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AGROPECUÁRIAS 1985-2010 (CEARÁ=100) 1985 2000

ESPACIALIDADES DA ESTRUTURA PRODUTIVA CEARENSE NO PERÍODO DE 1980-2010.

AGROPECUÁRIAS 1985-2010 (CEARÁ=100) 1985 2000

Município PIB (mil R$) % do Estado Município PIB (mil R$) % do Estado Município PIB (mil R$) % do Estado

1º. Iguatu 64,5 2,8 Tianguá 37,6 2,5 Tianguá 36,6 2,9

Quixadá 63,0 2,7 Ibiapina 28,3 1,8 Icapuí 35,7 2,8

3º. Itapipoca 60,5 2,6 Itapipoca 25,0 1,6 Aracati 29,8 2,4

4º. Quixeramobim 50,7 2,2 Quixadá 23,9 1,6 São Benedito

24,5 1,9

5º. Morada Nova 50,2 2,2 Ubajara 23,8 1,6 Ibiapina 24,5 1,9

6º. Acaraú 48,6 2,1 Aracati 23,2 1,5 Limoeiro do Norte

23,5 1,9

7º. Tauá 48,5 2,1 Quixeramobim 23,1 1,5 Russas 23,4 1,8

8º. Acopiara 44,6 1,9 Limoeiro do Norte

22,2 1,4 Guaraciaba do Norte

22,0 1,7

9º. Aracati 42,9 1,9 Iguatu 21,9 1,4 Morada Nova

20,1 1,6

10º. Maranguape 40,5 1,8 Tauá 19,9 1,3 Ubajara 19,4 1,5

TOTAL 519,9 22,3 248,9 16,2 259,5 20,5

Fonte: PIB’s Municipais (IBGE, 2013)

A partir da transformação promovida pela implantação dos agropolos e da agricultura de irrigação assistida, voltada para culturas destinadas à exportação, o quadro sofre alteração radical. Os municípios com setor agrícola tradicional passam gradativamente a ser deslocados de suas posições, quando não deixam de figurar entre os dez PIB’s Agropecuários mais elevados. Em 2000, Tianguá assume a liderança e são incluídos no grupo Ibiapina (2ª posição), Ubajara (5ª) e Limoeiro do Norte (8ª), com produção de frutas. Exceto Itapipoca, os demais perdem posição (Iguatu, Quixadá, Quixeramobim e Tauá).

O processo é consolidado no decênio seguinte e o conjunto de dez maiores PIB’s da agricultura do Ceará passa a ser constituído exclusivamente pelos municípios do circuito de culturas que sofreram as maiores transformações objetivando a inserção no mercado internacional. Tianguá mantém sua posição ampliando a sua participação para 3% do PIB Agrícola. Ainda da Mesorregião Noroeste estavam Ibiapina (4ª posição), São Benedito (5ª), Guaraciaba do Norte (8ª) e Ubajara (10ª). A produção dos três primeiros foi praticamente de flores e plantas ornamentais, que passou a ser componente de exportação estadual.

128 A relação destes municípios com maiores PIB’s agropecuários tem seus nexos com a estrutura do sistema urbano considerando que são municípios que se constituem em polos a partir da pujança adquirida por estas atividades. Os reflexos são apreendidos ainda no seu respectivo crescimento populacional não mais rural visto que sendo atividades resultados de modernização, a absorção da mão de obra, que ainda é elevada (TABELA 10) vai gradativamente sendo reduzida. O uso intensivo neste contexto é dos recursos naturais e dos benefícios de políticas indutoras e o emprego da força de trabalho é intensivo mas reduzido aos poucos com a tecnificação. Ao ser liberada, esta mão de obra se direciona para as respectivas áreas urbanas, sendo lá absorvidas em certos limites por outras atividades também estimuladas pelo modelo modernizante, como será visto na seção seguinte.

3.2. INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO.

As implicações das transformações produtivas e seus efeitos sobre as atividades industriais do Ceará nos últimos trinta anos, têm como ponto de partida um quadro analítico que a considera precedentemente como resultado mais direto dos macro movimentos de reestruturação econômica. O deslocamento promovido pelo processo de modernização econômica conduzido pelos governos estaduais pós 1986 vislumbrou em tais movimentos possibilidades para o Ceará. Associado às mobilizações de relocalizações, empreendidas por empresas e grandes corporações, motivadas por princípios de redução de custos em todos os componentes/momentos da produção permitindo maior inserção nos mercados, propalou-se distinções importantes na dinâmica das atividades industriais cearenses com implicações territoriais marcantes.

Entretanto, de ante mão ressalta-se a impossibilidade de seguir utilizando o mesmo esquema de exploração explorado na seção anterior, que evidenciou as transformações ocorridas com base em dados agrupados por mesorregiões. A impossibilidade é decorrente das restrições na disponibilidade de espacializações mais específicas dos dados utilizados, predominantemente aqueles que tem como fonte a Pesquisa Industrial Anual – PIA114.

114

Como é o caso dos cortes mesorregionais e municipais, sempre utilizados neste trabalho. Reproduziu-se aqui a advertência feita acerca desta base de dados nas Notas Metodológicas, contidas na Introdução do trabalho: As bases de dados da PIA com especificidades de atividades considerando a Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE a 2 e 3 dígitos, ao serem especificadas para níveis territoriais menores, sofrem muitas desidentificações devido ao rigor do sigilo estatístico. Esta característica pôde ser comprovada já no nível da UF,

129 Considerado isto, observa-se que as transformações não ocorrem num ambiente industrial de ermo. Ainda que a indústria cearense tivesse pouca diversificação e baixa participação no aparelho produtivo nacional - e aqui já foi descrito os imperativos de formação que conduziram a tal situação -, é pertinente relembrar que esse quadro já vivenciara importantes alterações nos anos 1970, capitaneadas pelos vetores induzidos nas ações da SUDENE.

O momento é situado na segunda fase da industrialização do Ceará, que embora situada por Amora (2007) entre os anos 1950 e 1980, suas maiores concretudes são observadas na segunda metade da década de 1970, quando é empreendida a implantação do III Polo Industrial do Nordeste, na RMF. O Distrito de Maracanaú, pertencente ao município de Maranguape, emancipado em 1983 e integrado à RMF em 1986, foi escolhido para a implantação do polo, o que contribuiu para não modificar a dinâmica espacial da atividade industrial, tendo em vista que se manteve concentrada nas proximidades da capital115.

Quando estes efeitos das intervenções viabilizadas pelo planejamento centralizado da Superintendência são sentidos de forma mais nítidas (1975-1985), a busca de modernização dos seus principais ramos de indústria permitiu maior participação do estado em setores como têxtil, vestuário, calçados e artefatos de couro, produtos alimentares e bebidas, de acordo com a realidade exposta pelos dados da TABELA 17.

Embora houvesse tentativa explícita por parte dos governos estaduais de empreender novas opções industriais no III Polo do Nordeste, notadamente nos ramos metal-mecânico, eletrônico e petroquímicos (SAMPAIO FILHO, 1985, p. 38), poucos resultados neste sentido foram limitados. Os segmentos com maiores taxas de crescimento da participação percentual no VTI da Indústria de Transformação foram Vestuários, Calçados e Artefatos de Tecidos (7,5%

com a base de dados disponibilizada pelo IBGE a partir de consulta pessoal, realizada durante o mês de dezembro de 2013. Com este critério, ao descer para o âmbito mesorregional se utilizando das informações estatísticas oficiais, o sigilo afetaria as expectativas de análise da presente pesquisa. Nas notas metodológicas tratando de algumas advertências por demais pertinentes acerca das informações estatísticas econômicas disponibilizadas oficialmente, Cano (2008, p.250) cita o aumento de rigor do sigilo estatístico vindo com a realização das PIA’s a partir de 1996, deixando mais complexas as investigações que a utilizam. Entretanto, procurar-se-á percorrer caminhos que permitam contornar o problema, dentro das margens possíveis sem ferir credibilidade. Outras informações serão utilizadas, provenientes do próprio IBGE, do MDIC, do MTE e das Secretarias e órgãos do Governo do Estado do Ceará.

115 Os principais empreendimentos induzidos pela SUDENE quando não tinha sua instalação em Fortaleza, situavam-

se no Distrito de Maracanaú. Dentre estes estavam o Vicunha Têxtil, a Gerdau e os antigos ramos de alimentos e bebidas (PEREIRA JÚNIOR, 2012, p. 251; 322)

130 a.a.), Produtos Alimentares (6.5%), Bebidas (5,2%) e Têxtil (3,4% a.a.), sendo todos ramos mais tradicionais com predominância de capitais locais, conforme já afirmado116.

TABELA 17 – CEARÁ: PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL NO VTI DA INDÚSTRIA DE