASTECIMENTO DA AERONAVE.

INDEVIDO - Res. 193/2013, DEJT divulgado em 13, 16 e 17.12.2013

Os tripulantes e demais empregados em serviços auxiliares de transporte aéreo que, no momento do abastecimento da aeronave, permanecem a bordo não têm direito ao adicional de periculosidade a que aludem o art. 193 da CLT e o Anexo 2, item 1, “c”, da NR 16 do MTE.

9.5.3. Alimentação: havia duas situações: a alimentação fornecida por força

do contrato tinha natureza salarial e, portanto, incorporava à remuneração; alimentação

(29)

fornecida por empresa inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) não tem natureza salarial. A Súmula 241 do TST preceitua que, se o vale para refeição for fornecido por força do contrato de trabalho tem natureza salarial, integrando a remuneração do empregado para todos os efeitos legais. A ajuda alimentação fornecida por empresa participante do PAT - Programa de Alimentação ao Trabalhador (Lei 6.321/1976) não tem caráter salarial e assim também entende a jurisprudência majoritária, consagrada na OJ 133 da SDI-1/TST. A adesão ao programa proporciona ao empregador dedução no imposto de renda da empresa:

SUM-241 SALÁRIO-UTILIDADE. ALIMENTAÇÃO (mantida) - Res.

121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003

O vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais.

ESSA SÚMULA POSSIVELMENTE SERÁ ALTERADA/CANCELADA EM FACE DO QUE DISPÕE O §2º DO ARTIGO 457 DA CLT (transcrito mais adiante)

OJ-SDI1-133 AJUDA ALIMENTAÇÃO. PAT. LEI Nº 6.321/76. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO (inserida em 27.11.1998)

A ajuda alimentação fornecida por empresa participante do programa de alimentação ao trabalhador, instituído pela Lei nº 6.321/76, não tem caráter salarial. Portanto, não integra o salário para nenhum efeito legal.

Entretanto, a Lei n. 13.467/2017 alterou essa concepção, já que pela nova redação dada ao § 2º do artigo 457, o auxílio alimentação não tem mais natureza salarial:

Art. 457. (...) (...)

§ 2o As importâncias, ainda que habituais, pagas a título de ajuda de custo, auxílio-alimentação, vedado seu pagamento em dinheiro, diárias para viagem, prêmios e abonos não integram a remuneração do empregado, não se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem base de incidência de qualquer encargo trabalhista e previdenciário. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017)

Sendo assim, a súmula 241 tende a ser alterada/cancelada.

(30)

Segue abaixo decisão proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, publicada em 28/03/2019:

PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA DO TRABALHO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 2ª REGIÃO RELATOR JUIZ PAULO SÉRGIO JAKUTIS

PROCESSO TRT/SP Nº 1000725-18.2016.5.02.0361 RECURSO ORDINÁRIO

RECORRENTE(S): BK BRASIL OPERACAO E ASSESSORIA A RESTAURANTES S.A.

RECORRIDO(S): MARIELLE ALVES DE ABREU EMENTA

EMENTA: EMPRESA DE FAST FOOD. LANCHE NÃO EQUIVALE À REFEIÇÃO. NORMA COLETIVA DESCUMPRIDA. TICKET-REFEIÇÃO DEVIDO. O trabalhador não pode ser obrigado à alimentar-se de lanches todos os dias, sobretudo por ser notória a prejudicialidade à saúde ante a ausência dos elementos necessários a uma razoável nutrição e o excesso de elementos que devem ser consumidos com moderação. Desta forma, o fornecimento diário de lanches, por empresas do ramo do fast food, não satisfaz a regra prevista na cláusula nº 55, CCT, por não se equiparar à refeição. Recurso ordinário provido.

Decisão proferida pelo Tribunal Superior do Trabalho, publicada em 15/03/2019:

PROCESSO Nº TST-ARR-20925-70.2016.5.04.0664

ACÓRDÃO (8ª Turma) GMDMC/Esr/cb/wa

A) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA.

AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA.

COPARTICIPAÇÃO DO EMPREGADO NO CUSTEIO. Caracterizada a existência de dissenso pretoriano, dá-se provimento ao agravo de instrumento para destrancar o recurso de revista. Agravo de instrumento conhecido e provido.

B) RECURSO DE REVISTA. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA. COPARTICIPAÇÃO DO EMPREGADO NO CUSTEIO.

Cinge-se a controvérsia à natureza jurídica do auxílio-alimentação fornecido ao longo da contratualidade, mediante coparticipação do empregado

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maiores debates, consoante o entendimento jurisprudencial firmado no âmbito deste Tribunal Superior, no sentido de que a alimentação fornecida de forma não gratuita pelo empregador, mediante contribuição do empregado no custeio da parcela, descaracteriza a sua natureza salarial. Precedentes.

Recurso de revista conhecido e provido. (meu grifo)

9.6. Formas e meios de pagamento do salário:

O salário deve ser pago pessoalmente ao empregado, mediante recibo, até o 5º dia útil do mês subsequente ao trabalhado, conforme previsto no artigo 459, § 1º, da Consolidação das Leis do Trabalho.

O principal meio de pagamento do salário é o dinheiro. O artigo 463 da Consolidação das Leis do Trabalho proíbe o pagamento em moeda estrangeira. Logo, se a contratação for feita em moeda estrangeira no ato do pagamento deverá ser feita conversão para a moeda nacional.

O pagamento pode ser feito em cheque o depósito bancário (artigo 464 da Consolidação das Leis do Trabalho), sendo vedado o pagamento em notas promissórias, pois além de prorrogar a data do pagamento é de difícil circulação. Proibido também o empregador pagar o salário do empregado através de vales ou bônus (o chamado truck system), adiante explicado.

9.7. Proteção ao salário:

-

Truck-sistem – trata-se de uma limitação na autonomia do trabalhador em escolher como e

onde quer gastar ou investir seu salário. A legislação trabalhista é expressa no sentido de se proibir o pagamento do salário por meio de vales, bônus ou equivalentes para a aquisição de mercadoria no estabelecimento do empregador. Essa proibição está contida no artigo 462, § 2º da CLT.

Exceção – artigo 462, § 3º da CLT.

Art. 462 - Ao empregador é vedado efetuar qualquer desconto nos salários do empregado, salvo quando este resultar de adiantamentos, de dispositivos de lei ou de contrato coletivo.

(...)

(32)

§ 2º - É vedado à empresa que mantiver armazém para venda de mercadorias aos empregados ou serviços estimados a proporcionar-lhes prestações "in natura" exercer qualquer coação ou induzimento no sentido de que os empregados se utilizem do armazém ou dos serviços. (Incluído pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967)

§ 3º - Sempre que não for possível o acesso dos empregados a armazéns ou serviços não mantidos pela Empresa, é lícito à autoridade competente determinar a adoção de medidas adequadas, visando a que as mercadorias sejam vendidas e os serviços prestados a preços razoáveis, sem intuito de lucro e sempre em benefício dos empregados. (Incluído pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967)

Se o salário for ajustado por tempo não se admite alteração para salário por unidade de obra ou para salário misto, em razão do princípio da inalterabilidade e intangibilidade formal do salário.

A partir da Constituição Federal de 1988, em seu artigo 7º, inciso VI, a redução salarial somente é possível por meio de negociação coletiva.

9.8. Descontos legais: contribuição previdenciária, imposto de renda, contribuição sindical, ressarcimento em caso de dano doloso ou culposo provocado pelo empregado, neste último caso, desde que a possibilidade tenha sido acordada pelas partes (art. 462, § 1º da CLT):

Art. 462 - Ao empregador é vedado efetuar qualquer desconto nos salários do empregado, salvo quando este resultar de adiantamentos, de dispositivos de lei ou de contrato coletivo.

§ 1º - Em caso de dano causado pelo empregado, o desconto será lícito, desde que esta possibilidade tenha sido acordada ou na ocorrência de dolo do empregado. (Parágrafo único renumerado pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967)

Exemplo: desconto do salário do frentista do valor de cheques devolvidos sem provisão de fundos, quando ele não observou as recomendações previstas em instrumento coletivo (OJ 251 da SDI-1):

OJ-SDI1-251 DESCONTOS. FRENTISTA. CHEQUES SEM FUNDOS (inserida em 13.03.2002)

Referências

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